obra:ga65:temas:acontecimento-apropriador
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| + | ===== ACONTECIMENTO APROPRIADOR ===== | ||
| + | Ereignis | ||
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| + | As “contribuições” perguntam em uma via que é inicialmente aberta pela transição ao outro início, para o interior do qual o pensamento ocidental agora se volta. Essa via lança a transição no espaço aberto da história e a fundamenta como uma estada talvez muito longa, em cuja realização o outro início do pensamento permanece sempre apenas o pressentido, | ||
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| + | Por vezes, aqueles fundadores do abismo precisam ser consumidos no fogo do que se guarda, para que o ser-aí venha a ser possível para o homem e, assim, seja salva a constância em meio ao ente, para que o ente mesmo experimente a restauração no aberto da contenda entre terra e mundo. Consequentemente, | ||
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| + | Saber a essência do seer como **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** não significa apenas conhecer o perigo da recusa, mas estar pronto para a superação. Muito antes de todo o resto, a primeira coisa quanto a isso precisa permanecer: colocar o seer em questão. (tr. Casanova; GA65: 2) | ||
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| + | Para os poucos que de tempos em tempos perguntam uma vez mais, isto é, que colocam em decisão de maneira renovada a essência da verdade. Para os raros, que trazem consigo a mais elevada coragem para a solidão, a fim de pensar a nobreza do seer e falar de sua unicidade. O pensar no outro início é originariamente histórico de uma maneira única: o dispor autoconjuntivo sobre a essenciação do seer. Um projeto da essenciação do seer como o **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** precisa ser ousado porque não conhecemos a missão de nossa história. Que possamos experimentar de um modo fundamental a essenciação desse desconhecido em seu ocultar-se. Precisamos querer, porém, desdobrar esse saber, segundo o qual o desconhecido que nos é dado como tarefa deixa a vontade na solidão e, assim, obriga a existência do ser-aí à mais elevada retenção em relação ao que se oculta. (tr. Casanova; GA65: 5) | ||
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| + | A verdade do seer só se torna necessidade por meio daqueles que perguntam. Eles são os crentes propriamente ditos, porque eles se mantêm – abrindo a essência da verdade – sobre o solo. Os que perguntam – solitários e sem os artifícios de um encantamento – estabelecem a nova e suprema posição hierárquica da insistência no meio do seer, na essenciação do ser (**ACONTECIMENTO APROPRIADOR**) como o meio. Os que questionam rejeitaram toda curiosidade, | ||
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| + | Se algum dia uma história nos for ainda uma vez comunicada, a exposição criadora ao ente a partir do pertencimento ao ser, então é indispensável a determinação: | ||
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| + | O pudor, porém, segundo o que foi dito, não pode ser confundido com a timidez ou ser mesmo apenas compreendido na direção da timidez. Isto nos é tão pouco permitido que o pudor aqui visado excede até mesmo a “vontade” de retenção, e isto a partir da profundidade do fundamento da tonalidade afetiva fundamental una. Para ele, para o pudor em particular, emerge a necessidade do silenciamento, | ||
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| + | Ser o que busca, o que vela, o que guarda – isto significa o cuidado enquanto traço fundamental do ser-aí. Em seu nome reúne-se a determinação do homem, na medida em que ele é concebido a partir de seu fundamento, isto é, a partir do ser-aí, o qual se encontra apropriado em meio ao acontecimento e imerso na viragem para o **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** enquanto para a essência do seer e só pode se tornar insistente por força de sua origem como fundação do tempo-espaço (“temporialidade”), | ||
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| + | A questão pensante acerca da verdade do seer é o instante, que sustenta a transição. Esse instante não é nunca efetivamente fixável, nem tampouco tem como ser contabilizado. Ele estabelece pela primeira vez o tempo do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**. A simplicidade única dessa transição nunca é concebível historiologicamente, | ||
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| + | A questão é que a tonalidade afetiva fundamental afina o ser-aí e, com isto, o pensar como projeto da verdade do seer na palavra e no conceito. A tonalidade afetiva é a pulverização do estremecimento do seer como **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** no ser-aí. Pulverização: | ||
