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| + | ====== GA26 – Introdução ====== | ||
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| + | * A lógica, em sua concepção tradicional, | ||
| + | * A lógica, entendida como ciência do logos, não trata das enunciações factuais isoladas, mas da estrutura essencial do pensar enquanto tal. O pensar é sempre um pensar de algo, e é a este algo — o ente — que se dirige a determinação lógica. Essa relação entre o pensamento e o ente manifesta-se em diversos domínios: o físico, o geométrico, | ||
| + | * Quando, porém, o pensamento se volta não a um ente particular, mas ao ato de pensar em geral, a lógica torna-se formal. Tal formalidade não implica ausência de objeto, mas indiferença quanto ao conteúdo particular do ente pensado. O pensamento formal ocupa-se do modo pelo qual qualquer ente pode ser pensado, e não do que ele é em sua singularidade. A lógica formal é, assim, a ciência das formas puras do pensamento, das leis que regem o ato de pensar como tal. | ||
| + | * Kant, ao reconhecer na lógica uma ciência concluída desde Aristóteles, | ||
| + | * A crise da lógica tradicional manifesta-se na sua esterilidade pedagógica: | ||
| + | * O propósito de uma lógica filosófica consiste em interrogar o pensar em seu pertencimento ao ser, e não apenas em sua correção formal. Tal tarefa implica uma reconsideração radical dos princípios que regulam o pensamento — identidade, não contradição, | ||
| + | * A filosofia, enquanto investigação do ser enquanto ser, é a ciência suprema que pergunta pelo fundamento de todo ente. Aristóteles a denomina primeira filosofia, pois interroga o ente não enquanto particularidade, | ||
| + | * O saber filosófico não é posse, mas busca incessante. O filósofo é aquele que ama e procura o saber, que se volta para o que é difícil, admirável e inútil aos propósitos práticos. Essa busca distingue-se da sofística, que apenas simula o saber e se contenta com a aparência. A filosofia exige seriedade — um modo de ser já tocado pela inquietação do essencial — e não mera erudição discursiva. | ||
| + | * A filosofia, portanto, é o esforço de compreender o ser. Mas compreender o ser implica também compreender o homem, pois é na existência humana que a questão do ser se manifesta. O homem é o ente que, em seu próprio modo de ser, compreende algo como ser. A transcendência do Dasein — seu projetar-se para além dos entes — é a condição originária de toda compreensão. | ||
| + | * A questão do ser é, assim, inseparável da questão do homem. A história da filosofia mostra como o problema do ser se desloca para o campo do pensamento e da subjetividade: | ||
| + | * Com isso, a questão ontológica e a questão antropológica se entrelaçam. O homem, enquanto Dasein, é o lugar de abertura do ser, e por isso a filosofia, ao interrogar o ser, interroga também o próprio homem. Essa interrogação não é psicológica nem ética, mas ontológica: | ||
| + | * O filosofar autêntico não busca construir sistemas nem oferecer consolo, mas libertar a existência para a liberdade do pensamento. A verdade filosófica não se mede por proposições corretas, mas pela fidelidade do pensador à sua própria abertura ao ser. A filosofia é, em sua essência, um modo de existir livre, não uma doutrina a ser possuída. | ||
| + | * A lógica, compreendida filosoficamente, | ||
| + | * O pensamento é, em sua essência, um determinar algo como algo, um revelar ou velar o ente. Ele é sempre verdadeiro ou falso, pois implica medida e adequação ao que é. Mas essa possibilidade de verdade depende do modo como o ser se abre ao homem. Assim, a questão da verdade conduz à questão da transcendência: | ||
| + | * Os princípios lógicos fundamentais — identidade, não contradição, | ||
| + | * A liberdade é a condição de possibilidade de toda lei, pois somente o ser livre pode estar submetido a uma obrigatoriedade. A lógica, portanto, não é apenas o estudo das leis do pensamento, mas o exame da liberdade do pensar em sua pertença ao ser. Nesse sentido, os fundamentos metafísicos da lógica são, ao mesmo tempo, os fundamentos ontológicos da liberdade. | ||
| + | * O pensar filosófico, | ||
| + | * A lógica tradicional, | ||
| + | * Retornar aos fundamentos metafísicos da lógica é, assim, desvelar a unidade originária entre ser, verdade, fundamento e liberdade. Só a partir desse horizonte o pensar pode ser verdadeiramente filosófico, | ||
