====== Universidade ====== //HENRY, Michel. La Barbarie. Paris: Livre de Poche, 1987.// * Quando algo se inclina para seu fim, a causa de sua morte próxima reside nela mesma ou fora dela, sendo o caso da Universidade francesa exemplar de um princípio de destruição que age tanto em sua realidade própria quanto na do meio que a cerca, numa única sociedade cuja barbárie progressiva torna impossível a manutenção de uma Universidade conforme seu conceito * A Universidade, pelo sentido de sua etimologia e origem histórica, designa um campo ideal constituído por leis universais que o afetam de totalidade homogênea, o que remete à questão de saber se toda organização humana obedece a leis que, antes de representadas num código jurídico, são primeiramente as leis da vida, leis práticas constitutivas de uma ética sob a forma originária de ethos e leis de conservação e acréscimo da vida, fazendo de toda sociedade por natureza um domínio de cultura * Precisa-se o estatuto histórico da Universidade, fundada nos séculos XIII e XIV pelo papa, o imperador ou o rei, por decisão solene que estabelecia leis específicas diferentes das da sociedade, numa marginalidade deliberada cujo traço ainda hoje se observa quando as autoridades policiais não podem penetrar num campus sem convite expresso de um reitor * Dessa marginalidade decorre uma contradição no conceito de Universidade, o que remete à questão de por que instituir leis diferentes das da sociedade, questão que se torna concreta ao lembrar que a sociedade enquanto essência geral não existe, sendo suas leis as leis da vida, que por sua vez só existe sob a forma de um Si a cada vez, não havendo História nem Sociedade mas apenas indivíduos viventes cujo destino é o do Absoluto através da multiplicidade das mônadas * Na atividade produtiva de bens, os indivíduos são o lugar de experiências que apresentam caracteres comuns constituindo as "leis da sociedade" enquanto formas típicas dessa atividade, sendo possível traçar uma nomenclatura geral da práxis social embora sua essência permaneça monádica e irrepresentável, e falar de "épocas" resulta de que em cada mônada a vida não é apenas conservação mas acréscimo, determinando o "progresso" como autotransformação, isto é, cultura * É lei geral de toda sociedade que apenas parte das atividades obedece às formas típicas do trabalho social e econômico, sendo a história dessas atividades a história dos próprios indivíduos, começando em seu nascimento transcendental, a partir do qual se desenvolve o corpo, despertando cada um de seus poderes a partir do pathos imóvel de sua corporeidade originária * Esse desenvolvimento, em direito infinito, é duplo: de um lado a autoativação do pathos, havendo uma cultura do sentimento como tal que se acresce até uma embriaguez ontológica, sendo a mística a disciplina própria dessa autoprova do sentimento, presente em toda atividade cultural * todo poder advém a si pela autoafecção, de modo que Aristóteles observava ingenuamente que toda atividade se acompanha de prazer, não por associação casual mas porque todo ato tem seu ser real no próprio pathos, cujo acréscimo é sua exaltação segundo a lei fundamental da inversão do sofrimento em alegria, sendo essa lei mais íntima da vida, o sofrimento insuportável do ser lançado em si, que constrange cada poder a se desdobrar até a inflamação do sofrer na embriaguez do Fundo * Todos esses atos e processos, e as leis que os regem, constituem o campo próprio da Universidade, opondo-se aos atos da vida cotidiana por não terem outra motivação que a automotivação imediata da vida, sendo esse processo de cultura em estado puro tributário de uma educação que começa no nascimento com os pais e é retomada pela Universidade * Esse processo tem seu fim em si mesmo, na vida, sendo as mediações da Universidade apenas aparentes: entrar em posse de uma linguagem, de um saber ou de uma técnica é sempre entrar em posse de si mesmo, e a riqueza infinita dos modelos de cultura torna esse processo de repetição sem fim, sendo a finalidade da Universidade transmitir o saber no ensino e acrescê-lo na pesquisa * Na sociedade, ao contrário, os atos da práxis — ajustar uma peça, verificar um cheque — não têm por fim imediato o acréscimo da vida de quem os executa, impondo-se ao