====== Problema Radical da Filosofia em Husserl ====== XZLF * Investigação do ser essencial por meio do esforço da experiência fenomenológica em fases sucessivas de profundidade analítica. * Desenvolvimento inicial focado na análise dos atos fundamentais da consciência, como percepção e juízo, e na descrição de ontologias regionais que fundamentam a materialidade e a intersubjetividade. * Superação do plano meramente constatativo da correlação noético-noemática em direção ao reconhecimento da consciência como constituição produtiva e originária. * Identificação da subjetividade transcendental como o problema filosófico radical onde o //ego// atua como constituinte da objetividade por meio de atos doadores de sentido ou //sinngebender Akt//. * Centralidade do tempo fenomenológico como forma suprema da constituição da consciência e âmbito da fluência pura do fluxo de vivências. * Diferenciação entre o tempo do mundo real, a //durée// bergsoniana e o tempo intencional que articula as modificações do agora em uma unidade de sentido permanente. * Compreensão do tempo como estrutura intencional que permite a coexistência do antes e do depois em um agora intencional constante, superando a mera sucessão de instantes puntuais. * Constituição do //noema// objetivo através da estrutura temporal que garante a presencialidade e a identidade do objeto apesar do fluxo incessante da consciência. * Fundamentação da estabilidade dos objetos na capacidade da //noesis// de reter o passado e protender o futuro em um único ato de presentificação intencional. * Identidade formal do //ego// constituída no tempo fenomenológico como polo subjetivo de toda a série de vivências na vida consciente. * Caracterização do eu não como suporte extrínseco, mas como polo de identidade que se manifesta na forma de uma vida vivencial contínua e temporalmente integrada. * Gênese transcendental da consciência como processo sistemático e histórico de constituição de vivências interdependentes. * Exigência de copossibilidade e compatibilidade entre vivências sucessivas, onde o passado determina as condições de possibilidade para atos de consciência futuros. * Substituição da explicação causal pela compreensão da motivação intencional, onde cada vivência encontra seu fundamento em motivos e hábitos previamente constituídos. * Estabelecimento de uma nova lógica radical e constituinte que serve de //logos// universal para todo ser concebível e para a estrutura do mundo fenomênico. * Definição da razão fenomenológica como sistema de vivências determinado pela evidência e pelo preenchimento intencional da consciência constituinte. * Redefinição da subjetividade como far-se manifestar as coisas a partir de si mesmas, permitindo que o mundo se constitua como sentido do //ego//. * Proposição da filosofia como ciência rigorosa de autocostituição, visando o evidenciamento supremo do eu e do mundo em que este habita. * Caracterização do idealismo transcendental husserliano como afirmação da aprioridade do ser essencial e da consciência pura como ser absoluto. * Reconhecimento da vida absoluta do //ego// como modo de viver focado na evidenciação das essências, integrando inclusive o irracional dentro do horizonte da razão fenomenológica. * Preparação do terreno para o confronto dialético com o historicismo e a visão da vida como história representada pelo pensamento de Dilthey.