===== GA10 – FUNDAMENTO ===== O princípio do **fundamento** reza: nihil est sine ratione. I Traduz-se: nada é na [[termos:v:verdade:start|verdade]] sem **fundamento**. I O nosso entendimento não necessita de se esforçar para compreender o princípio do **fundamento**. I No que é que isto reside? Nisto que o próprio entendimento humano em todo o lugar e constantemente, onde e quando se encontra activo, espreita imediatamente um olhar do **fundamento**, a partir daquilo que vem ao seu encontro é e tal como é. I O entendimento lança um olhar para o **fundamento**, na medida em que ele próprio, a saber, o entendimento, reclama a indiciação do **fundamento**, o entendimento ou a indicação do **fundamento**. I Em todo o a-profundar e funda-mentar, encontramo-nos num caminho para o **fundamento**. I Sem o sabermos ao certo, estamos de qualquer modo continuamente a ser solicitados, a ser chamados para cuidarmos dos fundamentos e do **fundamento**. I Como se isso se desse a partir de si próprio, encontramo-nos no nosso proceder e representar a caminho do **fundamento**. I Nada é sem **fundamento**. I O nosso comportamento dá conta por todo a parte, do que o princípio do **fundamento** diz. I Assim também não pode pois surpreender-nos o seguinte: em todos os lugares onde o representar humano procede não apenas de modo entendido mas também reflectidamente, também com o [[termos:t:tempo:start|tempo]] se lhe torna expressamente claro que ele segue, o que só mais tarde é enunciado expressamente pelo estabelecido fixado princípio do **fundamento**. I Isto – que o homem passa e fica em consequência do princípio do **fundamento** – ocorre lentamente ao homem. I Na medida em que o representar humano meditar nisto, que por toda a parte, tudo é, de algum modo, aprofundado e fundamentado, ressoará nele o princípio do **fundamento** como móbil fundamental do seu comportamento. I Nós dizemos com prudência: o princípio do **fundamento** ressoará. I Mesmo aí, onde o representar humano transita para uma meditação sobre o seu próprio agir e cuida desta meditação, mesmo aí, onde esta meditação se eleva até aquilo que há muito tempo é denominado pela palavra grega philosophia, mesmo na filosofia, apenas depois de muito tempo, apenas ressoa o princípio do **fundamento**. I Foram precisos séculos, até o princípio do **fundamento** ser enunciado como princípio na curta formulação primeiramente mencionada. I O princípio do **fundamento** nesta formulação foi pela primeira vez alcançado e especialmente discutido no âmbito daquelas reflexões, que Leibniz conseguiu no século XVII. I Depois disso passaram dois mil e trezentos anos, até que o pensamento europeu-ocidental tivesse desejado encontrar e pôr de pé o simples princípio do **fundamento**. I Mas ainda mais estranho, é que nós não nos espantemos ainda da lentidão com que o princípio do **fundamento** se manifestou. I Onde e como dormiu durante tanto tempo o princípio do **fundamento** e sonhou antecipadamente o impensado nele? Não é agora ainda o momento certo para sobre isso reflectir. I Provavelmente também não estamos ainda suficientemente despertos para a estranheza que se anuncia, uma vez que comecemos a dar a devida atenção ao invulgarmente longo período de incubação do princípio do **fundamento**. I Para quê, então, a admiração perante a singular história do princípio do **fundamento**? Não nos iludamos. I O princípio do **fundamento** e a sua história não nos incitam de modo nenhum permanecermos para aí muito tempo. I Mas que o princípio do **fundamento** – este enunciado próximo, e que a formulação concisa igualmente próxima não pudesse ser achada durante tanto tempo! Porque é que tal não nos comove, até mesmo porque não nos derruba? Porque não? Resposta: porque a nossa relação com o que está situado próximo, há muito tempo que é insensível e apática. I Por essa razão mal podemos pressentir, quão próximo de nós se encontra, o que diz o princípio do **fundamento**. I Porque haveremos então de nos preocupar com princípios tão vazios como o princípio do **fundamento**? Pois ele é vazio, porque nele nada existe de evidente para ver, nada que possa ser agarrado pela mão, e até com o entendimento nada mais existe para perceber. I Logo que ouvimos o princípio do **fundamento** damo-nos por elucidados. I E não obstante – talvez o princípio do **fundamento** seja o mais enigmático de apenas todos os princípios possíveis. I Nada, aqui, significa: não uma qualquer de tudo aquilo que de algum modo é, o é sem **fundamento**. I Nesta versão do princípio do **fundamento** nota-se imediatamente que ele contém duas negações: nihil – sine; nada – sem. I A dupla negação resulta numa afirmação: Nada daquilo que de certo modo é, o é sem **fundamento**. I Isto quer dizer: cada coisa que é de algum modo um ente tem um **fundamento**. I Na presente formulação do princípio do **fundamento** ocorre diferentemente. I Até que ponto? O enunciado afirmativo: «Cada ente tem o seu **fundamento**» soa como um apuramento. I Ele observa que cada ente é provido de um **fundamento**. I Poderemos nós agora verificar se cada ente tem um **fundamento**? Para realizarmos esta verificação, teríamos de trazer perante nós, cada ente que em qualquer altura e em qualquer lugar é, foi e será, para então examinarmos até que ponto ele tem um **fundamento** para si, em si. I A nossa afirmação: «cada ente tem um **fundamento**» apoia-se assim, como se diz, sobre pés de barro. I Supondo que estaríamos em condições de examinar se todos os entes e reais teriam respectivamente um **fundamento**, permaneceria contudo ainda o campo aberto daquilo que não é realmente e apesar disso é, na medida em que é possível – é. I Também este possível, o possivelmente ente pertence ao ente num sentido mais vasto e tem um **fundamento** da sua possibilidade. I Mas quem se poderia atrever passar em revista minimamente tudo aquilo que é possível e possivelmente é real? Entretanto alguns já terão pensado, que o princípio do **fundamento** na formulação: «cada ente tem um **fundamento**» não é um simples apuramento, e por isso ele não precisa de ser averiguado do modo como normalmente é averiguado um apuramento. I Se o princípio do **fundamento** fosse um princípio simplesmente verificativo, então ele teria de estar na formulação exacta: cada ente, até ao ponto em que o ente pôde ser observado até agora, tem um **fundamento**. I Porém o princípio do **fundamento** quer dizer mais, nomeadamente o seguinte: em geral, e isto quer dizer em regra, cada ente tem um qualquer **fundamento**, para que seja e assim seja, como é. I O princípio do **fundamento** diz contudo singelamente: cada ente tem um **fundamento**. I O princípio do **fundamento** não é nem uma verificação nem uma regra. I De modo mais adequado, esta deverá ser: cada ente tem necessariamente um **fundamento**. I Mas afinal de que género é esta necessidade? Em que é que ela se apoia? Sobre o que se fundamenta o princípio do **fundamento**? Onde tem o próprio princípio do **fundamento** o seu **fundamento**? Ao questionarmos assim, eliminamos logo o capcioso e o enigmático deste **fundamento**. I Pode-se decerto afastar o enigmático do princípio do **fundamento** com um golpe, num acto autoritário. I Contudo ninguém se atreverá a afirmar que incondicionalmente o princípio do **fundamento** elucida de modo imediato aquilo que ele afirma. I Sob que luz é então o princípio do **fundamento** um princípio elucidativo? De que luz precisa o princípio para brilhar? Vemos nós essa luz? E no caso de a vermos, não é sempre perigoso ver a luz? Aparentemente, nós podemos encontrar a luz na qual brilha o princípio do **fundamento** apenas para esclarecermos a que tipo de princípios pertence este princípio do **fundamento**. I Sobre o carácter de princípio deste princípio do **fundamento** já foi mencionada alguma coisa. I Alguns acharão que até aqui já foi falado o suficiente sobre a forma deste princípio, que deveria ser altura, para sem mais rodeios, se entrar no conteúdo do princípio do **fundamento**. I No entanto também este modo de representar alterado e a expressão que lhe está subordinada permanecem separados por um abismo, da sabedoria do dizer que o princípio do **fundamento** em si encerra. I Com efeito a frase-princípio do **fundamento** entrega-se à primeira vista e à primeira audição da mesma forma que todas as outras frases h cada ente tem necessariamente um **fundamento**. I Nesta perspectiva escutamos também de seguida a frase-princípio do **fundamento**. I Enquanto este ponto de vista se mantiver como o único normativo, também não poderemos soltar a frase-princípio do **fundamento** do círculo deste tipo de frase. I Porém aquilo que a frase-princípio do **fundamento** põe e como ela o põe, o modo como ela pensada rigorosamente, é uma frase-princípio, não permite comparação com todas as outras frases. I No caso de esta afirmação ser verdadeira, sugere desde logo a dúvida sobre se o princípio do **fundamento** será absolutamente uma frase no sentido de uma afirmação gramaticalmente entendida. I Por isso nós teríamos de, já agora, na primeira tacteante tentativa de discutir o princípio do **fundamento**, referir-nos à sua propriedade, de uma forma mais clara mesmo que de uma maneira ainda bastante rudimentar. I Antes dissemos que o princípio do **fundamento** não contém nenhuma simples verificação, e que ele não afirma também apenas uma regra que permite excepções. I O princípio diz uma coisa, que necessariamente se comporta, como se comporta: cada um e todos os entes têm necessariamente um **fundamento**. I O princípio do **fundamento** é um princípio fundamental 2. I Talvez possamos até pretender ainda mais e dizer: o princípio do **fundamento** é o princípio fundamental de todos os princípios fundamentais. I A afirmação de que o princípio do **fundamento** é o princípio fundamental, quer dizer em primeiro lugar, que o princípio do **fundamento** não é um princípio entre muitos outros, ele é sobretudo o primeiro de todos os princípios fundamentais segundo a categoria. I Se o princípio do **fundamento** deve ser o supremo de todos os princípios fundamentais, então