====== Medo, o "porquê" ====== //GREISCH, Jean. Ontologie et temporalité. Paris: PUF, 1994, §30 ([[estudos:greisch:ot:30|resumo]])// 3/ O "porquê" do medo. O medo, poderíamos dizer, sempre envolve um "desafio". Ele não apenas teme algo, mas teme por alguém, o [[lx>termos:d:dasein|Dasein]] em sua ipseidade. "O por quê o medo tem medo é o próprio ente que tem medo: o Dasein. Somente um ente para o qual em seu ser está em jogo seu próprio ser pode ter medo" (SZ 141). Também sob esse ponto de vista, o medo tem seu próprio poder de revelação. Ele nos faz descobrir a "precariedade" essencial ([[lx>termos:g:gefahrdung|Gefährdung]]) de nossa existência, o fato de estarmos abandonados a nós mesmos ([[lx>termos:u:uberlassenheit|Uberlassenheit]]). É quando "perdemos a cabeça", quando perdemos o rumo, que descobrimos um aspecto essencial de nossa existência. Devemos, então, opor o medo por nós mesmos e o medo pelos outros? De forma alguma, porque são dois lados do mesmo fenômeno: assim como Dasein e [[lx>termos:m:mitdasein|Mitdasein]] andam juntos, todo [[lx>termos:b:befindlichkeit|Befindlichkeit]] (afetação) tem uma dimensão intersubjetiva, é uma "coafetação com os outros" ([[lx>termos:m:mitbefindlichkeit|Mitbefindlichkeit]], SZ 142). {{tag>Greisch medo}}