obra:ga76:historia-modernidade-3
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| obra:ga76:historia-modernidade-3 [27/06/2026 09:31] – created - external edit 127.0.0.1 | obra:ga76:historia-modernidade-3 [09/09/2026 05:16] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Historiografia e Modernidade (3) ====== | ||
| + | // | ||
| + | |||
| + | //Do âmbito da Besinnung (meditação) sobre a Neuzeit (modernidade) — Der Übergang (a transição)// | ||
| + | |||
| + | **A essência da Geschichte (história) ocidental e a Neuzeit (modernidade)** | ||
| + | |||
| + | **5. A Berechnung (cálculo) e o Abenteuerliche (aventuroso) como seu fenômeno acompanhante** | ||
| + | |||
| + | **O Unberechenbare (incalculável)** | ||
| + | * O Unberechenbare (incalculável) não é o arbitrário situado como limite de um cálculo qualquer, mas aquilo que já irrompe quando a Berechnung (cálculo) se torna essencial para o Menschsein (ser-homem) como Subjektum (sujeito) em relação ao Seiende im Ganzen (ente em sua totalidade). | ||
| + | * Aqueles que se tornaram servidores da Berechnung (cálculo), assumindo sua direção e condução, são inicialmente os menos atingidos pelo Unberechenbare (incalculável), | ||
| + | * O homem e o Unberechenbare (incalculável) afastam-se um do outro e, contudo, na Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn), caminham um em direção ao outro. | ||
| + | * A fuga diante do Unberechenbare (incalculável), | ||
| + | * Esse Kulturbetrieb (negócio cultural) assegura a si mesmo que não despreza os valores supremos, mas que é seu arauto. | ||
| + | * Tal ocupação retarda o curso próprio da época e a reconduz aos âmbitos do que já vinha sendo operado. | ||
| + | * No “Tempel der Kunst” (templo da arte), ou na “Kulturhalle” (sala da cultura) em Nürnberg (Nuremberg), | ||
| + | * O Tempel (templo) torna-se Einrichtung (instalação) dessa divinização sem deuses do Betrieb (negócio), configurando uma confusão inquietante, | ||
| + | * A sequência consequente das medidas mostra que todos os Führer (condutores) são também os conduzidos e coagidos, sem pressentir a direção coercitiva nem a coerção em sua essência metafísica. | ||
| + | * A Kunst (arte) e o Tempel (templo), unidos no desenraizamento de sua não-essência, | ||
| + | * Ainda que algo “nada ruim” seja produzido segundo a qualidade para preencher uma Einrichtung (instalação) como o Tempel der Kunst (templo da arte), nada historicamente essencial pode ser criado aí, porque tal fazer já bloqueou o espaço de onde as necessidades transformadoras poderiam atingir o homem. | ||
| + | * A primeira dessas necessidades seria a stimmende Macht (potência tonalizante) do próprio Unberechenbare (incalculável). | ||
| + | * Quando Berechnung (cálculo) e Planung (planejamento) se estendem a uma totalidade “sem restos”, o Unberechenbare (incalculável) é levado simultaneamente à maior proximidade e à figura do completamente ausente. | ||
| + | * Essa expansão começa quando antigas formas de Kultus (culto) e Kultur (cultura), historicamente crescidas e nascidas da necessidade do ser, como templos, lugares consagrados e campos de combate, são convertidas por conhecimentos históricos em instalações de Betrieb (negócio). | ||
| + | * Então ascende um tipo humano ambíguo e destrutivo que, com habilidade e diligência, | ||
| + | * Pertence à essência da Berechnung (cálculo) e da Planung (planejamento) necessitar e consolidar o Historismus (historicismo) em todos os campos, desenvolvendo como cálculo uma falsificação no estilo do Riesenhafte (gigantesco). | ||
| + | * Esses processos já se encontram fora das intenções e atitudes pessoais e já não podem ser objeto de Kritik (crítica). | ||
