====== Japon ====== LDMH * Primeiro país estrangeiro a levar a sério o trabalho de Heidegger, com comentários publicados desde 1924 e a primeira tradução de //Ser e Tempo// em 1939. * Em 1921, Tokuryu Yamamouchi, colega de Kitarô Nishida, estudou na Alemanha e tornou-se o primeiro introdutor da fenomenologia no Japão em 1930. * Em 1931, Hajime Tanabe e Kiyoshi Miki, ambos estudantes de Nishida, foram à Alemanha. * Tanabe, já um autor estabelecido em filosofia da ciência, encontrou-se com Heidegger em Freiburg e passou a considerá-lo o maior filósofo desde Hegel. * Miki estudou com Heidegger em Marburgo em 1924; seu primeiro livro, publicado antes de //Ser e Tempo//, traz a marca da hermenêutica do //Dasein// e das análises do ser-para-a-morte, desenvolvidas a partir de conversas com o filósofo. * Miki posteriormente escreveu //Kôsôryoku no ronri//, influenciado pela análise heideggeriana da imaginação transcendental. * Antes da publicação de //Ser e Tempo//, Heidegger já havia encontrado três eminentes pensadores japoneses, levantando a questão da possível influência desses diálogos (sobre morte, nada e vacuidade) na concepção da obra. * A importância do Japão foi tamanha que Heidegger considerou seriamente um convite para lecionar lá por três anos, conforme carta a Jaspers de 1924. * Seinosuke Yuasa estudou com Heidegger de 1926 até o final dos anos 1930 e traduziu //Que é Metafísica?//. * Tetsurô Watsuji, professor em Kyoto, seguiu cursos de Heidegger e criticou //Ser e Tempo// por supostamente negligenciar o espaço e a dimensão ético-social em favor do tempo e do elemento individual do //Dasein//. * No final dos anos 1920, Heidegger encontrou Shûzô Kuki, com quem travou profunda amizade e cujo diálogo é central em "A Caminho da Linguagem". * Em 1936, Keiji Nishitani estudou por dois anos com Heidegger, recebendo direção decisiva para seu pensamento. * Nishitani, marcado pela tradição zen, é um dos mais importantes intérpretes japoneses de Heidegger. * O diálogo foi fértil; Heidegger já havia lido os //Ensaios sobre o Budismo Zen// de D.T. Suzuki quando Nishitani lhos deu em 1938. * Na obra de Nishitani, como em //A Religião e o Nada//, há um diálogo permanente com Heidegger, buscando confrontar o niilismo através do encontro entre o Ocidente e o Zen, enfatizando a vacuidade budista como campo para uma existência autêntica sem fundamento. * Heidegger manteve contato com numerosos pensadores japoneses ao longo da vida, interessado em compreender seu país e pensamento. * Exemplo notável: o colóquio "A arte e o pensamento" na Universidade de Freiburg em 1958, com a presença do mestre de chá e pensador Shinichi Hisamatsu, e o subsequente encontro privado, onde discutiram a pintura de Paul Klee e a arte zen. * Kôichi Tsujimura, principal tradutor de Heidegger e aluno de Tanabe e Nishitani, proferiu o discurso no 80º aniversário do filósofo em 1969. * Tsujimura destacou que o diálogo com o Japão, aberto por Heidegger, permite a Ocidente e Oriente encontrarem seu próprio //Wesen//, num evento inaudito. * Razões para a recepção intensa de Heidegger no Japão, tornando-o o filósofo ocidental mais lido e traduzido. * Tanabe, por exemplo, foi profundamente afetado pela meditação heideggeriana sobre a morte, vendo nela um filósofo ocidental que abordava frontalmente a verdade da existência humana. * Heidegger surgiu como um pensador que, ao deixar as margens da metafísica ocidental dominante, abria caminhos para o encontro Oriente-Ocidente, resgatando a dimensão existencial numa época em que o budismo era caricaturado como niilismo. * Trechos de //Ser e Tempo// sobre a liberdade para a morte e a finitude ressoaram profundamente. * Os temas da vacuidade e do nada em Heidegger, longe de um niilismo vago, preservaram sua potência, encontrando eco no Budismo Mahayana e Zen, que enfatizam a vacuidade e uma "pensamento do não-pensamento". * A Escola de Kyoto foi marcada pela meditação sobre o homem como "o lugar-tenente do nada". * Heidegger, em carta de 1963, observou que a conferência //Que é Metafísica?// foi imediatamente compreendida no Japão, ao contrário da má interpretação niilista na Europa. * Heidegger refletiu sobre seu relacionamento com o Japão principalmente em "De um Diálogo da Linguagem" (em //A Caminho da Linguagem//) e em "Serenidade" (em //Questões III//), este último pronunciado dez anos após Hiroshima. * A reflexão sobre a era atômica em "Serenidade" foi recebida por estudiosos japoneses como um endereçamento direto a eles. * Heidegger manteve um interesse constante e rigoroso por um diálogo genuíno com o pensamento extremo-oriental. * No prefácio de 1968 à tradução japonesa de //O Fim da Filosofia e a Tarefa do Pensamento//, expressou a esperança de que o pensamento da //Lichtung// pudesse possibilitar um encontro fértil e transformador com a "pensamento" extremo-oriental. * Seu trabalho visou uma autêntica "explicação de fundo" histórica, distante de declarações convencionais ou participações superficiais em colóquios. {{tag>"Dictionnaire Martin Heidegger"}}