obra:ga65:temas:ser-ai-e-homem
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| obra:ga65:temas:ser-ai-e-homem [25/08/2026 05:09] – created - external edit 127.0.0.1 | obra:ga65:temas:ser-ai-e-homem [25/08/2026 08:34] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ===== SER-AÍ E HOMEM ===== | ||
| + | Da-sein – Mensch | ||
| + | |||
| + | Por vezes, aqueles fundadores do abismo precisam ser consumidos no fogo do que se guarda, para que o **SER-AÍ** venha a ser possível para o **HOMEM** e, assim, seja salva a constância em meio ao ente, para que o ente mesmo experimente a restauração no aberto da contenda entre terra e mundo. Consequentemente, | ||
| + | |||
| + | Ninguém compreende o que “eu” penso aqui: deixar o **SER-AÍ** eclodir a partir da verdade do seer (e isso significa a partir da essenciação da verdade), para fundar aí o ente na totalidade e enquanto tal; e, em meio à sua fundação, o **HOMEM**. (tr. Casanova; GA65: 2) | ||
| + | |||
| + | A retenção, o meio afinador do espantar-se e do pudor, o traço fundamental da tonalidade afetiva fundamental, | ||
| + | |||
| + | Ser o que busca, o que vela, o que guarda – isto significa o cuidado enquanto traço fundamental do **SER-AÍ**. Em seu nome reúne-se a determinação do **HOMEM**, na medida em que ele é concebido a partir de seu fundamento, isto é, a partir do **SER-AÍ**, | ||
| + | |||
| + | Toda e qualquer denominação da tonalidade afetiva fundamental por meio de uma única palavra fixa-se sobre uma opiniáo equivocada. Toda e qualquer palavra é sempre retirada do que é legado pela tradição. O fato de a tonalidade afetiva fundamental do outro início precisar ser dotada de muitos nomes não contesta sua simplicidade, | ||
| + | |||
| + | O acontecimento apropriador se sobrepõe apropriadoramente ao deus no **HOMEM**, na medida em que ele se apropria do **HOMEM** para o deus. Essa apropriação sobre-apropriada em meio ao acontecimento é o acontecimento apropriador, | ||
| + | |||
| + | Se o saber como resguardo da verdade do verdadeiro (da essência da verdade no **SER-AÍ**) distingue o **HOMEM** (em face do animal racional até aqui) e o eleva ao nível da vigilância do seer, então o saber mais elevado é aquele que é suficientemente forte para ser a origem de uma abdicação. A renúncia é naturalmente considerada por nós como fraqueza e como transigência, | ||
| + | |||
| + | O que é concebido é aqui originariamente a “quintessência” e essa em primeiro lugar e sempre referida à conexão que acompanha a viragem em direção ao cerne do acontecimento apropriador. De início, o caráter paradigmático pode ser indicado por meio da ligação, que todo e qualquer conceito de ser enquanto conceito, isto é, em sua verdade, tem com o **SER-AÍ** e, com isto, com a insistência do **HOMEM** histórico. Na medida, contudo, em que o **SER-AÍ** só se funda como pertencimento à conclamação na viragem do acontecimento apropriador, | ||
| + | |||
| + | O olhar que se volta para nós é realizado a partir do salto prévio no **SER-AÍ**. Para a primeira meditação, | ||
| + | |||
| + | (As decisões) Sobre se o **HOMEM** quer permanecer “sujeito” ou se ele funda o **SER-AÍ** – Sobre se com o sujeito o “animal” enquanto a “substância” e o “racional” enquanto a “cultura” devem permanecer duradouramente ou se a verdade do seer (ver abaixo) encontra no **SER-AÍ** um sítio deveniente – Sobre se o ente toma o ser como o seu “elemento maximamente genérico” e, com isso, o entrega à e soterra na ontologia ou se o seer em sua unicidade ganha voz e atravessa de maneira afinadora o ente enquanto algo singular. Sobre se a verdade como correção se degenera na certeza da re-presentação e na segurança do cálculo e da vivência ou se a essência inicialmente infundada da aletheia encontra um