====== DE ANIMA ====== //HEIDEGGER, Martin. Seminários de Zollikon. Organizado por Peter Trawny (2018). Traduzido por Marco Casanova. Rio de Janeiro: Via Verita, 2021// **A DETERMINAÇÃO ARISTOTÉLICA DA PSYCHÉ** 1. A determinação aristotélica da [[f>p:psyche|psyché]] (ψυχή), quando pensada a partir das representações modernas, chama a atenção pelo que não ocorre – a saber, nenhuma "consciência" ([[lx>termos:b:bewusstsein|Bewusstsein]]), nenhum "sujeito" ([[lx>termos:s:subjekt|Subjekt]]) e nenhum interior/exterior (Innen/Außen) –, e pelo que está em questão, que é ter visto cientificamente para, então, pela primeira vez "ver", considerando-se a enteléquia (ἐντελέχεια), o homonímico (ὁμώνυμον) como "corpo vivo" (lebendiger Leib) e o "ὄργανον λόγον ἔχον". 2. No livro "De anima" (De anima B 1, 412 a 3 e seguintes), retoma-se o que foi apresentado pelos pensadores mais antigos sobre a alma, lançando-se novamente às coisas para delimitar o que é a psyché (ψυχή) e qual seria a maneira mais comum de interpelá-la em seu quid (quid), partindo-se do princípio de que a entidade ([[lx>termos:s:seiendheit|Seiendheit]]) é a presentidade ([[lx>termos:a:anwesenheit|Anwesenheit]]) do que se presenta, e que um de seus modos é o "a partir de que" ([[lx>termos:h:hypokeimenon|ὑποκείμενον]]), enquanto outro é a figura e o aspecto ([[lx>termos:e:eidos|εἶδος]]), e o terceiro é o que advém desses dois, sendo que o "a partir de que" é a base (Hypokeimenon) e o aspecto é o que mantém algo na consumação ([[lx>termos:v:vollendung|Vollendung]]) de seu presentar, de maneira dupla: como saber ([[lx>termos:e:episteme|ἐπιστήμη]]) e como contemplação ([[lx>termos:t:theorein|θεωρεῖν]]), e que, antes de tudo, estão o "elemento corporal" (körperliches Element) e, a partir dele, aquilo que se encontra por si mesmo no presente, constituindo as saídas de todo o resto. 3. Denomina-se vida ([[lx>termos:l:leben|Leben]]) aquilo que se alimenta, cresce e definha por si mesmo, de modo que tudo o que é corporal e desponta assim por si, e que contém vida, tem o direito de ser algo que se presenta à maneira da reunião (Versammlung); na medida em que um tal ente corporalmente presente se mostra como um este aí (Dieses da) e retém a vida junto a si, a psyché (ψυχή) não pode ser nenhum ente corporalmente subsistente por si, pois o que é corporalmente presente não pertence àquilo que é dito em primeiro lugar com vistas a algo que já se encontra de antemão aí, mas ele mesmo é como algo que prontamente se encontra de antemão na base (Hypokeimenon) e como aquilo "a-partir-de-que" (ὑποκείμενον) do qual algo diverso é produzido. 4. A psyché (Psyché) é, necessariamente, presentidade ([[lx>termos:a:anwesenheit|Anwesenheit]]) sob o modo do aspecto ([[lx>termos:a:aussehen|Aussehen]]), ou seja, trazer à aparência ([[lx>termos:e:erscheinung|Erscheinung]]), sendo algo corporal que desponta por si mesmo e que contém, segundo a sua base, vida; a presentidade, aqui, é o manter na consumação (Vollendung) do presentar-se, manifestamente no que se refere a um tal elemento corporal, e a divisão (Unterscheidung) se dá de maneira dupla: uma como saber (ἐπιστήμη) e a outra como contemplação (θεωρεῖν), isto é, ver (ter visto). 5. De maneira patente, porém, o que está em questão é o saber (ἐπιστήμη), pois no vigor prévio da psyché (ψυχή) há tanto o dormir (Schlaf) quanto o despertar (Wachen); de maneira correspondente, a essência ([[lx>termos:w:wesen|Wesen]]) está para a contemplação (θεωρεῖν), assim como o sono está para a retenção (Verweilen) e para o não essenciar-se na obra, enquanto que, anteriormente, de acordo com o emergir, o saber se volta para o mesmo, e por isso a psyché (Psyché) é o manter-na-consumação (Vollendung) e é aquilo que antecede tudo – algo corporal (Körperliches) que desponta por si –, que tem, segundo a sua estrutura (Gefüge), vida. {{tag>GA89}}