obra:ga19:estudos:symploke
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| + | ===== Symploke ===== | ||
| + | //DE BRASI, Diego; FUCHS, Marko J. (ORGS.). Sophistes: Plato’s dialogue and Heidegger’s lectures in Marburg (1924-25). Newcastle upon Tyne, UK: Cambridge Scholars Publishing, 2016.// | ||
| + | **O termo symplokē no [[p> | ||
| + | |||
| + | 1. A interpretação desenvolvida por Heidegger nas preleções de Marburgo de 1924–1925 identifica corretamente a presença do conceito de inter-relação, | ||
| + | * A reconstrução parte da afirmação de que Heidegger reconhece em Platão uma solução para o problema do [[f> | ||
| + | * No Banquete, a estrutura ontológica aparece figurativamente na origem e na natureza de [[f> | ||
| + | * A aproximação torna significativa a afirmação do Estrangeiro de Eleia de que aquilo que é, aquilo que não é e aquilo que é diferente de ambos podem, em determinado sentido, ser conjuntamente considerados. | ||
| + | |||
| + | 2. A questão decisiva consiste em determinar se a apresentação socrática de Eros pode ser entendida como uma antecipação alegórica da symplokē das [[f> | ||
| + | * Heidegger sustenta que Platão já havia apreendido o [[f> | ||
| + | * A symplokē torna possível pensar que algo seja e não seja simultaneamente, | ||
| + | * A descoberta do héteron no Banquete e a posterior solução do problema da negação mediante a symplokē no Sofista constituem, assim, fundamentos da lógica dialética. | ||
| + | |||
| + | **I. O caso da symplokē no Banquete** | ||
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| + | 3. A narrativa mítica do nascimento de Eros estrutura-se segundo uma antítese intensificada pela inversão dos papéis tradicionais de [[f> | ||
| + | * O diálogo de [[f> | ||
| + | * Poros e Penia representam polos nitidamente opostos, conhecimento e ignorância, | ||
| + | * A narrativa do nascimento de Eros funciona, portanto, para além da redefinição do amor, como cifra literária de um lógos filosófico acerca da presença de opostos num mesmo ente. | ||
| + | |||
| + | 4. O domínio intermediário indicado por Diotima entre contrários propriamente ditos aparece reiteradamente nas séries bom/mau, belo/feio, sábio/ | ||
| + | * O intermediário não constitui simples mistura indiferenciada dos polos, mas um terceiro modo de determinação. | ||
| + | * A estrutura lógico-ontológica dessas oposições abre espaço para algo que é diferente tanto de um extremo quanto do outro. | ||
| + | |||
| + | 5. Eros representa a afirmação da contradição ou da tensão entre polos no interior de um mesmo ente, vinculando-os pela presença do héteron no ón, de maneira que a fórmula tradicional “nem isto nem aquilo” é reinterpretada por Diotima por meio da figura do intermediário, | ||
| + | * Eros não é reduzido a fenômeno psicológico nem a poder exterior incidente sobre os seres. | ||
| + | * Sua natureza personifica estruturalmente aquilo que existe entre determinações antitéticas e participa de ambas sem ser plenamente nenhuma delas. | ||
| + | * A caracterização de Diotima como argumentadora sofisticada reforça a elaboração lógica daquilo que inicialmente aparece sob forma mítica. | ||
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| + | 6. O metaxý designa uma posição intermediária pela qual Eros participa simultaneamente das esferas divina e humana e, como grande daímon, separa e une deuses e homens, mantendo a coesão do cosmos ao mediar entre mortalidade e eternidade. | ||
| + | * O intermediário realiza simultaneamente diferenciação e ligação, evitando tanto a fusão dos extremos quanto sua separação absoluta. | ||
| + | * A função demoníaca preenche o intervalo entre os polos e constitui um terceiro mediador. | ||
| + | * Essa configuração aproxima Eros da posição atribuída ao filósofo no início do Sofista, igualmente situado entre modos heterogêneos de ser. | ||
| + | |||
| + | 7. A tradição platônica posterior confirma e desenvolve a função mediadora dos [[f> | ||
| + | * A remoção do domínio intermediário entre terra e lua destruiria a unidade e a comunhão do cosmos. | ||
| + | * Os conceitos de unidade e comunidade empregados nessa tradição evocam diretamente a estrutura de symplokē. | ||
| + | * Recusar a existência dos intermediários demoníacos equivaleria a separar radicalmente homens e deuses, destruindo o vínculo cosmológico entre ambos. | ||
| + | |||
