| |
| obra:ga49:ga49-3-tritulo-tratado-schelling [02/01/2026 15:51] – created mccastro | obra:ga49:ga49-3-tritulo-tratado-schelling [02/01/2026 15:57] (current) – mccastro |
|---|
| ====== A Gênese e o Centro Especulativo do Tratado sobre a Liberdade ====== | ====== §3 Esclarecimentos sobre o título do tratado ====== |
| |
| * O tratado de Schelling, intitulado Investigações Filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana e os Objetos com ela Conectados, representa o ápice de um percurso intelectual iniciado em 1809, servindo como a conclusão de um conjunto de investigações previamente selecionadas pelo autor para fundamentar sua ontologia. A arquitetura dessa obra pressupõe a compreensão de quatro momentos fundamentais que a precedem na trajetória do pensamento do autor: | * O tratado de Schelling, intitulado //Investigações Filosóficas sobre a Essência da Liberdade Humana e os Objetos com ela Conectados//, representa o ápice de um percurso intelectual iniciado em 1809, servindo como a conclusão de um conjunto de investigações previamente selecionadas pelo autor para fundamentar sua ontologia. A arquitetura dessa obra pressupõe a compreensão de momentos fundamentais que a precedem na trajetória do pensamento do autor: |
| * Do Eu como Princípio da Filosofia, ou sobre o Incondicionado no Conhecimento Humano (1795). | * Do Eu como Princípio da Filosofia, ou sobre o Incondicionado no Conhecimento Humano (1795). |
| * Cartas Filosóficas sobre Dogmatismo e Criticismo (1795). | * Cartas Filosóficas sobre Dogmatismo e Criticismo (1795). |
| * Tratados sobre a Elucidação do Idealismo da Doutrina da Ciência (1796-1797). | * Tratados sobre a Elucidação do Idealismo da Doutrina da Ciência (1796-1797). |
| * Sobre a Relação das Artes Plásticas com a Natureza: Um Discurso Acadêmico (1807). | * Sobre a Relação das Artes Plásticas com a Natureza: Um Discurso Acadêmico (1807). |
| | * A estrutura terminológica do título revela uma profundidade metafísica que transcende a mera escolha de um tema arbitrário, articulando a //zētēsis// filosófica com a investigação da essência humana como centro da possibilidade interna e fundamento da realidade absoluta. A conexão entre a liberdade e os objetos a ela vinculados remete ao conceito de //sustasis//, ou sistema, sugerindo que os elementos da filosofia não se encontram isolados, mas organizados em um nexo orgânico onde a liberdade não é um tópico periférico, mas o ponto central que determina a totalidade do edifício especulativo. |
| | * A tese de que o tratado constitui o centro mais íntimo da filosofia permite caracterizá-lo como um sistema da liberdade, opondo-se à visão de que se trata de uma reflexão isolada ou de um estudo particular da vontade humana nos moldes da tradição kantiana. Nessa perspectiva, a essência do humano é pensada em sua relação intrínseca com o absoluto, de modo que o estudo da liberdade se confunde com o estudo das condições de possibilidade da própria manifestação do ser. |
| | * A crítica de Hegel, que classifica o tratado como uma obra de caráter profundo e especulativo, porém isolada do desenvolvimento sistêmico, revela uma incompreensão fundamental acerca da natureza do projeto schellinguiano. O que Hegel interpreta como algo que se mantém à parte é, em verdade, o próprio centro do sistema que se recusa a ser reduzido à exigência de desenvolvimento dialético linear que o idealismo absoluto hegeliano impõe, permanecendo a questão sobre se tal exigência faz justiça à especificidade do pensamento de Schelling. |
| |
| |
| * A estrutura terminológica do título revela uma profundidade metafísica que transcende a mera escolha de um tema arbitrário, articulando a //zētēsis// filosófica com a investigação da essência humana como centro da possibilidade interna e fundamento da realidade absoluta. A conexão entre a liberdade e os objetos a ela vinculados remete ao conceito de //sustasis//, ou sistema, sugerindo que os elementos da filosofia não se encontram isolados, mas organizados em um nexo orgânico onde a liberdade não é um tópico periférico, mas o ponto central que determina a totalidade do edifício especulativo. | |
| * A tese de que o tratado constitui o centro mais íntimo da filosofia permite caracterizá-lo como um sistema da liberdade, opondo-se à visão de que se trata de uma reflexão isolada ou de um estudo particular da vontade humana nos moldes da tradição kantiana. Nessa perspectiva, a essência do humano é pensada em sua relação intrínseca com o absoluto, de modo que o estudo da liberdade se confunde com o estudo das condições de possibilidade da própria manifestação do ser. | |
| * A crítica de Hegel, que classifica o tratado como uma obra de caráter profundo e especulativo, porém isolada do desenvolvimento sistêmico, revela uma incompreensão fundamental acerca da natureza do projeto schellinguiano. O que Hegel interpreta como algo que se mantém à parte é, em verdade, o próprio centro do sistema que se recusa a ser reduzido à exigência de desenvolvimento dialético linear que o idealismo absoluto hegeliano impõe, permanecendo a questão sobre se tal exigência faz justiça à especificidade do pensamento de Schelling. | |
| * A interpretação da obra exige, portanto, uma atenção rigorosa à paginação original dos //Sämtliche Werke//, especificamente ao volume VII, de modo a preservar o rigor filológico necessário para o diálogo com a metafísica do Idealismo Alemão. Somente através dessa precisão é possível discernir em que medida o tratado rompe com a explicação historiográfica para se instaurar como um pensamento essencial sobre a conexão entre a liberdade finita e o fundamento incondicionado. | |
| |
| Gostaria que eu realizasse uma análise detalhada sobre a distinção entre o conceito de //sistema// em Schelling e a crítica de Hegel mencionada acima? | |