referimo-nos com esta pluralidade de princípios, àqueles mais primeiros princípios fundamentais, que são reguladores e orientadores para todo o representar humano. I A estes princípios, acrescenta expressamente o ensinamento tradicional da filosofia, desde Leibniz, também o princípio do **fundamento**. I Identidade significaria co-pertença de vários no mesmo, ou mais claramente: co-pertença de vários com **fundamento** do mesmo. I Com **fundamento**? O mesmo surge aqui em jogo como o **fundamento** da co-pertença. I Na identidade, o carácter de **fundamento** fala como aquilo sobre o qual e no qual se apoia a co-pertença de vários. I Daí deduzimos já, se bem que apenas aproximadamente, que a identidade naquilo que ela é, não nasce sem o **fundamento**. I Mas é do **fundamento** que trata o princípio do **fundamento**. I O princípio da identidade poderia por isso fundamentar-se no princípio do **fundamento**. I Assim não seria aquele princípio de identidade mas este princípio do **fundamento**, o supremo princípio fundamental de todos os primeiros princípios fundamentais. I Talvez seja o princípio do **fundamento** também apenas o primus inter pares, o primeiro entre os primeiros princípios fundamentais, os quais, no fundo, são entre si do mesmo escalão. I Em todo o caso, a asserção de que o princípio do **fundamento** é o supremo dos princípios fundamentais, não é completamente supérflua. I A resposta a esta interrogação exige que nós saibamos de um modo suficientemente inteligível, o que é em primeiro lugar um **fundamento** ou razão e depois o que é um princípio. I Onde e como receberemos uma informação fidedigna sobre o que é um **fundamento**? Provavelmente através do princípio do **fundamento**. I No entanto, estranhamente, o princípio do **fundamento** não trata em absoluto do **fundamento** enquanto tal. I O princípio do **fundamento** diz antes: cada ente tem necessariamente um **fundamento**. I O princípio do **fundamento** pressupõe logo, pelo seu lado, que seja determinado o que é um **fundamento**, e que seja claro em que contexto (worin) se é que apoia a essência do **fundamento**. I O princípio do **fundamento** assenta neste pressuposto. I Mas então um princípio que pressupõe algo de tão essencial, pode ainda ser abordado como um princípio fundamental e até como o supremo? O princípio do **fundamento** não nos ajuda mais longe na tentativa de tornar inteligível em que é que consiste a essência de qualquer coisa como **fundamento**. I Mas o que significa [[termos:s:sujeito:start|sujeito]]? O latino subiectum, o grego [[termos:h:hypokeimenon-hlex:start|hypokeimenon]], significam: o que subsiste (Vorliegt) no fundo, aquilo o que subsiste como **fundamento**, para um enunciado sobre ele. I Por conseguinte, também isso, o que um princípio é, apenas pode ser elucidado, se tivermos previamente esclarecido, em que é que se apoia a essência do **fundamento**. I Aquilo que o princípio do **fundamento** é como supremo princípio fundamental, permanece para nós digno-de-ser-interrogado. I Para onde quer que olhemos, a discussão do princípio do **fundamento** cai, logo com os primeiros passos, na obscuridade. I Pois nós gostaríamos de elucidar o princípio do **fundamento**. I O caminho vai em direcção ao princípio do **fundamento**, ao que o princípio diz, à origem do que diz e ao como ele o diz. II O princípio do **fundamento** reza: Nihil est sine ratione; nada é sem **fundamento**. II Reflectimos pelo contrário sobre qual o género de princípios a que o princípio do **fundamento** pertence. II Porque nós ponderamos sobre o princípio do **fundamento** como um princípio fundamental, o fio condutor que nós primeiramente tomámos conduz-nos, por assim dizer exteriormente, ao longo do princípio. II Ele há-de conduzir-nos a um lugar a partir do qual pela primeira vez então atingiremos em certa altura a uma tomada de conhecimento mais próximo sobre como o princípio do **fundamento** excepção no campo do pensamento ocidental. II Nós alcançamos assim uma primeira abordagem relacionamento, com o princípio do **fundamento** como um princípio fundamental. II Desta tomada de conhecimento resulta uma penetração do olhar da nossa relação habitual com o princípio do **fundamento**. II Assim, poderia por conseguinte acontecer que o princípio do **fundamento**, considerado dessa maneira, nos transmitisse simultaneamente algum esclarecimento sobre a nossa própria essência, sem que nos preocupássemos com nós próprios. II Nós poderemos sabê-lo ou não, poderemos ou não, dar uma atenção especial ao que é sabido, mas a nossa estada no mundo, a nossa travessia da [[termos:t:terra-dh:start|terra]], são, por toda a parte, a caminho dos fundamentos e do **fundamento**. II Aquilo que vem ao nosso encontro, é aprofundado muitas vezes, apenas no **fundamento**, evidente, por vezes atrevemo-nos também no **fundamento** anterior e raramente até à orla do abismo do pensamento. II Qual é a causa por que isso assim nos acontece? Será isso apenas um facto com o qual não necessitamos de nos importar? O mundo e a [[termos:v:vida-dh:start|vida]] seguem o seu trilho, sem que nós reflictamos sobre o princípio do **fundamento**. II Contudo, podemos também, exactamente porque a nossa conduta é assim animada, perguntar: com que **fundamento** é que a nossa conduta é aprofundadora e fundamentadora? A resposta a esta pergunta contém o princípio do **fundamento**. II O princípio do **fundamento** reza, na breve versão: Nihil est sine ratione; nada é sem **fundamento**. II Isto exprimido na versão afirmativa: cada coisa que é de alguma maneira, tem necessariamente um **fundamento**. II Nós concordamos com o princípio do **fundamento** porque nós temos certa a sensação, como se costuma dizer, de que o próprio princípio terá de estar certo. II Bastará, porém, que façamos valer o princípio do **fundamento** deste modo bastante solto? Ou é este fazer valer, na verdade, o mais grosseiro desrespeito pelo próprio princípio? Porque o princípio do **fundamento** não é, enquanto um princípio, nada. II Ele é consequentemente uma daquelas coisas, que segundo a própria afirmação do princípio deverá ter um **fundamento**. II Qual é o **fundamento** para o princípio do **fundamento**? O próprio princípio invoca em nós esta interrogação. II Mas, por um lado, opomo-nos a que continuemos ainda a interrogar deste modo, porque perante o simples princípio do **fundamento**, a interrogação parece ser forçada e capciosa. II Por outro lado, vemo-nos obrigados, através do próprio princípio do **fundamento**, ou seja conformes com ele, a interrogarmos o seu **fundamento**, também em relação a ele próprio. II Ou o princípio do **fundamento** é aquele **fundamento**, aquela qualquer coisa em geral, que de modo ímpar não é afectada por aquilo que o princípio diz: cada coisa, que de algum modo é, tem necessariamente um **fundamento**. II Ocorreria neste caso o mais estranho de tudo, que justamente o princípio do **fundamento** – e apenas ele – ficaria de fora no seu próprio âmbito de validade; o princípio do **fundamento** ficaria sem **fundamento**. II Ou então o princípio do **fundamento** tem também e decerto necessariamente um **fundamento**. II Mas se for este o caso, então provavelmente este **fundamento** não poderá ser também apenas um entre muitos outros. II Pelo contrário, ser-nos-ia permitido esperar que se o princípio do **fundamento** se expressar no seu máximo alcance, reivindicará ao máximo para si próprio justamente o direito a uma fundamentação. II O **fundamento** para o princípio do **fundamento** seria então o mais eminente entre todos os fundamentos, assim qualquer coisa como o **fundamento** do **fundamento**. II Mas onde iremos cair, se tomarmos o princípio do **fundamento** pela sua própria palavra e assim nos aproximarmos do **fundamento** do **fundamento**? Não impele forçosamente o **fundamento** do **fundamento** para lá de si próprio em direcção ao **fundamento** do **fundamento** do **fundamento**? Onde haverá, se nós continuarmos neste modo de questionar, ainda uma paragem e com isso ainda uma perspectiva do **fundamento**? Se o pensamento seguisse este caminho até ao fundo, então ele teria de se afundar imparavelmente até ao sem-fundo (Grundlose). II De qualquer modo, mostra-se: com o princípio do **fundamento** e a sua fundamentação, com o princípio como princípio fundamental tratar-se de uma coisa própria. II O princípio do **fundamento** é portanto aquilo que simultaneamente lança uma estranha luz sobre o caminho para o **fundamento** e nos mostra que, quando nós travamos conhecimento com os enunciados fundamentais e princípios, alcançamos uma região singularmente crepuscular, para não dizer perigosa. II Para nós, que nos encontramos no início do caminho para o princípio fundamental do **fundamento** e somos forasteiros nesta região, poderá ser uma ajuda saber alguma coisa sobre esses poucos. II Na discussão do princípio do **fundamento**, nós resguardamo-nos tanto de pretensões pressurosas e inflaccionadas, como também de uma sobriedade fatigante para o pensamento. II É conhecido que [[termos:d:descartes:start|Descartes]] queria trazer todo o conhecimento humano até um **fundamento** inabalável (fundamentum inconcussum), de tal sorte que ele em primeiro lugar, duvidou de tudo e apenas admitiu como conhecimento seguro, aquilo que se apresentar como claro e distinto. II O que poderemos aprender com a palavra de Leibniz? Para o caminho para o **fundamento** e para a permanência na região dos enunciados fundamentais e dos princípios são necessárias simultaneamente duas coisas: a sagacidade do pensamento e a reserva – as duas no entanto de cada vez no sítio certo. II O princípio do **fundamento** é usado e seguido por nós em toda a parte como apoio e estaca; mas simultaneamente, ele precipita-nos, ainda que nós mal reflictamos sobre o seu próprio sentido, no sem-fundo. II Assim pairam já bastantes sombras sobre o princípio do **fundamento**. II A sombra torna-se mais carregada, logo que retivermos que, o princípio do **fundamento** não é um princípio qualquer entre outros princípios. II Dito de um modo extremo, isto