===== Agamben (2015:274) – POTENTE-QUERENTE ===== Esse estatuto original do amor (mais precisamente da paixão) é reafirmado em uma passagem da Carta sobre o humanismo, cuja importância para o problema que aqui nos ocupa não poderia ser superestimada. Aqui, “amar” (lieben) é aproximado de [[termos:m:mogen:start|Mögen]] (que significa ao mesmo [[termos:t:tempo:start|tempo]] querer e poder), e este último termo é identificado com o ser, em uma perspectiva em que a categoria de potência-possibilidade é pensada de um modo inteiramente novo: Importar-se com uma coisa ou uma pessoa em sua essência quer dizer: amá-las (sie lieben), querê-las-podê-las (sie mögen), Esse mögen significa, se o pensarmos mais originariamente: fazer dom da essência. Tal mögen é a essência própria da potência (Vermögen) que não realiza apenas isto ou aquilo, mas deixa ser (wesen), isto é, deixa ser algo em sua proveniência. A potência do mögen é aquilo graças a que algo tem propriamente poder de ser. Essa potência é propriamente o possível (das eigentliche “[[termos:m:mogliche:start|Mögliche]]”), cuja essência reside no mögen (...) O ser enquanto o Potente-Querente (das Vermögende-Mögende) é o Pos-sível (das “Mö-gliche”). Enquanto elemento, é a “força imóvel” (die “[[termos:s:stille:start|Stille]] [[termos:k:kraft:start|Kraft]]”) da potência amante (des mögendes Vermögens), quer dizer, do possível. No âmbito da lógica e da metafísica, nossas palavras “possível” e “possibilidade” não são de fato pensadas senão em oposição à realidade, isto é, a partir de uma interpretação determinada — metafísica — do ser concebido como [[termos:a:actus:start|actus]] e potentia, oposição que se identifica com a de [[termos:e:existentia:start|existentia]] e de [[termos:e:essentia:start|essentia]]. Quando falo de “força imóvel do possível”, não pretendo dizer o possível de uma possibilitas apenas representada, nem a potentia como essentia de um actus da existentia, mas sim o próprio ser (GA9:[[termos:w:weg:start|Weg]]., 148). (AGAMBEN, Giorgio. A potência do pensamento. Ensaios e conferências. Tr. Antônio Guerreiro. Belo Horizonte: Autêntica, 2015) {{indexmenu>.#1|skipns=/^playground|^wiki/ nsonly}}