====== Fenomenologia como Ciência Rigorosa em Husserl ====== XZLF * Falência da interpretação psicológica das leis da aritmética e imperativo de transformar filosofia em ciência estrita. * Superação de meras opiniões e pontos de vista subjetivos por meio do apelo direto às coisas mesmas como critério supremo de verdade. * Denúncia do psicologismo e do historicismo como contrassensos teóricos por buscarem fundamentar validades absolutas em fatos contingentes e temporais. * Recuperação da reflexão crítica cartesiana para estabelecimento de bases seguras e indubitáveis ao saber humano universal. * Identificação do ego como fundamento radical de toda verdade possível a partir da condição subjetiva de fundamentação absoluta pelo próprio indivíduo. * Crítica ao desvio realista de Descartes que priorizou a existência do //ego cogitans// fáctico em detrimento do //cogitatum// como objeto //sui generis//. * Proposição de que o ego deve ser entendido como polo ideal da cogitação e não como substância real ou existente no mundo. * Posicionamento do problema filosófico através da redução de toda verdade a uma operação da consciência pura. * Exigência de conhecimento absoluto caracterizado por objeto acessível a todos e justificado com evidência plena em sua natureza peculiar. * Suspensão temporária de todas as verdades externas para manutenção exclusiva do ego como ponto de partida incontrovertível. * Definição de fenômeno como manifesto em sua pura manifestação, dissociado de estados psíquicos reais ou aparências de coisas ocultas. * Estabelecimento da correlação necessária entre consciência e fenômeno como superação de todo dualismo entre sujeito e objeto entendidos como entidades separadas. * Compreensão da consciência não como estado subjetivo ou faculdade conformadora, mas como horizonte de manifestação do sentido das coisas. * Operação da redução fenomenológica ou //epoché// sobre a totalidade do mundo e a atitude natural da existência humana. * Suspensão da proto-crença na realidade do mundo e de si mesmo para visualização de configurações intrínsecas do dado puro. * Manutenção da riqueza da vida real sob a forma de mundo reduzido ou posto entre parênteses para análise de suas estruturas essenciais. * Transformação do eu mundano em fenômeno da egoidade, livre de notas fácticas ou determinações empíricas. * Articulação entre redução eidética e redução transcendental como dimensões inseparáveis da nova metodologia filosófica. * Passagem do caráter de fato à configuração intrínseca do //eidos//, funcionando como metro e medida para toda existência fáctica possível. * Caracterização da subjetividade transcendental como condição em que a fenomenalidade se torna o caráter supremo de tudo o que é. * Rejeição da perda do real em favor de uma aquisição definitiva do sentido absoluto que precede a existência de coisas particulares. * Confronto com o subjetivismo psicológico e o idealismo transcendental kantiano a partir do rigor fenomenológico. * Subordinação do sujeito psicológico fáctico ao fenômeno puro do ego, invertendo a dependência entre fato e essência estabelecida pelo psicologismo. * Crítica à mundanidade do sujeito kantiano e afirmação da consciência como pura correlação e não como conformação ativa do objeto. * Diferenciação entre o ato de fazer o objeto e o ato de permitir que o objeto se manifeste em sua verdade própria a partir do eu. * Descoberta da essência e do ser como objetos absolutos e finais da investigação filosófica em oposição à empiriologia. * Obtenção de saber absoluto sobre o que as coisas são, transcendendo a variabilidade e a possibilidade de erro inerentes às percepções sensíveis. * Caráter incondicionado da essência frente à realização fáctica, garantindo a autonomia do saber fenomenológico sobre o saber dos fatos. * Função da fenomenologia como justificativa rigorosa de todo conhecimento científico e do saber comum através do acesso direto às essências puras.