fundamento como a clareira do encobrir-se – Sobre se o ente enquanto o que há de mais óbvio solidifica tudo o que é médio, pequeno e mediano em meio à sua transformação em algo racional ou se o que há de mais questionável constitui a solidez integral do seer – Sobre se a arte é uma instituição vivencial ou se ela é o pôr em obra da verdade. Sobre se a história é degradada e transformada em arsenal das confirmações e das antecipações ou se ela desponta como a cordilheira das montanhas estranhas e inescaláveis – Sobre se a natureza é rebaixada a uma região de espoliação pelo cálculo e pelo erigir e se transforma, assim, em ocasião de “vivência” ou se ela suporta como a terra que se cerra o aberto do mundo sem imagem. Sobre se a desdeização do ente na cristianização da cultura festeja seus triunfos ou se a indigência da indecidibilidade sobre a proximidade e a distância dos deuses prepara um espaço de decisão – Sobre se o **HOMEM** ousa o seer e, com isso, o ocaso ou se ele se satisfaz com o ente – Sobre se o **HOMEM** em geral ainda ousa a decisão ou se ele se entrega a ausência de toda decisão, que sugere a época como estado da “mais elevada” “atividade”. Todas essas decisões, que são ao que parece muitas e diversas, se reúnem em uma e única: saber se o seer se retrai definitivamente ou se essa retração se torna enquanto recusa a primeira verdade e o outro início da história. (tr. Casanova; GA65: 44) | ||
| + | |||
| + | No que o abandono do ser se anuncia: 1) A completa insensibilidade em relação ao múltiplo naquilo que é considerado essencial; plurissignificância provoca a perda de força e a má vontade em relação à decisão real e efetiva. Por exemplo, tudo o que significa a palavra “povo”: o elemento comunitário, | ||
| + | |||
| + | 23) O platonismo, em seu domínio manifesto e velado, voltou o ente na totalidade, tal como ele foi considerado e determinado no transcurso da história ocidental, para uma determinada constituição, | ||
| + | |||
| + | No outro início, porém, o ente é de tal modo, para que ele suporte ao mesmo tempo a clareira na qual se encontra imerso, clareira essa que se essencia como clareira do encobrir-se, | ||
| + | |||
| + | O salto é o re-saltar da prontidão para o pertencimento ao acontecimento apropriador. Acometimento e permanência de fora da chegada e da fuga dos deuses, o acontecimento apropriador, | ||
| + | |||
| + | O seer precisa ser pensado a partir de uma exposição a esse extremo. Assim, porém, ele se clareia como o que há de mais finito e rico, como o que há de mais abissal de sua própria intimidade. Pois o seer não é jamais uma determinação do próprio deus, mas o seer é aquilo que precisa da deização do deus, a fim de permanecer, contudo, completamente diferente dessa deização. O ser (tal como a entidade da metafísica) não é nem a determinação mais elevada e mais pura do theion, de Deus e do “absoluto”, | ||
| + | |||
| + | No lugar da sistemática e da dedução entra em cena a prontidão histórica para a verdade do seer. E isso exige anteriormente que essa verdade mesma crie já a partir de seu saber que quase não ressoa os traços fundamentais de seus sítios (o **SER-AÍ**), | ||
| + | |||
| + | O estremecimento dessa vibração na viragem do acontecimento apropriador é a essência velada do seer. Esse encobrimento se clareia como encobrimento apenas na mais profunda clareira dos sítios do instante. O seer “precisa”, | ||
| + | |||
| + | O seer e a essenciação de sua verdade são do **HOMEM**, na medida em que ele vem a ser insistentemente como **SER-AÍ**. Mas isso significa ao mesmo tempo: o seer não se essencia pela graça do **HOMEM**, pelo fato apenas de que o **HOMEM** ocorre. (tr. Casanova; GA65: 143) | ||
| + | |||