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| + | Toda e qualquer denominação da tonalidade afetiva fundamental por meio de uma única palavra fixa-se sobre uma opiniáo equivocada. Toda e qualquer palavra é sempre retirada do que é legado pela tradição. O fato de a tonalidade afetiva fundamental do outro início precisar ser dotada de muitos nomes não contesta sua simplicidade, | ||
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| + | Até que ponto o deus se encontra afastado de nós, aquele que nos nomeia fundadores e criadores, porque sua essência precisa de tais homens? Ele está tão afastado que nós não conseguimos decidir, se ele se movimenta em nossa direção ou se ele está se distanciando de nós. E repensar plenamente essa distância mesma em sua essenciação como o tempo-espaço da suprema decisão significa questionar acerca da verdade do seer, acerca do próprio **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**, | ||
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| + | Na essência da verdade do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** decide-se e funda-se ao mesmo tempo todo verdadeiro, o ente se faz ente, o não ente desliza para o interior da aparência do seer. Essa distância é, sobretudo: a mais ampla e para nós primeira proximidade com deus, mas também a indigência do abandono do ser, encoberto pela ausência de indigência, | ||
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| + | O despertar dessa indigência é o primeiro tresloucamento do homem para o interior daquele entre, no qual a confusão acossa de maneira uniforme e o deus permanece em fuga. Esse “entre”, | ||
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| + | Se o homem, por meio desse tresloucamento, | ||
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| + | Somente se mensuramos o quão unicamente necessário o ser é e como ele não se essencia como o próprio deus; somente se tivermos determinado nossa essência com vistas a esses abismos entre o homem e o seer e entre o seer e os deuses, somente então os “pressupostos” começarão uma vez mais a serem efetivamente realizados para uma “história”. Por isto, em termos de pensamento, a única coisa que se mostra como válida é a meditação com vistas ao “**ACONTECIMENTO APROPRIADOR**”. Por fim e em primeiro lugar, o “**ACONTECIMENTO APROPRIADOR**” só pode ser re-pensado (compelido para diante do pensar inicial), se o seer mesmo for concebido como o “entre” para o passar ao largo do último deus e para o ser-aí. (tr. Casanova; GA65: 7) | ||
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| + | O **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** se sobrepõe apropriadoramente ao deus no homem, na medida em que ele se apropria do homem para o deus. Essa apropriação sobre-apropriada em meio ao acontecimento é o **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**, | ||
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| + | O **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** é o entre no que concerne ao passar ao largo do deus e à história do homem. Mas não o campo intermediário indiferente. Ao contrário, a referência ao passar ao largo é a abertura usada por deus do dilaceramento em meio a um fosso abissal; por outro lado, a referência ao homem é o deixar emergir que se apropria em meio ao acontecimento da fundação do ser-aí e, com isto, da necessidade do abrigo da verdade do seer no ente como de uma restituição do ente. (tr. Casanova; GA65: 7) | ||
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| + | Passar ao largo não é história e história não é **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**, | ||
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| + | A distância da indecidibilidade não é naturalmente algo “para além de”, mas o mais próximo do aí infundado do ser-aí, que se tornou insistente na prontidão para a recusa enquanto a essenciação do seer. Esse mais próximo é tão próximo que todo exercício inevitável da maquinação e do vivenciado precisa ter já necessariamente passado ao largo dele e, por isto, também nunca pode ser resgatado imediatamente para ele. O **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** permanece o que há de mais estranho. (tr. Casanova; GA65: 7) | ||
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| + | A fuga dos deuses precisa ser experimentada e suportada. Essa constância funda a proximidade mais distante possível do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**. Esse **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** é a verdade do seer. Nessa verdade abre-se pela primeira vez a indigência do abandono do ser. A partir dessa indigência, | ||
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| + | No outro início pensa-se de antemão aquele totalmente outro, que foi denominado o âmbito da decisão, no qual se conquista ou se perde o seer histórico propriamente dito dos povos. Esse ser – a historicidade – não é nunca o mesmo em toda e qualquer era. Ele se encontra agora diante de uma mudança essencial, na medida em que ele tem como tarefa fundar aquele âmbito da decisão, aquele nexo do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**, | ||
