====== SONO E O LUGAR (1990/2004:119-124) ====== //LÉVINAS, Emmanuel. De l’existence à l’existant. 2e éd. augm ed. Paris: J. Vrin, 1990. Da Existência ao Existente. Tr. Paul Albert Simon. Campinas: Papirus, 1998// * Dormir consiste em suspender a atividade psíquica e física mediante o ato de deitar-se, que limita a existência a um lugar e a uma posição, revelando que tal suspensão exige como condição essencial a base que falta ao ser abstrato pairando no ar. * Sono como suspensão da atividade psíquica e física. * Deitar-se como limitação da existência ao lugar. * Lugar como condição da suspensão. * Insuficiência do ser abstrato sem base. * O lugar, longe de ser uma parte indiferente do espaço, é base e condição, e embora a vida cotidiana o encubra sob relações com coisas, hábitos e história que o transformam em casa, cidade natal ou pátria, o sono restabelece a relação originária com o lugar como refúgio, no qual o ser repousa sem se destruir, suspenso na imobilidade protetora da base. * Lugar como base e não como ponto qualquer na extensão. * Localização cotidiana mascarada por meio, hábito e história. * Transformação do lugar em casa, cidade natal, pátria. * Sono como retorno ao lugar enquanto base. * Repouso como obra de ser no sono. * Abandono à base como refúgio. * Suspensão do ser sem destruição. * A consciência emerge a partir da posição e do repouso como engajamento no ser que mantém a imobilidade do sono, tendo um lugar que não é objeto de conhecimento, mas suporte que possibilita ao sujeito pôr-se como sujeito, de modo que o aqui da consciência é condição originária e não fato psicológico ou ato voluntário. * Consciência como vinda a si a partir da posição. * Posição não acrescentada por decisão. * Base como suporte e não objeto diante do sujeito. * Apoiar-se como mais que sensação ou conhecimento. * Aqui da consciência como posição originária. * A antítese da posição não é a liberdade aérea de um sujeito suspenso, mas a desintegração da hipóstase anunciada na emoção, que perturba a subjetividade e a impede de se recolher, aproximando-se da descrição fisiologista da emoção como ruptura de equilíbrio e afastando-se das análises fenomenológicas de Heidegger, Husserl e Scheler, ao revelar vertigem, vazio e abertura do caos como ausência de lugar, o há. * Emoção como perturbação da subjetividade. * Ruptura de equilíbrio na psicologia fisiologista. * Distanciamento das análises fenomenológicas de Heidegger, Husserl e Scheler. * Emoção como vertigem sobre o vazio. * Explosão do cosmos em caos e ausência de lugar. * Destruição do sujeito como perda de base. * O aqui da consciência enquanto posição distingue-se radicalmente do Da do Dasein em Heidegger, pois precede mundo, horizonte e tempo, sendo o fato de que a consciência é origem e parte de si mesma, recolhendo-se na base para assumir o ser e constituir a fixidez como evento de estância que inaugura a própria noção de começo. * Diferença entre o aqui e o Da heideggeriano. * Precedência da posição em relação a mundo e tempo. * Consciência como origem que parte de si. * Base como ponto de partida para assumir. * Estância como origem da fixidez e do começo. * O lugar, antes de espaço geométrico ou ambiência heideggeriana, é base, e o corpo é o advento da consciência como evento de posição que não se situa num espaço prévio nem se reduz a coisa ou substância, mas constitui a irrupção da localização no ser anônimo, algo que não se esgota pela análise da experiência externa ou interna do corpo. * Corpo não como coisa habitada por alma. * Ser do corpo como evento e não substantivo. * Corpo como posição e não objeto situado. * Irrupção da localização no ser anônimo. * Insuficiência da análise externa ou cinestésica. * A cinestesia, composta de sensações e informações elementares, reduz o corpo a conjunto de experiências e saberes, e mesmo quando se afirma identificação íntima com dor ou respiração, o corpo permanece concebido como ser ou meio de localização, não como o evento pelo qual o homem se engaja na existência e no qual se realiza a mutação de evento em ser. * Cinestesia como conjunto de sensações. * Corpo como possessão resolvida em experiências. * Identificação com dor ou respiração ainda mantendo o corpo como substantivo. * Corpo não como instrumento ou símbolo. * Corpo como própria posição e mutação de evento em ser. * Embora tradicionalmente considerado mais do que matéria e capaz de expressar uma alma — como nos rostos e olhos entendidos como espelhos da interioridade — o corpo não funda sua espiritualidade na expressão, mas na posição que cumpre a condição de toda interioridade, sendo ele próprio o evento, como sugerem as esculturas de Rodin, cujo sentido reside na relação com a base e na posição mais do que na expressão de um pensamento interior. * Corpo como expressão tradicional da alma. * Rosto e olhos como órgãos privilegiados da expressão. * Espiritualidade fundada na posição e não na expressão. * Corpo como evento e não signo de interioridade. * Referência às esculturas de Rodin e à relação com a base. {{tag>Levinas sono lugar corpo consciência}}