significa: o princípio do **fundamento** é o **fundamento** dos princípios. II O princípio do **fundamento** é o **fundamento** do princípio. II Permaneçamos quietos durante algum tempo, caso nos seja permitido: o princípio do **fundamento** – o **fundamento** do princípio. II O princípio do **fundamento** enquanto o **fundamento** do princípio – esta estranha relação torna confuso o nosso representar habitual. II Poder-ser-ia certamente duvidar disto e chamar a atenção para isto que o confuso nasce apenas de jogarmos com as palavras «**fundamento**» e «princípio», que formam a epígrafe do princípio do **fundamento**. II A jogatina com palavras chega entretanto logo ao fim, quando nos vemos devolvidos à versão latina do princípio do **fundamento**. II Mas como reza a correspondente epígrafe latina? Leibniz denomina o princípio do **fundamento** o [[termos:p:principium-rationis:start|principium rationis]]. II Por conseguinte, o principium rationis não é outra coisa senão a ratio rationis: o **fundamento** do **fundamento**. II Também a epígrafe latina do princípio do **fundamento** nos impele para a mesma confusão e complicação: o **fundamento** do **fundamento**; o **fundamento** vira-se para trás para si próprio, conforme se anuncia no princípio do **fundamento** como o **fundamento** do princípio. II Por conseguinte, não reside no teor da epígrafe do princípio, nem em alemão, nem em latim, o facto de nós não podermos ir em frente ao longo do princípio do **fundamento**, senão que somos imediatamente arrastados para um movimento anelar. II Pois continua a dever-se ter em consideração, que a epígrafe alemã: «o princípio do **fundamento**» (Der [[termos:s:satz:start|Satz]] vom Grund) é totalmente outra coisa do que a tradução literal da epígrafe latina: principium rationis, mesmo quando nós em vez de princípio do **fundamento** dizemos mais adequadamente: princípio fundamental do **fundamento**. II Pois nem a palavra **fundamento** é a tradução literal da palavra ratio (raison) nem a palavra princípio fundamental é a tradução literal da palavra principium. II Justamente isto pertence ao enigma do princípio do **fundamento**, assim como do principium rationis, que o princípio (Satz) e o princípio (Prinzip) nos confundem logo com a simples epígrafe, sem que nós reflictamos o mínimo que seja sobre o seu conteúdo. II O enigmático do princípio do **fundamento**, reside nisto que o princípio (Satz) que está para discussão como princípio que ele é, tem o nível e o papel de um princípio (Prinzip). II O principium rationis, o princípio fundamental do **fundamento**, é para Leibniz um tal axioma. II A nossa discussão do princípio fundamental do **fundamento** assentaria num ápice numa outra base de **fundamento**. II Nada é sem **fundamento** – diz o princípio do **fundamento**. III Nada, por conseguinte, também não este princípio do **fundamento**. III A não ser que, justamente o princípio do **fundamento** e aquilo de que ele fala, e esse próprio falar, não pertencessem ao campo de influência do princípio do **fundamento**. III Ela significaria, dito com brevidade: o princípio do **fundamento** é sem **fundamento**. III Dito ainda mais claramente: «nada sem **fundamento**» – isso, por conseguinte, algo, sem **fundamento**. III Qual é o caso que se apresenta? «Nada sem **fundamento**» – o próprio sem **fundamento** – isto é uma notória contradição. III Mas o que se passa no nosso caso, que nós podemos expressar na fórmula: o supremo princípio fundamental do **fundamento** é sem **fundamento**? O princípio fundamental da contradição impede-nos de pensar algo de semelhante. III Mas poderemos nós, neste caso, em que se trata da discussão do princípio fundamental supremo, referirmo-nos irreflectidamente a um outro princípio fundamental, aquele da contradição, como princípio-**fundamento** normativo? Como é designada a legitimidade do princípio fundamental da contradição? Poderemos aplicá-lo como princípio fundamental, sem discutirmos o que é um **fundamento** e o que é um princípio? A permanente referência ao princípio da contradição poderá ser para as ciências a coisa mais evidente do mundo. III Ela demonstra: contradição e conflito não constituem um **fundamento** contra a possibilidade de qualquer coisa ser efectivo. III Assim permanece, pois, no campo das nossas reflexões sobre o princípio fundamental do **fundamento**, uma atitude, sob vários pontos de vista, apressada, quando nós sem mais nada, irreflectidamente, nos referimos ao princípio da contradição e explicamos: o princípio do **fundamento** – sem **fundamento**, isto contradiz-se a si mesmo e é por conseguinte impossível. III Certamente – mas como é que podemos representar este estado-de-coisas: o princípio do **fundamento** sem **fundamento**? Logo que, de facto, nós representarmos qualquer coisa, representamo-la como isto ou como aquilo. III Com esse «como isto, como aquilo» nós acomodamos o representado algures, depositamo-lo, por assim dizer, levamo-lo até um **fundamento**. III O nosso representar recorre por toda a parte a um **fundamento**. III O princípio do **fundamento** sem **fundamento** – isso apresenta-se para nós como irrepresentável. III Mantenhamos, contudo, que o princípio do **fundamento**, e ele antes de todos os outros, tem um **fundamento**, então perfilar-se-á diante de nós a questão: qual é o **fundamento** do princípio do **fundamento**, de que espécie é este, decerto estranho, **fundamento**? O princípio do **fundamento** é legítimo como princípio fundamental. III Nós afirmamos até que ele é o supremo princípio fundamental: o **fundamento** de todos os princípios e isto quer dizer do princípio enquanto tal. III Nesta asserção está contido que: o princípio do **fundamento**, isto é, aquilo de que ele fala, é o **fundamento** daquilo que o princípio é, o que é o enunciado daquilo que o dizer enquanto tal, é. III Aquilo de que o princípio do **fundamento** fala, é o **fundamento** da essência da linguagem. III Se o princípio do **fundamento** fosse o supremo de todos os princípios, então ele seria simultaneamente e em todo o caso o **fundamento** do princípio. III O princípio do **fundamento** é o **fundamento** do princípio. III Já teremos atingido nós, de facto, este turbilhão? Ou apenas verificamos a partir do exterior que: isto, o princípio do **fundamento** como **fundamento** do princípio, produz o efeito de um turbilhão? Seria agradável e proveitoso, se nós pudéssemos atingir tão rapidamente o turbilhão e até o seu núcleo. III Mas primeiramente, a região do princípio do **fundamento** não nos é familiar, como tão pouco nos é a travessia dessa região. III Consiste apenas em que digamos que o princípio do **fundamento** é um princípio evidente. III O que diz o princípio fundamental do **fundamento**? Onde é que ele pertence? De onde é que ele fala? Estas perguntas não são totalmente extravias, apesar de despertarem a aparência de que a sua discussão poderia contribuir em pouco para a promoção das ciências, como se a sua discussão pudesse até induzir a filosofia a reflectir superficialmente sobre as necessidades prementes da época actual. III Por isso, antes de tentarmos uma discussão do princípio do **fundamento**, daremos uma última daquelas marcas distintivas que, por assim dizer, se movem apenas exteriormente em torno do princípio. III O que se segue deverá tornar ainda mais claro onde é que nos encontramos e para onde vamos, no caso de nos dispormos a discutir o princípio do **fundamento**. III Leibniz denomina o princípio do **fundamento** um principium grande, um princípio magno. III Mas isso permanecer-nos-á interdito enquanto não tivermos à disposição uma discussão satisfatória do princípio do **fundamento**. III A magnanimidade do princípio do **fundamento** também se nos revela, todavia, logo quando tomamos em consideração apenas uma versão do principium rationis, que se encontra frequentemente em Leibniz. III Nada é sem **fundamento** ou nenhum efeito sem causa». III Leibniz coloca, na fórmula agora mesmo apresentada do princípio do **fundamento** e do princípio da causalidade, através do sive (ou), os dois abertamente num plano equiparado. III É-se tentado a criticar esta equiparação ao reflectirmos que: cada causa é certamente um tipo de **fundamento**, mas nem todos os fundamentos apresentam o caracter da causa que tem um efeito como consequência. III Este axioma pode servir como **fundamento**, no papel de princípio superior de um silogismo. III Na sequência deste **fundamento** resulta que duas grandezas determinadas são iguais entre si. III Fundamento e consequência não são o mesmo que causa e efeito. III Por essa razão, deixamos em aberto a questão relativa à relação entre o princípio do **fundamento** e o princípio da causalidade. III Até aqui algo se toma claro: o princípio da causalidade pertence à área de influência do princípio do **fundamento**. III Até aqui, falou-se apenas sempre de uma versão do princípio do **fundamento**, que nós denominámos a versão curta. III Este princípio mencionado em segundo lugar diz, [[termos:q:quod-hlex:start|quod]] omnis veritatis reddi ratio potest (ib), «que para cada verdade (isto é, segundo Leibniz, para cada verdadeiro princípio) pode ser concedido um **fundamento**». III Rationem reddere significa: devolver o **fundamento**. III Conforme o principium reddendae rationis, o representar tem de, caso pretenda que seja reconhecedora, dar de volta o **fundamento** daquilo que vem ao encontro ao representar, e isto quer dizer, dá-lo de volta a si mesmo (reddere). III No representar re-cognitivo o **fundamento** é entregue ao eu recognitivo. III O princípio do **fundamento** é por isso, para Leibniz, o princípio fundamental do **fundamento** a ser deposicionado. III Das passagens mencionadas e de outras, demonstra-se o seguinte: a versão rigorosa do princípio do **fundamento** é apenas então alcançada, quando o princípio é concebido como princípio fundamental da demonstração, isto é, num sentido mais amplo como princípio fundamental da afirmação. III Leibniz refere-se ao princípio da contradição e ao princípio do **fundamento**. III Para Leibniz, o