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| + | O seer como **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** – renúncia hesitante como (recusa). Maturidade: fruto e doação. O elemento nulo no seer e o impulso contrário; querelante (seer ou não-ser). O seer se essencia na verdade; clareira para o encobrir-se. A verdade como essência do fundamento: fundamento – o em que fundado (não o de onde enquanto causa). O fundamento funda como a-bismo: a indigência como o aberto do encobrir-se (não o “vazio”, | ||
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| + | O seer se essencia como **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**. A essenciação tem o meio e a amplitude na viragem. A exportação resolutora de contenda e réplica. A essenciação é garantida e abrigada na verdade. A verdade acontece como o encobrimento clareador. A estrutura fundamental desse acontecimento é o tempo-espaço que emerge dele. O tempo-espaço é o que desponta para as mensurações da abertura do fosso abissal do seer. O tempo-espaço é, enquanto junção da verdade, originariamente o sítio instantâneo do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**. O sítio instantâneo essencia-se a partir desse acontecimento como a contenda de terra e mundo. A contestação da contenda é o ser-aí. O ser-aí acontece nos modos do abrigo da verdade a partir da garantia do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** clareado e velado. O abrigo da verdade deixa que o verdadeiro se abra e se dissimule como o ente. O ente se encontra pela primeira vez assim no seer. O ente é. O seer se essencia. O seer (como **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**) precisa do ente, para que ele, o seer, se essencie. O ente pode “ser” ainda no abandono do ser, sob cujo domínio a tangibilidade e a utilidade imediata, assim como a funcionalidade de todo e qualquer tipo (tudo precisa servir ao povo, por exemplo) constituem obviamente o que é sendo e o que não é. A autonomia aparente do ente em face do seer, como se este fosse apenas um suplemento do pensamento “abstrato” representacional, | ||
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| + | 1) **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**: | ||
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| + | O **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** é a própria história originária, | ||
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| + | Tonalidade afetiva é aqui visada no sentido insistente: a unidade da exportação resolutora de todo fascínio, assim como do projeto e do registro de todo êxtase e de toda insistência e realização da verdade do ser. Toda e qualquer representação diversa e “psicológica” da “tonalidade afetiva” precisa ser posta de lado aqui. Por isto, a tonalidade afetiva nunca pode ser simplesmente o como, que acompanha, ilumina e sombreia todo fazer e deixar de fazer do homem, fazer e deixar de fazer esses que já estariam fixados. Ao contrário, é só por meio da tonalidade afetiva que a extensão do êxtase do ser-aí é mensurada e a simplicidade do fascínio atribuída, na medida em que se trata da retenção como tonalidade afetiva fundamental. Ela é a tonalidade afetiva fundamental, | ||
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| + | A retenção é a prontidão mais intensa e ao mesmo tempo mais terna do ser-aí para a apropriação em meio ao acontecimento, | ||
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| + | Retenção: o salto adiante que se mantém em si, o salto para o interior da viragem do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** (por isto, nenhuma fuga romântica ou uma aquietação burguesa). (tr. Casanova; GA65: 13) | ||
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| + | Cortam de nós a palavra; não como uma ocorrência ocasional, junto à qual não teria lugar um discurso e um enunciado realizável e onde apenas o enunciar e o redizer o que já foi dito e o que é dizível não são levados a termo, mas originariamente. A palavra não ganha ainda de modo algum a palavra, por mais que ela chegue ao primeiro salto por meio de tal corte. O que corta a palavra é o **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** enquanto aceno e acometimento do seer. O fato de se cortar a palavra é a condição inicial para a possibilidade que se desdobra de uma denominação originária – poética – do seer. Linguagem e a grande tranquilidade, | ||