| + | A origem da contenda a partir da intimidade do não no seer! Acontecimento apropriador. A intimidade do não no seer: pertencente em primeiro lugar à sua essenciação. Por quê? Ainda se pode perguntar assim? Se não, por que razão não? A intimidade do não e o contencioso no ser: isso não é a negatividade de Hegel? Não, e, porém, Hegel, como já tinha acontecido com O sofista de Platão e, antes dele, com Heráclito, experimentou algo essencial de um modo mais essencial e, contudo, uma vez mais, de forma diversa, algo essencial, mas suspenso no saber absoluto; a negatividade está aí apenas para desaparecer e colocar em curso o movimento da suspensão. Precisamente não a essenciação. Por que não? Porque o ser é determinado como entidade (realidade efetiva) a partir do pensar (saber absoluto). Não isto e isto em primeiro lugar e sozinho é que é válido, o fato de que mesmo a contra-parte “é” e os dois se compertencem, | ||
| + | |||
| + | A abertura do fosso abissal tem sua primeira e mais ampla mensuração na necessidade do deus em uma direção e no pertencimento (ao seer) do **HOMEM** segundo a outra direção. Aqui se essenciam os precipícios do deus e a subida do **HOMEM** como aquele que é fundado no **SER-AÍ**. A abertura do fosso abissal é o alijamento interior incalculável do acontecimento da apropriação, | ||
| + | |||
| + | O acontecimento apropriador se apropria do deus para o **HOMEM**, na medida em que atribui apropriadoramente o **HOMEM** ao deus. No acontecimento apropriador, | ||
| + | |||
| + | A unicidade da morte no **SER-AÍ** do **HOMEM** pertence à determinação originária do **SER-AÍ**, | ||
| + | |||
| + | O ser para a morte precisa ser concebido como determinação do **SER-AÍ** e apenas assim. Aqui se realiza a mensuração mais extrema da temporalidade e, com isso, a referência do espaço da verdade do seer, a indicação do tempo-espaço. Portanto, não para negar o “seer”, mas sim para instituir o fundamento de sua afirmabilidade plena e essencial. Como é mesquinho e barato, porém, extrair a palavra “ser para a morte”, dispor sobre ela uma “visão de mundo” tosca e, então, colocá-la em Ser e tempo. Aparentemente, | ||
| + | |||
| + | (**SER-AÍ**) Não aquilo que simplesmente poderia ser de antemão encontrado junto ao **HOMEM** presente à vista, mas o fundamento necessitado a partir da experiência fundamental do seer como acontecimento apropriador, | ||
| + | |||
| + | O **SER-AÍ** no sentido do outro início, que pergunta sobre a verdade do seer, nunca tem como ser alcançado como o caráter do ente que vem ao encontro e se mostra como presente à vista; mas também não como o caráter do ente, que deixa tal ente se tornar um objeto e se encontrar em relações com ele; o **SER-AÍ** também não é nenhum caráter do **HOMEM**, como se por assim dizer só o nome que se estendia a todo ente fosse restrito ao papel de designação para o ser presente à vista do **HOMEM**. Não obstante, o **SER-AÍ** e o **HOMEM** se encontram em uma ligação essencial, na medida em que o **SER-AÍ** significa o fundamento da possibilidade do ser humano futuro e o **HOMEM** é futuramente, | ||
| + | |||
| + | O **SER-AÍ** no sentido do outro início é o que nos é ainda completamente estranho, aquilo que nós nunca encontramos previamente dado, que só podemos ressaltar no salto para o interior da fundação da abertura do que se encobre, daquela clareira do seer, na qual o **HOMEM** futuro precisa se colocar, para mantê-la aberta. (tr. Casanova; GA65: 173) | ||
| + | |||
| + | O primeiro aceno para o **SER-AÍ** como fundação da verdade do seer é levado a termo (Ser e tempo) quando se atravessa a questão acerca do **HOMEM**, na medida em que o **HOMEM** é concebido como o projetor do ser e, assim, arrancado a toda e qualquer “antropologia”. Esse aceno poderia despertar e fortalecer a opinião equivocada de que o **SER-AÍ** só poderia ser compreendido nessa ligação com o **HOMEM**, se é que ele deve ser concebido de maneira essencial e plena. (tr. Casanova; GA65: 175) | ||
