====== MESMO - OUTRO - EU (1991:24-26) ====== //LEVINAS. Totalité et infini. Essai sur l’extériorité, 1961; Poche « biblio », 1971 / Totalidade e Infinito. Lisboa: Edições 70, 1988.// //Ser eu é, para além de toda a individualização que se pode ter de um sistema de referências, possuir a identidade como conteúdo. O eu não é um ser que se mantém sempre o mesmo, mas o ser cujo existir consiste em identificar-se, em reencontrar a sua identidade através de tudo o que lhe acontece. É a identidade por excelência, a obra original da identificação.// * A alteridade, enquanto heterogeneidade radical do Outro, só é possível se o Outro for outro em relação a um termo cuja essência consiste em permanecer absolutamente no ponto de partida da relação e servir-lhe de entrada como o Mesmo em sentido absoluto, e tal permanência absoluta só pode caber ao termo que é o Eu. * Alteridade definida como heterogeneidade radical do Outro. * Relação exige um termo que permaneça no ponto de partida. * Permanência absoluta caracterizada como ser o Mesmo não relativamente, mas absolutamente. * O Eu como único termo capaz de tal permanência. * Ser eu significa, para além de qualquer individuação num sistema de referências, ter a identidade como conteúdo e existir identificando-se, reencontrando-se através de tudo o que acontece, de modo que o eu não é um ente simplesmente idêntico a si, mas o próprio processo originário de identificação. * Identidade como conteúdo do eu. * Existir entendido como processo de identificação contínua. * Reencontro de si através dos acontecimentos. * Eu como obra originária da identificação. * O Eu é idêntico até mesmo em suas alterações, pois as representa e pensa, de tal modo que a identidade universal capaz de abarcar o heterogêneo tem a estrutura de um sujeito, da primeira pessoa, sendo o pensamento universal essencialmente um “eu penso”. * Alterações representadas e pensadas pelo Eu. * Identidade universal estruturada como sujeito. * Primeira pessoa como ossatura da universalidade. * Pensamento universal formulado como “eu penso”. * O Eu permanece o Mesmo também quando se experimenta como outro de si, ao escutar-se pensar, ao surpreender-se dogmático ou estranho a si, pois mesmo nessa oposição interna descrita por Hegel na Fenomenologia do Espírito como distinção do que não é distinto, a diferença não rompe a identidade, já que o eu que se repele e se vive como repugnância ou tédio continua fundado na indestrutível identidade de eu e si, sendo a negação do eu por si um modo de sua identificação. * Eu que se escuta pensar e se descobre estranho a si. * Naiveté do pensamento que pensa “diante de si”. * Hegel, Fenomenologia do Espírito, trad. Hyppolite, pp. 139-40, como referência. * Distinção do que não é distinto como estrutura da consciência de si. * Repugnância e tédio como modos da consciência de si. * Negação do eu por si como modalidade de identificação. * A identificação do Mesmo no Eu não se reduz a uma tautologia formal “Eu é Eu”, mas deve ser compreendida a partir da relação concreta entre um eu e um mundo inicialmente estranho e hostil, relação que se realiza como habitação, pois o Eu se identifica permanecendo no mundo como em sua casa, revertendo a alteridade em autoctonia por meio do corpo, da casa, do trabalho, da posse e da economia, que não são dados empíricos contingentes, mas articulações da estrutura do Mesmo como egoísmo concreto, condição da possibilidade da metafísica e da separação entre o metafísico e o metafísico que se mantém na relação. * Mundo inicialmente estranho e hostil como alteridade lógica. * Habitar como modo de identificação do Eu no mundo. * Autoctonia do Eu em mundo primeiramente outro. * Corpo como modo de se manter e poder na terra exterior. * “Em casa” como lugar de poder e liberdade apesar da dependência. * Lugar como meio que oferece meios e possibilita posse. * Com-preensão ligada à apreensão originária do lugar. * Posse como suspensão da alteridade do que é outro apenas de início. * Corpo, casa, trabalho, posse e economia como momentos estruturais. * Identificação como egoísmo concreto e não tautologia ou oposição dialética. * Possibilidade da metafísica dependente dessa estrutura. * Separação do metafísico que se mantém na relação como egoísmo. {{tag>Levinas eu mesmo outro identidade}}