| + | * Mesmo compreendido isso, ainda faltam as condições para, dentro do domínio da Berechnung (cálculo), encontrar o Unberechenbare (incalculável) sem de imediato privá-lo de sua potência tonalizante por explicação e interpretação. | ||
| + | |||
| + | **6. A Kunst (arte)** | ||
| + | * A suposta superação do Ästhetizismus (esteticismo) do século XIX pela arte atual não garante a superação da Ästhetik (estética), | ||
| + | * Quando o Erlebnis (vivência) é retirado do desfrute individual dos estetas e generalizado para todos, a supremacia do Erlebnis (vivência) torna-se discretamente óbvia e mais resistente. | ||
| + | * O Ästhetizismus (esteticismo) aparece agora apenas como prelúdio tímido de uma instalação de massa, não como algo superado. | ||
| + | * A nova arte recorre a uma Aufgabe (tarefa) a que certas construções “servem”, | ||
| + | * O novo está na Berechnung (cálculo) instaladora, | ||
| + | * A questão decisiva não é se a Kunst (arte) é nova, mas se ainda possui necessidade originária. | ||
| + | * A decisão sobre a Kunst (arte) cai na essência do próprio Seyn (Ser), isto é, se a verdade necessitada por ele precisa da arte como Ins-Werk-setzung (pôr-em-obra) dessa verdade. | ||
| + | * O único dessa Entscheidung (decisão) reside nas condições de sua execução: libertação de todo Kunstbetrieb (negócio da arte), de todo conhecer histórico e de todas as “obrigações” históricas, | ||
| + | * Essa decisão exige o Wagnis der Irre (risco do erro) e da longa Unentscheidbarkeit (indecidibilidade). | ||
| + | * Exige também a coragem de passar sem “a arte”, isto é, sem aquilo que agora é possível como Kunstbetrieb (negócio da arte), e de arriscar para os homens essenciais a Seinsverlassenheit des Seienden (abandono do ente pelo ser) como verdade histórica. | ||
| + | * A distância em relação a essa decisão parece maior do que nunca, pois qualquer risco nesse sentido é previamente suspeitado como fraqueza e falta de confiança, sob apelo aos Leitbilder (modelos orientadores) “Schönheit” (beleza) e “Kraft” (força). | ||
| + | * O saber sobre a origem da Kunstwerk (obra de arte) nasce apenas da Besinnung (meditação) sobre o ponto decisivo único da Geschichte (história) ocidental: se a Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn) é gebraucht (necessitada/ | ||
| + | * A Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn) só é gebraucht (necessitada/ | ||
| + | |||
| + | **7. A Wissenschaft (ciência) como Betrieb (negócio/ | ||
| + | * A caracterização da Wissenschaft (ciência) como Betrieb (negócio/ | ||
| + | * A resistência a compreender o Betrieb (negócio/ | ||
| + | * O espaço dessa figura ainda está sobrecarregado por objetos e ornamentos do Gelehrtentum (eruditismo). | ||
| + | * Por isso, a palavra Betrieb (negócio/ | ||
| + | * As determinações essenciais da Forschung (pesquisa), como Entwurf (projeto), Strenge (rigor) e Verfahren (procedimento), | ||
| + | * A palavra Betrieb (negócio/ | ||
| + | * Betrieb (negócio/ | ||
| + | * Ele é impelido pelo que se torna Gegenstand (objeto) dentro do domínio objetual, não apenas por fatos isolados, mas pela conexão objetual configurada como problemas atuais. | ||
| + | * Os Probleme (problemas) determinam o Verfahren (procedimento) e o modo como o Seiende (ente) ainda se torna Gegenstand (objeto), bem como a maneira pela qual os objetos alcançam Stehen (posição) e Beständigkeit (constância). | ||
| + | * Os Probleme (problemas) são aquilo que é vorangetrieben (impulsionado adiante), pois apresentam o domínio como algo trabalhado de tal ou tal modo e só permitem a postura de levar o Vor-gestellte (representado) para além de si com ajuda do que já foi colocado à disposição. | ||