| + | |||
| + | Somente assim o seer entra em jogo plenamente como acontecimento apropriador e ainda não se mostra aí, tal como na metafísica, | ||
| + | |||
| + | “O ente”, porém, não é o “**HOMEM**” e o **SER-AÍ** o seu modo de ser (assim ainda levemente induzindo em incompreensões em Ser e tempo), mas o ente é o **SER-AÍ** como fundamento de um ser humano determinado, | ||
| + | |||
| + | **SER-AÍ** – o ser que distingue o **HOMEM** em sua possibilidade, | ||
| + | |||
| + | **SER-AÍ** – o que ao mesmo tempo sub-funda e ultrapassa o **HOMEM**. Por isto, o discurso acerca do **SER-AÍ** no **HOMEM** como acontecimento daquela fundação. No entanto, também se poderia dizer: o **HOMEM** no **SER-AÍ**. O **SER-AÍ** “do” **HOMEM**. (tr. Casanova; GA65: 176) | ||
| + | |||
| + | O estar ausente neste sentido em primeiro lugar, onde se dá o **SER-AÍ**. Ausente: o afastamento, | ||
| + | |||
| + | Falando em termos “formais”, | ||
| + | |||
| + | O projeto do **SER-AÍ** só é possível como inserção extasiante no **SER-AÍ**. O projeto que insere de maneira extasiante, porém, emerge apenas da docilidade em relação à junção fugidia mais velada de nossa história em meio à tonalidade afetiva fundamental da retenção. O instante essencial, imensurável em sua amplitude e profundidade, | ||
| + | |||
| + | Apesar disso, precisa ser possível uma indicação denominadora primeira do **SER-AÍ** e, com isso, para ele. Nunca, naturalmente, | ||
| + | |||
| + | Tal como se obtém facilmente a partir dessa indicação, | ||
| + | |||
| + | O **SER-AÍ** não conduz para fora do ente e não evapora o ente em uma espiritualidade, | ||
| + | |||
| + | Por que o **SER-AÍ** como o fundamento e o abismo do **HOMEM** histórico? Por que não uma mudança imediata do **HOMEM** e por que é que ele não deve permanecer como ele é? Como ele é, afinal? Isso se deixa fixar? A partir de onde? Que avaliação segundo que critérios de medida? (tr. Casanova; GA65: 194) | ||
| + | |||
| + | O pertencimento ao seer, contudo, só se essencia porque o ser em sua unicidade precisa do **SER-AÍ** e se funda nele, fundando ao mesmo tempo o **HOMEM**. Nenhuma verdade se essencia de outra forma. De outro modo, reina apenas o nada na figura mais insidiosa da proximidade do “realmente efetivo” e “vivente”, | ||
| + | |||
| + | O **SER-AÍ**, | ||
| + | |||
| + | Quem é o **HOMEM**? Aquele que é usado pelo seer para a suportação da essenciação da verdade do seer. Usado assim, contudo, o **HOMEM** só “é” **HOMEM**, na medida em que ele está fundado no **SER-AÍ**, | ||
| + | |||
| + | O ser si mesmo é a essenciação do **SER-AÍ** e o ser si mesmo do **HOMEM** realiza-se apenas a partir da insistência no **SER-AÍ**. Costuma-se conceber o “si mesmo” por um lado na ligação de um eu “consigo”. Essa ligação é tomada como uma ligação representacional. E, por fim, a ipseidade daquele que representa é tomada com o representado enquanto essência do “si mesmo”. Neste caminho e em caminhos correspondentemente modulados, contudo, a essência do si mesmo nunca tem como ser alcançada. Pois, antes de tudo, não há nenhuma propriedade do **HOMEM** presente à vista e, com a consciência do eu, só há uma propriedade aparente. De onde vem essa aparência é algo que só pode ser clarificado a partir da essência do si mesmo. (tr. Casanova; GA65: 197) | ||
| + | |||
| + | Por meio daí, a aletheia é destacada de todo e qualquer ente, de modo tão decidido que, agora, a questão acerca de seu próprio seer, questão essa que se determina por meio dela mesma e a partir de sua essenciação, | ||
| + | |||