princípio do **fundamento** é um princípio para proposições e declarações, em primeira linha para aqueles do (re)conhecimento, filosófico e científico. III O princípio do **fundamento** é o princípio fundamental da sempre possível e necessária entrega do **fundamento** a um princípio verdadeiro. III O princípio do **fundamento** é o princípio fundamental da necessária fundamentação de princípios. III No título principium reddendae rationis deve-se acrescentar: cognitioni: o princípio do **fundamento**, contanto que este tenha de ser devolvido ao (re)conhecimento, para que aquele seja fundamentado, e por isso verdadeiro. III Só quando nós tivermos captado este sentido, vislumbraremos mais claramente, o que é que adquire poder no princípio do **fundamento**. III A versão rigorosa do principium rationis como principium reddendae rationis não é, por conseguinte, qualquer limitação do princípio do **fundamento**, pelo contrário, o principium reddendae rationis é válido para tudo o que é objecto, isto é, tudo o que «é», no sentido assinalado. III A versão rigorosa do principium rationis como principium reddendae rationis contém assim uma interpretação concretamente orientada e decisiva daquilo que o ilimitado princípio do **fundamento** diz: nada é sem **fundamento**. III Ou dito neste ponto: algo «é» apenas, ou seja, é demonstrado como ente, quando esse algo é enunciado num princípio, para o qual é suficiente o princípio fundamental do **fundamento** enquanto princípio fundamental da fundamentação. III A magnanimidade do princípio do **fundamento** desenvolve o seu poder na base de que o principium reddendae rationis – segundo a aparência apenas um princípio do (re)conhecimento – simultaneamente e justamente como princípio fundamental do (re)conhecimento, se torna no princípio daquilo que é. III Leibniz pôde descobrir expressamente o princípio do **fundamento**, que já desde há séculos era seguido porque sempre invocado, porque ele teve de proclamar o principium rationis como principium reddendae rationis; «teve de», afirmamos nós, e não queremos afirmar com isso, obviamente, uma obrigação cega e irresistível, à qual Leibniz estivesse sujeito. III Nós referimo-nos à liberdade, com a qual Leibniz no seu tempo, na já invocada máxima do princípio do **fundamento** entendeu a reivindicação decisiva e – no sentido literal – a fixou na linguagem, na qual se afirma o conteúdo do princípio ainda não estabelecido como princípio fundamental. III Isto quer dizer: o **fundamento** é aquilo que deve ser entregue ao homem pensante, conceptualizante. III O reddendum, a reivindicação à entrega do **fundamento**, é aquilo que no princípio do **fundamento** adquire poder no princípio magno. III O reddendum, a reivindicação à entrega do **fundamento**, expressa-se agora imprescindível e incessantemente através dos tempos modernos, pairando sobre nós, contemporâneos. III O reddendum, a reivindicação à entrega do **fundamento**, deslocou-se agora para se pôr entre o homem pensante e o seu mundo, para se apossar do representar humano de uma nova maneira. III Será que nós, que nos encontramos agora aqui, já sentimos aquilo que faz o poderoso princípio do **fundamento**, ou já o experimentámos expressamente ou já ponderámos sobre ele de uma forma inteiramente satisfatória? Se não nos quisermos iludir, teremos todos de admitir que: não. III Todos, digo eu, também aqueles que uma ou outra vez se formularam pensamentos sobre a «essência do **fundamento**». III Mas quando nós, por um momento, meditamos sobre a questão anteriormente levantada, teremos de afirmar que nunca nem em qualquer lugar, com todos os esforços em torno das Ciências, nos encontrámos com o princípio do **fundamento**. III Esta fundamenta-se sobre o princípio do **fundamento**. III Como é que nós poderemos representarmo-nos isto: a Universidade fundamentada sobre um princípio? Poderemos atrever-nos a formular uma tal asserção? Nós escutamos o princípio do **fundamento**: nihil est sine ratione. IV Nada é sem **fundamento**. IV Mal escutado, o princípio do **fundamento** também é desde logo aceite por nós. IV Até que ponto o princípio do **fundamento** não é apenas, de facto, sempre invocado, mas é também necessário e qual o sentido desta necessidade, iremos sabê-lo de modo mais claro já a seguir. IV Entretanto já tivemos de tomar conselho, no início do nosso caminho, sobre como é que o princípio do **fundamento**, enquanto princípio, foi primeiramente descoberto por Leibniz, no século XVII. IV Inclinamo-nos para afirmar que o espírito do século XVII conduziu à descoberta do princípio do **fundamento** como um princípio. IV Mas nenhuma das duas é suficiente para a tranquila [[termos:v:visao:start|visão]] que aqui é necessária para olhar através da história que rege, com longas ausências e repentinas aparições, o princípio do **fundamento**. IV De qualquer modo está assente que o descobridor do princípio do **fundamento** como um princípio fundamental, o próprio Leibniz, classificou o principium rationis com a distinção de principium grande, de princípio magno. IV Nós encontramo-nos nas fronteiras de uma reflexão preparatória para esclarecer, até que ponto o princípio do **fundamento** é o princípio magno. IV O princípio do **fundamento** é por isso apenas um princípio normativo dentro do sistema leibniziano, porque este princípio se relaciona com tudo que é. IV A versão [[termos:v:vulgar:start|vulgar]] do princípio do **fundamento** não é incorrecta, mas contudo, no sentido de Leibniz ela é imprecisa. IV Um dos mais profundos, entre os graves ensaios ulteriores de Leibniz, começa assim: Ratio est in [[termos:n:natura:start|Natura]], cur aliquid potius existat quam nihil – «Fundamento é na Natureza, pela qual algo pode existir mais do que nada». « IV Este **fundamento** (na das coisas, em conformidade com a inclinação que elas têm, antes para existirem do que para não existirem) dever estar num, de algum modo, Ente Real, ou na sua causa». IV Esse existente é nomeado na frase seguinte, a ultima ratio Rerum, o extremo (supremo) **fundamento** existente (seiende) de todas as coisas. IV A área de validade do princípio do **fundamento** abrange todo o ente até à sua primeira causa existente, e inclui esta. IV Ela reza: principium reddendae rationis: o princípio fundamental do **fundamento** a ser devolvido. IV Isso quer dizer: segundo o princípio do **fundamento**, o **fundamento** não é subsistente algures e de qualquer modo, no indefinido e no indiferente. IV O **fundamento** enquanto tal exige isso, ser devolvido como **fundamento** – , restituir a saber, na direcção do re-presentado, isto é, do sujeito representante e através deste para aquele. IV O **fundamento** exige ser manifesto por toda a parte, de modo que tudo no âmbito desta reivindicação, apareça como uma consequência e isto significa que deva ser representado como uma consequência. IV Apenas aquilo que se apresenta no nosso representar de tal modo, e vem ao nosso encontro (be-gegnet) de tal modo, que seja posto e situado no seu **fundamento**, vale como seguramente permanecente, isto é como objecto. IV Mas um representar é então apenas fundamentado quando respectivamente o **fundamento** como fundamentador é devolvido ao sujeito representante. IV Esta reivindicação expressa-se no entanto no próprio **fundamento**, na medida em que ele enquanto tal exige o de-volver em todo o representar. IV O que patenta poder no princípio do **fundamento** é a reivindicação ao devolver do **fundamento**. IV Tudo o que é, é em consequência de…, é ele próprio consequência de um **fundamento** e isto quer dizer, isso é em consequência e conforme à reivindicação à devolução de um **fundamento**, reivindicação que se afirma no princípio do **fundamento** como o principium reddendae rationis. IV Como a ultima ratio da Natura, como o extremo, supremo e isto quer dizer, o primeiro **fundamento** existente (seiende) para a natureza das coisas, deve-se colocar aquilo que costumamos denonimar por Deus. IV Na natureza das coisas, existe um **fundamento** para que qualquer coisa antes seja, do que seja nada. IV O **fundamento** chama-se Deus como a primeira causa existente de todo o ente. IV Mas porque é legítimo o princípio de que deve haver um **fundamento** para que alguma coisa antes seja, do que ela não seja? Com este princípio inicia Leibniz o seu ensaio. IV Fundamento é na natureza das coisas». IV Este princípio invertido pela extremidade é ele próprio já uma consequência, a saber, do princípio do **fundamento**. IV Isso – ou seja, o que o primeiro principio diz – , é uma consequência, um seguimento daquele principium magnum, daquele magno princípio fundamental, o qual diz que nada é, isto é, nada chega ao ser, sem **fundamento**». IV Dito até ao extremo, isto significa: Deus existe, apenas na medida em que o princípio do **fundamento** é legítimo. IV Mas poderíamos retorquir logo de seguida: em que medida, no entanto, é que é legítimo o princípio do **fundamento**? Se o princípio do **fundamento** é o magno princípio potente de possibilitante de poder, então no seu adquirir poder encontra-se uma espécie de efeito. IV Todo o efeito exige contudo (segundo o princípio do **fundamento**) uma causa. IV Portanto o princípio do **fundamento** é legítimo apenas na medida em que Deus existir. IV Porém Deus só existirá na medida em que o princípio do **fundamento** for legítimo. IV Daquilo que se trata somente e de imediato, continua a ser o ponto de vista: o princípio do **fundamento** é até aqui o princípio todo possibilitante, como o **fundamento** segundo a versão rigorosa do princípio fundamental exige que aquilo que é, seja em consequência de, isto é, através do cumprimento executado expressamente da reivindicação do **fundamento**. IV É legítimo não perder de vista daqui em diante, que na primeira versão rigorosa do princípio do **fundamento** se manifesta o carácter de reivindicação do **fundamento**. IV Ela apoia-se por conseguinte, sobre o princípio fundamental do **fundamento** a ser entregue. IV Ele é o princípio do **fundamento**. IV O espantoso permanece contudo, que nós aqui nunca tenhamos vindo ao