====== SÁBIO EXISTE SITUACIONALMENTE (2024) ====== //Ausência : sobre a cultura e a filosofia do extremo oriente / Byung-Chul Han ; tradução de Rafael Zambonelli. – Petrópolis, RJ : Vozes, 2024.// O fato de o caminhante não deixar rastros também tem um significado temporal. Ele não insiste nem persiste. Antes, ele existe na atualidade. Uma vez que caminha “sem direção”, ele não segue o tempo linear ou um tempo histórico que se estende ao passado e ao futuro. A ocupação, que Heidegger eleva a traço fundamental da existência humana, está ligada precisamente a esse tempo estendido, isto é, histórico. O caminhante não existe historicamente. Assim, “ele não se ocupa” (//bu si lu//, 不 思盧) e “não faz planos nem traça estratégias” (//bu yu mou//, 不豫謀, Z. Livro 15). O sábio não existe nem retrospectiva nem prospectivamente. Ao contrário, ele vive presentemente. Ele //habita// em //cada// presente, mas o presente não tem a agudeza e a resolução do instante. Mais uma vez, o instante está ligado à ênfase e à resolução do agir. O sábio existe situacionalmente. Mas o situacional se distingue da “situação” heideggeriana. Esta repousa sobre a resolução da ação e do instante. Na “situação”, o //Dasein// se apropria resolutamente //de si mesmo//. Ela é o instante supremo da //presença//. O caminhante habita em cada presente, mas não //permanece//, pois a permanência possui uma referência aos objetos forte demais. O caminhante não deixa rastros precisamente porque habita sem //permanecer//. {{tag>"Byung-Chul Han" tempo situação}}