| + | 8. A teoria xenocrática das coisas indiferentes, | ||
| + | * Sexto Empírico atribui a Xenócrates a divisão exaustiva de tudo aquilo que existe em bom, mau e indiferente. | ||
| + | * Filipe de Opunte situa igualmente os daímones numa região intermediária do universo e lhes atribui as funções de interpretação e transmissão que retomam a linguagem do Banquete. | ||
| + | * O modelo do intermediário recebe, portanto, desenvolvimento simultaneamente ontológico, | ||
| + | |||
| + | 9. Eros personifica também o instante de geração, génesis, situado entre vida e morte, fracasso e florescimento, | ||
| + | * A geração manifesta uma presença na qual o que ainda não é plenamente se torna presente. | ||
| + | * Essa estrutura aproxima o movimento de Eros da compreensão heideggeriana do produzir em direção à presença e do “ver” pelo qual algo é trazido à manifestação. | ||
| + | * Ser e não-ser deixam de constituir domínios absolutamente isolados e entram numa relação produtiva. | ||
| + | |||
| + | 10. A redução de Eros, de potência cosmogônica a princípio filosófico do intermediário, | ||
| + | * O filósofo somente busca a sabedoria porque não a possui plenamente e, ao mesmo tempo, reconhece suficientemente sua falta para desejá-la. | ||
| + | * A insuficiência socrática distingue-se da autossuficiência retórica de interlocutores que se apresentam como possuidores do saber. | ||
| + | * O metaxý torna-se, assim, estrutura não apenas ontológica, | ||
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| + | 11. A natureza sintética de Eros articula saber ([[lx> | ||
| + | * A posição intermediária não coincide necessariamente com neutralidade epistemológica. | ||
| + | * O mesmo espaço entre conhecimento e ignorância pode sustentar tanto o impulso filosófico quanto possibilidades sofísticas de ocultação. | ||
| + | * A tensão interna de Eros antecipa a proximidade estrutural e a diferença decisiva entre filósofo e sofista. | ||
| + | |||
| + | 12. A opinião correta, orthē [[f> | ||
| + | * A opinião correta contém um núcleo de verdade, embora não possa dar razão daquilo que afirma. | ||
| + | * O metaxý epistemológico conserva, assim, uma orientação positiva para o ser sem alcançar a plenitude do saber. | ||
| + | * A estrutura intermediária é novamente constituída pela participação parcial em determinações pertencentes aos dois extremos. | ||
| + | |||
| + | 13. A variabilidade contextual das determinações valorativas dos objetos sensíveis demonstra que a realidade física é marcada pela copresença de opostos, pois uma mesma coisa pode ser bela sob determinado aspecto e feia sob outro, bela num momento e feia em outro ou bela relativamente a uma coisa e feia relativamente a outra. | ||
| + | * Essa instabilidade das relações sensíveis prepara a passagem para a investigação mais geral da comunhão das Formas. | ||
| + | * A copresença de opostos, inicialmente observada nos particulares, | ||
| + | * O problema deixa de concernir apenas à relatividade das qualidades sensíveis e passa a envolver a possibilidade ontológica de determinadas Formas misturarem-se entre si e, em alguns casos, com todas as demais. | ||
| + | |||
| + | **II. O caso da symplokē no Sofista** | ||
| + | |||
| + | 14. A investigação do Sofista procura reconhecer o gênero do sofista mediante o método de divisão, [[f> | ||
| + | * A dialética somente se torna plenamente possível quando o outro, héteron, é compreendido como modalidade do não-ser, [[f> | ||
| + | * O termo háma, “simultaneamente”, | ||
| + | * O momento propriamente dialético não consiste numa divisão mecânica e estéril de termos, mas na explicitação das estruturas que aparecem durante a procura do sofista e, indiretamente, | ||
| + | |||
| + | 15. A demonstração da possibilidade da falsidade exige reinterpretar o não-ser e ultrapassar a dicotomia parmenidiana rígida entre realidade e não-realidade mediante uma terceira região constituída pelas imagens, [[f> | ||
| + | * O não-ser torna-se filosoficamente legítimo ao ser interpretado como diferente, héteron, e não como nada absoluto. | ||
| + | * As dificuldades relativas ao “é” e ao “não é” são tratadas conjuntamente porque ser e não-ser precisam ser compreendidos em relação. | ||
| + | * A investigação platônica do não-ser constitui uma das realizações centrais do período tardio. | ||
