obra:ga76:historia-modernidade-2
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| + | ====== Historiografia e Modernidade (2) ====== | ||
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| + | //Do âmbito da Besinnung (meditação) sobre a Neuzeit (modernidade) — Der Übergang (a transição)// | ||
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| + | **A essência da Geschichte (história) ocidental e a Neuzeit (modernidade)** | ||
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| + | **3. Der Übergang (a transição)** | ||
| + | * A Besinnung (meditação) sobre a Neuzeit (modernidade), | ||
| + | * A Lage (situação) histórica em que a Besinnung (meditação) apenas ocorre e o Standort (lugar) histórico que ela funda da-seinsmäßig (segundo o ser-aí) nunca coincidem. | ||
| + | * A Besinnung (meditação) sobre a Neuzeit (modernidade) delimita a menor amplitude histórica em que uma meditação sobre a Gegenwart (presente) deve se estender, exigindo renúncia tanto à censura míope quanto à glorificação previdente do atual. | ||
| + | * A necessidade essencial do que rompe ocultamente no presente deve ser afirmada por um Ja (sim) que recebe sua necessidade de um futuro Nein (não). | ||
| + | * Esse Ja (sim), cujo Ursprung (origem) permanece fechado em tal Nein (não), excede em força histórica todo Mitläufertum (seguidismo) do atual. | ||
| + | * Os preocupados com a Kultur (cultura), os corrosivos e os que se julgam “salvadores” só compreendem que um Nein (não) venha do Ja (sim), mas não que um Ja (sim) possa nascer do Nein (não). | ||
| + | * Para compreender que um Nein (não) pode ser mais originário que o Ja (sim), requer-se outro Standort (lugar) histórico e a força de caminhar no Übergang (transição). | ||
| + | * A Besinnung (meditação) sobre a Neuzeit (modernidade) é meditação sobre a Geschichte (história) ocidental, pois esta tem por fundamento essencial a saída do Seiende (ente) para a Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn), na qual a própria verdade se oculta e libera cada vez mais o ente para a abertura do Vor-gestellte (representado). | ||
| + | * A Besinnung (meditação) é Vor-denken (pensar antecipador) na essência do Seiende (ente) e na Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn) que aí se oculta. | ||
| + | * O Vor-denken (pensar antecipador) no Seyn (Ser) deve realizar o Überschritt (ultrapassagem) para o Ungegenständliche (não-objetual), | ||
| + | * A Besinnung (meditação) é histórica porque er-denkt (pensa fundantemente) o fundamento da Geschichte (história) ocidental, a Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn), e prepara a Entscheidung (decisão) sobre o Seyn (Ser). | ||
| + | * A Besinnung (meditação) é histórica porque, em sua necessidade própria e em sua essência, é coagida e singularizada pela Geschichte des Seyns (história do Seyn), isto é, pelo encobrimento de sua verdade. | ||
| + | * Quanto mais essencialmente a Geschichte (história) se reúne em sua própria essência, tanto mais definitivamente rejeita toda Historie (historiografia), | ||
| + | * A Geschichte (história) permanece na Einsamkeit (solidão), escolhe a Verschweigung (silenciamento) e obedece à longa raridade da obra. | ||
| + | * A Ungewöhnlichkeit (não habitualidade) dos destinos guarda a proximidade distante do Seyn (Ser). | ||
| + | * Na fundação da Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn), vigora a completa Stille (quietude) do maior Kampf (combate), o combate do último deus por sua dissipação no fogo da cisão entre Erde (terra) e Welt (mundo). | ||
| + | * Esse combate forja o homem que pertence ao Seyn (Ser) como Wächter (guardião) de seus instantes supremos. | ||
| + | * Ao lado dessa história, o homem histórico da Seinsverlassenheit (abandono do ser) continua a operar a duração de sua consumação cada vez mais vazia e celebra suas Einrichtungen (instalações) como conquistas, preservando apenas a aparência de segurança de si mesmo como Subjektum (sujeito) de todo Seiende (ente). | ||
| + | * Quando a Neuzeit (modernidade) se torna incondicionalmente histórica, quando nada permanece inacessível ao homem e tudo o que é acessível se transforma em Einrichtung (instalação), | ||
| + | * A Besinnung (meditação) sobre a Neuzeit (modernidade) é Erdenken des Seyns (pensar fundante do Seyn), e o Denken (pensar) é seynsgeschichtlich (histórico-ontológico). | ||
| + | * Essa Besinnung (meditação) torna-se um dos caminhos pelos quais o Denken (pensar) liberta o começo do pensamento ocidental de sua objetivação histórica e o torna fundamento da futura Denkstimmung (tonalidade do pensar). | ||
