====== ANGÚSTIA (2025) ====== //Tópicos do Prólogo de Byung-Chul Han. Contro la società dell’angoscia. Torino: Einaudi, 2025// * A angústia circula como espectro ao manter todos permanentemente face a face com cenários apocalípticos recorrentes como pandemia, guerra mundial e catástrofe climática, tornando cada vez mais frequente a evocação do fim do mundo ou da civilização humana como iminente, simbolizada pelo Relógio do apocalipse que em 2023 marcou 90 segundos para a meia-noite, a menor distância já registrada. * Pandemia, guerra mundial e catástrofe climática como figuras dominantes do imaginário apocalíptico. * Fim do mundo ou da civilização como ameaça incombente. * Relógio do apocalipse em 2023 a 90 segundos da meia-noite. * As apocalipses também são convertidas em oportunidades vendáveis, pois apocalipses vendem e o estado de ânimo do fim dos tempos se expande tanto no mundo real quanto na literatura e no cinema, com Don DeLillo narrando em Il silenzio um apagão total e com a climate fiction consolidando-se como gênero, enquanto Amigo da terra de T. C. Boyle expõe dimensões apocalípticas da mudança climática. * Comercialização do imaginário apocalíptico. * Endzeitstimmung disseminado em literatura e filmes. * Don DeLillo, Il silenzio, blackout total. * Climate fiction como novo gênero literário. * T. C. Boyle, Amigo da terra, apocalipse climático. * A crise aparece como situação multifacetada em que, carregados de angústia, olhares se voltam para futuro sombrio e a esperança se ausenta, levando a vida a atrofiar-se em sucessão de dificuldades e catástrofes até transformar viver em sobreviver, ao passo que somente a esperança restitui um viver além da sobrevivência ao abrir horizonte de sensatez que reanima e dá futuro. * Crise com múltiplas faces e futuro tétrico como horizonte dominante. * Falta generalizada de esperança. * Vida como sequência de crises e problemas. * Atrofia do viver em sobrevivência. * Esperança como abertura de sentido e doação de futuro. * O clima difuso de angústia sufoca sementes de esperança e faz avançar disposição depressiva, enquanto angústia e ressentimento empurram pessoas às direitas populistas e alimentam ódio, corroendo solidariedade, amizade e empatia, produzindo regressão social que põe em risco a democracia, como enfatizado por Barack Obama ao afirmar que a democracia pode ruir quando se cede ao medo, sendo a democracia viável apenas em atmosfera de reconciliação e diálogo que impede a absolutização de opiniões sem escuta. * Angústia como sufocamento da esperança e vetor depressivo. * Ressentimento e angústia como combustível de ódio e populismos de direita. * Erosão de solidariedade, amizade e empatia. * Perigo à democracia e regressão social. * Barack Obama: “Democracy can buckle when we give in to fear”. * Democracia vinculada a reconciliação e diálogo. * Cidadania incompatível com absolutização de opinião e ausência de escuta. * A angústia funciona amplamente como instrumento de domínio ao tornar pessoas obedientes e chantageáveis, reduzindo a liberdade de expressão por medo de repressão, enquanto hate speech e shit storms bloqueiam a manifestação livre do pensamento e chega-se a temer o próprio ato de pensar, perdendo-se a coragem de pensar que abriria acesso ao completamente Outro, pois sob angústia persiste o Igual e impõe-se conformismo que fecha o acesso ao Outro, inapreensível pela lógica da eficiência e produtividade do Igual. * Angústia como mecanismo de obediência e chantagem. * Medo de repressão como silenciamento de opiniões. * Hate speech e shit storms como impedimentos à livre expressão. * Angústia do pensar e perda de coragem intelectual. * Pensar em sentido enfático como acesso ao completamente Outro. * Angústia como prevalência do Igual e do conformismo. * Outro como exterior à lógica de eficiência e produtividade. * Onde a angústia domina, a liberdade se torna impossível porque