====== VIRAGEM – KEHRE (1987) ====== //GRONDIN, J. Le Tournant dans la pensée de Martin Heidegger. Paris: PUF, 1987// * O projeto inicial de desvelar o sentido temporal do ser a partir da temporalidade extática do Dasein encontra uma reorientação crítica ao atingir a finitude radical da existência, a qual força um reexame da estrutura da ontologia fundamental não como falha, mas como aprofundamento da indagação filosófica. * Transição das êxtases do Dasein para a temporalitas do ser. * Sentido do questionamento como retorno ao caminho da interrogação. * Distinção entre revogação do trabalho e radicalização do pensamento. * A elevação da finitude a pedra angular da investigação filosófica gera um paradoxo quanto à pretensão de verdade, exigindo o reconhecimento de que a explicitação da finitude deve permanecer ela mesma finita e não pode assumir um estatuto absoluto. * Contradição entre o estatuto absoluto de um princípio e seu conteúdo de finitude. * Referência à análise contida no livro sobre Kant. * Necessidade de uma fundamentação não absoluta para a metafísica. * Reconhecimento da pluralidade de caminhos possíveis. * A admissão de que a investigação é afetada pela própria finitude abre a possibilidade para vias de acesso alternativas à coisa da filosofia, culminando em uma reflexão crítica sobre a objetivação do ser que desafia a viabilidade de todo o projeto da ontologia fundamental. * Multiplicidade de caminhos para a coisa filosófica. * Conexão com o curso de 1927 sobre os problemas da fenomenologia. * Antecipação das temáticas de Tempo e Ser. * Questionamento da objetivação do ser como pré-requisito da tematização. * A tentativa de objetivação do ser através de um horizonte projetivo revela-se inerentemente instável e sujeita a interpretações errôneas inevitáveis enraizadas na existência histórica do Dasein, sugerindo que uma não-verdade fundamental coexiste com toda intelecção autêntica. * Incerteza quanto à direção da projeção do ser. * Velamento da temporalidade e da temporalitas. * Prevalência de compreensões equívocas sobre a transcendência em vez de total ignorância. * Necessidade de atravessar o erro para alcançar os fenômenos autênticos. * Risco de a projeção ontológica degenerar em projeção ôntica. * A consciência crítica sobre a copresença da não-verdade em toda compreensão constitui um aviso específico contra a tendência objetivante do projeto da temporalitas, questionando a pressuposição de que o ser possui uma estrutura inteligível acessível à apreensão humana. * Interpretação do texto de 1927 como aviso autocrítico. * Crítica à projeção do ser sobre o horizonte da compreensibilidade. * Questionamento sobre o caráter sensato do ser. * Possibilidade de o ser escapar à rede conceitual de Ser e Tempo. * A busca pelo sentido do ser enfrenta um impasse estrutural na medida em que o ato de compreender tende a reificar seu objeto, ameaçando violar a diferença ontológica ao reduzir o ser ao estatuto de ente através do próprio processo de tematização. * Risco de conversão do ser em um algo ou objeto. * Incompatibilidade entre o projeto de objetivação e a diferença ontológica. * Caráter subjetivo da projeção de inteligibilidade. * Potencial recusa em se deixar interpelar pelas múltiplas manifestações do ser. * A persistência da pergunta pelo sentido do ser indica a sobrevivência de uma abordagem subjetiva que posiciona o ser dentro de um horizonte de domínio, contradizendo a definição posterior da Kehre como o abandono da subjetividade. * Localização do ser sob a garra da compreensão. * Definição da virada na Carta sobre o Humanismo. * Abandono incompleto da subjetividade em Ser e Tempo. * Necessidade de transformação na relação entre pensamento e ser. * A virada ontológica constitui um evento intrínseco à própria coisa da filosofia, desencadeado pela radicalização da finitude que revela que o ser se retira à apreensão conceitual e compele o pensamento a passar da busca pelo sentido para a experiência da verdade como retraimento. * Distinção entre mudança de ponto de vista do filósofo e evento no Sachverhalt. * Fracasso da ambição de capturar o ser através da clareza do conceito. * Agência do ser no processo da virada via retraimento. * Equivalência e deslocamento dialético entre sentido do ser e verdade do ser. * Transição para o desvelamento do velamento da verdade. * A delimitação do lugar da virada filosófica exige uma abordagem que identifique a transição do pensamento em direção a uma receptividade à verdade do ser, mesmo sob o risco de transgredir os limites tradicionais da comunicabilidade. * Entrega do pensamento à verdade do ser. * Risco de rompimento das fronteiras do sentido. * Foco metodológico na localização do ponto de inflexão. * Recusa em replicar a quebra de limites na própria exposição. * A transição originalmente planejada na arquitetura de Ser e Tempo da temporalidade existencial para a temporalitas do ser falha em superar o ponto de partida subjetivo, necessitando de uma inversão mais radical onde o poder de abertura se desloca do Dasein para o próprio ser. * Distinção entre a reversão planejada e a Kehre efetiva. * Persistência de esquemas horizontais derivados do sujeito. * Impotência da subjetividade moderna diante do mistério do ser. * Caráter histórico do poder de possibilitação. * O questionamento definitivo da subjetividade ocorre durante a elaboração da terceira seção inédita de Ser e Tempo, onde o conflito interno entre o método transcendental e a nova problemática da Aletheia leva ao abandono do plano original. * Substituição da transição programática por uma virada radical. * Impacto da radicalização da finitude na arquitetura do projeto. * Luta entre modos de interrogação nas lições posteriores a 1927. * Caráter sintomático da crítica ao horizonte de compreensibilidade. * A reorientação teórica envolve o abandono explícito do conceito de horizonte como ferramenta adequada para a questão do ser, ruptura documentada por anotações marginais que propõem a superação do horizonte como tal. * Rejeição do conceito de horizonte essencial à investigação anterior. * Referência à nota marginal no plano de Ser e Tempo. * Introdução da noção de diferença transcendental. * A adoção da diferença ontológica como princípio norteador da investigação exige a renúncia ao cerco do ser dentro de um horizonte de compreensão, demandando um pensamento que se mantenha na separação radical entre ser e ente. * Distinção entre diferença ontológica e diferenças teológica ou transcendental. * Centralidade da diferença no curso de 1927. * Rejeição da transformação do ser em objeto. * Escuta do retraimento do ser. * A obsolescência do conceito de horizonte sinaliza o desmoronamento da pretensão subjetivista de domínio sobre o fenômeno, inaugurando um movimento de conversão ou retorno à origem entendida como religação à fonte do ser. * Autocrítica quanto aos esquemas horizontais da temporalitas. * Implicação da queda do subjetivismo. * Interpretação de Umkehr como retorno à origem. * Conexão etimológica com re-ligio como apego ao ser. * A reabilitação semântica do conceito de presença na filosofia tardia contrasta com sua caracterização negativa no período anterior, designando um novo modo de manifestação do ser que emerge da origem. * Centralidade do termo Anwesen nos escritos tardios. * Deslocamento da concepção estática de presença para um sentido dinâmico. * Conexão com a conferência Tempo e Ser. {{tag>Gadamer Kehre}}