| + | * A Besinnung (meditação) sobre a Neuzeit (modernidade) nunca deve endurecer-se em Selbstbewußtsein (autoconsciência) da época, enquanto permanecer Mut zum Fragwürdigsten (coragem para o mais digno de questão). | ||
| + | * Ela deve forçar os fortes da época ao saber da necessária Zweideutigkeit (ambiguidade) de seu criar. | ||
| + | * Somente o Wesensnotwendige (necessário à essência) da época tem garantia de entrar em sua Vollendung (consumação) e, desde já, no impulso para o Übergang (transição). | ||
| + | * Quando a época se aproxima de sua Vollendung (consumação) essencial, ela empurra ao primeiro plano de sua Öffentlichkeit (publicidade) aqueles que são apenas seus expoentes, anunciadores e arranjadores históricos. | ||
| + | * Os homens historicamente essenciais atuam no Unbekannte und Unauffällige (desconhecido e discreto), e sua dimensão pública não é seu essencial. | ||
| + | * A Besinnung (meditação) os atinge primeiro e talvez por muito tempo apenas a eles, pois já lhes foi concedida a Zwiespältigkeit (cisão) necessária ao criar para além de si. | ||
| + | * O único no Übergang (transição), | ||
| + | * A Geschichte (história) é o Nein der Verweigerung (não da recusa), e nela estar significa não se esquivar dessa recusa por escapatórias históricas, | ||
| + | * Essa Not (necessidade) nasce da Notschaft des Gottes (necessitação do deus), pois o deus necessita do Zwischen (entre) no qual se volta contra o homem para ser remetido a si mesmo. | ||
| + | * A Verweigerung (recusa) é sustentada no aberto de sua Wesung (essenciação) pelo Verzicht (renúncia) às ajudas e reinterpretações historicamente capturáveis. | ||
| + | * Esse Verzicht (renúncia) é a força que desdobra a Not (necessidade) no Denken (pensar), Sagen (dizer) e Werken (obrar) dos Wächter des Seyns (guardiões do Seyn). | ||
| + | * Essa Wächterschaft (guarda) é entrada na Geschichte (história): | ||
| + | * Dar um Ziel (fim) ao Übergang (transição) seria sinal de não pertencer a ele, mas apenas de projetar historicamente o passado para o futuro. | ||
| + | * Enquanto o homem tem Ziele (fins), ele está apaziguado e afastado da Not des Gottes (necessidade do deus). | ||
| + | * O homem recua diante do Seyn (Ser) e promove nova lentificação da Entscheidung (decisão), tornando-se cada vez mais ávido por revoluções em que se movimenta na exploração sem limites da Welt (mundo) instalada. | ||
| + | * No Übergang (transição), | ||
| + | * Quando o Grund (fundamento) se torna grund-los (sem fundamento) como Ab-grund (abismo), a Verweigerung (recusa) é o Er-eignis (acontecimento apropriador). | ||
| + | * O Seyn (Ser) já não é acréscimo posterior ao Seiende (ente), mas Ursprung (origem) de sua Wahrheit (verdade). | ||
| + | * Essa é a preparação da Zeit des Seyns (tempo do Seyn). | ||
| + | * O Übergang (transição) é simultaneamente transformação da essência anterior do homem, não mera revolução no interior de sua antiga essência como animal rationale. | ||
| + | * A Be-stimmung (destinação) do homem é deslocada para o fundamento determinante que é o próprio Seyn (Ser), o qual, como Er-eignis (acontecimento apropriador), | ||
| + | * O Wandel (transformação) é Auswanderung (emigração) do homem para fora de sua essência anterior, abandonada apenas por um Ruck (arranco) essencial que o faz entrar na unidade de Ent-rückung (arrebatamento) do Da-sein (ser-aí). | ||
| + | * A última figura ainda em desdobramento final da essência humana anterior é o Subjektum (sujeito), de cujo círculo de fascínio o homem não pode sair por si mesmo quando o Selbst (si-mesmo) significa o impulso das instalações produzidas por ele para objetivar o Seiende (ente) como segurança do Subjektum. | ||
| + | * Para que o Ruck (arranco) aconteça como wesensgeschichtlich (histórico-essencial), | ||
| + | * O Ereignis (acontecimento apropriador) não pode ser pré-desenhado nem demonstrado no Seiende (ente). | ||
| + | * O que até agora valia para o Seiende (ente) continuará valendo para aqueles que levam o anterior à consumação e só são atingidos pelo que já foi historicamente calculado. | ||
| + | * Ao Stoß (choque) de que nasce o Ruck (arranco) essencial na Geschichte (história) do homem, este só pode corresponder por um Sprung (salto) no desprotegido e sem apoio do Da-sein (ser-aí). | ||
| + | * A Vereinzelung (singularização) criadora do indivíduo no Da-sein (ser-aí) já não pode ser medida por Subjektivismus (subjetivismo) ou Objektivismus (objetivismo). | ||
