===== CONTRIBUIÇÕES À FILOSOFIA (2006) ===== //POLT, Richard F. H. The emergency of being: on Heidegger’s contributions to philosophy.Ithaca, NY: Cornell Univ. Press, 2006.// * A composição privada do manuscrito Beiträge zur Philosophie marca o deslocamento da fenomenologia hermenêutica do Dasein para a meditação sobre o evento de apropriação como o acontecer do próprio ser. * Redação ocorrida entre 1936 e 1938. * Mudança de foco do ente que compreende para o ser ele mesmo. * Falta de consenso sobre o valor e o status da obra. * Incerteza do próprio autor quanto ao texto. * A natureza do texto define-se como um quadro de referência provisório e não como uma estrutura sistemática acabada, configurando-se como um passo essencial porém precursor que não se destinava à publicação imediata. * Caracterização como armação ou Gerüst. * Expectativa de falha inerente ao caráter de obra. * Consciência da necessidade de um passo genuíno no pensamento. * A estranheza da obra manifesta-se em sua estrutura fragmentária e estilo denso, combinando gêneros díspares como tratado, história da filosofia, crítica cultural e profecia em uma tentativa de dizer o indizível. * Organização em notas opacas e esboços. * Uso de linguagem hipnoticamente repetitiva. * Influência estilística de Nietzsche e Hölderlin. * Espetáculo de um Kierkegaard hegelianizado na visão da história. * O tom tenso e desesperado do livro reflete a decisão de dar vazão a intuições longamente represadas, resultando em julgamentos abrangentes e uma postura arrogante que visa iniciar uma revolução no pensamento. * Predomínio de denúncias apaixonadas. * Ambição de determinar o estilo de pensamento por séculos. * Origem da obsessividade na liberação de hesitações antigas. * A recepção polarizada do texto divide-se entre o escárnio analítico provocado por traduções inadequadas e interpretações excessivamente fiéis que se limitam a imitar o original sem distanciamento crítico. * Zombaria facilitada pela estranheza da terminologia. * Tendência dos especialistas à paráfrase. * Falta de diferença entre o original e a interpretação. * A interpretação exige a transcendência do texto para a compreensão de seu contexto projetivo, visto que a mera reprodução da superfície textual falha em captar a profundidade e a fonte dos dizeres. * Impossibilidade de o texto fornecer todo o seu contexto. * Necessidade de visão estereoscópica. * Risco de criação de uma aldeia Potemkin interpretativa. * O círculo hermenêutico adequado requer que o ponto de vista do leitor ilumine o texto e seja reciprocamente transformado por ele, revelando progressivamente as facetas da questão em um movimento de corresponsabilidade. * Rejeição da imposição redutiva de preconceitos. * Dinâmica de transformação mútua entre leitor e obra. * Objetivo de corresponder à questão e não apenas às palavras. * A existência de leituras tendenciosas mas instigantes demonstra a possibilidade de abordagens que, mesmo divergindo da intenção original, provocam o pensamento através de projetos desconstrutivos ou construtivos. * Exemplos de apropriações por Reiner Schürmann e Miguel de Beistegui. * Valorização da provocação filosófica sobre a fidelidade estrita. * O objetivo da investigação define-se como um confronto com a coisa mesma do pensamento, evitando tanto a redução a conceitos familiares quanto a refutação polêmica em favor de um aprendizado através do conflito. * Distinção entre confronto e polêmica. * Respeito ao caminho de pensamento alheio. * Luta conjunta em torno de uma preocupação compartilhada. * A abordagem proposta constitui uma extradução que conduz através e para fora do texto, superando a distinção artificial entre interior e exterior para encontrar as questões em jogo. * Função de conduzir para fora ou extraduction. * Pontos de entrada variados no texto. * Necessidade de habitar o tema externo para estar dentro do texto. * A emergência do ser constitui o tema central onde o evento de apropriação ocorre como um momento de urgência que interpela a totalidade dos entes e traz o ser humano para o seu próprio. * Vínculo entre Not como emergência e o surgir do ser. * Definição de história como erupção de significância. * Caráter questionador do momento de crise. * A crítica à tradição ocidental diagnostica o esquecimento da emergência do ser nas alternativas políticas modernas, as quais compartilham a húbris de tentar estabelecer um modo absoluto e a-histórico de representação. * Ataque à democracia liberal, comunismo e fascismo. * Estranhamento da cultura ocidental em relação à história. * Definição da crise atual como a emergência da falta de urgência. * Papel do Dasein como guardião do ser emergente. * A interpretação do evento de apropriação como uma possibilidade singular exige um pensamento experimental no modo subjuntivo-futuro, rompendo com a tonalidade indicativa-presente da filosofia tradicional. * Recusa do caráter a priori ou sempre já dado do evento. * Adoção da lectio difficilior ou leitura mais difícil. * Risco do pensamento que salta para a possibilidade. * Identidade entre o evento de pensar e o evento pensado. * A delimitação do escopo da análise prioriza as ideias positivas e a fonte do pensamento do evento, deixando em segundo plano as críticas negativas à filosofia tradicional e ao mundo moderno. * Seleção de passagens e referências livres. * Necessidade de confrontar a fonte antes de julgar a crítica. * Inclusão posterior da discussão sobre liberalismo e razão. * A concentração na distintividade do texto em detrimento de sua inserção na evolução total da obra justifica-se pela tonalidade única e urgente que tende a ser diluída nos escritos posteriores. * Abstenção de relato detalhado sobre a evolução a partir de Ser e Tempo. * Risco de perda da historicidade do evento em obras tardias. * Dificuldade de harmonização sem descartar a linguagem apocalíptica. * A estratégia de tradução recusa o neologismo excessivo em favor do uso de palavras estabelecidas cujas conotações são adaptadas ao novo contexto, visando evitar um esoterismo extrínseco que obscurece o mistério intrínseco. * Crítica à impenetrabilidade de traduções repletas de neologismos. * Preferência por vocabulário inglês tradicional com novos sentidos. * Adoção do termo apropriação para Ereignis. * Manutenção da conexão com a herança linguística. * A opção por verter Da-sein como ser-aí busca evitar a jargonização do termo e capturar os múltiplos sentidos de estar situado, existir como um sítio e ser o local para a manifestação do ser. * Rejeição da não-tradução consagrada academicamente. * Preferência por being-there em vez de being-here. * Implicação de uma tarefa a ser alcançada. * Definição do aí como o local de decisão sobre o significado do ser. {{tag>Polt GA65}}