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| + | A filosofia é o saber imediatamente inútil, mas, não obstante, um saber dominante a partir da meditação. Meditação é questionamento acerca do sentido, isto é, acerca da verdade do seer. O questionamento acerca da verdade é o salto para o interior de sua essência e, com isto, para o interior do seer mesmo. A questão é: se, quando e como somos pertencentes ao ser (como **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**). Essa questão precisa ser questionada por causa da essência do ser, que precisa de nós, e, em verdade, não como aqueles que se encontram precisamente ainda presentes, mas de nós, na medida em que nós ratificamos insistentemente suportando o ser-aí e o fundamos como a verdade do seer. Por isto, a meditação – salto para o interior da verdade do ser – é necessariamente auto-meditação. Isto não significa consideração voltada para trás de nós como “dados”, | ||
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| + | A indigência, | ||
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| + | Só quem concebe o fato de que o homem precisa fundar historicamente a sua essência por meio da fundação do ser-aí, o fato de que a insistência da pendência do ser-aí não é outra coisa senão a moradia no tempo-espaço daquele acontecimento, | ||
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| + | Na meditação e por meio dela acontece necessariamente o sempre-ainda-outro, | ||
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| + | Repousar significa dizer que o questionamento se acha em meio ao mais extremo âmbito de oscilação, | ||
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| + | Porque só o maior acontecimento, | ||
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| + | O início é o seer mesmo como **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**, | ||
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| + | O outro início precisa ser provocado completamente a partir do seer como **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** e a partir da essenciação de sua verdade e de sua história. O pensar inicial desloca seu questionamento acerca da verdade do seer para um ponto muito lá atrás no primeiro início como a origem da filosofia. Com isto, ele cria para si a garantia para chegar em seu outro início vindo de muito longe e para encontrar na herança dominada a sua mais elevada constância futura e, com isto, para retornar a si mesmo em uma necessidade modificada (em face do primeiro início). (tr. Casanova; GA65: 23) | ||
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| + | O que é concebido é aqui originariamente a “quintessência” e essa em primeiro lugar e sempre referida à conexão que acompanha a viragem em direção ao cerne do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**. De início, o caráter paradigmático pode ser indicado por meio da ligação, que todo e qualquer conceito de ser enquanto conceito, isto é, em sua verdade, tem com o ser-aí e, com isto, com a insistência do homem histórico. Na medida, contudo, em que o ser-aí só se funda como pertencimento à conclamação na viragem do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**, | ||
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| + | Onde, em contrapartida, | ||
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| + | O estilo da retenção, porque essa afina integralmente de modo fundamental a insistência, | ||
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| + | Aquela essência da verdade, contudo, a clareira e o encobrimento extasiantes e fascinantes como origem do aí, se essencia em seu fundamento, que nós experimentamos como acontecimento da apropriação. A aproximação e a fuga, a chegada e a evasão, ou a simples elisão dos deuses; para nós, no ser senhor, isto é, no início e no ser dominante sobre esse acontecimento, | ||
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| + | O abrigo mesmo realiza-se no e como ser-aí. E isto acontece, conquista e perde a história na o-cupação insistente, que pertence de antemão ao **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**, | ||
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| + | O abrigo, porém, não se mantém apenas sob os modos da produção, mas de maneira igualmente originária também sob o modo da assunção do encontro do inanimado e do vivente: pedra, planta, animal, homem. Aqui acontece a retomada na terra que se fecha. A questão é que esse acontecimento do ser-aí nunca é por si, mas pertence ao atiçamento da contenda entre terra e mundo, à insistência no **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**. (tr. Casanova; GA65: 32) | ||
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| + | O **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** é o meio que comunica a si mesmo e se intermedeia, | ||
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| + | O pressentimento inexpresso do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** apresenta-se em primeiro plano e, ao mesmo tempo, em meio a uma rememoração histórica (ousia = parousia) como “temporialidade”: | ||
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| + | “O seer” não visa apenas à realidade efetiva do efetivamente real, nem tampouco apenas à possibilidade do possível, em geral não somente ao ser a partir do respectivo ente, mas ao seer a partir de sua essenciação originária na plena abertura do fosso abissal, à essenciação não restrita à “presentidade”. Naturalmente, | ||
