===== TAMINIAUX (1995B:175-176) – A ARTE E A POESIA ===== No entanto, parece-nos notável que tenha sido no contexto de uma interpretação da parábola platônica da caverna que, pouco depois de [[termos:s:sein:start|Sein]] und [[termos:z:zeit:start|Zeit]], tenham sido anunciados novos desenvolvimentos relativos à arte, mas também à política, no que diz respeito à [[termos:t:theoria-hlex:start|theoria]] como [[termos:v:visao:start|visão]] do ser. Estamos a referir-nos à conferência do semestre de inverno de 1931-32, intitulada Vom [[termos:w:wesen-der-wahrheit:start|Wesen der Wahrheit]] / [[termos:z:zu:start|zu]] Platons [[termos:h:hohlengleichnis:start|Höhlengleichnis]] und Theätet. Nela, Heidegger decifra as fases da parábola como outras tantas “fases do advento da [[termos:v:verdade:start|verdade]]”, no sentido do desvelamento do ser. O que está em causa neste advento, segundo ele, é “a autêntica libertação do homem em relação à luz original que é a do ser”. Esta libertação é o que significa a emergência na luz do sol daqueles que (176) eram anteriormente prisioneiros das sombras. Ver esta luz é, diz Heidegger, “compreender o ser do ente”. Ligar-se a ela é tornar-se livre para o ser em relação ao ser do ente, de modo que a liberação (Freiwerden) e o projeto do ser (Seinsentwurf) são uma e a mesma coisa (GA34, 60-61). É neste contexto que Heidegger, talvez pela primeira vez, atribui à arte, especificamente à poesia, a capacidade de manifestar “o poder interior da compreensão humana do ser, da visão da luz (Lichtblick)” (63). O artista, escreve ele, tem um “olho essencial para o possível; ele traz à tona as possibilidades ocultas do ser e, assim, permite que os homens vejam pela primeira vez o ser real no qual labutam cegamente. A descoberta essencial da realidade (Wirklichen) não foi e não é feita graças às ciências, mas graças à filosofia em toda a sua originalidade, e graças à grande poesia e aos seus projetos. A poesia torna o ser mais ser”. Mas para compreender isto, salienta Heidegger, temos de deixar de considerar o “problema da arte como um problema de estética” (64). Isto sugere que o equívoco que até agora parecia pesar sobre as belas-artes, englobadas pela [[termos:t:tecnologia:start|tecnologia]] quotidiana e pela sua inautenticidade, está em vias de ser levantado. No entanto, se a arte, assim redefinida, não é de modo algum um modo inadequado de desvelamento, o advento da l’[[termos:a:aletheia-hlex:start|aletheia]] para o qual contribui parece estar em todo o lado e sempre e de modo algum ligado à reunião de um povo histórico em torno do seu projeto de ser. Prova disso é o leque de poetas que Heidegger evoca aqui: “Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare, Goethe”. (TAMINIAUX, J. Le théatre des philosophes: La tragédie, l’être, l’action. Grenoble: J. Millon, 1995) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}