===== SEMINÁRIOS ===== //VOLPI, Franco; GNOLI, Antonio. La selvaggia chiarezza: scritti su Heidegger. Milano: Adelphi, 2011.// * As testemunhas que tiveram o privilégio de ouvir diretamente Heidegger, estivessem ou não dispostas a segui-lo no caminho por ele iniciado, concordam que o “ensino oral” desse “xamã da palavra” possuía algo de arrebatador, pois observá-lo “em trabalho”, vê-lo em ato no próprio pensar e no confronto direto com problemas, textos e a tradição filosófica, equivalia a assistir ao espetáculo de uma força da natureza, de modo que de Gadamer a Löwith, de Hannah Arendt a Günther Anders, de Leo Strauß a Hans Jonas, gerações de pensadores alemães sofreram o fascínio que ele exerceu como mestre, e antes mesmo da publicação de Ser e tempo já circulava nos meios filosóficos alemães a voz de que um novo astro nascia no firmamento da filosofia alemã. * Heidegger é nomeado como “xamã da palavra” e seu ensino oral é caracterizado como travolgente. * Gadamer, Löwith, Hannah Arendt, Günther Anders, Leo Strauß e Hans Jonas são mencionados como testemunhas e/ou afetados pelo fascínio. * Ser e tempo é citado como marco ainda posterior a um prestígio docente já estabelecido. * A fama precoce é descrita como rumor de um “novo astro” na filosofia alemã. * O ensino e o trabalho seminarial permaneceram como laboratório privilegiado para a gestação do pensamento, pois muitos escritos importantes, quando não são diretamente cursos universitários como Introdução à metafísica, Nietzsche e O princípio de razão, nascem da atividade docente ou a têm visivelmente por trás como pressuposto e suporte essencial, e o próprio Ser e tempo é apresentado como compêndio dos cursos universitários ministrados na primeira metade dos anos 1920, razão pela qual o ensino oral, hoje documentado na edição das Obras completas com extraordinária riqueza e continuidade, constitui chave e via privilegiadas de acesso ao laboratório do pensador e ao seu pensamento. * Introdução à metafísica, Nietzsche e O princípio de razão são mencionados como exemplos de cursos ou derivados do ensino. * Ser e tempo é caracterizado como compêndio de cursos dos anos 1920. * A edição das Obras completas é indicada como documentação do ensino oral. * “Laboratório” é usado como figura para o lugar de gestação do pensamento. * Para o último Heidegger, notoriamente mais difícil e obscuro e ao mesmo tempo mais provocador e inquietante, as pistas para seguir essa via tornam-se mais raras, pois afastado das salas universitárias, no exílio e na solidão da Floresta Negra, o pensamento adquire tom cada vez mais “esotérico”, com um interrogar mais martelante e uníssono e um especular mais vertiginoso, enquanto os escritos interpõem entre ele e o leitor saltos, barreiras e degraus a transpor, com a intenção evidente de “iniciar” os não preparados ou livrar-se deles desde o começo, restando apenas raras ocasiões em que volta ao papel de mestre em seminários restritos e privados. * Floresta Negra é citada como lugar de exílio e solidão. * O tom “esotérico” é associado a interrogatividade martelante e especulação vertiginosa. * “Saltos, barreiras e degraus” são descritos como mediações difíceis entre escrito e leitor. * A retomada do magistério é limitada a ocasiões raras e privadas. * Os textos desses seminários, que documentam o ensino oral do último Heidegger, foram reunidos na edição alemã das Obras completas como Seminare, em Gesamtausgabe, volume XV, organizado por Curd Ochwadt, Klostermann, Frankfurt am Main, 1986, contendo apenas textos autorizados pelo próprio Heidegger conforme o critério editorial, e abrangem o seminário sobre Heráclito com Eugen Fink no semestre de inverno de 1966/67 na Universidade de Friburgo, os “Quatro seminários” em Le Thor (1966, 1968, 1969) e em Zähringen (1973), e ainda um seminário na Universidade de Zurique em 1951 que tratou de temas como “método” do pensamento filosófico, técnica moderna e relação entre filosofia e teologia. * Gesamtausgabe é mencionada com volume XV e editor Curd Ochwadt. * Klostermann e Frankfurt am Main são mencionados como editora e cidade. * Eugen Fink e o seminário sobre Heráclito (1966/67, Friburgo) são citados. * Le Thor e Zähringen são citados como locais dos “Quatro seminários”, com datas. * O seminário de Zurique (1951) é citado com temas: método, técnica moderna, filosofia e teologia. * O volume em questão traduz todos esses textos, com exclusão do seminário sobre Heráclito por ter sido publicado originalmente como livro autônomo (Klostermann, Frankfurt am Main, 1970) e por ser agora publicado também em italiano, enquanto textos de outros seminários foram excluídos da Gesamtausgabe por não terem sido redigidos ou autorizados por Heidegger. * O seminário sobre Heráclito é excluído por já existir como livro separado. * Klostermann e a edição de 1970 em Frankfurt am Main são mencionados. * A exclusão de outros materiais é atribuída à falta de redação ou autorização de Heidegger. * Os “Quatro seminários” de Le Thor e Zähringen têm em comum a origem no vínculo particular de Heidegger com a França e a destinação a um grupo de jovens estudiosos franceses, em sua maioria alunos de Jean