====== LIBERDADE (LM) ====== //ARENDT, Hannah. A Vida do Espírito. Tr. Antônio Abranches e Cesar Augusto R. de Almeida e Helena Martins. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2000 [ARENDTVE] / The Life of the Mind: the Groundbreaking Investigation on How We Think. Boston: Houghton Mifflin Harcourt, 1981 [LM]// * A distinção kantiana entre Vernunft e Verstand delimita a visão como diferença entre pensar e conhecer, separando o interesse pelo significado da busca de cognição verificável e libertando o pensamento para além do conhecimento sem fundá-lo na fé [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar Introdução] * Vernunft como razão especulativa voltada às ideias de Deus, LIBERDADE e imortalidade * Verstand como intelecto ligado à experiência sensível e à cognição * Separação entre significado e conhecimento * Libertação do pensamento para além dos limites do mundo dado aos sentidos * A centralidade kantiana de Erscheinung e Schein redefine a visão do mundo como esfera de aparências e introduz a coisa-em-si como limite do aparecer, situando as ideias da razão como pensáveis mas não cognoscíveis [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 6] * Coisa-em-si como aquilo que é sem aparecer * Ideias de Deus, LIBERDADE e imortalidade como incognoscíveis e necessárias ao pensamento * Distinção entre aparecer à experiência e ser pensado * Mundo compreendido como mundo de aparências * A analogia entre a atividade cerebral e a visão fundamenta a objetividade e sustenta a possibilidade de verdade teórica, distinguindo necessidade natural e contingência e reservando à LIBERDADE o oposto da necessidade [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 8] * Matemática como atividade abstrata capaz de guiar a ciência * Intelecto sob o domínio da natureza segundo Duns Scotus * Contingência de tudo o que aparece aos mortais * LIBERDADE como oposto da necessidade * A distinção kantiana entre pensamento especulativo e conhecimento sensível amplia a compreensão da visão intelectual e prepara a separação entre verdade cognitiva e atividade pensante, influenciando Fichte, Schelling e Hegel [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 8] * Intuição como relação imediata com objetos * Vernunfterkenntnis como noção problemática * Liberação do pensamento especulativo * Idealismo alemão apagando a fronteira entre pensar e conhecer * A equação kantiana entre razão e finalidade associa visão de significado a propósito e intenção, mas é tensionada pela afirmação de que a razão pura ocupa-se apenas de si mesma [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 8] * Unidade formal como unidade com propósito * Interesse da razão por Deus, LIBERDADE e imortalidade * Pequena utilidade prática das investigações transcendentais * Autorreferência da razão pura * A dificuldade de localizar o pensamento e a vontade revela a ausência de um topos claro para a visão intelectual, contrastando a interioridade cristã com a imagem platônica da região luminosa do filósofo [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 11] * Interioridade ligada à descoberta da Vontade * Platão no Sofista e a região do filósofo * Oposição entre escuridão do Não-ser e luminosidade do divino * Pensamento como deslocamento do mundo sensível * A visão, segundo Jonas, constitui metáfora-guia do espírito pensante por instaurar distância, objetividade e permanência, fornecendo base sensível para a ideia do eterno e da LIBERDADE de escolha [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 13] * Distância entre sujeito e objeto * Conceito de objetividade e theoria * Presente como dimensão de permanência * LIBERDADE derivada do não-ser capturado pelo objeto visto * A tradição metafísica privilegiou a visão do imutável e excluiu os assuntos humanos contingentes até que Hegel os integrou sob a necessidade do Espírito Absoluto [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 14] * Platão e as coisas sempre iguais * Exclusão dos negócios humanos por contingência * Hegel integrando história como necessidade * Filosofar como eliminação do acidental * A modelização filosófica de figuras históricas articula visão representativa que preserva realidade histórica e função exemplar, conforme Gilson ao tratar de Dante e Tomás de Aquino [Arendt, Vida do Espírito I O Pensar 17] * Transformação de figura histórica em tipo ideal * Representação preservando função simbólica * Tomás de Aquino e Siger de Brabante * Sócrates de Xenofonte como exemplo histórico {{tag>Arendt liberdade}}