encontro do princípio do **fundamento**. IV Deste modo portanto a afirmação de que a Universidade se apoia sobre o princípio do **fundamento**, seria uma asserção exagerada e extravagante. IV No princípio, a reivindicação da entrega do **fundamento** fala para todas as afirmações, para cada dito. IV De onde fala esta reivindicação do **fundamento** à sua entrega? Encontra-se esta reivindicação na essência do **fundamento** mesmo? Antes que nós nos alonguemos tanto a interrogar, limitemo-nos a que, primeiramente, nos perguntemos a nós próprios, se escutamos a reivindicação à entrega do **fundamento**. IV Sim – pois nós temos no ouvido recentemente com muita pressão a reivindicação à entrega do **fundamento**. IV Nós movemo-nos em toda a parte na área de irradiação da reivindicação à entrega do **fundamento**, e sentimos ao mesmo tempo uma incomum dificuldade em prestarmos atenção expressamente a esta reivindicação, para no seu interior percebermos a linguagem que ela propriamente fala. IV Para a audição da reivindicação que a entrega do **fundamento** exige, não existem quaisquer aparelhos. IV Efectivamente, os aparelhos testemunham, através da sua existência, testemunhando as existências daquilo que os aparelhos registam, que o magno princípio do **fundamento** desenvolve agora a sua aquisição de poder de um modo inaudito até ao presente. IV A superação ocorre através de um avanço para uma dissolução das contradições numa unidade, que é apropriada para sustentar o aparentemente contraditório, isto é, para lhe dar um **fundamento**. IV No arrebatamento do conceber através de e para fora das contradições rege a reivindicação à entrega do **fundamento** apropriado. IV A reivindicação à entrega do **fundamento**, é para as ciências o elemento, em cujo contexto a sua representação se move como o peixe na água e o pássaro no ar. IV Nós somos apenas os contemporâneos que somos, na medida em que passamos pela magna reivindicação à entrega do **fundamento**. IV É para que pensemos literal e objectivamente que o singular desencadeamento da reivindicação à entrega (Zustellung) do **fundamento** ameaça tudo o que é pátrio (Heimische) do homem e lhe rouba qualquer **fundamento** e solo para um enraizamento, isto é, para aquilo a partir do qual até agora cresceu cada uma das grandes Eras da Humanidade, cada espírito aberto para o mundo, cada formação da figura humana. IV Assim evidencia-se uma situação extremamente estranha do homem moderno, uma tal que vai contra todas opiniões habituais das representações quotidianas, na qual nós vagueamos como cegos e surdos: a reivindicação do princípio magno do **fundamento** a ser entregue retira ao homem contemporâneo o enraizamento. IV Isto é um enigmático contraste entre a reivindicação à entrega do **fundamento** e a perda. IV É legítimo perguntar, em que medida neste jogo, nele participa, o inaparente reinado do magno princípio do **fundamento**. IV É legítimo observar em que região nós nos detemos, quando nós ponderadamente aprofundamos o princípio do **fundamento**. IV Leibniz vislumbrou o princípio do **fundamento** como um dos princípios supremos. V Leibniz encontrou para o princípio do **fundamento**: nihil est sine ratione, nada é sem **fundamento**, a versão rigorosa do principium reddendae rationis. V Na [[termos:r:ratio-reddenda:start|ratio reddenda]] o **fundamento** demonstra-se no carácter da reivindicação à entrega. V Nós falamos de uma versão rigorosa do princípio do **fundamento** porque ela se adapta exactamente àquele carácter do **fundamento**, que se revelou primeiramente no pensamento de Leibniz e da sua época. V Todavia, a versão rigorosa do principium rationis até aqui comentada, também no sentido de Leibniz, não é ainda a versão perfeita do princípio do **fundamento**. V Neste tratado, diz ele o seguinte, quase no fim de um dos princípios estabelecidos sobre o movimento considerado abstractamente: pendet ex nobilissimo illo (para completar: principio) Nihil est sine ratione; «ele (ou seja, o princípio considerado sobre o movimento abstracto) depende daquele mais conhecido e simultaneamente mais insigne princípio: Nada é sem **fundamento**». V Leibniz pressupõe aqui a versão tradicional do princípio do **fundamento** como geralmente conhecida e admitida, e atribui-lhe contudo, ao mesmo tempo, um papel extraordinariamente dominante. V O princípio do **fundamento** é o principium nobilissimum; ele é o mais nobre princípio. V Leibniz escreve na passagem mencionada: id, quod dicere soleo, nihil exist er e nisi cujus reddi potest ratio existentiae sufficiens, «(o principio), que eu costumo dizer (na forma), nada existe, cujo **fundamento** suficiente de existência não possa ser entregue». V O **fundamento**, que pretende a sua entrega, exige simultaneamente, que ele seja suficiente enquanto **fundamento**, isto é, que baste plenamente. V O **fundamento** (ratio) está relacionado como causa (causa) com o efeito (efficere); o **fundamento** em si mesmo deve ser suficiente (sufficiens, sufficere). V Que na proximidade do princípio do **fundamento** a língua como por moto próprio fale de um efficere, sufficere, perficere, isto é de um multiforme facere, fazer, de um pro-duzir e en-tregar, não é certamente um acaso. V A epígrafe do princípio do **fundamento** pensada rigorosa e perfeitamente, reza para Leibniz: principium reddendae rationis sufficientis (Monadologie § 32), o princípio fundamental do **fundamento** suficiente a ser entregue. V Nós podemos também dizer: O princípio do **fundamento** competente. V Aí, onde como no caso da descoberta e definição leibniziana do princípio do **fundamento** suficiente, vem à luz um princípio magno, o pensamento e a concepção atingem, segundo todos os pontos de vista essenciais, um movimento de tipo novo. V Isso é o modo do pensamento moderno, no qual nós próprios nos detemos quotidianamente, sem que sintamos e reparemos ainda expressamente na reivindicação do **fundamento** à entrega em toda a representação. V A reivindicação à entrega do **fundamento** suficiente para tudo o que é concebido, expressa-se naquilo, que hoje se tomou objecto sob o nome de atômico e energia atômica. V Para um mundo, em que o objectual (Gegenständige) deve retroceder perante um consistente (Ständigen) de outro género, o principium grande, o magno princípio, o princípio do **fundamento** não perde de algum modo o seu poder. V O poder do **fundamento** competente a ser entregue para a estabilidade (Beständigung) e segurança de tudo começa, pelo contrário, só agora a desenvolver-se no extremo. V O facto de se darem as exposições de arte de estilo moderno, tem mais a ver com o magno princípio do **fundamento**, do **fundamento** a ser entregue, do que aquilo que primeiramente julguemos. V A referência deveria orientar-nos na região, a partir da qual o princípio do **fundamento** nos dirige a palavra, quando nós, questionantes, dele nos aproximamos. V Perseveremos neste andamento do pensamento, então veremos dentro em breve mais claramente algo de duas maneiras: por um lado, que o nosso representar corrente técnico-científico não é suficiente para atingirmos a região do princípio do **fundamento**, e uma vez no seu interior, termos dela algo à vista; por outro, que também o ensino filosófico dos supremos princípios fundamentais como os princípios imediatamente esclarecedores se desvia perante as perguntas decisivas do pensamento. V Pertence ao carácter de princípio do princípio do **fundamento**, que o princípio fundamental permita duas versões. V Até aqui tem parecido que a versão vulgar e abreviada não é apropriada para introduzir uma discussão frutuosa do princípio do **fundamento**. V Em compensação, a versão rigorosa já nos proporcionou um visionamento importante no carácter de reivindicação do **fundamento**, na ratio como ratio reddenda. V Se este carácter, contudo, pertence simplesmente à essência do **fundamento**, ou se ele apenas diz respeito ao modo, pelo qual a essência do **fundamento** se revela numa determinada era, deverá permanecer em aberto. V Pois também a versão rigorosa do princípio do **fundamento** permite uma forma abreviada, de forma que subitamente a versão vulgar e a rigorosa do princípio aparecem como iguais na essência. V O aparentemente claro princípio do **fundamento** torna-se de novo túrbido. V Em que medida – é legítimo reflectir agora sobre isso, antes de discutirmos de imediato o princípio do **fundamento**. V O princípio do **fundamento** diz o seguinte, de acordo com a interpretação rigorosa: nenhuma verdade, isto é segundo Leibniz, nenhum princípio correcto é sem o **fundamento** que necessariamente lhe deve ser entregue. V De que modo é que a versão rigorosa do princípio do **fundamento**, do principium reddendae rationis, se permite também ser reproduzida em uma versão abreviada? Quando o nosso representar se vê remetido para entregar o **fundamento** correspondente ao seu representado, sobre aquilo e dentro daquilo onde o representado permanece seguro como ob-jecto, então é porque a representação procura o **fundamento** a ser entregue. V Isto acontece, quando a representação pergunta: porque é que isto é representado e porque é isto assim, como isto é? No porquê? perguntamos pelo **fundamento**. V A versão rigorosa do princípio do **fundamento** «nada é sem o **fundamento** a ser entregue» pode por essa razão ser vertido na forma: nada é sem porquê. V Coloquemos lado a lado a forma abreviada de ambas as versões, e então elas ganharão uma agudeza singular, que nos autoriza uma visão ainda mais clara sobre o princípio do **fundamento**. V Ele reza uma vez: nada é sem **fundamento**. V Neste campo, segundo a frase do poeta, o princípio do **fundamento** não é válido. V Nós não precisamos sequer, para a comprovação de que o crescimento das plantas, por comparação com o aforismo de [[termos:a:angelus-silesius:start|Angelus Silesius]], tem o seu porquê, isto é tem o seu necessário **fundamento**, de incomodar a Ciência. V Porque? Não nomeia esta palavra a relação com um **fundamento**, ao atraí-lo, por assim dizer? A rosa – sem porquê e contudo não sem porque. V Porquê» é a palavra