===== A ERA DO TRABALHADOR (1990:60-62) ===== //ZIMMERMAN, Michael E. Heidegger’s Confrontation with Modernity. Technology, Politics, Art. Bloomington: Indiana University Press, 1990.// * Embora Jünger por vezes apresentasse a era do trabalhador (Arbeiter) como inteiramente dedicada aos meios técnicos, ele também a descreve como orientada a um fim próprio — a dominação mundial pela raça mestra dos trabalhadores — cujo advento exige um período prévio de instabilidade, niilismo e transitoriedade das formas. * O mundo técnico possui caráter embrionário que tende a maturidade predeterminada. * Os meios têm natureza provisória, de oficina, destinados a uso temporário. * O ambiente histórico é transitório e desprovido de estabilidade formal. * As formas são moldadas por agitação dinâmica constante. * Nada permanece estável fora do aumento das curvas de produção. * A burguesia interpretou a industrialização como progresso rumo a uma perfeição racional e virtuosa ligada ao conhecimento, à moralidade, à humanidade, à economia e ao conforto, enquanto Jünger a compreende como expressão de forças históricas supra-humanas às quais o trabalhador deve se submeter. * A ideia de progresso baseia-se na crença ilusória no domínio humano da história. * A história manifesta forças mais poderosas que a ação meramente humana. * A rendição a essas forças conduz ao surgimento de símbolos técnicos de culto. * O Typus redescobre a identidade entre vida e cerimônia sagrada. * Manifestações técnicas substituem religiões tradicionais. * Experiências coletivas modernas revelam nova forma de piedade. * A atitude quase suplicante dos trabalhadores diante da técnica revela a percepção de que ela expressa um centro oculto e transcendente sem finalidade externa, sendo compreendida como manifestação da pura Vontade de Vontade evocada por Heidegger e como etapa destinada a culminar em organização, planejamento e controle totais. * A técnica realiza o objetivo interno da totalidade. * A dominação planetária figura como símbolo máximo da nova Gestalt. * A segurança superordenada transcende processos bélicos e pacíficos. * O mundo totalmente controlado carece de propósito externo. * Essa era prepara novo espetáculo no drama cósmico. * Antes da culminação da Gestalt atual, os estados existentes devem tornar-se autoritários, manifestando ditadores que encarnam o estilo rigoroso do trabalho e promovem o ataque do Typus contra valores burgueses de liberdade, partidos, parlamento, imprensa liberal e economia livre. * Os ditadores são impostos pelo próprio povo para ordenar a necessidade. * A aparência autoritária expressa disciplina e sobriedade. * O ataque dirige-se aos conceitos burgueses em colapso. * A revolução dos trabalhadores, diferentemente das revoluções burguesas realizadas sob regimes absolutos com armas conceituais-espirituais, ocorrerá no interior das democracias burguesas mediante o uso de instrumentos técnicos-objetivos que totalizam a cultura e conduzem à dominação planetária. * Rádio, jornais, escolas, quartéis e fábricas tornam-se meios revolucionários. * O poder técnico é totalizante, embora não infinito. * A era tecnológica constitui manifestação transitória da eterna Vontade de Poder. {{tag>Zimmerman trabalho trabalhador técnica Jünger}}