===== SCHUBACK (2006:28) – "DA" ===== O “da” diz precisamente a abertura da [[termos:c:cura-hlex:start|cura]], um anteceder-a-si-mesmo em já sendo em e junto a. Como traduzir então esse “da"? O prefixo latino que mais próximo se encontra de “da” é “prae". O problema não é somente como entender o “da” em alemão, mas igualmente como apreender o prefixo latino “prae". Um grande equívoco envolve a compreensão desse prefixo latino, equívoco que se deve à tentativa de provar que a palavra latina praesens é a tradução do grego [[termos:p:parousia:start|parousia]]. Essa tese defendida por Wackernagel, sobre em quem Heidegger se apóia para as suas considerações sobre o termo praesentia, prevaleceu durante um certo [[termos:t:tempo:start|tempo]]. Bem mais convincente, mesmo do ponto de vista da linguística, porém, é a posição de Emile Benvéniste que afirma, em seu exaustivo estudo sobre as preposições latinas, que “por preasens não se entende propriamente o que está aí, ou seja, o 'pró', mas sim o que me ultrapassa, o que se me adianta, ou seja, o iminente, urgente, como na palavra inglesa ahead” . Ora o que diz Benvéniste senão que a palavra latina praesens significa o que Heidegger entende por cura, o anteceder-a-si-mesmo já sendo em, junto a, ou seja, “da"? O desafio que se apresenta nas línguas de derivação latina é, portanto, o de dissociar praesentia de parousia, que é para Heidegger o sentido grego de [[termos:v:vorhandenheit:start|Vorhandenheit]], de ser simplesmente dado, assim como é tarefa no alemão dissociar [[termos:d:dasein-hlex:start|Dasein]] de Vorhandenheit. O que Heidegger propriamente discute ao criticar “présence” é o grego parousia e toda a sua implicação onto-teo-lógica. Em toda a análise, digamos temporal, da espacialidade, em que espaço mostra-se como modo ou aspecto verbal, Heidegger insiste que “da”, “pre” não é um lugar-aqui, mas proximidade do distante e distância da proximidade, a espacialidade própria do anteceder-a-si-mesmo em já sendo. Isso se afirma ainda uma vez na forma do gerúndio s-[[termos:e:ens-hlex:start|ens]], que forma “-sença”, a qual indica o em sendo no a ser. ["A perplexidade da presença", in HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Tr. Marcia Schuback. Petrópolis: Vozes, 2006] {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}