====== Caron (2005:1561) – Ereignis - Eignis ====== PEOS * Pensar o Ereignis: Concluir e Habitar o Acontecimento Apropriador * Pensar o Ereignis não é prestar-lhe homenagem do exterior, mas concluí-lo, estar no Ereignis * O Ereignis concede o si e o ser; é o ser advindo em seu próprio nesta ipseidade humana * O Ereignis sempre já concedeu o ser-homem à sonoridade própria ao silêncio sobre-essencial do ser * Quando o si chega pensativamente à pensamento do ser como Ereignis, ele é retomado no desdobramento abissal do Ereignis * O 'es gibt' dá o dom mesmo * A Primazia do 'Es Gibt' e a Estrutura do Si no Ereignis * A primazia do 'es gibt' ('há', 'dá-se') não é especificidade do último Heidegger * Já em 1919, ele notava a oni-determinação de toda presença por este 'há' * O 'há' é o que nenhum ente pode incarnar e escapa ao pensamento fixado na esfera do ente * A questão radical "Gibt es das 'es gibt'?" deixa o ouvinte numa estupefação que é a mais bela apoditicidade * Quando o Ereignis é pronunciado, o teor do dom chega à luz * O si está no Ereignis como em sua estrutura; desde sempre o Ereignis concedeu o si e o ser * A pré-compreensão torna-se consciente quando o si apreende a origem de sua estrutura como o ser mesmo * O ser é Eignis enquanto faz advir ao próprio seu retraimento a partir do desdobramento do si * A estrutura do si depende deste vínculo transcendental que é o Eignis, deste 'há' que sempre já tudo ligou * O Ser como Eco e a Mesmidade como Elemento de Ressonância * O ser faz surgir um si que lhe devolve seu próprio excesso; o si é a ressonância do abismo * O abismo é acordo não-subjetivo de si a si através de uma ipseidade, é ressonância infinita * O ser se dá a si mesmo um eco; a Mesmidade é eco, parte do próprio ser e o revela como Ereignis * O ser é vínculo perpétuo de si a si, mas não é sujeito nem ipseidade * Toda ipseidade é abertura ao ser, manifestação do ser como tal no seio de um ente que compreende o ser * O fato de ser si, de fechar-se sobre si, só é possível pela abertura ao ser, condicionada pelo Eignis * O Eignis não é redutível à identidade (coincidência imediata) nem à ipseidade (ser a si mesmo o mesmo) * É propriamente Mesmidade, uma forma de 'identidade' que apropria a ipseidade ao ser * A co-pertinência da ipseidade e do ser na Mesmidade é a misteriosa pertença em obra no desdobramento da Palavra * A Linguagem como Morada e a Tarefa do Pensamento * A linguagem é a pulsação mais delicada e frágil, mas também a que tudo sustém, na construção da Apropriação * Habitamos no Ereignis na medida em que nosso ser próprio está na dependência da linguagem * A Mesmidade possibilita a forma de 'identidade' em obra no si, aquela que recolhemos na linguagem * Quando o Ereignis vem ao pensamento, ser e si são retomados no elemento que os concede * Pela manifestação desta pertença co-apropriante, ser e si perdem suas determinações metafísicas * O Elemento da Co-pertinência e a Refundação da Linguagem do Pensamento * A Mesmidade ilumina de um novo dia os membros que desdobra * No 'Eignis' se diz o desdobramento do si, que rigorosamente não precisa mais ser chamado assim * A pensamento precisa de seu tempo para operar o retorno à origem essencial da identidade * Ainda não chegamos à co-pertinência, por isso as denominações tradicionais permanecem * O Geviert e o desprendimento do 'eignen' são uma primeira etapa para a refundação da língua da pensamento * A metafísica representou a identidade como traço do ser; agora, ser e pensamento encontram seu lugar na identidade do Mesmo, no elemento do Eignis * O Enigma da Mesmidade e a Tarefa de Pensar a Doação * Como pensar precisamente este vínculo de Mesmidade inerente à Palavra que, como Eignis, se dá em si mesma um interlocutor? * Como pensar esta 'identidade' de forma inédita que apropria o si e o ser? * A pensamento deve se contentar com o que a doação histórica lhe concede, manter-se na Origem (Ur-Sprung) * Enfrentamos o enigma de uma doação sem fundo que deseja dar e aparecer, dando-se para isso um si * A pensamento deve se fazer acolhimento do mistério do dom, à escuta do silêncio espaçoso da doação * O Ser como Acordo e a Interpenetração no Eignis * Para o ser, produzir é conceder, nos dois sentidos: para fazer advir (conceder), o ser deve ser previamente acordo (estar afinado) * A presença do si é fundamental para que o ser seja e seja o aparecer que é * Isto revela a simultaneidade e a precedência da apropriação do si e do ser para que a doação tenha lugar em verdade * O Ereignis é o Acordo * O ser é ao mesmo tempo a luz e o que se subtrai, desvelamento e retraimento * O si é retomado no ser: é o auxiliar do desdobramento do Eignis, o Da do 'eignen' * Não há mais si-e-ser, há o Eignis onde a interpenetração e a pertença mútua se tornam prioritárias * O Elemento do Eignis e a Experiência da Não-Mensurabilidade * O Eignis é o elemento percorrendo tudo, o espaço mesmo, cuja pulsação co-apropriante é temporalidade * Este elemento é a pulsação da doação nua, o incognoscível que quer ser pensado * A impotência diante da sobre-potência da nudez não é defeito, mas contrapartida do dom puro * No domínio de acordo do Ereignis, o ser-homem é convocado para medir a não-mensurabilidade do que não é ente * Pela proximidade do ser ao pensamento, o ente em totalidade aparece como o que abriga o segredo de sua vinda à presença * A Tarefa de Pensar o Simples: do Ereignis ao Augen (Olhar) * O objetivo é pensar em um Mesmo o ser e o si; este Mesmo é o Ereignis ou Eignis * A tarefa de clarificação da origem não está acabada enquanto o Ereignis não for visto sob o ângulo do puro dar * A relação de Eignis nasceu da meditação sobre a Palavra (Sage) como Ent-sprechung (correspondência) * O desprendimento da Ent-sprechung permitiu entrar na tarefa de clarificação da Mesmidade desdobrante: a Selbigkeit * A tarefa leva agora do Ereignis ao 'augen' (olhar): pensar a simplicidade do Simples onde ser e si se atingem