angústia e liberdade se excluem, podendo a angústia transformar a sociedade em prisão e colocá-la em quarentena por sinais contínuos de perigo, ao passo que a esperança cria sinais de direção e marcos de caminho, de modo que apenas na esperança há movimento, sentido e orientação, enquanto a angústia torna qualquer percurso impraticável. * Incompatibilidade entre angústia e liberdade. * Sociedade-prisão e quarentena como figura social da angústia. * Angústia como emissão de alertas e perigos. * Esperança como criação de sinais, direção e Wegmarken. * Caminho e orientação vinculados à esperança. * Impraticabilidade de caminhos sob angústia. * A angústia contemporânea inclui vírus e guerras, mas também a “angústia climática” reconhecida inclusive por ativistas angustiados com o futuro, sendo legítima a angústia pelo clima e pela pandemia, porém inquietante é o clima expansivo da angústia e problemática é a pandemia da angústia, pois atos guiados por angústia não abrem futuro, ações exigem horizonte de sentido e narrabilidade, e a esperança é loquaz e narrativa enquanto a angústia não alcança o discurso nem se faz relato. * Angústia climática e angústia pelo futuro entre ativistas. * Legitimidade da angústia específica e crítica ao clima generalizado de angústia. * Distinção entre angústia pela pandemia e pandemia da angústia. * Ações zukunftsfähigen exigem horizonte de sentido. * Esperança como capacidade de narrar e sustentar discurso. * Angústia como bloqueio de discurso e narrativa. * O termo “angústia” deriva de angest e angust com sentido originário de estreiteza, pois a angústia sufoca a amplitude, estreita perspectivas ao restringir campo visual e barrar a vista, fazendo sentir-se empurrado a uma passagem estreita e acompanhado de sensação de captura, aprisionamento e clausura, de modo que o mundo aparece como prisão com portas fechadas para o aberto, e o futuro é obstruído pela inacessibilidade do possível, do novo. * Etimologia: “estreiteza”. * Restrição do campo visual e redução de perspectivas. * Sensação de captura e clausura. * Mundo como prisão e portas ao aberto cerradas. * Bloqueio do futuro e do possível. * A angústia hoje ubíqua não se reduz a catástrofe permanente, pois predomina série de angústias difusas estruturais não reconduzíveis a eventos concretos, e o regime neoliberal opera como regime da angústia ao isolar e transformar pessoas em empreendedoras de si, enquanto concorrência onipresente e coerção de desempenho corroem comunidade, narcisismo produz solidão e angústia, e angústias de fracasso, inadequação, ritmo e dependência moldam o eu, com ubiquidade da angústia aumentando produtividade. * Angústias estruturais difusas além de eventos concretos. * Neoliberalismo como regime da angústia. * Isolamento e empreendedorismo de si. * Concorrência e coerção de performance como erosão comunitária. * Narcisismo, solidão e angústia. * Angústias de fracasso, inadequação e dependência. * Angústia como motor de produtividade. * A angústia isola de tal modo que não há possibilidade de angústia compartilhada nem de comunidade ou Nós, pois cada um fica entregue a si mesmo, enquanto a esperança contém dimensão do Nós e implica comunicar a outros a mesma esperança e manter viva a chama que irradia ao redor, sendo fermento de revolução e do novo, incipit vita nova, ao passo que não há revolução da angústia porque quem se angustia se submete ao domínio, e a impossibilidade atual de revolução decorre da incapacidade de esperar causada por paralisia na angústia que atrofia viver em sobreviver. * Angústia como incapaz de produzir Nós e comunidade. * Esperança como comunicação e partilha de chama. * Esperança como fermento de revolução e do novo. * Inexistência de revolução da angústia. * Angústia como submissão ao domínio. * Paralisia na angústia como bloqueio da esperança e redução do viver ao sobreviver. {{tag>"Byung-Chul Han" angústia}}