===== TEMPO EXISTENCIAL EM HEIDEGGER (1991) ===== //STAMBAUGH, Joan. Thoughts on Heidegger. [Pittsburgh, Pa.] : Washington, D.C: Center for Advanced Research in Phenomenology ; University Press of America, 1991.// * Para a maioria, tempo significa o “tempo do relógio”, isto é, medição quantitativa ou sensação psicológica de acompanhamento mensurável, mas o tempo existencial, distinto e pertencente à existência humana segundo Heidegger e Kierkegaard, refere-se à maneira como a existência pode constituir-se inautêntica ou autenticamente, segundo um ou-ou do tipo vel-vel, no qual as possibilidades não se excluem necessariamente. * Tempo do relógio como medida necessária à vida cotidiana. * Tempo existencial como pertencente à existência humana. * Duas formas fundamentais de constituição: inautêntica e autêntica. * Distinção entre aut-aut exclusivo e vel-vel não exclusivo. * A existência humana, envolvendo potencialmente tanto inautenticidade quanto autenticidade, temporaliza-se de modos fundamentalmente distintos, sendo a temporalidade da existência autêntica aquela que possibilita o acesso ao ser humano como totalidade. * Temporalizações diversas da existência. * Ênfase na existência autêntica. * Acesso ao humano como um todo por meio da temporalidade autêntica. * Em contraste com a concepção aristotélica do tempo como fenômeno natural dependente da alma numeradora, Heidegger desenvolve uma concepção existencial na qual o chamado tempo do relógio representa apenas um desdobramento sofisticado da ideia aristotélica de tempo como medida. * Aristóteles: tempo como contado pela alma numeradora. * Ausência de alma implica movimento, não tempo. * Tempo do relógio como desenvolvimento histórico dessa concepção. * Enquanto para Aristóteles o tempo é o que é contado, para Heidegger o tempo constitui a própria estrutura da experiência humana, ultrapassando Kant ao abandonar a ideia de estar “no tempo” como forma newtoniana de recipiente absoluto. * Kant: tempo como forma da sensibilidade interna. * Espaço como forma da sensibilidade externa. * Crítica ao tempo como recipiente estático. * Afirmação de que não se está no tempo, mas se é tempo. * O tempo, enquanto estrutura da experiência humana, articula-se com os existenciais compreensão, sintonia e discurso, categorias próprias do ser humano que não se deixam expressar pelas categorias aristotélicas destinadas às coisas. * Existenciais como categorias do ser humano. * Insuficiência das categorias aristotélicas. * Superação da concepção tradicional de homem e tempo. * A compreensão (Verstehen), relacionada principalmente ao futuro, projeta o ser humano em suas possibilidades e fundamenta sua transcendência, segundo a qual ele é sempre mais do que seu estado atual, podendo tornar-se melhor ou pior. * Projeto existencial fundamental. * Relação com o futuro. * Dimensão de transcendência. * Referência a Sartre: ser mais do que se é. * A sintonia (Befindlichkeit), vinculada principalmente ao passado como lançamento no mundo, revela a facticidade e os limites inalteráveis da existência, introduzindo os humores no centro da análise existencial. * Relação com o ter sido e o lançamento. * Facticidade como restrição. * Elementos inexoráveis da existência. * Centralidade inovadora dos humores. * O discurso (Rede), relacionado principalmente ao presente, abrange tanto a fala quanto o diálogo interno e a articulação interior do pensamento. * Presente como dimensão do discurso. * Inclusão do diálogo interno. * Articulação dos pensamentos. * A concepção heideggeriana de tempo rompe com a sequência linear de pontos-agora ao redefinir futuro, passado e presente como dimensões inseparáveis nas quais o futuro vem ao encontro, o ter sido permanece atuante e o presente emerge de sua unidade dinâmica. * Futuro como aquilo que vem em direção. * Passado (Gewesenheit) como ter sido que ainda é. * Presente como encontro entre futuro e ter sido. * Superação da linearidade serial. * A determinação antecipatória, como ser em direção à potencialidade mais íntima do Da-sein, constitui o fenômeno primordial do futuro e possibilita o ser-um-todo autêntico ao permitir que o Da-sein venha a si mesmo em sua possibilidade extrema. * Ser em direção à possibilidade mais própria. * Antecipação como tornar-se autenticamente futuro. * Futuro como chegada a si mesmo. * Unidade estrutural do Da-sein. * O tempo, entendido como aquilo que conta e não como aquilo que é contado, não é série de pontos presentes nem recipiente inerte, mas dimensão constitutiva da existência. * Crítica à sequência de agoras. * Rejeição da estrutura-recipiente. * Tempo como constitutivo. * A redefinição heideggeriana de futuro e passado, mediante os termos Zukunft e Gewesenheit, integra ambas as dimensões no presente, indicando que o passado ainda acontece e o futuro já está operante. * Substituição de Vergangenheit por Gewesenheit. * Passado como ainda vigente. * Futuro como já presente. * Ao introduzir databilidade, significado e caráter extático-horizontal, Heidegger mostra que o tempo do mundo é qualitativo e significativo, ao passo que a interpretação vulgar o reduz a sucessão homogênea de agoras. * Databilidade como estrutura essencial. * Agora como agora-que. * Tempo mundial repleto de significado. * Encobrimento pela interpretação vulgar. * A distinção entre temporalidade autêntica e inautêntica indica que a concepção extática e horizontal é mais primordial, sendo inacessível a partir da mera série de pontos-agora. * Autenticidade como mais originária. * Inacessibilidade desde a concepção vulgar. * Primazia da temporalidade autêntica. * O caráter extático da existência, ligado etimologicamente a ek-sistir, designa o destacar-se e suportar a própria existência, como expresso também por Sartre na fórmula “eu existo meu corpo” e por Heidegger em termos como Austrag e Inständigkeit. * Existência como destacar-se. * Exemplo de Sartre. * Austrag como perdurar. * Inständigkeit como permanecer em. * O caráter horizontal da temporalidade indica direção, contexto e finitude da temporalização, apontando para a dimensionalidade constitutiva do ser que mede qualitativamente ao constituir dimensões. * Horizontalidade como contexto e finitude. * Dimensionalidade do ser. * Referência a Durchmessung. * Medição qualitativa e constitutiva. * A temporalidade constitui dimensões do estar-no-mundo (Da-sein), distinguindo-se radicalmente da inserção animal em seu ambiente, cujo sentido de tempo permanece restrito e incapaz de antecipação articulada. * Tempo como constituição de dimensões. * Da-sein como estar-no-mundo. * Diferença entre humano e animal. * Exemplo do cão incapaz de compreender duração futura. {{tag>Stambaugh tempo Existenz Zeit}}