====== Abrir radical ====== (RIVERA, Jorge Eduardo. Heidegger y Zubiri. 1. ed ed. Santiago de Chile: Ed. Universitaria, 2001:31) Quando Heidegger fala, em Ser e Tempo, da verdade mais originária, ele se refere à abertura radical na qual consiste o ser do [[lx>termos:d:dasein|Dasein]]. Mas é preciso se perguntar: o que é essa abertura em si? O que é a abertura ([[lx>termos:e:erschlossenheit|Erschlossenheit]]) do Dasein? O fato de o Dasein ser constitutivamente “aberto” não significa apenas que ele tem a possibilidade de se encontrar com outros seres que não são ele e que, por isso, tem a possibilidade de construir seu ser com esses outros seres. Isso também, de certa forma, ocorre com os animais: eles estão “abertos” ao seu meio e às coisas com as quais se deparam nesse meio. Estão igualmente abertos a outros animais de sua mesma espécie ou mesmo de espécies superiores, como é, por exemplo, o próprio homem para os animais domésticos. Abertura, no sentido humano do termo, não significa apenas encontro com o outro. Nem mesmo significa encontro consigo mesmo. Pois, de certa forma, também em muitos animais há uma percepção de si mesmos. É verdade que essa percepção não os “abre” para o próprio ser nem para a própria realidade enquanto tais. Por isso, os animais não possuem propriamente um “eu”. Mas não o possuem porque seu ser não goza da “abertura” que é própria do ser humano. E, então, o problema reside em que nos seja dito em que consiste a abertura humana. Pois bem, o que constitui a abertura do ser humano nada mais é do que seu enraizamento no ser, ou seja, a manifestação do ser que é constitutiva do Dasein. De fato, apenas o ser é “aberto” de maneira própria e formal. E o é pelo fato de que o ser está, por essência, além de todo ente. Essa superação de todo o ente é a abertura na qual consiste o próprio ser. Não é que o ser esteja “fora” do ente. Pelo contrário, o ser está nos próprios entes, mas, ao mesmo tempo, além deles. O ser transborda os entes. E, por ser o ser manifestativamente o constitutivo do Dasein, o próprio Dasein fica aberto com a abertura do ser e por ela. Essa é sua peculiar abertura. O ser é a verdade radicalmente originária, porque o ser é, por si mesmo, aberto em relação aos entes. Consequentemente, se o ser é, nessa aletheia radical, o constitutivo do Dasein, o Dasein tem sua verdade de abertura graças ao ser e a partir do ser. {{tag>Rivera Erschlossenheit}}