===== TEMPORALIDADE (1986:IV) ===== //STAMBAUGH, Joan. The Real is not the rational. Albany: State university of New York press, 1986.// * A reflexão sobre o que há de novo no conceito heideggeriano de temporalidade parte da constatação de que as ideias filosóficas são raras e decisivas, como o próprio Heidegger sugere ao resumir a história da filosofia por meio de conceitos como O Uno, Logos, ideia, ousia, energeia, substância, realidade, percepção, mônada, objetividade, autoposição da vontade da razão, amor, espírito, poder e vontade da eterna recorrência, indicando que a temporalidade figura entre essas poucas ideias fundamentais e que, embora o interesse central de Heidegger seja o Ser, foi a temporalidade que o colocou em seu caminho e prefigurou noções posteriores como Lichtung, Austrag e Ereignis. * Cada pensador como portador de um único pensamento governante. * Temporalidade como uma das raras ideias filosóficas decisivas. * Centralidade do Ser e papel mediador da temporalidade. * Afinidade entre ek-stasis, Lichtung, Austrag e Ereignis. * Essas aproximações entre temporalidade e Ser não pretendem simplesmente transpor a análise da primeira para a dimensão do segundo, mas apenas indicar a afinidade estrutural entre ambas. * Recusa de redução direta da temporalidade ao Ser. * Indicação de proximidade conceitual. * O elemento novo na análise heideggeriana da temporalidade consiste na tentativa de dizer como o tempo ocorre, diferentemente de tradições que falaram do tempo desde Heráclito e Parmênides ou enfatizaram processo, como Hegel, sem esclarecer como tal processo se move, já que a dialética hegeliana, embora proceda por negação (Aufhebung), não explica temporalmente a passagem de tese a antítese e síntese. * Ênfase histórica no tempo e no processo. * Insuficiência da dialética hegeliana para explicar o movimento. * Negação como princípio não explicitamente temporal. * A concepção de Bergson, ao identificar tempo com continuidade, fluxo, passagem e duração autossuficiente, aproxima-se de Heidegger ao tratar coisas e estados como abstrações, mas permanece incapaz de descrever a estrutura da ocorrência ao pressupor que já se sabe como fluxo e transição se dão. * Continuidade da vida interior como duração. * Coisas e estados como instantâneos artificiais. * Falta de descrição estrutural da ocorrência. * A temporalidade em Heidegger não é um processo que ocorre no tempo, mas uma estrutura de ocorrência que se temporaliza, superando a serialidade derivada do tempo como sucessão de pontos-agora, tal como analisada por Aristóteles. * Temporalidade como estrutura. * Distinção entre processo e temporalização. * Crítica à serialidade aristotélica. * O reconhecimento de que há processos no mundo não elimina que a estrutura da temporalidade, e em última instância o significado do Ser, constitui o pressuposto que torna possível qualquer processo e determina as épocas (Geschicke) do Ser como envios singulares cujo desenvolvimento subsequente apenas desdobra sua própria natureza. * Processos como dados ônticos. * Temporalidade como condição de possibilidade. * Épocas do Ser como envios únicos. * A analogia ôntica do jogo de beisebol, na qual o Ser lança e o homem responde, ilustra figurativamente o envio e a apropriação que inauguram o caráter processual de uma época, deixando em aberto a questão decisiva da instância que julga ou arbitra tal jogo. * Ser como arremessador. * Homem como aquele que erra ou é apropriado. * Desenvolvimento processual da época. * Interrogação sobre o árbitro. {{tag>Stambaugh temporalidade Zeitlichkeit}}