====== VONTADE DE POTÊNCIA (LM) ====== //ARENDT, Hannah. A Vida do Espírito. Tr. Antônio Abranches e Cesar Augusto R. de Almeida e Helena Martins. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000 / The Life of the Mind: the Groundbreaking Investigation on How We Think. Boston: Houghton Mifflin Harcourt, 1981 [LM]// * O conceito de VONTADE-DE-POTÊNCIA revela-se redundante porque todo querer já é ato de potência e expressão de Kraftgefühl que excede as exigências da vida cotidiana, de modo que tanto a vontade voltada à humildade quanto a voltada ao domínio são igualmente poderosas, mas entram em contradição com a impotência factual da Vontade que não pode querer retroativamente [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 14]. * Vontade como geração de poder para o querer. * Kraftgefühl como sentimento de força excedente. * Impotência diante do passado. * A Vontade, seja na forma retroativa impotente, seja na forma projetiva afirmativa, transcende a gratuidade do mundo e corresponde à superabundância da Vida, podendo-se compreender toda Vida como Vontade-de-potência segundo Nietzsche em Assim falou Zaratustra e em A Vontade de Potência [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 14]. * “Liberdade da Vontade” como excesso de força. * Vida identificada à vontade de potência. * Alimentação e procriação como expressões da apropriação insaciável. * A reviravolta de Heidegger dirige-se primordialmente contra a VONTADE-DE-POTÊNCIA, cuja lógica de governar e dominar é interpretada como pecado original moderno, evidenciado na leitura de Nietzsche entre 1936 e 1940 e analisado por J. L. Metha e Walter Schulz [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15]. * Diferença entre volume I e II de Nietzsche. * Reviravolta como mudança de disposição. * Relação com passado no movimento nazista. * Na interpretação heideggeriana inicial, a VONTADE-DE-POTÊNCIA designa o fato de ser (Seiendheit) enquanto o Eterno Retorno representa o Ser do Ser, articulando Devir e afirmação do Ser segundo Nietzsche em A Vontade de Potência [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15]. * Vontade como função do processo vital. * Eterno Retorno como negação da negação. * Devir sem objetivo e sem valor absoluto. * A contradição fundamental em Nietzsche reside na transvaloração de valores operada pela VONTADE-DE-POTÊNCIA como postuladora de valores, que mantém intacto o quadro categorial do platonismo invertido e retorna à subjetividade valorativa [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15]. * Transvaloração dependente da vontade. * Avaliação do Devir recorrente. * Permanência do esquema categorial. * No segundo volume de Nietzsche, a VONTADE-DE-POTÊNCIA é interpretada quase exclusivamente como vontade de governar e dominar, generalizando o Widerwille como obstáculo inerente a todo fazer e culminando na subjetivização moderna em que a Vontade é comando e o eu é simultaneamente senhor e obediente [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15]. * Widerwille como contravontade. * Objeto como obstáculo a ser superado. * Vontade como comando. * A VONTADE-DE-POTÊNCIA passa a ser compreendida como essência expansiva do poder que prefere querer o nada a não querer, revelando terror do vazio e tendência à negação, destruição e devastação [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15]. * Poder existe apenas ao aumentar. * Vontade instiga a si mesma. * Preferência por “querer o nada”. * A experiência paradoxal da Vontade, desde Paulo Apóstolo e Agostinho até Hegel, Schelling e Nietzsche, desloca a primazia temporal para o futuro e culmina na VONTADE DE POTÊNCIA como expressão extrema da ascensão moderna da Vontade [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 21]. * “Eu não faço o que quero” (Romanos 7:15). * Espírito em guerra consigo mesmo. * Progresso e negação do presente. * A filosofia de Nietzsche, frequentemente interpretada como clímax da VONTADE DE POTÊNCIA, manifesta hostilidade à teoria da liberdade da Vontade e apresenta experimentos de pensamento que relativizam sua centralidade [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 2]. * Crítica à liberdade da Vontade. * Refutabilidade reiterada. * A identificação entre Vontade e instinto de vida, desenvolvida desde Agostinho até Schopenhauer, culmina em Nietzsche ao conceber a verdade como função do processo vital e da vontade de viver [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 11]. * Ser como conceituação da Vida em Tomás. * Schopenhauer: Vontade como instinto vital. * Verdade dependente da vontade de viver. * A coletânea póstuma intitulada VONTADE DE POTÊNCIA consiste em experimentos de pensamento comparáveis às Pensées de Pascal, sendo resultado editorial posterior e não obra sistemática de Nietzsche [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 14]. * Fragmentos reorganizados. * Gênero literário de experimento de pensamento. * Em A gaia ciência, a metáfora da onda exprime a Vontade como impulso vital impetuoso que se reconhece no movimento das forças naturais, articulando também o tema do Eterno Retorno como ideia fundamental de Zaratustra [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 14]. * “Wille und Welle”. * Identidade entre ondas e vontade humana. * Aprovação afirmativa do fluxo. * A palavra final de Nietzsche aponta para o repúdio da Vontade e do ego volitivo, superados pelo super-homem que redime o querer e afirma o ser mediante o dizer sim e o Amém de Zaratustra [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 14]. * Superação de causa e efeito. * “Desviar o olhar” como única negação. * Bendizer e afirmar o que é. * O pensador que abandona a VONTADE DE POTÊNCIA para deixar-ser assume a posição do Eu autêntico de Ser e Tempo que ouve o chamado do Ser e atua como contracorrente do fluxo dominado pela vontade destrutiva [Arendt, Vida do Espírito II O Querer 15]. * Substituição do chamado da Consciência pelo chamado do Ser. * Abandono do In-sich-handeln-lassen. * Destrutividade inerente ao querer. {{tag>Arendt vontade-de-poder}}