| + | * No Da-sein (ser-aí), cada olhar, passo, golpe e palavra permanece historicamente instado na Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn), como Notschrei des Jubels (grito de júbilo da necessidade) no fundamento intermédio da decisão que volta o deus ao homem e afasta o homem do deus. | ||
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| + | **4. O Denken des Seyns (pensar do Seyn) e a Geschichte (história)** | ||
| + | * Sabe-se o futuro, pressente-se o Gewesene (o que foi) e não se conhece o Gegenwärtige (presente). | ||
| + | * O futuro é sabido porque o Aufgegebene (tarefa confiada) está na Wahrheit (verdade), na medida em que é fundação da Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn), mas o ente vindouro não pode ser conhecido de antemão, pois tal conhecimento retiraria do homem a possibilidade do Schaffen (criar). | ||
| + | * O Gewesene (o que foi) é pressentido porque o Mitgegebene (dado juntamente) guarda como Seiende (ente) um Seyn (Ser) do qual já não se dispõe, embora ainda seja possível pensá-lo retrospectivamente. | ||
| + | * Esse pressentimento é necessário para que o Anfängliche (inicial) da proveniência cresça sobre a própria Gegenwart (presença) e a insira na necessidade do Seyn (Ser). | ||
| + | * O Gegenwärtige (presente) não é conhecido porque o Vorhandene (simplesmente presente) permanece como o anterior na figura do que deve ser alterado para o próximo, ocultando o Augenblick (instante) transitivo da Geschichte (história). | ||
| + | * O Gegenwärtige (presente), entendido como Vorhandene (simplesmente presente), afasta com máxima força aquilo que propriamente acontece nessa Zeit (época). | ||
| + | * As providências tomadas na Gegenwart (presença) de primeiro plano nunca fazem a Geschichte (história), | ||
| + | * O saber pressentidor e não conhecedor prepara outra Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn), na qual a própria verdade se torna Not (necessidade) de fundação e o Seyn (Ser) é experimentado como originariamente histórico. | ||
| + | * O Denken (pensar) não se torna histórico por causa da Historie (historiografia), | ||
| + | * Em Hegel, a Geschichte (história) é incluída na Systematik (sistemática), | ||
| + | * Hegel aparece como necessário apenas na unidade dos graus de sua sistemática absoluta, e seu Denken (pensar) é histórico apenas porque absolutiza a Historie (historiografia) e calcula a Geschichte (história) dialeticamente. | ||
| + | * No século XIX, surge a questão do vínculo entre Denken (pensar) e Historie (historiografia), | ||
| + | * Diferentemente de Hegel, Nietzsche traz a Geschichte (história) para uma conexão interna com seu Denken (pensar), pois este o força para dentro da história como Geschichte des Ideals (história do ideal) e da Moral (moral). | ||
| + | * O Denken (pensar) de Nietzsche não apenas inverte o Ideal (ideal), mas busca eliminá-lo, | ||
| + | * Nietzsche pensa em largas extensões de modo weltanschaulich (cosmovisional), | ||
| + | * Com Wille zur Macht (vontade de poder) e ewige Wiederkehr (eterno retorno), Nietzsche alcança parcialmente o âmbito metafísico, | ||
| + | * O Denken (pensar) só se torna geschichtlich (histórico) quando consegue pensar o Seyn (Ser) a partir da Wahrheit des Seyns (verdade do Seyn), isto é, o Er-eignis (acontecimento apropriador), | ||
| + | * Em vez do System (sistema), esse saber exige Besinnung (meditação) e desloca o homem para o reino dos Untergänge (declínios). | ||
| + | * A Geschichte (história) é o ausbleiben des Seyns (ausentar-se do Seyn) e a queda do homem na fenda aberta por esse ausentar-se em sua quietude. | ||
| + | * Só um Denken des Seyns (pensar do Seyn) que pensa os Augenblicke (instantes) históricos da Wesung des Seyns (essenciação do Seyn) como decisões necessárias no Seiende (ente) ainda merece chamar-se Denken (pensar). | ||
| + | * A renúncia à aparência fácil da filosofia anterior é dura. | ||
| + | * A obra restante é simples e pequena em extensão, mas sua preparação silenciosa consumirá os melhores. | ||
| + | * Esse Denken (pensar) exige de seus pensadores e precursores rigor desconhecido, | ||
| + | * A Einfachheit des Da-seins (simplicidade do ser-aí) deve nascer tão decisivamente da essência do Seyn (Ser) que o homem fundado no Da-sein (ser-aí), com o qual se prepara o outro Anfang (começo), já não precise sequer de repulsão contra a Neuzeit (modernidade). | ||
| + | * Até a repulsão mais dura manteria dependência do anterior e insegurança no próprio. | ||
| + | * O risco de opor o Einfache (simples) ao Riesenhafte (gigantesco) é produzir mal-entendidos, | ||
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