====== Novalis ====== LDMH * Último ensaio de //Caminho da Linguagem// [GA12], intitulado //A Palavra//, abre e encerra sob signo de fragmento do breve ensaio //Monólogo// de Novalis. * Frase emblemática é citada inicialmente e retomada in fine, recapitulando caráter monológico da linguagem. * Citação: //Gerade das Eigentümliche der Sprache, daß sie sich bloß um sich selbst bekümmert, weiß keiner.// * Tradução: //O que a linguagem tem de singularmente próprio, o fato de que ela só se importa consigo mesma, ninguém o sabe.// * Fórmula aponta para //mistério da linguagem e da palavra//, que consiste em falar //unicamente e solitariamente consigo mesma// mesmo quando a falamos. * Não se trata de ir //em direção à palavra//, como se linguagem estivesse longe de nós. * Trata-se de //trazer à linguagem a essência da linguagem//, estando nós sempre já na linguagem, como na //casa do Ser//. * Ser iniciado ao //caráter monológico da linguagem// é entrever que //a linguagem fala//. * Ela nos diz algo de sua essência, desde que nos prestemos a //escutar o que ela mesma nos diz de sua essência//. * Somente assim podemos //responder-lhe//. * Condição fundamental: //que a linguagem mesma se diga a nós//. * Dizer que //a linguagem é monólogo// não é condená-la a isolamento altivo, mas reconhecer uma //solidão// que os humanos compartilham com ela. * Significa que //a linguagem, e somente ela, fala propriamente//, e que ela //fala solitariamente (einsam)//. * Compreensão da palavra alemã //einsam// revela sua natureza paradoxal. * //Einsam// (solitaire) deriva de //ein-sam//, ouvindo-se unidade (//ein//) e ser-em-conjunto (de sânscrito //sama//, grego //ama//, latim //semel//). * //Solitário (einsam) só pode ser quem não está só (allein)//, ou seja, separado, isolado, sem relação. * Pelo contrário: //Naquilo que é solitário (im Einsam) habita a falta do comunitário (des Gemeinsamen)//, do traço que mais vincula à comunidade. * Novalis pensa essência da linguagem //no horizonte do idealismo absoluto//. * No entanto, pode ser ouvido como dando sinal de nossa imemorial implicação no //monólogo// essencial da linguagem: na casa do Ser. * Autoridade distante de Novalis é invocada em //O Princípio de Razão// [GA10] a propósito da abissalidade dos //princípios supremos//. * Citação de Novalis questiona natureza paradoxal do princípio supremo. * Fragmento: //O princípio supremo teria em sua tarefa o mais alto paradoxo? Seria um princípio que não deixa absolutamente paz, que sempre atrai e repele...// * Conclui: //Segundo antigas lendas místicas, Deus é para os espíritos algo desse gênero.// * Ensino que Heidegger retira: //a região dos princípios supremos oferece espetáculo totalmente diverso da doutrina habitualmente recebida sobre evidência dos primeiros princípios.// * Este ensino sobre inquietude e abissalidade intrínsecas dos //princípios de fundo// deve ser levado a sério. * Aplica-se ao princípio de razão e ao princípio de identidade. * Refere-se ao conjunto dos //princípios de fundo do pensar (Grundsätze des Denkens)//, explorados por Heidegger até seus //fundos iniciais//. * No início do curso //Conceitos Fundamentais da Metafísica (1929/30)// [GA29-30], Heidegger recorre a fragmento de Novalis para definir filosofia. * Fragmento: //A filosofia é propriamente saudade (Heimweh), um impulso para estar em casa em toda parte.// * Heidegger busca //olhar a metafísica de frente// e //retomar seus conceitos fundamentais//, o que exige sermos //tomados (ergriffen)// por eles. * Palavra de um poeta revela-se mais reveladora do que parece, se buscarmos nela //o que lhe é co-essencial (sein Wesentliches)//. * Heidegger encontra nela articulação de sua meditação sobre //conceitos fundamentais da metafísica//: Mundo – Finitude – Solidão. * //Impulso para estar em casa em toda parte// é impulso para alcançar o //Mundo// como //todo inteiro//. * O fato de este impulso ser pensado como //saudade (Heimweh)// testemunha nosso afastamento e nosso desamparo (//esseulement//) em relação a isso que seria a alcançar. * Testemunha nosso //não-estar-em-casa// e, portanto, nossa finitude e solidão, enquanto //modalidades fundamentais de nosso ser// geralmente esquecidas. * //Saudade (Heimweh)// assim nomeada por Novalis é uma //Grundstimmung//, uma //tonalidade vibratória fundamental// característica do impulso próprio ao pensamento metafísico. * É necessário sermos //tomados (ergriffen)// por essa tonalidade para esperarmos //retomar (begreifen)// os //conceitos fundamentais (Grundbegriffe)//.