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| ====== § 3. A fundamentação da metafísica como Crítica da razão pura ====== | ====== § 3. A fundamentação da metafísica como Crítica da razão pura ====== |
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| * A redução kantiana do problema da possibilidade da ontologia à interrogação acerca de como são possíveis os juízos sintéticos //a priori// estabelece que a fundamentação da metafísica deve processar-se necessariamente como uma Crítica da Razão Pura, exigindo que o conhecer seja concebido, conforme a tradição, sob a forma do juízo, no qual o compreender ontológico se volta ao ente para apreender aquilo que lhe pertence como constituição de seu ser. | * Redução kantiana do problema da possibilidade da ontologia à questão acerca da possibilidade dos **juízos sintéticos a priori**, estabelecendo a relação entre o fundamento da metafísica e a *Crítica da razão pura* como investigação das condições de possibilidade do conhecimento ontológico. |
| * O conhecimento ontológico é definido por Immanuel Kant como sintético por ser aquele que fornece o //quid// ou a essência do ente antes de qualquer experiência ôntica, de modo que a investigação sobre a possibilidade da ontologia transmuta-se no problema da essência dos juízos sintéticos //a priori//, os quais não podem encontrar legitimação na experiência sensível, uma vez que toda experiência já é orientada por uma compreensão ontológica prévia que determina o modo de dirigir o olhar ao objeto. | |
| * A razão pura é caracterizada como a faculdade que contém os princípios do conhecimento //a priori//, e a delimitação de sua essência funciona como o critério para determinar tanto a sua natureza quanto as suas restrições e limitações essenciais, o que confirma que a fundamentação da metafísica, ao revelar a essência da ontologia, constitui-se integralmente como uma Crítica da Razão Pura. | * Compreensão do conhecimento ontológico como forma de juízo, na qual o sujeito apreende o ente mediante um “//quê-é//” que é dado **a priori**, anterior à experiência, constituindo o modo pelo qual a ontologia oferece os fundamentos da experiência óntica. |
| * A síntese //a priori// representa o núcleo para o qual toda a crítica é propriamente direcionada, possuindo um sentido duplo no qual, por um lado, todo juízo opera um enlace entre sujeito e predicado e, por outro, nos juízos sintéticos, a legitimidade desse enlace provém de um aporte do próprio ente sobre o qual se julga, exigindo uma definição precisa desta síntese para a correta condução da fundamentação metafísica. | |
| * A síntese //a priori// manifesta-se como uma modalidade de referência prévia que fornece ao ente uma determinação de ser que a experiência não poderia extrair dele por si só, constituindo o horizonte e o para-onde dentro do qual o ente se torna perceptível à síntese empírica, o que define o caráter transcendental de toda investigação que se ocupa não dos objetos, mas do modo de conhecê-los enquanto este deve ser possível //a priori//. | * Caracterização dos juízos sintéticos como aqueles que revelam o ser do ente, em contraste com os juízos analíticos, e definição da tarefa da ontologia como determinação da **essência dos juízos sintéticos a priori**, cuja legitimidade não se encontra na experiência empírica, mas na razão. |
| * O conhecimento transcendental não se dedica ao estudo do ente em sua particularidade, mas sim à possibilidade da compreensão prévia do ser e à constituição ontológica do ser do ente, o que implica o ultrapassar da razão pura, ou a transcendência, em direção ao ente, permitindo que a experiência se ajuste a este como a um objeto possível dentro de um sistema de filosofia transcendental. | |
| * A Crítica da Razão Pura não deve ser compreendida como um sistema acabado de filosofia transcendental, mas como um tratado do método que elabora a determinação completa dos contornos gerais e da estruturação interna total da ontologia, traçando o projeto da possibilidade interna da metafísica como uma disciplina que se eleva à sua própria esfera de atuação. | * Definição da **razão pura** como a faculdade que contém os princípios do conhecimento a priori — “**razão pura é a faculdade que encerra os princípios do conhecimento a priori**” — e exposição de que a análise de sua essência equivale à elucidação da possibilidade do conhecimento ontológico, implicando simultaneamente sua limitação crítica e sua fundamentação metafísica. |