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| + | Para a questão fundamental, | ||
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| + | A meditação sobre o caminho: 1) O que é um pensar inicial. 2) Como é que o outro início se realiza como silenciamento. O “**ACONTECIMENTO APROPRIADOR**” seria o título correto para a “obra”, que aqui não pode ser senão preparada; e, por isto, é preciso colocar como título, ao invés disso: Contribuições à filosofia. A “obra”: a construção que se desenvolve no voltar-se para o fundamento preponderante. (tr. Casanova; GA65: 35) | ||
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| + | (O repensar do seer e a linguagem) Com a linguagem habitual, que hoje é cada vez mais amplamente abusada e desgastada, a verdade do seer não tem como ser dita. Será que essa verdade pode ser em geral dita de maneira imediata, uma vez que toda linguagem é de qualquer modo linguagem do ente? Ou será que pode ser inventada uma nova linguagem para o seer? Não. E mesmo se tal tentativa tivesse êxito e mesmo sem uma formação vernácula artificial, essa linguagem não seria nenhuma linguagem que diz. Todo dizer precisa emergir concomitantemente do poder ouvir. Os dois precisam ter a mesma origem. Assim, só uma coisa importa: dizer a linguagem mais nobremente amadurecida em sua simplicidade e força essencial, a linguagem do ente enquanto linguagem do seer. Essa transformação da linguagem penetra em âmbitos que ainda se encontram cerrados para nós, porque não sabemos a verdade do seer. Assim, fala-se da “recusa do perseguimento”, | ||
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| + | O silenciamento é a legalidade sensata do silenciar (sigan). O silenciamento é a “lógica” da filosofia, na medida em que ela questiona a partir do outro início a questão fundamental. Ela busca a verdade da essenciação do seer e essa verdade é o velamento que ressoa e nos fornece um aceno (o mistério) para o **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** (a renúncia hesitante). (tr. Casanova; GA65: 37) | ||
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| + | O discurso marcado pelo termo estrangeiro “sigética” na correspondência com a “lógica” (onto-logia) só é visado transitória e retrospectivamente e não aponta de maneira alguma para a busca por substituir a “lógica”. Pois uma vez que a questão acerca do seer e acerca da essenciação do seer se encontra presente, o questionamento mesmo ainda é mais originário e, por isso, não pode senão menos ainda ser enclausurado e sufocado em uma disciplina escolar. Nunca podemos dizer imediatamente o seer (**ACONTECIMENTO APROPRIADOR**), | ||
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| + | Se essa retenção ganha voz, o dito é sempre o **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**. Compreender esse dizer significa, contudo, levar a termo o projeto e o salto para o interior do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**. O dizer funda enquanto silenciar. Sua palavra não é, por exemplo, apenas um sinal de algo completamente diverso. O que ele denomina é visado. Mas o “visar” só é próprio enquanto ser-aí, o que significa dizer que ele só é próprio de maneira pensante no questionar. (tr. Casanova; GA65: 38) | ||
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| + | Este (**ACONTECIMENTO APROPRIADOR**) é o título essencial para a tentativa do pensar inicial. O título público, porém, só pode ser: contribuições à filosofia. (tr. Casanova; GA65: 39) | ||
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| + | As seis junções da junta livre e fugidia se encontram cada uma por si, mas apenas para tornar mais penetrante a unidade essencial. Em cada uma das seis junções livres e fugidias, sempre se tenta dizer sempre e a cada vez o mesmo sobre o mesmo, mas a cada vez a partir de um âmbito essencial daquilo que o **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** denomina. Visto de maneira extrínseca e fragmentária, | ||
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| + | O salto abre de antemão as amplitudes e os encobrimentos não revisados daquilo para onde a fundação do ser-aí, pertencente ao clamor do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**, | ||
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| + | Eles assumem e conservam o pertencimento ao **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** e à sua viragem, pertencimento esse despertado pela conclamação. Assim, desponta o aceno do último deus. (tr. Casanova; GA65: 39) | ||
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| + | Será que algo assim é configurável no dizer, de tal modo que a simplicidade dessa tarefa venha à luz? Corresponde a isso a junção livre e fugidia “do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**”? | ||