trabalho um método fixo, cessando o aprendizado no estágio de qualificação exigido, o que torna a práxis social uma atividade estereotipada, oposta à vida universitária e cultural * Essa práxis social ainda tinha, até o advento da era técnica, origem e fim na vida, mas seu cumprimento reduz-se progressivamente ao aspecto material, à produção de bens imediatamente úteis ao corpo, enquanto a parte dos bens intelectuais, estéticos e espirituais diminui, pois o desenvolvimento técnico autônomo tende a reger todo o processo de produção, confrontando o indivíduo com uma transcendência cada vez mais opaca * De um lado o conjunto das mediações do processo material de produção se impõe ao indivíduo como totalidade gigantesca na qual encontra lugar irrisório e predefinido; de outro, esse feixe de atividades já não é o da vida mas o da técnica, subindo o indivíduo numa passividade que já não é a passividade da vida diante de si mesma mas diante do que lhe é mais estranho, um dispositivo técnico, o que significa uma alienação radical * Universidade e Sociedade se enfrentam agora como entidades opostas, oposição diferente daquela que prevalecia na origem, quando o ser-à-parte da Universidade refletia uma diferença de funções sobre um fundo de comunhão essencial, sendo então as leis da aquisição de conhecimentos diferentes das leis do exercício habitual de um ofício * Hoje a oposição entre sociedade e Universidade já não repousa sobre simples diferenciação funcional, mas sobre duas essências heterogêneas em luta mortal, sendo o traço decisivo do mundo moderno o fato de a vida ter deixado de constituir o fundamento da sociedade * Entramos assim num mundo desumano, termo que designa não um juízo de valor mas o agito ontológico pelo qual o princípio diretor de uma sociedade fundada na vida deixou de ser esta para se tornar uma soma de conhecimentos e procedimentos dos quais a vida foi posta de lado, situação que caracteriza a barbárie de nosso tempo, na qual não há mais lugar para uma Universidade enquanto reunião dos processos de autodesenvolvimento da vida * A destruição da Universidade pelo mundo da técnica reveste dupla forma: a abolição da fronteira que separava Universidade e sociedade, e, uma vez abatida essa barreira, a irrupção da técnica no seio da própria Universidade e o aniquilamento desta como lugar de cultura * A supressão da marginalidade específica da Universidade é reivindicação cujas motivações ideológicas, políticas e profissionais, mascaram sua verdadeira significação * do ponto de vista político e em nome dos ideais igualitários da democracia, contesta-se o direito de a instituição escapar à regra comum, denunciando-se como privilégios injustificados a redução das horas de serviço dos professores universitários e dos liceus * levada ao extremo, a reivindicação igualitária afirma que o trabalho universitário, sendo trabalho intelectual, não deve ser reservado a uma casta privilegiada, devendo os "intelectuais" também conhecer a pena do esforço corporal * O segundo mascaramento é o argumento da utilidade caro aos pais, questionando-se se os estudos não têm por finalidade procurar um ofício, sendo criminosa e contraditória a ideia de limitar os conhecimentos aos efetivamente aplicáveis, dada a flutuação da demanda num mundo em evolução * Convém afirmar que o ensino deve responder a dupla vocação: preparar para uma função social e, mais essencialmente, permitir a realização da individualidade própria, tarefa da cultura em sua pureza, sendo a primeira apenas aparência de culturação a examinar mais de perto * Preparar para um ofício reveste sentidos diferentes segundo o tipo de sociedade, econômica ou tecnicista: a inserção econômica pode se opor ao desenvolvimento geral do indivíduo quando exige mão de obra não qualificada, não podendo a finalidade econômica servir de fundamento suficiente à Universidade sem terrivelmente limitar sua vocação cultural * A inserção tecnicista leva essa dialética a seu termo, pois o desvio pela hard science concerne a domínios restritos e poucos indivíduos, sendo o que se repete no interior da Universidade os próprios pressupostos do universo técno-científico, condição dessa repetição sendo a supressão progressiva da linha de demarcação entre Universidade e