| * A interpretação da obra kantiana como uma mera teoria do conhecimento ou teoria da experiência das ciências positivas desvirtua a intenção original do autor, pois a Crítica não é uma teoria do conhecimento ôntico, mas sim do conhecimento ontológico, interrogando a possibilidade interna da metafísica geral em vez de substituí-la por uma epistemologia científica. | |
| * O problema transcendental da possibilidade do conhecimento sintético //a priori// equivale à busca pela essência da verdade da transcendência ontológica, denominada verdade transcendental, que precede e torna possível toda verdade empírica, visto que nenhum conhecimento pode contradizê-la sem perder seu conteúdo e sua referência ao objeto. | * Determinação da **síntese a priori** como núcleo da crítica, exigindo definição precisa da forma de enlace sujeito-predicado que caracteriza os juízos, e explicação de que todo juízo implica uma síntese, sendo esta, no caso a priori, uma **referência prévia ao ente**, que constitui o horizonte da experiência. |
| * A revolução copernicana promovida por Kant desloca o problema da ontologia para o centro da reflexão filosófica, estabelecendo que a verdade ôntica se orienta necessariamente pela verdade ontológica e que tal fundamentação deve perseguir a síntese //a priori// em seus germes originários sem pressupor a verdade das ciências positivas ou qualquer outro fato externo. | |
| * A fundamentação da metafísica é um trabalho de elevada complexidade que exige o mergulho em um sistema onde nada é dado como base exceto a própria razão, incumbindo-se da tarefa de desenvolver o conhecimento a partir de seus germes originários, sem o auxílio de fatos empíricos, para revelar a estrutura interna da possibilidade da ontologia. | * Definição do conhecimento **transcendental** como aquele que “**se ocupa não tanto dos objetos, mas do modo de conhecê-los, enquanto este deve ser possível a priori**”, de modo que não investiga o ente em si, mas a **possibilidade da compreensão prévia do ser**, isto é, a constituição ontológica da transcendência da razão em direção ao ente. |
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| | * Transformação da ontologia em **filosofia transcendental**, mediante a elevação do problema de sua possibilidade à questão da essência da transcendência do compreender, com o consequente uso kantiano do termo “filosofia transcendental” em substituição à *metaphysica generalis*, representando a crítica não como sistema, mas como **tratado de método** que delineia a estrutura interna da ontologia. |
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| | * Rejeição da interpretação da *Crítica da razão pura* como teoria da experiência ou das ciências positivas, afirmando-se que ela não constitui uma teoria do conhecimento empírico (*óntico*), mas sim do **conhecimento ontológico**, elevando pela primeira vez a ontologia à sua esfera própria como fundamento da metafísica. |
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| | * Interpretação da **revolução copernicana** kantiana como deslocamento do centro da metafísica para o problema da **verdade ontológica**, onde a “**verdade transcendental precede toda verdade empírica e a torna possível**”, servindo de medida e fundamento à verdade dos conhecimentos particulares. |
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| | * Determinação do problema transcendental como investigação da **essência da verdade da transcendência ontológica**, a partir da qual toda verdade empírica se deriva e adquire sentido, de modo que o exame da síntese a priori revela os germes internos que tornam possível o desenvolvimento da própria ontologia. |
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| | * Reconhecimento da originalidade da *Crítica da razão pura* como **fundamentação autônoma da metafísica**, elaborada “**sem apoiar-se em fato algum, mas desenvolvendo o conhecimento a partir de seus germes originários**”, e estabelecimento da tarefa filosófica de demonstrar como a possibilidade da ontologia se desdobra desde seus fundamentos primordiais. |
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