| + | * A importância dessa aporia explica a escolha heideggeriana de uma passagem do Sofista sobre a questão do ser como abertura de Ser e tempo (Sein und Zeit), indicando a necessidade de recolocar a pergunta pelo sentido de ser. | ||
| + | |||
| + | 16. A superação das teorias que definem o ser pela oposição fundamental entre movimento e repouso leva o Estrangeiro a afirmar que o ser é diferente de ambos, embora tanto movimento quanto repouso participem do ser, estabelecendo uma estrutura de combinação seletiva entre os gêneros. | ||
| + | * Movimento e repouso combinam-se com o ser, mas não entre si. | ||
| + | * Aos três gêneros acrescentam-se o Mesmo e o Outro, pois cada coisa é idêntica a si e diferente das demais. | ||
| + | * Tudo aquilo que é difere dos outros não por seu conteúdo intrínseco considerado isoladamente, | ||
| + | * A identidade interna de um ente e sua diferença relativa aos outros tornam-se determinações complementares. | ||
| + | |||
| + | 17. A teoria eleática da negação é desmontada mediante a articulação entre mesmidade, alteridade e participação, | ||
| + | * O “não-belo” não designa simplesmente o contrário absoluto do belo, mas aquilo que, participando da alteridade, é diferente do belo. | ||
| + | * A partícula negativa não governa primariamente o verbo “ser”, mas modifica a determinação predicativa que a segue. | ||
| + | * O não-X surge a partir da relação com X sem se reduzir a seu contrário polar. | ||
| + | * Essa estrutura torna possível atribuir não-ser a um sujeito sem eliminar completamente sua participação no ser. | ||
| + | |||
| + | 18. A explicação platônica da negação mediante a divisão da alteridade não pretende reduzir toda negação a essa divisão, mas tornar inteligível sua estrutura através dela. | ||
| + | |||
| + | 19. A distinção entre contrariedade polar e alteridade torna-se clara quando se comparam os pares tradicionais de contrários empregados nos diálogos — seco/ | ||
| + | * O não-belo não é apenas diferente do belo, mas encontra-se de alguma maneira colocado diante dele numa antítese. | ||
| + | * A antítese possui realidade ontológica e não deve ser confundida com a oposição absolutamente excludente. | ||
| + | * Pares como alto/baixo não são exaustivos, pois permitem uma terceira alternativa, | ||
| + | * A estrutura tripartite alto/ | ||
| + | * O não-ser possui natureza própria como uma única Forma distribuída entre todos os entes segundo suas relações recíprocas. | ||
| + | * Heidegger identifica corretamente nessa passagem um novo paradigma do não-ser: [[f> | ||
| + | |||
| + | 20. O não-ser não significa aquilo que se opõe absolutamente ao ser, mas aquilo que é outro em relação ao ser, de modo que a natureza da alteridade pode encontrar-se entre os entes sem constituir o contrário da natureza do ser. | ||
| + | * O não-ser é, em certo sentido, um ente porque participa do ser. | ||
| + | * Ele não é idêntico à Forma do ser justamente porque é outro que ela. | ||
| + | * A expressão “ser do não-ser” torna-se inteligível quando a alteridade substitui a oposição absoluta como chave ontológica. | ||
| + | |||
| + | 21. A sétima definição do sofista como produtor de imagens exige enfrentar diretamente a symplokē entre ser e não-ser, pois a imagem não é a coisa verdadeira que representa e, no entanto, existe como imagem. | ||
| + | * A imagem é diferente do original e, nessa medida, pertence ao domínio do não-ser relativo. | ||
| + | * Ao mesmo tempo, ela possui realidade própria enquanto imagem e pode ser denominada um “falso genuíno”. | ||
| + | * Heidegger interpreta o eídōlon como um “outro tal” e salienta a tensão entre ser diferente do verdadeiro e aparecer como contrário dele. | ||
| + | * A região da imagem ocupa, assim, uma posição intermediária entre realidade plena e inexistência absoluta. | ||
| + | * A conclusão heideggeriana segundo a qual a imagem, precisamente enquanto imagem, é e não é manifesta a symplokē de ón e mē ón. | ||
| + | |||
| + | 22. O [[f> | ||
| + | * A opinião falsa não percebe o não-ser simplesmente enquanto não-ser, mas o toma como ser. | ||
| + | * Inversamente, | ||
| + | * O lógos pseudēs torna-se possível tanto ao afirmar que o ser não é quanto ao afirmar que o não-ser é. | ||
| + | * A dificuldade central consiste em explicar como o não-ser pode integrar a realidade sem depender de uma identificação contraditória com o ser. | ||
| + | |||