sociedade, revelando-se ao final a verdade desse movimento: a expulsão da cultura para fora da própria Universidade * Colocam-se duas questões sobre a transmissão do saber: qual saber transmitir e como, sendo a comunicação regida por uma lei única cuja ilusão é crer que a pedagogia constitui domínio formal autônomo independente do conteúdo ensinado * Relata-se o que se passou na Universidade francesa nas últimas três décadas: um exército de mestres não qualificados, recrutados às pressas para atender ao afluxo de alunos, tornou-se titularizável, perseguindo-se então os agregados e doutores, e substituindo-se os valores do saber por outros como boa vontade e devotamento, achando esse revirar dos valores seu ápice na ideologia política igualitarista, unindo-se sindicalistas, cristãos-sociais e demagogos ao poder político para rebaixar o poder intelectual da Universidade * O ponto extremo desse dilúvio niilista, conforme predição nietzschiana, foi atingido quando os próprios fortes se deixaram levar pelo ressentimento dos fracos, sendo professores titulares e reitores que contestavam o título de professor e propunham a supressão das teses, colocando em causa a própria possibilidade do ensino superior, já que este resulta de uma pesquisa infinita que deve conduzir à publicação de obras constitutivas da cultura de um país, sendo terrificante que essa destruição tenha sido reivindicada pelos próprios professores e seu sindicato * Filosoficamente, a transmissão de um saber consiste no ato pelo qual toda evidência constitutiva desse saber é repetida e reatualizada por quem, fazendo dela sua própria evidência, o compreende e adquire, repetição dupla, teórica e prática, envolvendo também o pathos em que se sustenta o ato cognitivo * a reconhecimento de uma dimensão de imanência radical em que se cumpre essa repetição originária permite compreender a transmissão dos saberes primitivos, como as trocas entre mãe e filho, a aquisição dos movimentos corporais e os fenômenos de imitação, exemplificados também na relação entre analista e analisando * Toda repetição teórica de um ato de evidência é identicamente uma repetição patética de sua autoafecção, denominando-se contemporaneidade essa repetição em que consiste toda transmissão e aquisição de saber, tornando-se contemporâneo de uma verdade quem entra em relação com ela, seja a de Cristo na cruz seja as leis da adição aritmética * Essa contemporaneidade tem temporalidade e onitemporalidade próprias, podendo-se tornar contemporâneo de um evento ocorrido há vinte séculos ou de toda verdade racional, sendo a temporalidade desse processo a do êxtase no caso da verdade teórica, e a inextática do pathos no caso da verdade prática * Segue-se que a transmissão do saber não se reduz a uma teoria formal separável do conteúdo cognitivo, sendo idêntica à efetuação fenomenológica concreta desse conteúdo na repetição, o que torna a ideia de uma pedagogia autônoma equívoca, pois a teoria pura da comunicação é a própria filosofia primeira, sendo absurdo um "pedagogo ignorante", um círculo quadrado * O saber que a Universidade deve transmitir, na correpetição entre mestre e aluno, é a cultura, isto é, a autorrealização da vida sob a forma de seu autoacréscimo em relação a todas as suas possibilidades * Sendo a cultura esse autocumprimento da vida, é essencialmente prática, constituída em primeiro lugar por saberes práticos — arte, ética, religião —, sendo a ética coextensiva à cultura, exemplificada a dança como forma ética da marcha, e a arte como cultura da sensibilidade, força outrora dirigindo o olhar e os costumes dos povos, incluindo os ritos sagrados * Quanto à religião, sua importância no devir dos povos, como no Egito onde penetrava toda a vida cotidiana, decorre de seu enraizamento na essência da vida, na experiência do sagrado como situação ontológica última cuja contraprova é a angústia da morte, ligando-se em toda cultura o culto dos mortos à religião, e originando-se a arte no sagrado, o que explica o declínio da pintura ocidental a partir do século XVIII e seu renascimento nas grandes obras místicas do século XX, como as de Kandinsky, Klee e Rothko * Se arte, ética e religião constituem as formas fundamentais de toda cultura, coloca-se a questão de que significa um ensino