para a pergunta pelo **fundamento**. V O «porque» contém a referência respondente ao **fundamento**. V O porquê busca o **fundamento**. V O porque traz o **fundamento**. V Diferente é, em conformidade com isto, o modo pelo qual a relação com o **fundamento** é representado. V No porquê a relação com o **fundamento** é aquela do buscar. V No porque a relação com o **fundamento** é aquela do alegar. V No entanto, para onde quer que as diferentes relações respectivamente vão, o **fundamento** permanece, assim parece, o mesmo. V Na medida em que a primeira parte do primeiro verso nega a presença do **fundamento**, mas a segunda parte do mesmo verso afirma terminantemente o subsistir do **fundamento** através do «porque», apresenta-se afinal uma contradição, isto é uma simultânea afirmação e negação do mesmo, quer dizer, do **fundamento**. V Afinal, o **fundamento** que o «porquê» busca e o que o «porque» alega, é o mesmo **fundamento**? A resposta dá-no-la o segundo verso do dito. V Angelus Silesius não pretende desmentir, que o florescer da rosa tem um **fundamento**. V Os fundamentos, que como destinação de-terminam (be-stimmen) essencialmente o homem, têm origem na essência do **fundamento**. V Por isso são sem fundo (ab-grundig) estes fundamentos (comparar com o que adiante se diz sobre as outras tonalidades do princípio do **fundamento**). V O **fundamento** do seu florescer não necessita de lhe ser primeiro e expressamente entregue. V Como este se relaciona com o **fundamento**, vem à luz no segundo verso do aforismo. V A rosa é a rosa, sem que uma reddere rationem, uma entrega do **fundamento**, tivesse de pertencer ao seu ser-rosa. V Apesar disso a rosa nunca é sem **fundamento**. V A relação da rosa com aquilo que o princípio do **fundamento** diz, continua, assim parece, discrepante. V A rosa é certamente sem porquê, mas afinal ela não é sem **fundamento**. « V Sem porquê» e «sem **fundamento**» não são o mesmo. V Mesmo assim a maneira como ela pertence a esta área de influência, é uma maneira própria e por isso diferente da maneira como nós, humanos, nos detemos na área de influência do princípio do **fundamento**. V Nós meditamos agora apenas na frase: «A rosa é sem porquê;» meditamo-la atendendo à versão breve rigorosa do princípio do **fundamento**: nada é sem porquê. V A rosa é, sem a entrega pesquisadora que olha em torno de si, dos fundamentos, com base nos quais ela floresce . XI A quinta coisa principal tem a ver com a mudança de tonalidade no princípio do **fundamento**. XI Por trás da mudança de tonalidade do mesmo princípio oculta-se o salto do princípio do **fundamento** como um princípio fundamental sobre o ente para o princípio do **fundamento** como um dizer do ser. XI Pensemos inteiramente sobre a palavra de múltiplos sentidos «princípio», não apenas como afirmação, não apenas como dizer, não apenas como salto, mas simultaneamente ainda no sentido musical, e então ganharemos primeiro a relação perfeita com o princípio do **fundamento**. XI Se entendermos a palavra «princípio» no sentido musical, então é válido para o nosso caminho através do princípio do **fundamento**, aquilo que uma vez Bettina v. XI Na segunda, mas habitualmente pouco dita tonalidade, reza o princípio do **fundamento**: «Nada é sem **fundamento**». XI As palavras agora acentuadas «é» e «**fundamento**» deixam ressoar uma unissonância entre ser e **fundamento**. XI O que diz o princípio? Ele diz: ser e **fundamento** pertencem-se reciprocamente. XI Isto significa: ser e **fundamento** «são» na essência o mesmo. XI Nós dizemos: ser e **fundamento**: o mesmo, mas então ser e **fundamento** não são atirados juntos para o cinzento de uma vazia monotonia, de forma que discricionariamente se possa dizer em vez de ser também **fundamento** e em vez de **fundamento** também ser. XI Pelo contrário, ambas as palavras nos dão diversas coisas que pensar, que nós à primeira vista também não coligimos, se bem que o princípio do **fundamento** reze na segunda tonalidade: «Nada é sem **fundamento**». XI Isto quer dizer: no «é» rege **fundamento**. XI Mas **fundamento** fundamenta assim que o seu fundamentado é aquele que é, quer dizer ente. XI Quanto mais nitidamente mantivermos separados «ser» e «**fundamento**», tão mais decisivamente nos detemos a perguntar: como se encontram e se unem ser e **fundamento**? Em que medida diz uma verdade o princípio do **fundamento** na segunda tonalidade, cuja envergadura nós ainda mal podemos medir? Entretanto, há uma série de aulas que falamos sobre «ser» e sobre «**fundamento**», sem que tenhamos preenchido a mais urgente exigência, isto é de entender aquilo de que se fala incessantemente, tanto «ser» como «**fundamento**», através de noções rigorosas e assim garantir ao andamento da discussão previamente a necessária confiança. XI Por que razão esta omissão? Ela vem daquilo de que se falou até agora, se nós nos recordarmos da história do ser e do princípio do **fundamento** como princípio fundamental supremo. XI Falou-se de **fundamento** como ratio e como causa, como condição da possibilidade. XI Do que obviamente não se falou de modo directo, mas que contudo algo disso se pôde e teve de mostrar indirectamente no caminho até aqui, foi o seguinte: aquilo que diferenciadamente se nomeia como «ser» e «**fundamento**» e numa tal nomeação é colocado sob uma certa luz, isso não permite a partir de si uma definição no sentido escolar da formação tradicional de conceitos. XI Deverão então os nomes que por modos diversos, trazem «ser» e «**fundamento**» à discussão, deverá então o pensado que nós pensamos nos nomes historicamente diferentes para «ser» e «**fundamento**», divergir numa confusa dispersão? Absolutamente não; porque naquilo que historicamente retomado e reunido se exceptua como uma confusa variedade de concepções, revela-se à luz uma coincidência e uma simplicidade do destino do ser e em conformidade, uma genuína constância da história do pensamento e do seu pensado. XI Aí, o estimulante e excitante do sempre novo e do sucesso, aqui o desalento do simples si-mesmo, que não permite qualquer sucesso, visto que nada pode suceder, porque o pensamento, na medida em que ele reflectir sobre o ser, se recorda no **fundamento**, isto é na sua essência como verdade do ser. XI O que porém nomeia a palavra «**fundamento**» e os nomes correspondentes, deixa-se ainda mais dificilmente expor, sobretudo então quando nós também aí buscamos ter em vista o mesmo que é debatido nos nomes até aqui utilizados como **fundamento**, ratio, causa, causa primeira, condição da possibilidade. XI No que respeita àquilo que é dado a reflectír através da palavra «**fundamento**» é legítimo o mesmo que foi observado sobre o compreender e dizer da palavra «ser». XI Também a palavra «**fundamento**», frequentemente mencionada, foi compreendida de certo modo por todos nós nas aulas até aqui realizadas. XI Por isso também pôde ser deixado para mais tarde, aquilo que nós agora não mais podemos passar por alto: o esclarecimento da palavra «**fundamento**» e dos nomes, que na história do pensamento nomeiam aquilo que na nossa língua em geral é assinalado pela palavra «**fundamento**». XI É uma visão da correlação do que e como «ser» e «**fundamento**» «são» o mesmo. XI Dito de outro modo: gostaríamos de ouvir o que o princípio do **fundamento**, como dizer sobre o ser, diz na segunda tonalidade. XI Se perguntarmos, o que significa «**fundamento**», então primeiramente queremos dizer aquilo que a palavra significa; a palavra significa algo; ela dá-nos algo para ser entendido e certamente porque ela fala a partir de algo. XI Conforme esta concepção habitual da palavra, segundo a qual ela tem um significado, encontramos vários significados para a palavra «**fundamento**». XI Perguntemos pelo significado fundamental da palavra «**fundamento**», então com essa pergunta já teremos respondido, isto é mencionado, o que significamos por « **fundamento**», ou seja a base, o fundus, em que alguma coisa se apoia, está e jaz. XI No caminho deste curso alcançamos uma paragem, onde o salto do princípio do **fundamento** como o princípio fundamental supremo sobre o ente no princípio do **fundamento** resulta num dizer do ser. XII No percurso que deveria conduzir para a história do pensamento como destino do ser, falou-se permanentemente, porque era inevitável, de ser e **fundamento**. XII A um tal projecto ficaria atribuído o poder coligir todas as definições essenciais de ser e **fundamento** equilibrada e uniformemente, e isto numa representação que pairasse através dos tempos. XII Que lugar é esse? É aquele para onde nós, com a pergunta pelo princípio do **fundamento**, nos encontramos primeiramente a caminho, ao discutirmos o que diz o princípio na segunda tonalidade. XII Este estar a caminho oferece-nos uma possibilidade, pelo menos aqui e acolá, de apreendermos em que sentido aquilo que ser e **fundamento** nomeiam, «é» o mesmo. XII Nós perguntamos agora: o que significa **fundamento**? O que é isto, que nos faz pensar e que se chama a palavra «**fundamento**»? Uma palavra, diz-se, significa alguma coisa. XII Entretanto observaremos aqui desde já, que esse significado de **fundamento** nos é decerto inteiramente familiar, mas afinal é ao mesmo tempo também abstracto, isto é extraído e solto da área da qual a palavra inicialmente diz o supracitado significado. XII Fundamento designa por um lado a profundidade, por exemplo o fundo do mar, o fundo do vale, a pradaria, um terreno e um solo em depressão, situados profundamente; no sentido mais vasto significa a terra, o solo da terra. XII Ainda mais primordialmente **fundamento** exprime ainda hoje na área linguística suabo-alemã tanto como humo. XII Fundamento significa, pensado na [[termos:t:totalidade-mac:start|totalidade]], a área situada profundamente e que ao mesmo tempo sustenta. XII De acordo com estas perspectivas, a linguagem do pensamento fala de essência do **fundamento**, de **fundamento** da formação, de **fundamento** do movimento, de **fundamento** da prova. XII A relação do **fundamento** com a essência, formação, movimento e prova surge