obra:ga33:3
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| + | ===== GA33: §3 ===== | ||
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| + | **§ 3. A equiparação ou distinção entre ente e ser. O ser como o uno em Parmênides** | ||
| + | * A pergunta pelo que é o ente converte-se na pergunta pelo que é o ser, o que torna problemática a equiparação aristotélica entre ente e ser e exige esclarecer por que, quando se pergunta pelo ser, se diz que a pergunta é pelo ente. | ||
| + | * A equiparação entre ente e ser permanece corrente também na linguagem filosófica contemporânea, | ||
| + | * O ente é facilmente encontrado e apreendido em coisas, atos de falar, escutar e prestar atenção, enquanto o ser é de algum modo compreendido, | ||
| + | * A identificação entre ente e ser possui uma antiguidade venerável e já aparece no início decisivo da filosofia ocidental, em Parmênides, | ||
| + | * A antiguidade da equiparação entre ente e ser não basta para torná-la transparente nem para justificá-la filosoficamente, | ||
| + | * A pergunta pelo ser pode parecer uma abstração vazia ou uma disputa verbal estéril, especialmente quando se permanece junto ao ente que afeta, ocupa, abandona e inclui o próprio homem, mas a questão permanece aberta sobre o que ainda se busca quando se pergunta pelo ser. | ||
| + | * A interpretação nietzschiana de Parmênides como pensador de uma abstração pura, sem realidade e sem sangue, e a caracterização tardia do ser como último vapor da realidade evaporada colocam a pergunta sobre se o ser é mero nevoeiro conceitual ou a brasa mais íntima e oculta do Dasein humano. | ||
| + | * A pergunta deve permanecer em aberto porque, no início da filosofia, a diferença entre ente e ser já está presente sob a forma de uma equiparação, | ||
| + | * Um ente determinado, | ||
| + | * O ente tomado absolutamente não significa a soma completa de todos os entes particulares, | ||
| + | * A soma indeterminada dos entes não é aquilo que se quer dizer com o ente, pois o ente não aparece primariamente como quantidade numericamente determinada ou indeterminada, | ||
| + | * O ente aparece como o conjunto em sentido sumário, isto é, como aquilo que, antes de toda numeração, | ||
| + | * Os entes singulares não produzem por soma aquilo que se chama o ente, pois o ente é aquilo de que toda contagem já parte, permitindo a numerabilidade dos entes particulares sem que a soma deles constitua o ser. | ||
| + | * O ente, quando tomado como ente, dá-se como aquilo que se chama ser, de modo que a equiparação entre ente e ser constitui a primeira resposta decisiva à pergunta pelo que é o ente e mostra que perguntar pelo ente enquanto tal é perguntar pelo ser. | ||
| + | * Parmênides é o primeiro pensador conhecido a perguntar pelo ente de tal modo que buscou apreender o ser e respondeu que o ser é o uno, isto é, a presença insistente e dominante que o ente, enquanto tal, é. | ||
| + | * Parmênides suportou a supremacia do uno e do ser, deixando-se dominar por essa verdade primeira e dizendo a partir dela todas as afirmações sobre o ente. | ||
| + | * Parmênides pronunciou a primeira verdade decisiva da filosofia, não apenas por precedência temporal, mas porque essa verdade permanece à frente de todas as outras e transparece através delas. | ||
| + | * A verdade parmenídica do ser como uno não é abstração sem sangue nem fenômeno tardio de velhice, mas a concentração pensante carregada de realidade, embora Nietzsche não tenha percebido quanto seu próprio pensamento permaneceu determinado por um mal-entendido diante de Parmênides. | ||
| + | * Desde Parmênides, | ||
| + | * A filosofia ocidental até Hegel não ter ultrapassado, | ||
| + | * A primeira verdade só é preservada enquanto ainda move e sustenta um perguntar, embora nela o começo se prenda imediatamente ao ser como presença e efetividade, | ||
| + | * A equiparação entre ente e ser não é capricho exterior da linguagem, mas o primeiro pronunciamento da pergunta fundamental e da resposta fundamental da filosofia. | ||
| + | * A resposta à pergunta pelo que pertence ao ente e somente a ele é o ser, pois o ente é tomado como ente enquanto tal, e nesse enquanto tal ele é detido para que somente ele próprio se mostre e diga como está constituído. | ||
| + | * A distinção entre ente e ser é a distinção mais antiga, pois toda diferenciação entre entes já pressupõe o é e, portanto, já se move nessa diferença mais originária. | ||
| + | * A distinção entre ente e ser precede toda ciência e não é introduzida pela consideração teórica, mas é apenas retomada, desenvolvida e usada como evidente pelo conhecimento teórico e pela fala cotidiana. | ||
| + | * A distinção entre ente e ser é tão antiga quanto a linguagem e, portanto, tão antiga quanto o homem, embora narrar sua antiguidade ainda não equivalha a compreendê-la. | ||
| + | * A dificuldade de compreender a distinção entre ente e ser levanta a questão de saber se ela é o limite do conceituável ou o primeiro conceito, exigindo que se pergunte como, a partir dessa fronteira, se determina a própria possibilidade do conceito. | ||
| + | * A doutrina segundo a qual o ser equivaleria ao é e o é só surgiria no juízo ou na enunciação é um erro antigo, pois a antiguidade só pode ser invocada em seu favor de modo parcial e, por isso mesmo, insuficiente. | ||
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