Beaufret, um interlocutor privilegiado do último Heidegger e principal difusor de seu pensamento na França. * Jean Beaufret é indicado como interlocutor privilegiado e difusor na França. * O público dos seminários é descrito como jovens estudiosos franceses, majoritariamente alunos de Beaufret. * A relação com a França é apontada como origem comum dos encontros. * O vínculo de Heidegger com a França exigiria investigação própria, mas é lembrado como fruto mais importante a célebre Carta sobre o “humanismo”, redigida em 1946 em resposta a uma pergunta de Jean Beaufret, cuja recepção bem-sucedida e publicação em 1947 marcou no plano internacional a reabilitação de Heidegger após a condenação de 1945, e esse conjunto de fatos é indicado como uma das razões de sua inclinação pelo mundo francês, incluindo o primeiro viagem à França em 1955 a Cerisy-la-Salle para a conferência Que é a filosofia?, o encontro em Paris, em Ménilmontant, com o poeta René Char e o início de um vínculo entre ambos. * Carta sobre o “humanismo” é associada a 1946 e a Jean Beaufret. * Publicação em 1947 e reabilitação após 1945 são mencionadas. * Cerisy-la-Salle (Normandia) e a conferência Que é a filosofia? são mencionadas para 1955. * René Char e Ménilmontant (Paris) são mencionados como encontro decisivo. * Um convite de René Char para que Heidegger fosse à Provença deu ocasião aos seminários de Le Thor de 1966, 1968 e 1969, enquanto o seminário de 1973, inicialmente previsto para os Vosges na casa de Roger Munier, tradutor e estudioso do pensamento heideggeriano, foi transferido para a casa de Heidegger em Zähringen, bairro de Friburgo, e informações adicionais sobre participantes, organização, andamento e, em geral, sobre o vínculo com a França são indicadas como disponíveis na Pósfacio de C. Ochwadt, com referência às páginas 211 e seguintes. * René Char é citado como origem do convite que leva a Le Thor. * Provença e Le Thor são mencionados como cenário dos encontros de 1966, 1968 e 1969. * Roger Munier é mencionado como tradutor e anfitrião inicialmente previsto nos Vosges. * Zähringen é indicado como bairro de Friburgo e local final do seminário de 1973. * C. Ochwadt e a Pósfacio (pp. 211 e seguintes) são mencionados como fonte de detalhes. * Os textos dos “Quatro seminários” foram publicados originalmente em francês, primeiro os de 1968 e 1969 em opúsculos de tiragem limitada de 100 e 200 exemplares, e depois os quatro reunidos em Questions, volume IV, Gallimard, Paris, 1976, ao passo que a edição alemã, organizada por C. Ochwadt sob a direção de Heidegger, apareceu no ano seguinte como Vier Seminare, Klostermann, Frankfurt am Main, 1977, sendo retomada no volume citado da Gesamtausgabe e devendo ser considerada a edição que “faz fé” por conter modificações, integrações e correções sugeridas por Heidegger. * Tiragens limitadas de 100 e 200 exemplares são mencionadas para 1968 e 1969. * Questions, vol. IV, Gallimard, Paris, 1976 é mencionado como reunião francesa. * Vier Seminare, Klostermann, Frankfurt am Main, 1977 é mencionado como edição alemã. * Direção de Heidegger e curadoria de C. Ochwadt são mencionadas. * A edição alemã é qualificada como a que “faz fé” por revisões de Heidegger. * Em apêndice ao seminário de Zähringen foram acrescentados dois textos breves, A proveniência do pensamento e uma interpretação do passo de Parmênides sobre o “coração que não treme da verdade”, escritos naquele período e oferecidos em manuscrito ao irmão Fritz por ocasião de seu octogésimo aniversário, e como o texto sobre Parmênides foi lido durante o seminário de 1973 segundo o verbete que relata o conteúdo, a decisão de reproduzir em apêndice a versão manuscrita original, incluindo o texto sobre a proveniência do pensamento como premissa, gera repetição em relação ao relato do seminário, mas permite ler, de próprio punho e conjuntamente, os dois textos. * A proveniência do pensamento é citado como texto acrescido em apêndice. * Parmênides e o “coração que não treme da verdade” são mencionados. * Fritz é mencionado como irmão e destinatário do manuscrito no aniversário de 80 anos. * Leitura no seminário de 1973 e registro em verbete são mencionados. * A reprodução manuscrita é apontada como possibilidade de leitura “de próprio punho”. * O “Seminário de Zurique” foi organizado por estudantes da Universidade de Zurique em colaboração com estudantes do Politécnico e ocorreu em 5 de novembro de 1951 no Auditorium maximum do Politécnico, sendo a discussão registrada por estenografia e convertida em texto publicado com aprovação de Heidegger numa edição fora de comércio de 225 exemplares numerados (Zurique, 1952), e para detalhes adicionais sobre participantes e circunstâncias de publicação é feito novo encaminhamento à Pósfacio de C. Ochwadt. * Universidade de Zurique e Politécnico são mencionados como organizadores. * Data e local são especificados: 5 de novembro de 1951, Auditorium maximum. * Registro estenográfico e aprovação de Heidegger são mencionados. * Edição fora de comércio de 225 exemplares numerados (Zurique, 1952) é mencionada. * C. Ochwadt e a Pósfacio são novamente indicados como fonte de detalhes. {{tag>Volpi}}