bastante cedo na história do pensamento, mesmo se ainda dispersa na sua particularidade. XII Porém permanece uma questão, a saber, se quando se fala de **fundamento** da essência, **fundamento** da formação, **fundamento** do movimento, **fundamento** da prova, estas diferentes perspectivas têm origem no considerando do **fundamento** ou no considerando do ser. XII Mas como, se ser e **fundamento** «são» o mesmo? De acordo com as perspectivas mencionadas, mas perseguindo-as mais radicalmente, Hegel utiliza com agrado, dado o seu extraordinário apuramento de ouvido para o mais íntimo pensar da linguagem, a expressão: ir até o fundo. XII Mas com tais observações que facilmente se puderam acumular, ficamos pendentes na explicação da palavra isolada «**fundamento**». XII Nós não avistamos ainda qualquer coisa do lugar, a partir do qual o princípio do **fundamento** fala, caso nós o ouçamos conforme a segunda tonalidade, que deixa ressoar uma co-pertança de **fundamento** e ser. XII Esta ressonância ouvimo-la nós, ao reflectirmos que o princípio do **fundamento**, mais exactamente a sua ordenação como um princípio fundamental supremo por Leibniz, prepara aquela época histórico-ontológica, na qual o ser como a objectualidade marcada transcendentalmente se revela. XII Reflictamos sobre isso, e então prestemos atenção ao seguinte: Aquilo que na nossa língua falada significa «princípio fundamental do **fundamento**», há a tradução abreviada da epígrafe principium reddendae rationis stifßcientis. XII Fundamento é a tradução de ratio. XII Foi demonstrado, decerto apenas por alusão, como a Crítica da Razão Pura, de Kant, corresponde à reivindicação do princípio do **fundamento** suficiente e dá expressão a esta correspondência na linguagem. XII Mas «razão» assim como «**fundamento**» falam como traduções da palavra ratio. XII Pensado historicamente, isto significa: a partir daquele pensamento de que a crítica da razão pura está no aclarar do princípio do **fundamento** suficiente, a palavra ratio diz com o seu dizer duplo e unido, que nomeia como coincidente a razão e o **fundamento**. XII Correndo o perigo de uma aparência de exagero, poderemos até mesmo dizer: se no pensamento moderno a ratio não falasse na tradução, num sentido duplo como razão e como **fundamento**, então não haveria a Crítica da Razão Pura, de Kant, como delimitação das condições da possibilidade do objecto da experiência. XII Assim deveria pois a verificação de que a palavra «**fundamento**» é a tradução de ratio, ter perdido a sua banalidade. XII Somente de passagem, seja referido que a fonte clássica para uma visão da [[termos:t:tradicao:start|tradição]] destinada da ratio como **fundamento** e razão para o pensamento moderno, são os parágrafos 29 até 32 da «Monadologia» de Leibniz. « XII «Fundamento» é a tradução de ratio. XII Aquilo que «**fundamento**» designa e aquilo de que o princípio do **fundamento** diz, transmite por consequência aquilo que é experimentado e pensado no duplo unido dizer da ratio. XII Para que isso não se fique por uma casual explicação de uma palavra, mantenhamos em vista a orientação do caminho; porque é legítimo obter em vista porque é que, e como, ser e **fundamento** «são» o mesmo. XII Isto diz agora: é legítimo guardar e receber de volta na memória autêntica, na medida em que no início da história do ser a coincidência de ser e de **fundamento** se anuncia, e anuncia-se decerto para depois como essa coincidência permanecer durante muito tempo inaudível e impensada. XII Na palavra «**fundamento**» fala a ratio e na verdade a partir do sentido duplo de razão e **fundamento**. XII Ser um **fundamento**, caracteriza também aquilo que nós denominamos causa primordial, em latim causa; razão pela qual o princípio do **fundamento**, como tantas vezes referido, também reza: Nihil est sine causa. XII Na sequência de uma longa tradição e habituação do pensamento e dizer, já não achamos mais nada de excitante, em que ratio nomeie simultaneamente razão e **fundamento**. XII Pensando cuidadosamente, teríamos agora de admitir que aquilo que «**fundamento**» exprime, ou seja profundidade e terra, solo, tem de imediato muito pouco a ver com razão e perceber. XII Entretanto ratio significa indiscutivelmente ao mesmo tempo razão e **fundamento**. XII De onde provém este sentido duplo de ratio? A palavra latina ratio não significa originalmente nem razão, nem **fundamento**, mas outra coisa. XII Esse outro, não obstante, não é assim tão totalmente diferente, que à palavra ratio lhe pudesse ficar vedado, falar posteriormente no duplo sentido de «razão» e «**fundamento**». XII Traduzido Conforme ao que é costume, isto significa: «Chamo causa ao **fundamento** do efectuar, aquilo que é ponto de partida e resultado, que é o efectuado». XII Assim é com efeito e felizmente, logo que afastamos de nós a precipitação cega com que traduzimos as palavras latinas por aquelas que nos são correntes: causa por causa primordial (Ursache), ratio por **fundamento**, efficere por efectuar, effectus por efectuado. XII Na esfera do produzir para fora e fazer resultar está-se a falar de ratio, palavra que nós agora já não podemos mais traduzir por «**fundamento**» e «razão»; porque com isso obstruiriamos a nós próprios o caminho dentro do percurso do olhar, que doravante é legítimo respeitar. XII O princípio do **fundamento** diz na segunda tonalidade: ser e **fundamento**: o mesmo. XII A isso junta-se como o mesmo uma cunhagem correspondente destinada do **fundamento**, da ratio, da conta, da razão 6. XII A [[termos:r:ratio-sufficiens:start|ratio sufficiens]], o único **fundamento** própria e unicamente suficiente, a summa ratio, a suprema razão para a calculabilidade geral, para o cálculo do Universo, é Deus. XII O princípio do **fundamento** reza: nada é sem **fundamento**. XIII Fundamento é a tradução de ratio. XIII Que «**fundamento**» seja a tradução de ratio, quer dizer: a ratio transmitiu-se no **fundamento**, cuja tradição desde cedo fala num duplo sentido. XIII A tradição de duplo sentido da ratio como **fundamento** e razão obtém de facto primeiro o seu carácter aí, onde o destino do ser define aquela época, que segundo a cronologia histórica se chama «moderna». XIII Se, de modo diferente, ser e **fundamento** «são» o mesmo, então o moderno destino do ser também deverá transformar o antigo sentido duplo romano de ratio. XIII Por muito que também o sentido de **fundamento**, isto é solo e terra, consiga permanecer distante do sentido de razão, isto é perceber, ouvir, no duplo sentido da ratio ambos os significados estão já prematuramente unidos, se bem que não expressamente ponderados na sua co-pertança. XIII Mais convenientemente deveríamos dizer: naquilo que a ratio nomeia, estão traçadas ambas as direcções deste duplo sentido, razão e **fundamento**. XIII Mas sempre segundo a conexão histórica do Ser, do qual a ratio fala mais tarde como razão e **fundamento**, tem o reddendum um outro significado. XIII Não obstante, aquilo que em romano se chama ratio, transmitiu-se na concepção daquilo que modernamente «razão» e «**fundamento**» dizem. XIII Mas em que medida pôde então a ratio no antigo sentido bifurcar-se, de modo a falar num sentido duplo, não só como **fundamento** mas também como razão? Em que medida ela pôde ir até aí, já se deverá ter tornado agora compreensível para os ouvintes atentos. XIII É necessário entretanto ainda uma referência própria a este «em que medida»; porque nós falamos de uma bifurcação da ratio na ratio como razão e na ratio como **fundamento**. XIII A expressão da bifurcação gostaria de dar a entender que ambas as palavras, «razão» e «**fundamento**» e o que elas dizem tendem a afastar-se, mas todavia se mantêm no mesmo tronco e raiz, razão pela qual elas também no seu tender a afastar-se ainda e justamente aí se relacionam uma com a outra. XIII Aquilo assim posto por baixo, calculado, é como aquilo que é a causa, o existente, transportado, o calculado da conta; a ratio é por conseguinte a base, o solo, isto é o **fundamento**. XIII Ratio é como conta: **fundamento** e razão. XIII Nós tentamos pensar o princípio do **fundamento** como um dizer do ser. XIII O princípio diz: ser e **fundamento**: o mesmo. XIII Para reflectirmos sobre o dito, nós perguntamos: O que diz **fundamento**? A resposta reza: na palavra «**fundamento**» fala, transmitindo-se, a ratio, palavra que simultaneamente significa razão. XIII A pergunta retrospectiva pelo que diz o princípio do **fundamento** como dizer do ser, transformou-se e reza agora: em que medida ratio e ser «são» o mesmo? Indicará a palavra bifurcada ratio, que agora fala representativamente e ao mesmo tempo com um sentido duplo pela palavra «**fundamento**», de todo uma pertença recíproca, isto é na coincidência com o ser? De imediato nada disso é visto na palavra bifurcada ratio. XIII Nem uma ponta nem a outra da palavra bifurcada «conta», «razão» ‘, nem «**fundamento**» nem «razão» nomeiam imediatamente o ser. XIII A pergunta na qual nós somos colocados através do princípio do **fundamento**, reza: em que medida ser e ratio «são» o mesmo? Em que medida se pertencem reciprocamente **fundamento** e razão (ratio) por um lado e ser pelo outro? . XIII Do mesmo modo ratio fala como **fundamento** mas também como razão. XIII O caminho da nossa pergunta está previamente sinalizado através da audição do princípio do **fundamento**. XIII Por isso fomos do **fundamento** de regresso para a ratio. XIII Assim como nas palavras fundamentais do pensamento moderno, razão e **fundamento**, se transmite a palavra bifurcada ratio, assim fala na palavra romana ratio uma palavra grega; ela chama-se logos. XIII Consequentemente ouvimos o princípio do **fundamento** na segunda tonalidade só então histórica-ontologicamente e isto em simultâneo inicialmente, quando dizemos em grego o tema do princípio: tò [[termos:a:auto:start|auto]] (estin) [[termos:e:einai:start|einai]] te kai logos: O mesmo (é) einai e logos. XIII Em que medida pertence este ser assim pensado reciprocamente ao **fundamento** e à ratio? Enquanto nós ainda deixarmos ficar a pergunta sob esta forma, ela