====== Nada, abismo, ser – Perspectiva ====== * Determinação do ponto de vista e do princípio da filosofia hegeliana. * Ponto de vista: o idealismo absoluto, compreendido como a incondicionalidade do ego-cogito certum, expressão do conceito de ab-soluto. * Princípio: a substancialidade é a subjetividade; o ser compreendido como devir do saber absoluto. * Caracterização da negatividade hegeliana como diferença da consciência. * Questão fundamental: se essa diferença é derivada da própria essência da consciência, ou se é empregada para determinar a relação sujeito-objeto, ou ainda ambas as coisas e por quê. * Esclarecimento da negatividade na forma do ser outro: algo e o outro; o outro enquanto o outro do outro. * A negatividade não pode ser deduzida a partir do conceito hegeliano de nada, embora pareça ser a encarnação da não-idade (Nichtheit). * O ser e o nada em Hegel não são diferentes; nesse ponto não há ainda diferença nem negatividade. * O conceito hegeliano de ser resulta da redução (Ab-bau) da realidade absoluta. * O ser é o extremo oposto da realidade absoluta — sua alienação extrema. * Contudo, a realidade absoluta é vontade. * A realidade absoluta, como ser em sentido amplo, apresenta-se como negativa em face da fundamentação sistemática da diferença entre ser e ente. * Essa negação, já consumação do abandono, provém do esquecimento da diferença. * O esquecimento nasce do hábito que banaliza a diferença. * A redução necessária emerge dessa negação, enraizada na essência do absoluto e da própria metafísica. * A negação essencial é o pressuposto necessário para a possível absoluta liberdade do pensar incondicionado. * A partir desse ponto, infere-se a resolução (Auflösung) da negatividade na positividade do absoluto. * A negatividade é a energia do pensar incondicionado, pois contém em si todo o elemento negativo desde o início. * Perguntar pela origem da negatividade é destituído de sentido, já que a negatividade é o inquestionável, essência da subjetividade. * A negatividade, como negação da negação, funda o sim da autoconsciência incondicionada — a certeza absoluta como verdade, ou seja, a entidade do ente. * A inquestionabilidade da negatividade decorre da inquestionabilidade do próprio pensar. * O pensar realiza-se como representação do ente e como projeção do horizonte de interpretação do ser — perceptibilidade, presença e pensabilidade. * A evidência do pensar constitui a distinção essencial do homem enquanto animal racional. * Desde Descartes, a entidade do ente é o representar; a consciência é autoconsciência. * A inquestionabilidade da negatividade conduz à pergunta pela relação do homem com o ser, e não apenas com o ente. * Esta é a verdadeira questão do antropomorfismo. * O ser deve ser interrogado não a partir do ente nem em direção a ele como entidade, mas no retorno a si mesmo, à sua verdade. * O claro do ser se indica por uma meditação sobre a ainda inconcebida unidade do pensar: representar algo como algo à luz do ser. * O claro é o abismo — a nada, não como nulidade, mas como força gravitacional autêntica, o próprio ser (Seyn). * O ser é distinto do ente. * Torna-se questionável caracterizar a relação entre ser e ente como mera diferença. * A superação dessa questão requer compreender o ser como projeto, sendo o projetar o próprio ser-aí. * A negatividade, para o pensar metafísico, é absorvida na positividade. * A nada é o abissal em relação ao ser (Seyn), e, enquanto tal, sua própria essência. * O ser (Seyn) manifesta-se em sua singularidade, como finitude; contudo, essa caracterização é facilmente mal interpretada. * Pensar a nada significa interrogar a verdade do ser (Seyn) e experimentar a carência do ente em sua totalidade. * Pensar a nada não é nihilismo. * A essência do nihilismo consiste em esquecer a nada, desviando-se na maquinação do ente. * O domínio da maquinação do ente evidencia-se no fato de que a metafísica, fundamento dessa maquinação, rebaixa o ser a mera nulidade. * Em Hegel: a nada reduzida a pura indeterminação e imediaticidade — ausência de pensamento. * Em Nietzsche: o ser como o último sopro de uma realidade evaporada.