obra:ga32:2
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| + | ===== GA32: §2 ===== | ||
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| + | **§ 2. A formulação hegeliana de um sistema da ciência** | ||
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| + | **a) A filosofia como a ciência** | ||
| + | * O caráter primário da Fenomenologia só pode ser extraído da incumbência interna que a obra recebeu no serviço da filosofia hegeliana, e essa incumbência se anuncia no título completo Sistema da ciência. Primeira parte. Ciência da experiência da consciência, | ||
| + | * A questão decisiva consiste em saber por que o sistema da ciência exige como sua primeira parte a ciência da experiência da consciência ou a ciência da fenomenologia do espírito. | ||
| + | * O título Sistema da ciência não designa um sistema das ciências nem uma ordenação das diversas ciências existentes, como as da natureza ou da história, mas se refere à ciência em sentido próprio e ao seu sistema. | ||
| + | * A ciência em questão não é a pesquisa científica em geral, mas o todo do saber mais alto e próprio, isto é, a filosofia como autoexplicitação do saber absoluto, em sentido próximo ao da doutrina da ciência de Fichte. | ||
| + | * A compreensão habitual segundo a qual a filosofia seria ciência por fornecer os fundamentos das ciências particulares, | ||
| + | * A concepção da filosofia como ciência fundamental, | ||
| + | * Em Husserl, a ideia da filosofia no espírito da cientificidade radical alcança uma forma positiva, própria e radical, mediante a restituição da ideia originária de filosofia que, desde Platão, teria fundado a filosofia e a ciência europeias como tarefa irrenunciável. | ||
| + | * A determinação da filosofia como ciência no idealismo alemão não se explica pela relação da filosofia com as ciências nem pela função de justificá-las, | ||
| + | * A tarefa de fundamentar as ciências e a tarefa de constituir a filosofia como saber absoluto pertencem a ordens distintas, pois a primeira só poderia assumir seu sentido hegeliano se antes tentasse fundar-se como saber absoluto, o que não se confunde com uma simples fundamentação das ciências. | ||
| + | * A tentativa contemporânea de aproximar Hegel de projetos que fundamentam a filosofia como primeira ciência deve ser recusada, pois, quando Hegel fala da forma científica da verdade e da passagem do amor ao saber para o saber efetivo, o termo ciência possui outro sentido, derivado da consumação do problema diretor da filosofia ocidental. | ||
| + | * A significação hegeliana de ciência nasce da condução extrema do problema diretor da filosofia antiga e ocidental, de modo que a orientação por uma fundamentação das ciências ou por uma filosofia como ciência rigorosa permanece subordinada e secundária. | ||
| + | * O problema diretor da filosofia ocidental é a pergunta pelo que é o ente, e sua ligação com razão, pensamento e saber não indica apenas um procedimento teórico, mas exprime a decisão segundo a qual o ente enquanto ente foi compreendido a partir do pensamento e como pensamento. | ||
| + | * Hegel radicaliza a resposta preparada pela filosofia antiga ao compreender o ente enquanto tal e o real em sua plena realidade como ideia e conceito, de modo que o conceito puro elimina o tempo e a filosofia se apresenta como a ciência, isto é, como saber absoluto. | ||
| + | * A tese de que a filosofia não é ciência significa que seu problema diretor não pode permanecer no estágio da pergunta antiga nem sobre o solo da problemática hegeliana, e significa também que a filosofia não reencontra seus problemas fundamentais quando se entende primariamente como fundamentação do saber e das ciências segundo o ideal de máxima cientificidade. | ||
| + | * A determinação negativa segundo a qual a filosofia não é ciência não entrega a filosofia ao entusiasmo irracional, à arbitrariedade de visão de mundo ou à chamada filosofia da existência, | ||
| + | * A filosofia deve vincular-se apenas à própria coisa, a mesma desde Parmênides até Hegel, e a posição de Kierkegaard e Nietzsche deve permanecer aberta, pois talvez neles tenha-se realizado algo que ainda não pode ser simplesmente nomeado filosofia nem usado apressadamente contra ela. | ||
| + | * A confusão filosófica contemporânea, | ||
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| + | **b) Saber absoluto e saber relativo; a filosofia como sistema da ciência** | ||
| + | * O título Sistema da ciência significa positivamente sistema do saber absoluto, embora o sentido pleno de saber absoluto só possa ser alcançado pela interpretação da Fenomenologia do espírito e deva ser preliminarmente esclarecido. | ||
| + | * O saber absoluto não deve ser entendido quantitativamente como saber de tudo, pois, para Hegel, absoluto e relativo caracterizam qualitativamente o modo de saber, de maneira que um saber poderia abranger tudo e ainda assim permanecer relativo quanto à sua maneira de saber. | ||
| + | * O saber relativo não é apenas um saber relacionado a algo, mas um saber que se deixa levar e prender pelo conhecido, permanece junto dele, entrega-se a ele e nele se perde, razão pela qual Hegel chama consciência esse saber cativo do que sabe. | ||
| + | * A possibilidade de um saber qualitativamente diferente do relativo exige que o saber se solte do conhecido sem abandoná-lo, | ||
| + | * A libertação do saber relativo começa quando a consciência, | ||
| + | * A autoconsciência ainda é saber relativo, pois, embora se desprenda do objeto imediato da consciência, | ||
| + | * A autoconsciência manifesta a possibilidade de libertação, | ||
| + | * O saber verdadeiramente não relativo é aquele que também se desprende da autoconsciência, | ||
| + | * Consciência, | ||
| + | * Todo saber relativo é qualitativamente limitado e, por isso, todo limitado se refere em sua multiplicidade ao absoluto ilimitado, fazendo surgir a necessidade de produzir uma totalidade do saber e um sistema da ciência no qual as relações múltiplas se libertem da contingência e se integrem na totalidade objetiva do saber. | ||
| + | * O saber absoluto é a ciência propriamente dita, e a ciência, enquanto saber absoluto, é essencialmente sistema, pois o sistema não é uma moldura externa nem uma ordenação posterior, mas a forma na qual o saber absoluto se compreende, se desdobra e se apresenta como sistema. | ||
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