que as ignora, sendo os valores de objetividade e neutralidade invocados pela Universidade moderna e democrática impossíveis sem uma teoria geral dos valores, revelando-se as escolhas de programas como escolhas contra a ética, contra a vida * O espaço de onde a vida foi excluída como condição do saber objetivo é o espaço galileano, sendo essa exclusão a condição de morte dupla: a abolição da separação Universidade/mundo, e a expulsão sistemática de toda cultura de dentro da Universidade tornada microcosmo do mundo técno-científico * A Universidade galileana resultou de longo processo cujo início se marca pela existência de duas faculdades principais, filosofia e teologia, surgindo desde a época de Galileu as ciências modernas, criando-se em 1706 a Academia de Montpellier, instaurando-se a dicotomia entre ciências, visando o conhecimento objetivo despido de propriedades sensíveis, e letras, visando a própria vida transcendental * História, literatura, línguas e filosofia sempre se referem implicitamente ao modo de aparição de seu objeto, isto é, à subjetividade, sendo mesmo os dados históricos ditos objetivos, como colheitas ou índices demográficos, sempre uma história da práxis e de sua angústia, tendo a literatura por desígnio o desvelamento da essência da vida através de procedimentos estéticos, tornando-se essa relação consciente de si na filosofia * A dicotomia entre ciências e letras funda-se na diferença ontológica radical entre o ente desprovido da capacidade de se experimentar a si mesmo e o que porta em si essa capacidade, a subjetividade transcendental ou o Ser enquanto Vida, sobre a qual se funda a humanitas do homem, não falando as ciências nunca do homem senão como átomos, moléculas ou processos biológicos * O imperialismo do princípio galileano traduz-se pelo recuo progressivo das disciplinas literárias, exemplificado pela redução drástica das horas de filosofia no ensino secundário, cuja eliminação enquanto teoria geral dos saberes marca a recusa do princípio técno-científico de se submeter a qualquer crítica externa * no ensino superior, introduzem-se disciplinas científicas nas antigas faculdades de letras, como métodos estatísticos, sem que se conceba reciprocamente formação filosófica ou histórica para juristas ou médicos * A subversão interna de cada disciplina literária substitui seu objeto último, a humanidade transcendental do homem, por substitutos objetiváveis, como a consideração linguística que ocupa a análise literária, ou as abordagens psicanalítica, sociológica e política que reduzem a obra à sua significação social, prescrevendo-se nas classes de francês a substituição de romances e poemas por artigos de jornal ou documentos profissionais * A mesma eliminação da cultura afeta o estudo das línguas, reduzido à prática imediata: as línguas antigas, carregadas de cultura literária, são abandonadas, e o ensino de línguas vivas cai no sociologismo, privilegiando estereótipos midiáticos sobre Shakespeare, Dante, Pascal, Goethe, Dostoiévski ou Mandelstam, tornando-se a literatura inglesa disciplina optativa na agregação * A filosofia, tendo por tema a humanidade transcendental do homem e capaz de fundar um verdadeiro humanismo, é despojada de seu objeto próprio pelo projeto galileano quando a mise-hors-jeu metodológica da subjetividade recebe significação dogmática com o positivismo, condenando a filosofia à morte * além do recuo já mencionado, a filosofia é subvertida internamente ao se reduzir a uma reflexão sobre o saber científico, tornando-se epistemologia ou história das ciências, ocupando no CNRS a quadragésima quinta e última seção, permanentemente ameaçada de supressão * No extremo dessa negação dogmática, a filosofia é eliminada em proveito da psicologia positiva, surgindo o behaviorismo no início do século XX ao eliminar a consciência, substituindo-a pelo comportamento que, contudo, implica uma subjetividade transcendental para lhe conferir sentido, revelando a psicologia "científica" seu pressuposto materialista último ao explicar o humano pelo que não é humano * é impossível, contudo, explicar o subjetivo a partir do biológico, pois o vínculo entre um dado biológico e um dado psíquico escapa por princípio, citando-se Freud sobre os "estados latentes da vida