permanecerá enredada e recusa qualquer sugestão de resposta. XIII O que é que ela nos demonstra? Ela permite-nos saber o seguinte: **fundamento** e razão são a tradução, isto quer dizer agora a tradição histórica da bifurcada ratio. XIII Por isto ser assim, não podemos nós pensar logos nem a partir das nossas concepções tardias de «**fundamento**» e «razão», nem também a partir do sentido do romano ratio. XIII Mas por muito difícil que a tarefa pareça ser, permanece inevitável a sua realização, pressupondo que nós, entretanto, consideramos necessário ouvir aquilo que o princípio do **fundamento** diz propriamente, isto é na outra tonalidade. XIII Entretanto ficamos a saber que o princípio do **fundamento** nos atribui a reivindicação, sob a qual a nossa era se encontra na história universal. XIII Ela limita-se àquelas referências, que nos auxiliam a pensar histórica-ontologicamente, sobre o que diz o princípio do **fundamento** na segunda tonalidade: ser e **fundamento**: o mesmo. XIII Nós dizemos: o solo, o **fundamento**. XIII Ser e **fundamento** pertencem-se reciprocamente no logos. XIII O logos nomeia esta pertença recíproca de ser e **fundamento**. XIII Ele nomeia-a, na medida em que ele diz numa unidade: deixar existir como deixar abrir-se, abrir-se-a-partir-de-si: [[termos:p:physis-hlex:start|physis]], ser; e: deixar existir como apresentar, cultivar o solo, fundar: **fundamento**. XIII O logos nomeia sobretudo numa unidade ser e **fundamento**. XIII Mas neste nomear permanece oculta a diferenciação em ser e em **fundamento** e com a diferença oculta-se a unidade de ambos. XIII Apenas por um único momento histórico-ontológico elevado e talvez até mesmo supremo vem a unidade de ser e **fundamento** ao encontro da palavra, que se chama logos. XIII Ela não deixa a unidade de ser e **fundamento** revelar-se enquanto tal. XIII Agora poderia esperar-se que na sequência da história do pensamento a pertença recíproca de ser e **fundamento** atingisse cada vez mais a luz. XIII Evidente é antes de mais nada a diferença entre ser e **fundamento**, mas pelo contrário não como uma diferenciação que como uma relação entre ser e **fundamento** remeta ambos para uma pertença recíproca. XIII Ser e **fundamento** mostram-se apenas como diferentes no sentido do separado e do dividido. XIII Porque contudo no oculto rege a unidade de ser e **fundamento**, os divididos não se desfazem na ausência de relação. XIII Pelo contrário o **fundamento** é representado como algo diferente, não como ser, mas relacionado com aquilo que o ser determina a partir de si próprio, isto é o ente. XIII De tal maneira rege no oculto a pertença recíproca de ser e **fundamento**. XIII Ela não se revela nem a partir do ser e da sua matriz destinada, nem do **fundamento** e das suas formas ou mesmo nos pensamentos inteligíveis. XIII Em vez disso algo se amplia naturalmente na história do pensamento, isto é aquilo que foi mencionado no início da primeira aula do curso: cada ente tem um **fundamento**. XIII Em que medida? Até ao ponto em que o representar, como representar do ente no que respeita ao que ele é e eventualmente seja, tem o ser em vista e com isso, se bem que sem o seu conhecimento, o mesmo que **fundamento**. XIII Quando mais tarde o princípio do **fundamento** é classificado, então ele não expressa mais nada além desta naturalidade. XIII Assim o princípio do **fundamento** é válido então como uma lei do pensamento imediatamente intuível. XIII De onde é que isso vem? Isso vem de que ser e **fundamento** «são» o mesmo, mas a sua pertença recíproca como tal permanece esquecida, isto é entendido em grego: oculta. XIII Podemos traduzir correctamente esta expressão grega por: prestar contas, indicar o **fundamento**; mas aí não se pensa autenticamente grego. XIII . XIII Agora podemos ouvir o enunciado da retirada do ser mais claramente, o enunciado diz: ser oculta-se como ser, isto é na sua inicialmente destinada pertença recíproca com o **fundamento** como logos. XIII Pelo contrário, o ser deixa-se revelar diferentemente, ao ocultar a sua essência, isto é o **fundamento** sob a forma de archai, aitiai da rationes, da causae, dos princípios, causas primordiais e dos fundamentos racionais. XIII Na retirada, o ser lega estas configurações do **fundamento**, as quais contudo permanecem desconhecidas quanto à sua origem. XIII Entretanto esse desconhecimento não é apreendido como tal; porque é conhecido por qualquer pessoa, que todo o ente tem um **fundamento**. XIII Assim se remete pois o ser na retirada ao homem por um modo, através do qual ele oculta a origem da sua essência por trás do espesso véu do **fundamento** entendido racionalmente e das causas primordiais e suas configurações. XIII O princípio do **fundamento** diz, escutado na segunda tonalidade: ser e **fundamento**: o mesmo. XIII O princípio do **fundamento** na segunda tonalidade não é um princípio pensado metafisicamente, mas um princípio histórico-ontológico. XIII A sua versão mais exacta deverá por esse motivo, rezar: inicialmente destinado o ser atribui-se como logos e isto quer dizer na essência do **fundamento**. XIII Histórica-ontologicamente, inicialmente, ser e **fundamento** «são» o mesmo, e assim permanecem também, mas numa pertença recíproca, que se ramifica numa diferença historicamente transformável. XIII Ao seguirmos a segunda tonalidade, já não pensamos mais o ser a partir do ente, senão que o pensamos como ser, isto é como **fundamento**, isto é não como ratio, não como causa primordial, não como **fundamento** racional, mas como um deixar existir concentrante. XIII Ser e **fundamento** não são contudo uma indiferença vazia, mas o conteúdo oculto daquilo que, antes de tudo, se revela no destino do ser como história do pensamento ocidental. XIII Nos primeiros comentários à segunda tonalidade do princípio do **fundamento**, disse-se: ser e **fundamento**: o mesmo. XIII Ser «é», o que o seu nome inicial logos diz, destinadamente o mesmo com o **fundamento**. XIII Na medida em que ser se desdobra como **fundamento**, não tem ele próprio um **fundamento**. XIII Isto contudo não por que ele se funde a si próprio, mas porque qualquer fundamentação, também e justamente aquelas que o são através de si próprias, permanece desmedida em relação ao ser como **fundamento**. XIII Do ser permanece o **fundamento**, isto é como **fundamento** primeiramente fundamentador, de fora e separado. XIII Situe-se agora este enunciado tão só ao lado daquele dito primeiramente: ser e **fundamento**: o mesmo? Ou um até excluirá o outro? Assim parece de facto, quando nós pensamos segundo a regra da lógica habitual. XIII Exprimido consequentemente: «ser e **fundamento**: o mesmo» tanto como: ser = **fundamento**. XIII Como poderá então ainda ser válido o outro: ser: o sem-fundo? Contudo é justamente isso que se demonstra agora como o que deve ser pensado, isto é: ser «é» o sem-fundo na medida em que ser e **fundamento**: o mesmo. XIII Na medida em que ser «é» fundar, e apenas nessa medida, não tem qualquer **fundamento**. XIII Ouçamos o princípio do **fundamento** na outra tonalidade e meditemos sobre aquilo ouvido, então este meditar é um salto e decerto um salto de envergadura, que põe o pensamento em jogo com aquilo em que o ser como ser repousa, portanto não com aquilo em que se apoia como o seu **fundamento**. XIII Ao ser de um ente, portanto também ao jogo, pertence então o **fundamento**. XIII A essência do jogo é por conseguinte definida como dialéctica de liberdade e necessidade por toda a parte no raio de acção do **fundamento**, da ratio, da regra, das regras do jogo, do cálculo. XIII A pergunta para a qual nos indica o salto na outra tonalidade do princípio do **fundamento**, reza: Deixa-se a essência do jogo definir convenientemente a partir do ser como **fundamento**, ou deveremos nós pensar ser e **fundamento**, ser como sem-fundo a partir da essência do jogo e certamente do jogo para que nós, mortais, somos trazidos, pois apenas somos nós quem mora na proximidade da morte, a qual como possibilidade mais extrema da existência (Daseins) alcança o mais elevado na clareira do ser e da sua verdade? A morte é a medida ainda impensada do incomensurável, isto é do jogo supremo no qual o homem trazido à terra, é posto. XIII Mas não se tratará de um simples comportamento lúdico, quando nós agora na conclusão do curso sobre o princípio do **fundamento**, arrastamos os pensamentos quase violentamente para o jogo e a unidade de ser e **fundamento** com o jogo? Assim poderá parecer, enquanto nós ainda continuarmos a abstermo-nos de pensar histórica-ontologicamente, e isto quer dizer de nos confiarmos reflectidamente o vínculo resolúvel na tradição do pensamento. XIII O caminho de pensamento do curso conduziu-nos a ouvirmos o princípio do **fundamento** na outra tonalidade. XIII Isso exigiu de nós que perguntássemos: em que medida «são» ser e **fundamento** o mesmo? A resposta deu-se-nos no caminho de um regresso ao início do destino do ser. XIII O caminho conduziu através da tradição segundo a qual, nas palavras «**fundamento**» e «razão» fala a ratio no duplo sentido da conta. XIII Mas só quando nós reflectimos sobre o que no pensamento grego primevo logos diz para [[termos:h:heraclito:start|Heráclito]], se tornou claro, que esta palavra nomeia ao mesmo tempo ser e **fundamento**, ambos a partir da sua pertença recíproca. XIII Aquilo que Heráclito designa por logos diz ele ainda por outros nomes, que são expressões condutoras do seu pensamento: physis, o que se-abre-a-partir-de-si, que simultaneamente está presente como ocultar-se; [[termos:k:kosmos:start|kosmos]], que em grego simultaneamente expressa ordem, injunção e ornamento, que como brilho e esplendor expõe à revelação; por fim Heráclito nomeia aquilo que se lhe atribui como logos como o mesmo de ser e **fundamento**: aion. XIII Nada é sem **fundamento**. XIII Ser e **fundamento**: o mesmo. XIII Ser como fundamentado não tem qualquer **fundamento**, joga aquele jogo como o sem-fundo, que como destino nos proporciona ser e **fundamento**. XIII {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}