====== Caron (2005:1561) – essência originária do olho como aparecer ====== PEOS * A Essência Originária do Olho (Oculus, Ocs) como Aparecer * No jogo de olhar entre si e ser, é a pulsação de um mesmo elemento, o 'augen', que permite o olhar * A essência de todo Olhar é prender-se a um olhar; todo olhar está mergulhado no 'augen' como em sua possibilidade * Etimologicamente, 'olho' (oculus) não significa originariamente o órgão, mas o processo, a atividade * O órgão é sempre derivado de um agir mais originário, um 'Olho' mais essencial * Originariamente, o olho não é localizado; é um elemento de fenomenalização, o aparecer como tal * É o meio onde algo adquire seu aspecto e vem ao olhar * Nosso olho é apenas o complemento ou diminutivo (o-culus) de uma doação inaugural * Podemos ver porque nosso olho é composto deste elemento, o 'augen', possibilitação de toda visão * O 'augen' do Augnis é o Olho do ser * A Co-apropriação do Olho do Ser e do Olho do Si * O olho do si, tecido pelo Olho do ser como Augnis, não se opõe ao ser * No vis-a-vis do ser e do si, não há choque de duas coisas exteriores, mas o desdobramento de um Mesmo * Nosso olhar se sustenta no que dá abertura ao Aberto, no distante do abismo * Nosso próprio lance de olhar é resposta ao lance do ser * O Augnis (Eignis) é o único fluxo de manifestação que traz em si a necessidade de seu próprio aparecer e de pôr um si * O Augnis como Elemento da Manifestação e Sentido da Doação * O Augnis é Eignis: concede na mesma dimensão o si e o ser * O Ereignis nomeia o ser que faz eclodir, e mais profundamente, o ser como elemento onde se abre a possibilidade da co-apropriação * A meditação do Eignis como Augnis ensina que nosso olho é a maneira de um único Lance de olhar * Não há dois olhares opostos, mas um mesmo dom de aparecer onde se sustentam o si e a possibilidade do vis-a-vis * O Ereignis como 'augen' é o elemento do cruzamento dos olhares, e este cruzamento é um único Olhar * A doação é, no mesmo ato, domínio de apropriação onde os lugares sagrados do Quadriparti correspondem-se * A dimensão co-apropriante condiciona a doação; só há doação a partir da possibilidade da apropriação recíproca * O Eignis é o sentido de toda doação; a co-apropriação é o sentido de toda doação como puro advento * Heidegger privilegia o Eignis sobre o Ereignis como eventus, pois o fundo do eclodir é um domínio de co-apropriação * Sem o si, o ser não se desdobra como ser * Habituar o Pensamento ao Elemento do Augen * Devemos habituar o pensamento a pensar o olho como pertencente ao elemento misterioso do 'augen' * O olho é tomado no coração do aparecer; é o que o ser se associa para ser * A estrutura do si é o Eignis; o si está no Eignis como maneira do Eignis cujo ser é precisamente o 'augen' * O Eignis faz aparecer, concede, e este acordo é porque é previamente acordo vinculante * É no elemento da co-apropriação que a doação dá * A advertência de Heidegger sobre a primazia do Eignis é significativa * A co-pertinência é a dimensão em que a doação se sustenta e para a qual ela é possível * A Gênese do Pensamento do Ereignis: da Er-eignung ao Eignis * Na origem do pensamento do Ereignis (Beiträge [GA65]), Heidegger usa frequentemente 'Er-eignung' * O sufixo '-ung' expressa o ato mesmo de co-apropriação como dimensão de toda doação * O uso de Er-eignung prefigura a primazia deste Eignis que Heidegger destacou no final da vida * Dizer que o Eignis domina no Ereignis não minimiza a dimensão de desocultação do ser, mas a conclui * É na co-pertinência que a doação pode se realizar como doação plena * O si não é só consequência da desocultação, mas seu auxiliar * O Eignis e o Processo do Advento * O Eignis estabelece a co-pertinência do si ao ser * Como Eignis, o ser é este aparecer cujo aparecer é necessariamente acompanhado de um si * Todo advento se acompanha de um ipse, de um olhar necessário ao aparecer * É no olhar que o ser se manifesta como ser * O olhar vive de e no aparecer cujo desdobramento ele acompanha e realiza * Resumo do Processo do Advento * O ser faz advir, e neste advento ele mesmo aparece * Para isso, um si é necessário * A essência do si é o olhar * Este olhar é possibilitado por sua estrutura essencial que é o aparecer * O aparecer é compreendido como 'augen' * O 'augen' é o elemento vinculante e pulsante no qual ser e si são um, no Uno ou Simples * Este 'augen' co-apropria ser e si no Er-Eignis * O ser é Eignis, o que permite o advento, que depende da co-pertinência do ser e do si