===== GA9:441-443 – aletheia ===== Mas a Aletheia, a desocultação (Entbergung), não acontece apenas nas palavras fundamentais do pensamento grego, acontece na [[termos:t:totalidade-mac:start|totalidade]] da língua grega, que fala diferente tão logo deixamos fora de jogo as maneiras de representar, romanas, medievais e modernas, ao interpretá-la, e tão logo deixamos de procurar por personalidades (Persönlichkeiten) e pela consciência (Bewußtsein) no mundo grego. Mas qual é, então, a situação desta enigmática Aletheia mesma que se tornou um escândalo para os intérpretes do mundo grego, pelo fato de se aterem apenas a esta palavra isolada e sua etimologia, em vez de pensarem a partir da questão para a qual apontam palavras como desvelamento e velamento (Unverborgenheit und Entbergung)? É a Aletheia enquanto desvelamento o mesmo que ser, isto é, pre-sentar (Anwesende)? Isto vem confirmado pelo fato de ainda [[termos:a:aristoteles-2:start|Aristóteles]] entender com tà onta, o ente, aquilo que se presenta, o mesmo que com tà alethea, aquilo que está desvelado. No entanto, de que maneira desvelamento e presença, aletheia e ousia, estão ligados entre si? São ambos da mesma classe de ser? Ou só depende a presença do desvelamento e não vice-versa, este daquela? Então o ser tinha, na [[termos:v:verdade:start|verdade]], algo a ver com a desocultação, mas nada a desocultação com o ser? Ainda mais: se a essência da verdade como retitude e certeza (Richtigkeit und Gewißheit) que muito cedo se afirmou só puder subsistir no âmbito do desvelamento, então, sem dúvida, a verdade tem algo a ver com a Aletheia, mas nada esta com a verdade. Qual o lugar da Aletheia mesma se libertada da perspectiva sobre a verdade e o ser tiver que ser entregue à liberdade que lhe é própria? Possui já o pensamento o horizonte para ao menos conjeturar sobre o que acontece na desocultação e mesmo na ocultação de que necessita qualquer desocultação? O enigmático da Aletheia se torna mais compreensível, mas ao mesmo [[termos:t:tempo:start|tempo]] o risco de nós a hipostasiarmos num ser fantástico se torna maior. Observou-se ainda, já várias vezes, que não poderia dar-se um desvelamento em si. que desvelamento sempre é desvelamento “para alguém”. E com isto estaria provada sua “subjetivação” (subjektiviert). Deve, todavia, ser o homem em que aqui se pensa necessariamente determinado como [[termos:s:sujeito:start|sujeito]]? Significa “para o homem” já obrigatoriamente: posto pelo homem? Ambas as coisas podemos negar e nos vemos levados a lembrar que a Aletheia, pensada em sentido grego, sem dúvida alguma, impera para o homem, mas que o homem permanece determinado pelo logos. O homem é aquele que diz (Der [[termos:m:mensch:start|Mensch]] [[termos:i:ist:start|ist]] der Sagende). Dizer, no alemão arcaico [[termos:s:sagan:start|sagan]], significa: mostrar, fazer aparecer e ver (zeigen, [[termos:e:erscheinen:start|Erscheinen]] und [[termos:s:sehen:start|sehen]]-lassen). O homem é o ser que pelo dizer faz surgir o presente em sua presença e assim percebe o aí-jaz-presente. O homem apenas sabe falar na medida em que é aquele que diz (Der Mensch ist das [[termos:w:wesen-hlex:start|Wesen]], das sagend das [[termos:a:anwesende:start|Anwesende]] in seiner [[termos:a:anwesenheit:start|Anwesenheit]] vorliegen läßt und das Vorliegende vernimmt). As mais antigas referências a aletheie e [[termos:a:alethes-hlex:start|alethes]], desvelamento e desvelado (Unverborgenheit und unverborgen), encontramos em Homero e, na verdade, no contexto com verbos que significam dizer. Disto se concluiu apressadamente demais: portanto, o desvelamento é “dependente” (abhängig) dos verba dicendi. Que significa aqui “dependente” quando dizer é o deixar aparecer (Erscheinerlassen) e, em consequência, tal também é o disfarçar e o encobrir (Verstellen und Verdecken)? Não o desvelamento é “dependente” do dizer (Sagen), mas qualquer dizer já precisa do âmbito do desvelamento (Bereich der Unverborgenheit). Apenas lá onde esta já impera pode algo tornar-se dizível, visível, mostrável, perceptível (sagbar, sichtbar, zeigbar, vernehmbar). Se mantivermos na mira o enigmático imperar (rätselhafte Walten) da Aletheia, do desvelamento, então podemos até suspeitar que mesmo toda a essência da linguagem repousa na des-ocultação, no imperar da Aletheia. Entretanto, mesmo a conversa sobre o imperar permanece ainda um expediente, já que a maneira como acontece o imperar recebe sua determinação da desocultação mesma, isto é, da clareira do autovelar-se (Lichtung des Sichverbergens). {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}