====== Vitalismo Historicista de Dilthey ====== XZLF * Origem da filosofia radicada na condição intrínseca da vida humana em oposição à estrutura da razão absoluta hegeliana. * Compreensão da vida como unidade em constante mudança de estado, caracterizada pela interdependência entre a consciência da identidade pessoal e a totalidade do mundo externo. * Estruturação de cada estado vital como acontecimento temporal que articula momentos representativos, estímulos afetivos e impulsos volitivos em uma conexão estrutural teleológica. * Emergência do impulso filosófico a partir da necessidade vital de unificar a imagem objetiva do mundo, a experiência dos valores e os princípios de ação em um sentimento unitário. * Definição do //vivido// como modo peculiar de sentir cada estado da alma e a fluência do tempo, constituindo a base para a psicologia compreensiva. * Objeto da filosofia identificado como o enigma da vida e a busca por uma //Weltanschauung// ou concepção unitária do mundo. * Distinção entre imagem do mundo, voltada ao conhecimento objetivo, e concepção do mundo, direcionada à totalidade existencial e ao enfrentamento de lacunas intrínsecas como o nascimento e a morte. * Tipologia das concepções de mundo em religiosas, baseadas na relação com poderes transcendentes, artísticas, focadas na idealização de valores intrínsecos, e filosóficas, que almejam validade universal e racional. * Função da filosofia como saber racional de validade geral destinado a reformar a vida individual e histórica por meio do domínio sobre o enigma existencial. * Problema filosófico manifestado na historicidade radical e na antinomia entre sistemas de pensamento irredutíveis no tempo. * Redução da diversidade histórica de sistemas aos tipos fundamentais do naturalismo, do idealismo objetivo e do idealismo da liberdade. * Adoção do método hermenêutico para interpretar a diversidade de conteúdos objetivos como expressões histórico-factuais das múltiplas faces da vida humana. * Proposição de uma filosofia da filosofia que busca as raízes interpretativas de cada sistema sem pretender superar suas antinomias metafísicas por meio de discussões dialéticas. * Valor da filosofia e confronto crítico da fenomenologia transcendental husserliana contra o relativismo e o historicismo. * Rejeição de Husserl ao historicismo de Dilthey como ceticismo radical que subordina a validade ideal e objetiva da verdade ao fato fluente da vida anímica e social. * Afirmação da independência da verdade lógica e matemática em relação à condicionalidade histórica de sua descoberta, distinguindo a gênese factual da validade de princípio. * Crítica à confusão entre sabedoria da vida, fundamentada na profundidade pessoal, e ciência rigorosa, baseada na clareza conceitual e no talento teórico impessoal. * Exigência de conversão da filosofia em ciência estrita, onde a razão possui a última palavra e os problemas são decididos pelo apelo direto às coisas mesmas, e não pela biografia dos pensadores. * Necessidade de intensificação do esforço científico da fenomenologia para superação da fragilidade dos momentos culturais e das tendências dominantes de cada época. * Identificação do erro fundamental de Dilthey em conceder primado ao fato da objetividade em detrimento da objetividade do fato, reduzindo princípios universais a meras circunstâncias históricas. * Superação da dicotomia entre naturalismo e historicismo através da vida transcendental que ilumina verdades absolutas para o espírito em sua estrutura essencial e necessária.