obra:ga65:temas:visao-de-mundo
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| + | ===== VISÃO DE MUNDO (WELTANSCHAUUNG) ===== | ||
| + | Weltanschauung | ||
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| + | O aceno já frequentemente reiterado, segundo o qual o “cuidado” só pode ser pensado na região inicial da questão do ser e não como uma visão qualquer, pessoalmente casual, marcada pela “**VISÃO DE MUNDO**” e por uma determinação “antropológica”, | ||
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| + | Se falamos de deus e de deuses, pensamos segundo um longo hábito da representação sob a forma que é indicada pelo nome que, naturalmente, | ||
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| + | A “**VISÃO DE MUNDO**” dirige a experiência para uma via determinada e para a sua esfera, até o ponto sempre em que a **VISÃO DE MUNDO** nunca é colocada em questão; a **VISÃO DE MUNDO** estreita e impede, por isto, a experiência propriamente dita. Esta é a sua força, visto a partir dela. A filosofia abre a experiência. Por isto, contudo, ela não consegue fundar precisamente de maneira imediata a história. **VISÃO DE MUNDO** é sempre um fim, na maioria das vezes um fim longamente estendido e nunca sabido. Filosofia é sempre um início e exige a superação de si mesma. **VISÃO DE MUNDO** precisa recusar para si novas possibilidades, | ||
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| + | O que se esconde como um resíduo autêntico verdadeiro no pensamento da filosofia “científica” (cf a concepção profunda em Fichte e Hegel) é o seguinte: com base e em consequência da ideia do saber como certeza (certeza de si), fundamentar e construir o sabível de maneira uniformemente sistemática (matemática). Ainda vive nesse intuito da filosofia “científica” um ímpeto da própria filosofia, para salvar a sua coisa mais própria em face da arbitrariedade da opinião estruturada em termos de **VISÃO DE MUNDO** que vem a ser de modo arbitrário e em face do tipo necessariamente restritivo e imperioso da **VISÃO DE MUNDO** em geral. Pois mesmo na **VISÃO DE MUNDO** “liberal” encontra-se ainda esse elemento presunçoso no sentido de que ela exige que deixemos cada um ter sua opinião. A arbitrariedade, | ||
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| + | “**VISÃO DE MUNDO**”, exatamente como o domínio de “imagens de mundo”, é uma planta da Modernidade, | ||
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| + | “**VISÃO DE MUNDO**” é sempre “maquinação” em face do que é legado pela tradição para a sua superação e controle com os meios que lhe são próprios e que são por ela preparados, mas que não chegaram a alcançar um equilíbrio – tudo levado para o cerne da “vivência”. Filosofia tem como fundação da verdade do seer a origem nela mesma; ela precisa retornar a si mesma naquilo que ela funda e e-dificar unicamente a partir daí. Filosofia e **VISÃO DE MUNDO** são tão incomparáveis, | ||
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| + | O “domínio” velado, mas vivido até o fim, das igrejas, o caráter corrente e a acessibilidade das “visões de mundo” para as massas (como substitutivo do “espírito” há muito prescindido e da referência às “ideias”), | ||
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| + | A essência maquinadora-vivencial da **VISÃO DE MUNDO** impõe a reconfiguração das respectivas visões de mundo a oscilar de cá para lá nas mais amplas oposições e, por isto, a se cristalizar também respectivamente em equilíbrios. O fato de a “**VISÃO DE MUNDO**” poder ser precisamente a questão mais própria do particular e de sua respectiva experiência vital, assim como de ela apontar para a formação mais própria de opiniões; o fato de, em contrapartida, | ||
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| + | Toda e qualquer postura, que requisite para si a determinação e a regulação de todo tipo de agir e de pensar, precisa computar ainda incontornavelmente aquilo que poderia vir à tona para além daí como necessidade como estando entre o que se mostra como opositor e mesmo degradador. Como é que deveria ser possível chegar também a uma **VISÃO DE MUNDO** “total”, | ||
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| + | Só o questionamento e a decisão para a questionabilidade podem ser contrapostos à “**VISÃO DE MUNDO**”. Toda e qualquer tentativa de mediação – de onde quer que essa tentativa possa vir – enfraquece os posicionamentos e afasta a possibilidade do âmbito da luta autêntica. (tr. Casanova; GA65: 14) | ||
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| + | Ora, mas mesmo a filosofia e ela antes de tudo não tem a pretensão ao “total”? | ||
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| + | Caso aconteça essa segunda opção, então todas as experiências e realizações não serão levadas a termo senão como expressão da “vida” segura de “si mesma” e consideradas, | ||
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| + | Será que a decisão é capaz de trazer consigo mais uma vez a fundação dos sítios instantâneos para a fundação da verdade do seer ou será que tudo se desdobrará ainda como “luta” em torno das puras condições do prosseguimento da vida e do esgotamento da vida em dimensões gigantescas, | ||
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| + | O fato de ainda se transformar hoje e até mesmo uma vez mais a “antropologia” no ponto central da escolástica da **VISÃO DE MUNDO** mostra de maneira mais penetrante do que qualquer comprovação histórica as dependências para as quais as pessoas estão se preparando ainda uma vez, na medida em que elas se recolocam sobre o solo de Descartes. Que visual a antropologia porta nesse caso, se um visual iluminista e moral, se um psicológico e científico-natural, | ||
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| + | Nisso reside ao mesmo tempo: a meditação assim configurada sobre a ciência ainda é a única meditação filosoficamente possível, contanto que a filosofia já se movimente na transição para o outro início. Todo e qualquer tipo de fundamentação científico-teórica (transcendental) se tornou tão impossível quanto uma “dotação de sentido”, que atribui à ciência presente à vista e, com isso, não alterável em sua consistência essencial, tanto quanto ao seu funcionamento, | ||