psíquica": "Eles nos são, no momento atual, perfeitamente inacessíveis por seus caracteres físicos; nenhuma representação fisiológica, nenhum processo químico pode nos fornecer uma ideia de sua natureza" * Na Universidade atual coexistem sob a rubrica "psicologia" uma psicologia científica do comportamento e um ensino de psicanálise sem justificativa teórica dessa justaposição, sendo a psicanálise o substituto inconsciente da filosofia, reprisando sua tarefa sem ruptura consciente com o objetivismo galileano, o que resulta numa psicologia bastarda, meio subjetiva, meio objetivista * A psicologia, como protótipo das novas "ciências humanas", tem seu equivalente na sociologia que reivindica o mesmo título de cientificidade, não podendo prescindir de uma base transcendental, a intersubjetividade, tarefa realizada pelo sociólogo francês Tarde através da elucidação do fenômeno da imitação * A sociologia científica, ao pôr de lado a subjetividade transcendental, hipostasia a sociedade e seus processos com leis autônomas, afirmação decisiva de Durkheim, denunciada por Marx em sua polêmica contra Proudhon como absurda, tendo essa sociologia, retomada por um marxismo que ignora Marx, ocultado definitivamente a de Tarde * Essa sociologia objetivista dobra-se, no marxismo tornado leninismo, de uma ideologia política e uma ética contestável, pensando-se a relação Sociedade/Indivíduo como causalidade externa que leva o indivíduo a se vincular às tarefas políticas para se identificar ao destino do mundo * Essa sociologia "científica" tem importância decisiva para a Universidade, retirando de cada disciplina seu objeto próprio: a história sociologizante já não é a dos indivíduos viventes mas das estruturas transcendentes, e a filosofia deixa de ser situada numa teoria dos saberes para se tornar mera história das ideias * Sendo o universo ideal função da sociedade, a Universidade que se identifica com ele torna-se também produto dela, exigindo a sociologia durkheimiana e leninista a supressão da demarcação Sociedade/Universidade, com quatro consequências: subordinação política como totalitarismo, subordinação econômica invertendo a teleologia vital, subordinação técno-científica expulsando a cultura, e uma quarta consequência que confere às democracias modernas sua fisionomia própria * A eliminação da subjetividade transcendental nunca é completa, subsistindo a vida sob formas rudes — instintos elementares, força física brutal, pensamento reduzido a esquemas ideológicos — que constituem a existência social refletida e pervertida pelos meios de comunicação, substituindo-se assim o estudo dos grandes escritores pelo do ambiente social * A cultura tem caráter autorreferencial, nenhuma obra maior se explicando a partir de uma realidade social imediata, sendo mais fácil, contudo, constituir um dossiê sobre atualidade, bastando mestres não qualificados, dos quais mais de trinta por cento, segundo relatório, jamais estudaram as matérias que lecionam * A modificação do conteúdo do saber transmitido dobra-se de uma mudança do modo de transmissão, opondo-se à repetição na contemporaneidade a comunicação de informações factuais, superficial, cujo modelo é a comunicação midiática, sobretudo televisiva, cuja quintessência é comunicar a si mesma, tornando-se sua forma seu próprio conteúdo, e o "evento" aquilo que pode ser televisionado, marcado pela extrema pontualidade e superficialidade da atualidade * Quando o sociologismo politiqueiro propulsiona o conteúdo da sociedade para dentro da Universidade, a comunicação midiática entra em concorrência com o modo tradicional de transmissão dos saberes, cedendo lugar às "ciências da comunicação", segundo a fórmula "a verdadeira pedagogia é a tevê", passando professores a ensinar pesquisas de opinião, estereótipos e a "nova civilização da imagem", tornando-se tão receptivos e fúteis quanto seus telespectadores * A verdade concreta desse movimento resume-se em que o poder intelectual e espiritual tradicionalmente assumido pelos clérigos e intelectuais foi arrancado deles por novos mestres, servidores cegos do universo da técnica e dos meios de comunicação, os jornalistas e os políticos * Permanece então em aberto o que resta da cultura, e com ela da humanidade do homem {{tag>Henry universidade}}