===== ESOTERISMO DAS CONTRIBUIÇÕES [GA65] (2006) ===== //POLT, Richard F. H. The emergency of being: on Heidegger’s contributions to philosophy.Ithaca, NY: Cornell Univ. Press, 2006.// * A confrontação inicial com a obra exige uma análise do estilo turbulento e esotérico para compreender sua resistência à formulação de doutrinas claras e consistentes. * Necessidade de questionar a fonte da obscuridade. * Recusa de uma doutrina direta. * Exigência de participação do intérprete. * A reivindicação de que a busca por um caminho filosófico único demanda a mudança de pontos de vista decorre da natureza da verdade como desvelamento primordial situado e não como um sistema de asserções fixas. * Dependência das asserções sobre uma abertura prévia. * Caráter falho do processo de revelação. * Necessidade de renovação da experiência a cada declaração. * Sucesso da filosofia medido pela exibição da questão e não pela prova. * A finitude intrínseca do ato de interpretar impede a eliminação do arremesso incontrolável do passado e das antecipações do futuro, exigindo uma dedicação às coisas mesmas que mantenha a interpretação em constante movimento. * Impossibilidade de acesso imediato e puro ao objeto. * Conceito de Sachlichkeit como vontade de luta com as questões. * Risco de estagnação em um entendimento inativo. * Crítica e recuperação do passado na interpretação. * A turbulência estilística da obra reflete a natureza da interpretação como um trabalho de escavação que aprofunda as próprias fundações em um progresso descendente, distinguindo-se da mera alteração ou construção linear. * Possibilidade de movimento através da repetição dos mesmos conceitos. * Transformação do círculo hermenêutico em uma espiral de aprofundamento. * Analogia com o trabalho de pedreira. * Essencialidade da turbulência para a visão heideggeriana. * O caráter hermético do texto funciona como uma política de admissão restrita que vigia a entrada na vizinhança da questão, selecionando os leitores capazes de aceder à experiência proposta. * Distinção entre hermenêutico e hermético. * Definição de esoterismo como controle de acesso. * Necessidade de admissão na experiência da questão. * A decisão de adiar a publicação dos escritos privados até a divulgação integral dos cursos universitários visava preparar o público através de obras exotéricas que desafiassem as pressuposições comuns antes do confronto com o estilo condensado. * Caráter privado dos manuscritos por décadas. * Natureza introdutória dos cursos partindo da tradição. * Risco de desespero do novato diante do estilo alusivo. * A eficácia dos cursos como chave de leitura permanece limitada, pois, sendo textos exotéricos que vêm de fora, exigem que o leitor já compartilhe a disposição fundamental para compreender a posição de onde o autor fala. * Superficialidade relativa dos cursos. * Necessidade de vivência prévia do que é mantido em silêncio. * Obrigatoriedade de confronto direto com o texto esotérico. * O estilo interno da obra impõe o esoterismo através de uma linguagem idiossincrática repleta de neologismos e jogos de palavras que impede a inteligibilidade imediata e obriga o leitor a nadar sem auxílio. * Aviso inicial sobre a falta de junção com a verdade do ser. * Uso de termos como Götterung e Er-eignis sem definições. * Falta de uma estrada real para o significado. * Experimentação com famílias de palavras. * O processo de seleção dos leitores exclui aqueles entrincheirados na história da filosofia ou no senso comum, admitindo apenas os que percorreram o caminho prévio e aceitam a transformação pessoal. * Rejeição dos não familiarizados com os escritos anteriores. * Exigência de apropriação do caminho como próprio. * Necessidade de perceber a tentativa como distante e íntima. * A distinção entre textos esotéricos e não esotéricos reside na ereção deliberada de barreiras que repelem ativamente os não qualificados, em contraste com a tentativa de superação de obstáculos típica da comunicação exotérica. * Apresentação de nenhuma mensagem aos desqualificados. * Diferença em relação à mera dificuldade técnica. * Função de defesa contra a leitura inadequada. * A motivação política ou de autoproteção, embora plausível dado o contexto de perseguição e as críticas ao nazismo, não constitui a causa fundamental da natureza esotérica do manuscrito. * Existência de ataques diretos à ideologia nazista. * Distinção entre cautela do autor e esoterismo do texto. * Insuficiência do fator político para explicar o estilo. * O uso da psicologia e da retórica em Platão exemplifica um esoterismo baseado na prudência e na adaptação do discurso à alma do ouvinte, oferecendo crenças salutares àqueles incapazes de filosofia plena. * Benefício diferenciado para públicos distintos. * Crítica à escrita comum que fala a todos igualmente. * Oferta de mitos como alternativa aos argumentos. * O esoterismo heideggeriano difere do modelo platônico por não oferecer uma mensagem exotérica salutar aos excluídos, limitando-se a barrar o acesso àqueles incapazes de questionamento solitário. * Exclusão do establishment filosófico. * Foco na capacidade de transformação através do questionamento. * Desinteresse pelos mal-entendidos da maioria. * Proteção da decisão sobre o ser contra o tatear vulgar. * O elitismo profundo da obra manifesta-se no desprezo pela compreensão mediana e na tese de que a racionalidade destrói a verdade ao ignorar as diferenças de classe espiritual e a inacessibilidade do acontecimento do ser. * Associação entre racionalidade e entendimento médio. * Recusa da representação universal da verdade. * Natureza não representável do acontecimento do ser. * A profundidade do esoterismo ultrapassa a prudência extrínseca para alcançar uma dimensão intrínseca baseada na natureza essencialmente misteriosa da filosofia e do próprio tópico abordado. * Distinção entre esoterismo de estilo e de essência. * Citação de Schelling sobre o mistério da filosofia. * Independência da cautela autoral. * A inacessibilidade do tópico decorre do fato de que o evento do ser se retrai no próprio momento da doação, tornando o claro e distinto apenas um derivado secundário. * Caráter de recusa da origem da doação. * Inexplicabilidade do início ou incepção. * Natureza autodestrutiva da filosofia que se faz totalmente compreensível. * A apresentação obscura constitui a forma mais rigorosa e clara de tratar um tópico que se oculta, pois respeita a escuridão intrínseca da coisa em vez de impor uma iluminação artificial. * Necessidade de desabituar da ideia de iluminação total. * Adequação da apresentação à natureza do ser. * Identidade entre busca e encontro na obscuridade. * A simplicidade radical da verdade do ser exige uma linguagem de silêncio eloquente e contenção, onde o dizer poético nomeia o inexplicável sem reduzi-lo a proposições. * Transformação do dizer simples em silêncio que diz. * Estilo de retenção ou comportamento contido. * Recusa da explicação proposicional. * A retenção heideggeriana assemelha-se à ironia socrática na medida em que ambas constituem um estilo de existência não arbitrário fundado na experiência dos próprios limites. * Recusa da ironia como mero traço pessoal. * Vínculo com a experiência do que está em jogo na vida. * Violência da explicação teórica sobre a postura existencial. * A experiência da finitude como apropriação fundamenta a rejeição heideggeriana dos postulados platônicos das formas, embora reste a questão sobre a possível postulação de uma nova ideia. * Base na experiência da finitude. * Contraste com a orientação socrática pelas ideias. * Abertura para a crítica sobre a justificação dessa recusa. {{tag>Polt GA65}}