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| + | 10) Na medida em que “a ciência” tem na investigação integral de sua região a única tarefa que lhe é própria, a ciência mesma porta em si o traço de uma elevação da posição de primado do avanço e do procedimento em face da própria região de objetos. A questão decisiva para a ciência enquanto tal não é que caráter essencial tem o ente mesmo que se acha à base da sua região de objetos, mas se com esse ou com aquele procedimento é possível esperar por um “conhecimento”, | ||
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| + | 18) A forma oposta moderna em relação à ciência “experimental” é a “historiologia” que cria a partir de “fontes” e sua subespécie, | ||
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| + | A transição para o outro início realiza uma cesura, que há muito não se dá mais entre direções da filosofia (idealismo – realismo etc.) ou mesmo entre posturas da “**VISÃO DE MUNDO**”. A transição cinde a emergência do seer e a fundação de sua verdade na existência de toda ocorrência e apreensão do ente. (tr. Casanova; GA65: 89) | ||
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| + | Para além das forças contrárias, | ||
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| + | A filosofia é “ciência”, | ||
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| + | 10) Mas não é apenas o Cristianismo e sua interpretação do “mundo” que encontrou aqui o seu quadro e o prelineamento de sua constituição, | ||
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| + | Nada é aqui pressentido da incomparabilidade da posição fundamental no outro início. Que o salto, aqui como pergunta acerca da essência da verdade mesma, traz pela primeira vez o homem para o interior do campo de jogo do acometimento e da permanência de fora da chegada e da fuga dos deuses. O outro início não pode querer senão isso. Computado a partir do que se teve até aqui, isso significa a recusa a uma validade e a um emprego no sentido de uma “**VISÃO DE MUNDO**”, de uma “doutrina” e de um anúncio. (tr. Casanova; GA65: 119) | ||
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| + | O que é previamente pensado com isso no contexto de Ser e tempo e só aí, isto é, o que é previamente pensado em termos de uma “ontologia fundamental”, | ||
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| + | O ser para a morte precisa ser concebido como determinação do ser-aí e apenas assim. Aqui se realiza a mensuração mais extrema da temporalidade e, com isso, a referência do espaço da verdade do seer, a indicação do tempo-espaço. Portanto, não para negar o “seer”, mas sim para instituir o fundamento de sua afirmabilidade plena e essencial. Como é mesquinho e barato, porém, extrair a palavra “ser para a morte”, dispor sobre ela uma “**VISÃO DE MUNDO**” tosca e, então, colocá-la em Ser e tempo. Aparentemente, | ||
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| + | Em termos de “**VISÃO DE MUNDO**”, o ser para a morte permanece inacessível; | ||
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| + | Quando cheguei a determinações tais como: o ser-aí é ao mesmo tempo na verdade e na não-verdade, | ||
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| + | O desprendimento da filosofia dos enredamentos na fundamentação da ciência, na interpretação cultural, na servidão à **VISÃO DE MUNDO**, na metafísica como a sua própria essência primeira que se degrada em inessência é apenas a consequência do outro início e só pode ser dominado verdadeiramente como tal consequência. O outro início é a assunção mais originária da essência velada da filosofia, que emerge ela mesma da essência do seer e, de acordo com a respectiva pureza da origem, permanece próximo da essência da decisão do pensar “do” seer. (tr. Casanova; GA65: 259) | ||
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| + | A negação do ser aos “deuses” só significa de início que o ser não se encontra “acima” dos deuses; mas também que esses não se encontram “acima” do ser. Com certeza, porém, “os deuses” necessitam do seer, com cuja sentença já é pensada a essência “do” seer. “Os deuses” precisam do seer não como a sua propriedade, | ||
| + | Na medida, porém, em que os deuses e o homem ganham a contra-posição na indigência do seer, o homem é jogado para fora de sua posição até aqui, modernamente ocidental, sendo colocado em uma posição aquém de si mesmo em espaços de determinação completamente diversos, nos quais a animalidade tanto quanto a racionalidade não têm como assumir uma posição essencial, por mais que, no futuro, a constatação dessas propriedades junto ao homem presente à vista tenham a sua correção (ainda que seja sempre preciso perguntar quem são aqueles que acham algo assim correto e até mesmo constroem com vistas a tais correções “ciências” como a biologia e a doutrina das raças e estabelecem ao mesmo tempo com isso supostamente os fundamentos da “**VISÃO DE MUNDO**”; o que é sempre a ambição de toda e qualquer “**VISÃO DE MUNDO**”). Com o projeto do seer como acontecimento apropriador também se pressente pela primeira vez o fundamento e, com isso, a essência e o espaço essencial da história. A história não é nenhum privilégio do homem, mas é a essência do próprio seer. A história só se desenrola no entre da contraposição dos deuses e do homem como o fundamento da contenda de mundo e terra; e ela não é outra coisa senão o acontecimento da apropriação desse entre. A historiologia nunca alcança, por isso, a história. A diferenciação entre o seer e o ente é uma de-cisão tomada a partir da essência do próprio seer que se estende muito para além, uma de-cisão que só pode ser pensada assim. (tr. Casanova; GA65: 268) | ||
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