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| + | A decisão já há muito tempo irrompida no velado e no dissimulado é a decisão pela história ou pela perda da história. História, porém, concebida como a contestação da contenda de terra e mundo, assumida e realizada a partir do pertencimento ao clamor do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** como a essenciação da verdade do seer na figura do último deus. (tr. Casanova; GA65: 45) | ||
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| + | A missão, porém, à luz e na via da decisão: o abrigo da verdade do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** a partir da retenção do ser-aí na grande tranquilidade do seer. (tr. Casanova; GA65: 45) | ||
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| + | Por meio do que é tomada a decisão? Por meio do presente ou da permanência de fora daqueles insignemente delineados, que nós denominamos “os que estão por vir”, em diferença em relação aos muitos que arbitrariamente virão depois e aos imparáveis, | ||
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| + | A essência da decisão só pode ser determinada a partir de sua essenciação essencial. Decisão é decisão entre ou-ou. Com isso, porém, o decisivo já é antecipado. De onde o ou-ou? De onde esse: somente esse ou apenas esse? De onde a incontornabilidade do de tal ou tal modo? Não resta o terceiro elemento, a indiferença? | ||
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| + | A ressonância do seer como recusa no abandono do ser do ente – isso já diz que aqui não deve ser descrito, explicado ou colocado em ordem algo presente à vista. O peso do pensamento é diverso no outro início da filosofia: o re-pensar daquilo que acontece apropriadoramente como o próprio **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**, | ||
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| + | A ressonância da verdade do seer e de sua essenciação mesma a partir da indigência do esquecimento do ser. O alçar essa indigência a partir de sua profundidade enquanto ausência de indigência. O esquecimento do ser não sabe nada sobre ela, ele pensa estar junto ao “ente”, junto ao “efetivamente real”, próximo da “vida” e seguro do “vivenciar”. Pois ele conhece apenas o ente. Todavia, desse modo, em tal presentação do ente, esse ente é abandonado pelo seer. O abandono do ser, porém, é o fundamento do esquecimento do ser. No entanto, o abandono do ser do ente traz para o ente a aparência de que esse ente mesmo seria, então, sem qualquer necessidade de um outro, apto para ser pego e utilizado. O abandono do seer, contudo, é o ser exposto e a proibição do **ACONTECIMENTO APROPRIADOR**. É a partir do abandono do ser que a ressonância precisa soar e ter início com o desdobramento do esquecimento do ser, no qual o outro início ressoa e, assim, o seer. (tr. Casanova; GA65: 55) | ||
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| + | A ressonância do seer quer resgatar o seer em sua plena essenciação como **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** por meio do desentranhamento do abandono do ser, o que só acontece de tal modo que o ente é recolocado por meio da fundação do ser-aí no seer que se abre no salto. (tr. Casanova; GA65: 55) | ||
| + | |||
| + | No que o abandono do ser se anuncia: 1) A completa insensibilidade em relação ao múltiplo naquilo que é considerado essencial; plurissignificância provoca a perda de força e a má vontade em relação à decisão real e efetiva. Por exemplo, tudo o que significa a palavra “povo”: o elemento comunitário, | ||
| + | |||
| + | O modo como a maquinação e a vivência (de início veladas por um longo tempo, sim, veladas até agora enquanto tais) se impelem mutuamente até o extremo e, com isso, desdobram os deslocamentos da entidade e do homem em sua referência ao ente, desenvolvendo a si mesmas segundo o seu mais extremo abandono, compelindo-se agora reciprocamente nesses deslocamentos e criando uma unidade, que com maior razão encobre aquilo que acontece apropriadoramente nela: o abandono do ente por toda verdade do seer e completamente até mesmo pelo seer mesmo. Mas esse **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** do abandono do ser seria mal interpretado, | ||
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| + | O encontrar o caminho que leva de uma à outra entre maquinação e vivência encerra em si um **ACONTECIMENTO APROPRIADOR** único no interior da história velada do seer. Mas ainda não há em parte alguma um sinal para o fato de que algo sobre isso ganharia de algum modo o espaço do saber nessa era. Ou será que isso precisa permanecer vedado a ela e só se revelar àqueles que se encontram já na transição para a verdade, para a ressonância da verdade do seer? (tr. Casanova; GA65: 68) | ||
| + | O seer abandonou tão fundamentalmente o ente e esse é a tal ponto entregue à maquinação e ao “vivenciar”, | ||
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