| + | Mesmo essa meditação não pode senão indicar que algo necessário ainda não foi concebido e captado. Esse elemento necessário, | ||
| + | |||
| + | Uma questão decisiva: a essenciação da verdade é fundada no **SER-AÍ** como clareira para o encobrir-se ou é a essenciação da verdade mesma o fundamento para o **SER-AÍ** ou as duas coisas são válidas? E o que significa aí a cada vez “fundamento”? | ||
| + | |||
| + | A clareira para o encobrir-se clareia-se no projeto. A jogada do projeto acontece como **SER-AÍ**, | ||
| + | |||
| + | Nós voltamos para o tempo-espaço da decisão sobre a fuga e a chegada dos deuses. Mas como é que isso se dá? Será que uma coisa ou outra se tornará um acontecimento por vir? Será que uma coisa ou outra precisa determinar a expectativa construtiva? | ||
| + | |||
| + | Se esse clamor do aceno extremo, a apropriação mais velada em meio ao acontecimento, | ||
| + | |||
| + | A recusa como a proximidade do que não pode ser desviado transforma o **SER-AÍ** no superado, o que quer dizer: ela não o abate, mas o arranca e o eleva até o nível da fundação de sua liberdade. No entanto, se um **HOMEM** pode dominar as duas coisas, o suportar da ressonância do acontecimento apropriador como recusa e a execução da transição para a fundação da liberdade do ente enquanto tal, para a renovação do mundo a partir da salvação da terra, quem poderia decidir e saber sobre isso? E, assim, restam com certeza aqueles que se consomem em tal história e em sua fundação, sempre cindidos uns dos outros, o ápice das montanhas mais isoladas. (tr. Casanova; GA65: 256) | ||
| + | |||
| + | A distância extrema do último deus na recusa é uma proximidade única, uma ligação, que não pode ser deslocada e afastada por nenhuma “dialética”. A proximidade, | ||
| + | |||
| + | Nós precisamos preparar a fundação da verdade, e isso dá a impressão de que a dignificação e, com isso, a guarda do último deus já estariam previamente determinadas. Nós precisamos ao mesmo tempo saber e nos manter junto ao fato de o abrigo da verdade em meio ao ente e, com isso, de a história da guarda do deus serem exigidos pela primeira vez pelo próprio deus e do modo como ele precisa de nós como fundadores do **SER-AÍ**; | ||
| + | |||
| + | O seer como o que há de mais único e raro em contraposição ao nada terá se subtraído do elemento massificado do ente, e toda história só servirá, lá onde ela se estende às profundezas de sua própria essência, a essa subtração do ser em sua plena verdade. Tudo o que é público, porém, se ufanará em seus sucessos e colapsos e caçará a si mesmo, a fim de, ao seu modo, não saber nada daquilo que acontece. Somente entre esse ser massificado e os propriamente sacrificados é que serão buscados e encontrados os poucos e seus laços, a fim de pressentir o fato de que algo velado acontece para eles, aquele passar ao largo, apesar de toda corrosão de todo “acontecimento” em meio à rapidez, ao que é imediatamente manuseável de maneira completa e que precisa ser consumido sem restos. A inversão e a confusão das pretensões e do âmbito de pretensão não serão mais possíveis, porque a verdade do próprio seer trouxe à decisão na mais extensa exclusão da abertura de seu fosso abissal as possibilidades essenciais. Esse instante histórico não é nenhum “estado ideal” porque esse estado contraria a cada vez a essência da história, mas esse instante é o acontecimento da apropriação daquela viragem, na qual a verdade do seer chega ao seer da verdade, uma vez que o deus precisa do ser e o **HOMEM** como **SER-AÍ** precisa ter fundado o pertencimento ao ser. Nesse caso, então, por esse instante, o seer é, como o entre mais íntimo, igual ao nada; o deus se apodera do **HOMEM** e o **HOMEM** ultrapassa o deus, por assim dizer imediatamente e, contudo, os dois somente no acontecimento apropriador, | ||