| + | * O que impulsiona e o ser-impelido residem na essência do Vor-stellen (representar), | ||
| + | * Para os Heutigen (atuais), a essência da Vor-stellung (representação) ainda é difícil de ver, porque, apesar da supremacia de Verfahren (procedimento) e Problem (problema), toda tentativa de Besinnung (meditação) ainda se orienta pelos resultados e pelo fixado. | ||
| + | * Como a essência da Vor-stellung (representação), | ||
| + | |||
| + | **8. Sobre a conferência “A fundamentação da Weltbild (imagem de mundo) moderna pela Metaphysik (metafísica)”** | ||
| + | * Poucos são capazes de experimentar na conferência aquilo que está aquém e além de “positivo” e “negativo”, | ||
| + | * Deve ser encontrado aquilo que irradia apenas do Anfang der Seinsgeschichte des Abendlandes (começo da história do ser do Ocidente). | ||
| + | * Deve ser apreendido aquilo que é sustentado pela Weisung (indicação) para a futura Entscheidung (decisão) pertencente a esse começo. | ||
| + | * Para isso talvez já seja necessário o Wissen vom anderen Wesen des Seyns (saber da outra essência do Seyn), que não pode ser transmitido, | ||
| + | * Na Neuzeit (modernidade) e por meio dela, o Unwesen (não-essência) da physis alcança desdobramento histórico, e o Sein (ser) inicial chega à Vollendung (consumação) de sua essência. | ||
| + | * Essa Vollendung (consumação) não é completude somável de determinações pensáveis, mas recolhimento da essência para o Endstoß (golpe final) do Übergang (transição) para o Outro. | ||
| + | * Tudo isso permanece distante de qualquer Aufhebung (suprassunção) dialética. | ||
| + | * Para compreender verdadeiramente a conferência a partir de sua Fragestellung (posição da questão), é preciso já ter realizado a superação da Metaphysik (metafísica) e perguntado a Seynsfrage (questão do Seyn). | ||
| + | * A conferência é, por sua vez, apenas o Anstoß (impulso) que deixa ressoar a necessidade e a indigência dessa superação. | ||
| + | * Para ouvi-la, é necessário renunciar ao jogo de Standpunkte (pontos de vista) e Ansichten (opiniões), | ||
| + | * É preciso começar a aprender a levar o Neuzeitliche (moderno) à manifestação de sua força essencial não encoberta, sabendo que esta geração é a que menos pode enganar-se se quiser estar à altura da tarefa que se concentra cada vez mais sobre ela. | ||
| + | * Deve-se renunciar ao falso zelo de atribuir, por meio de idealismos vazios, falsa Bedeutung (significação) como “kulturelle Werte” (valores culturais) ao que, em sua Riesenhaftigkeit (giganticidade), | ||
| + | * Isso exige a Leidenschaft der Nüchternheit (paixão da sobriedade), | ||
| + | * Ainda não se percebe a Leidenschaft der Nüchternheit (paixão da sobriedade) como Grundstimmung (tonalidade fundamental) determinante na assunção dominada da Forschung (pesquisa) como Haltung (postura). | ||
| + | * O sinal imediato dessa falta é a dificuldade de compreender o Betriebcharakter (caráter de negócio/ | ||
| + | * A sobriedade exige saber da necessidade desse Unberechenbare (incalculável) e da futura superação dessa Wissenschaft (ciência) por aquilo que ela mesma ajuda a consumar. | ||
| + | * Em vez da Leidenschaft der Nüchternheit (paixão da sobriedade), | ||
| + | * Sente-se proteção por ser indispensável, | ||
| + | * O prestígio da Hochschule (universidade) volta a crescer graças à Werbearbeit (trabalho publicitário), | ||
| + | * Toda Werbung (propaganda) é sinal de insegurança e falta de firmeza na essência. | ||
