obra:ga27:filosofar-como-transcender-214a217
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| + | ===== FILOSOFAR COMO TRANSCENDER FAZ PARTE DA ESSÊNCIA DO SER-AÍ HUMANO (214-217) ===== | ||
| + | 12. Transcender é filosofar, quer aconteça de maneira implicitamente velada, quer seja tomado expressamente. | ||
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| + | Mostramos que a essência do teórico reside no deixar-ser o ente nele mesmo e denominamos esse deixar-ser uma ação originária do ser-aí. Agora fica claro com que riqueza o deixar-ser acontece no projeto ontológico, | ||
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| + | Como pergunta acerca do ser como tal, porém, o transcender expresso é o filosofar. Dessa forma, fica claro o que apenas afirmávamos em nosso primeiro encontro no início do semestre: o ser-aí humano como tal filosofa; existir significa filosofar. O ser-aí filosofa porque transcende. No transcender reside compreensão de ser. Todavia, como já ouvimos, a compreensão de ser pertence ao ser-aí; e, com efeito, na maioria das vezes, ela pertence ao ser-aí de um tal modo que, embora este efetivamente compreenda o ser, não obstante, não o concebe. O ser-aí não poderia existir como o que é e segundo o modo como é se ele, no fundo de sua essência, já não tivesse desde sempre desencoberto e compreendido algo assim como o ser. | ||
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| + | No entanto, a essência e o cerne do homem residem desde a Antiguidade no que chamamos " | ||
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| + | Contudo, não é outra coisa senão esse fato originário do ser-aí que é problematizado no transcender expresso, isto é, no filosofar. Com isso mostra-se o seguinte: a filosofia não precisa de início absolutamente imaginar e ir buscar para si muito longe um objeto qualquer; o próprio ser-aí em sua essência - enquanto transcendente - traz em si a pergunta possível pelo ser e pelo sentido do ser. Também aqui Platão viu o essencial: | ||
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| + | Deduzimos daí que filosofar pertence à essência do ser-aí humano, mas que, porém, a multidão não consegue se livrar das amarras daquilo que precisamente está em voga, daquilo sobre o que se fala e precisa ter visto. O filosofar não é senão o privilégio daqueles que estão prontos para compreender que o essencial repousa metafisicamente na simplicidade e no caráter originário do próprio ser-aí e que ele espera por libertação. | ||
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| + | Aristóteles, | ||
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| + | Aqui vem à tona a importante intelecção de que essa pergunta acerca do que é o ser sempre conduz uma vez mais a situações das quais não parece haver nenhuma saída. Em outras palavras: a pergunta fundamental do filosofar, "o que é o ser mesmo?", | ||
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| + | (Hoje, quando a pseudofilosofia e a metafísica são proclamadas em todas as esquinas, é mais importante do que nunca deixar as questões fundamentais do filosofar se tornarem questões, ou seja, formular uma vez mais a pergunta acerca do ser como tal. Precisamos compreender agora que justamente a formulação dessa questão já é o próprio filosofar.) | ||
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| + | Transcender expressamente enquanto filosofar é um reiterado perguntar sobre o ser do ente; inquirir o ser como tal significa buscar concebê-lo. O filosofar pergunta sobre o conceito daquilo que já compreendemos. A partir daí torna-se visível que justamente o filosofar está cercado pelas insinuações de sua mais tenaz opositora, pelas insinuações da suposta auto-evidência das coisas. | ||
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| + | Filosofar significa buscar conceber o ser como tal, formar a compreensão de ser em sua possibilidade interna e trazê-la para o seu fundamento, conformar uma compreensão, | ||
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| + | Filosofar significa buscar conceber o ser como tal e fundamentar de maneira principial a ontologia como problema. No entanto, não dizemos simplesmente: | ||
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