| + | |||
| + | O quão pouco sabemos do fato de que o deus espera pela fundação da verdade do seer e, com isso, pelo salto do **HOMEM** no **SER-AÍ**. Ao invés disso, tudo se dá como se o **HOMEM** é que precisasse e fosse esperar por deus. E talvez essa seja a forma mais fatídica da mais absoluta falta de deus e o atordoamento da impotência para o sofrimento do acontecimento da apropriação daquele aí enquanto estada temporária do seer, que oferece pela primeira vez ao encontrar-se do ente na verdade um sítio, atribuindo a ele o elemento justo de se achar na mais ampla distância em relação ao passar ao largo do deus, elemento justo, cuja atribuição só acontece como história; na recriação do ente em meio à essencialidade de sua determinação e em meio à libertação do abuso das maquinações, | ||
| + | |||
| + | A concepção agora e futuramente essencial do conceito de filosofia (e, com isso, também a determinação prévia da conceptualidade de seu conceito e de todos os seus conceitos) é a concepção histórica (não uma concepção historiológica). “Histórico” significa aqui: pertencente à essenciação do seer mesmo, inserido na indigência da verdade do seer e, assim, ligado à necessidade daquela decisão, que dispõe em geral sobre a essência da história e sua essenciação. De acordo com isso, a filosofia é agora pela primeira vez preparação da filosofia sob o modo da edificação dos átrios mais imediatos, em cuja estrutura espacial a palavra de Hölderlin se torna audível, tendo a resposta por meio do **SER-AÍ** e em tal resposta tendo sido fundada como a língua do **HOMEM** por vir. Assim, pela primeira vez, o **HOMEM** entra na próxima vereda lenta em direção ao seer. A unicidade de Hölderlin em termos da história do seer precisa ser fundada anteriormente e toda comparação marcada por uma historiologia da “literatura” e da poesia, todo julgamento e gozo “estéticos”, | ||
| + | |||
| + | A determinação histórica da filosofia tem seu ápice no conhecimento da necessidade de criar a escuta para a palavra de Hölderlin. O poder ouvir corresponde a um poder dizer, que fala a partir da questionabilidade do seer. Pois isso é o mínimo que pode ser realizado para a preparação do espaço da palavra. (Se é que tudo não foi invertido ainda e transformado no elemento “científico” e “historiológico-literário”, | ||
| + | |||
| + | A história do pensar metafísico e do pensar da história do ser acontece apropriadoramente sobretudo em suas diversas eras segundo potências diversas do primado do ser diante do ente, do ente diante do ser, da confusão dos dois, da extinção de cada primado na era da compreensibilidade calculável de tudo. Nós sabemos o futuro da história do ser, nós sabemos que, se ela quiser permanecer história, o seer mesmo precisará se apropriar do pensar em meio ao acontecimento. Mas ninguém conhece a figura do ente vindouro. Só uma coisa é certa: que todo e qualquer re-pensar do seer e toda criação a partir da verdade do seer, sem a assistência já protetora do ente, jamais pôde produzir outras forças de questionamento e de dizer, de jogo e de sustentação, | ||
| + | |||
| + | Jogar-se para fora, ousar o aberto, não pertencer nem a algo em face de si nem a si e, contudo, pertencer aos dois ao mesmo tempo, mas não como objeto e sujeito; saber e pressentir-se como ré-plica no aberto que aquilo que se joga para fora e do que ele se evade possuem a mesma essência do que o em face de. A ré-plica é o fundamento do vir ao encontro, que aqui ainda não é de modo algum buscado. A ré-plica é o arrancar do entre, no qual acontece a contrariedade, | ||
| + | Sob o modo de uma introdução, | ||
| + | |||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