| + | * O desejo oculto é retornar ao antigo estado das Hochschulen (universidades) que brilhavam no brilho da Kultur (cultura), fugindo da Grundstimmung (tonalidade fundamental) já exigida pela essência da Forschung (pesquisa). | ||
| + | * Essa postura pode manter-se porque o Betrieb (negócio/ | ||
| + | * A incapacidade dos Wissenschaftler (cientistas) de extrair dos Grundvorgänge der Forschung (processos fundamentais da pesquisa) uma figura afinada do Menschsein (ser-homem) decorre sobretudo da Ungeschichtlichkeit (a-historicidade) da época histórica. | ||
| + | * Falta força para deixar a Geschichte (história) ocidental condensar-se nos acontecimentos mais simples, experimentá-los sempre de novo e perseverar nessas experiências. | ||
| + | * Também aqui o Durchschnitt (mediano) permanece na mesma Haltung (postura) dos Gelehrten (eruditos) das décadas de transição do século XIX para o XX, antes protegido pela Kultur (cultura) e agora pela participação na Volksgemeinschaft (comunidade do povo). | ||
| + | * Em ambos os casos há renúncia a crescer a partir da tarefa mais própria para dentro do todo e a arriscar algo incomum. | ||
| + | * As possibilidades internas são hoje mais fortes, conforme o estágio de desdobramento da Neuzeit (modernidade), | ||
| + | * A geração mais jovem parece entrar em nova forma de Genuss der Gelehrsamkeit (gozo da erudição), | ||
| + | * A descida ao ordinário é visível, pois o eruditismo dos anos 1890 ainda era recoberto por aparência de Bildung (formação), | ||
| + | |||
| + | **9. Historismus (historicismo)** | ||
| + | * A organização histórica da Geschichte (história) e a fuga inadvertida diante do Unberechenbare (incalculável) constituem o Historismus (historicismo), | ||
| + | * Ver tudo “historisch” (histórico-historiograficamente) significa julgar tudo como condicionado historicamente e escolher a partir de conhecimentos históricos, | ||
| + | * A não distinção entre historisch (histórico-historiográfico) e geschichtlich (historial) é ambígua. | ||
| + | * O Historismus (historicismo) ocorre quando a Geschichte (história) é apreendida a partir da Historie (historiografia). | ||
| + | * O essencial do Historismus (historicismo) está na Historie (historiografia) como Forschung (pesquisa) e Vorstellung (representação), | ||
| + | * A pergunta decisiva é quem obriga quem. | ||
| + | * Formalmente, | ||
| + | * O bom e o mau tornam-se apenas consequência indiferente e já incapaz de decisão. | ||
| + | * Historismus (historicismo) e Journalismus (jornalismo) pertencem ao mesmo horizonte de atualização calculadora. | ||
| + | * O Historismus (historicismo) calcula com o Vergangene (passado) e justamente assim planeja o Neue (novo), inclusive quando se exige que haja Kunst (arte). | ||
| + | * O Historismus (historicismo) existe também onde o cálculo se encobre e apenas uma coisa é fixada. | ||
| + | * Ele não é apenas relativização de muitas coisas na indiferença, | ||
| + | * A tentativa de escapar ao Historismus (historicismo) lançando-se de cabeça na Gegenwart (presença) adequada ao tempo fracassa porque essa presença também inclui as Planungen (planejamentos). | ||
| + | * Como a Gegenwärtigkeit (presentidade) é ainda mais modernamente representadora, | ||
| + | * Na Kunst (arte), o Historismus (historicismo) aparece quando se quer que haja “arte” em geral, quando a própria arte se torna objeto da festa e de sua instalação no Tempel (templo). | ||
| + | * A celebração da Kunst (arte) mostra que l’art pour l’art é apenas prelúdio. | ||
| + | * O Stil-denken (pensar em estilos) pertence ao ponto de decisão. | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
