====== SEER COMO APROPRIAÇÃO (2006) ====== //POLT, Richard F. H. The emergency of being: on Heidegger’s contributions to philosophy. Ithaca, NY: Cornell Univ. Press, 2006.// * A investigação sobre a doação do ser exige o reconhecimento de que modos de pertencimento precedem as proposições teóricas e os universais, constituindo uma revanche do "próprio" contra a Ideia. * Crítica à abordagem teórica que parasita o envolvimento pré-teórico. * Recusa em compreender o ser pela identidade universal de uma coleção de coisas. * Introdução do termo Ereignis em 1919 como evento de propriedade. * Revelação do não-pertencimento através da expropriação radical da angústia. * A abordagem transcendental de Ser e Tempo é reavaliada nas Contribuições à Filosofia como um passo em falso, pois a dependência da Ideia e de formas a priori universais ameaça encobrir os modos de pertencimento originários. * Tempo como horizonte transcendental em Ser e Tempo. * Risco de ditar o significado do ser através do modo de compreensão. * Retorno ao insight anterior sobre o "mundanizar" como apropriação. * A transição para as Contribuições marca um deslocamento da compreensão do ser para o acontecimento do ser (Seyn), onde o ser não é determinado pelo entendimento do Dasein, mas ocorre e carrega o Dasein consigo. * Anúncio da essência histórica do Seyn. * Deflagração do espaço e tempo no sítio do momento. * Simultaneidade entre o acontecer do ser e os entes. * A natureza da doação implica necessariamente um evento de apropriação, onde a recepção do dom do ser não é passiva, mas envolve uma reciprocidade fundamental onde ser e ser-aí apropriam-se mutuamente. * Impossibilidade de recepção puramente passiva. * Questão da doação como questão de propriedade. * Interdependência entre ser e ser-aí. * Acontecimento que precede a distinção entre ativo e passivo. * A fundamentação da necessidade metafísica e da relação "eterna" entre ser e homem pode residir, na verdade, em uma emergência originária, sugerindo que toda necessidade se baseia na contingência de um evento de apropriação. * Hipótese de que a perspectiva atemporal depende de um pertencimento primordial. * Ser-aí como possibilidade e não essência estabelecida. * O despertar para o questionamento do ser como evento de apropriação. * A história deve ser compreendida semioticamente como o envio e recebimento de mensagens e práticas herdadas, onde a apropriação do passado em vista do futuro abre o presente, especialmente em momentos de crise. * Distinção entre história como ocorrências e como extensão da vida compartilhada. * Apropriação de práticas habituais e herança. * Papel da emergência ou crise na iluminação profunda do presente. * Reaproximação do familiar através da desfamiliarização. * O conceito de apropriação resgata a cultura de seu denegrir pela teoria, sugerindo que o ser (Seyn) é um acontecimento finito e contingente de propriedade, análogo à estrutura da cultura, e não uma forma ou condição de possibilidade universal. * Proximidade entre cultura e apropriação como fenômenos contingentes. * Finitude do ser que ultrapassa a teoria. * Resituação da verdade dentro do que se chama cultura. * A sentença central "das Seyn west als das Ereignis" (o ser acontece essencialmente como apropriação) não deve ser lida como uma proposição teórica sobre entes, mas como um dizer silencioso e não-conceitual que exige um pensamento incipiente. * Inadequação da lógica sujeito-predicado para o acontecer do ser. * Necessidade de realização histórica do pensamento. * Risco de operar dentro de uma interpretação dada sem fazer justiça à doação. * O pensamento adequado ao evento exige o uso poético e inventivo das palavras, tratando-as como "inícios originários" (incepts) que renovam o significado herdado em um momento singular, similar à execução caligráfica. * Distinção entre correção teórica e adequação poética. * Singularidade do ato de pensar. * Desafio de convidar o acontecer do ser de modo apropriado ao momento. * A tentativa de nomear o ser está fadada ao fracasso em termos de revelação total, pois depende de uma doação incontrolável, mas a textura desse fracasso pode apontar momentaneamente para o que não pode ser dito. * Irrepresentabilidade do ser como ente. * Necessidade de contenção e silêncio eloquente. * Objetivo de delinear um campo de trabalho e não um sistema doutrinário. {{tag>Polt Ereignis GA65}}