| + | 23. A identificação explícita do “não-ser” com o “outro em relação ao ser” permite afirmar que todas as Formas são simultaneamente seres e não-seres em sentidos distintos, pois cada uma é ao participar do ser e não é relativamente ao próprio ser porque a diferença a torna outra. | ||
| + | * As partículas mē e ou indicam algo diferente daquilo que os nomes subsequentes significam. | ||
| + | * A negação não introduz um nada absoluto, mas remete a uma alteridade determinada. | ||
| + | * A admissão de que aquilo que não é está de algum modo combinado com aquilo que é implica uma interpenetração ontológica entre ser e não-ser. | ||
| + | |||
| + | 24. Contra a tese sofística da impossibilidade da falsidade, o juízo falso é compreendido como uma espécie de “julgar-outro”, | ||
| + | * Heidegger interpreta o lógos falso como symplokē entre ón, enquanto lógos existente, e mē ón, enquanto [[f> | ||
| + | * O fenômeno da symplokē expressa a possibilidade fundamental de o lógos abordar algo como algo. | ||
| + | * O ser aparece, nessa estrutura, como aquilo que se mostra no lógos, isto é, como legómenon. | ||
| + | * Como o héteron pode combinar-se com o ser, aquilo que é dito pode apresentar-se como diferente daquilo que propriamente é, produzindo encobrimento ([[lx> | ||
| + | * A comunhão delótica entre Mesmo e Diferente permite que o lógos seja verdadeiro ou falso. | ||
| + | * Uma proposição verdadeira diz aquilo que é relativamente ao objeto; uma proposição falsa apresenta coisas diferentes daquelas que são como se fossem as próprias coisas. | ||
| + | |||
| + | 25. A evolução da teoria platônica das antíteses desloca a oposição entre objetos sensíveis e Formas, pois, enquanto os particulares sempre puderam instanciar propriedades contrárias, | ||
| + | * Nos diálogos médios, a mesma coisa sensível pode mover-se e repousar sob aspectos distintos, enquanto Formas contrárias permanecem separadas. | ||
| + | * No [[p> | ||
| + | * No Sofista, cabe ao filósofo, comparado ao gramático, determinar quais Formas são consonantes e quais não admitem combinação. | ||
| + | * A separação, | ||
| + | * A realidade das Formas desloca-se da simples exclusão de predicados contrários para sua dýnamis de combinar-se segundo relações determinadas. | ||
| + | |||
| + | 26. A symplokē designa diretamente a situação ontológica da mistura entre Formas, pela qual múltiplos sujeitos lógicos são unos enquanto participam do ser e múltiplos enquanto participam simultaneamente de outras Formas máximas. | ||
| + | * Ser, Mesmo e Diferente parecem possuir capacidade particularmente ampla de combinação. | ||
| + | * A analogia gramatical entre vogais, consoantes e Formas mostra que algumas determinações combinam-se e outras permanecem incompatíveis. | ||
| + | * A diferença explica por que cada Forma é distinta de todas as outras e especialmente do próprio ser sem, por isso, deixar de ser. | ||
| + | |||
| + | 27. A etapa inicial da symplokē eidōn demonstra que cada Forma participa do ser e, ao mesmo tempo, torna-se múltipla mediante suas relações com os demais gêneros máximos, fazendo da identidade e da diferença dimensões simultâneas da constituição ontológica. | ||
| + | |||
| + | 28. A formulação de Sofista 259e4–6 segundo a qual o discurso existe graças ao entrelaçamento recíproco das Formas explicita a conexão essencial entre ontologia, negação e possibilidade do lógos. | ||
| + | * Depois de demonstrado o ser do não-ser e esclarecida a possibilidade da proposição falsa, o lógos é mostrado como capaz de misturar-se tanto com o ser quanto com o não-ser. | ||
| + | * A falsidade discursiva exige combinação com o não-ser porque dizer falsamente significa dizer coisas que não são relativamente ao sujeito de que se fala. | ||
| + | * Misturar-se com o não-ser significa relacionar-se com uma determinação outra entre os próprios entes, e não com o nada absoluto. | ||
| + | * As partes da Forma da diferença designam aquilo de que determinado sujeito não participa. | ||
| + | * A mesma estrutura de symplokē que organiza as Formas reaparece na composição do discurso, no qual nome e verbo precisam entrelaçar-se para constituir uma proposição significativa. | ||
| + | * O discurso humano somente é possível porque os significados gerais mantêm relações determinadas entre si. | ||
| + | * A produção de uma negação particular depende também da atividade daquele que estabelece discursivamente uma Forma em oposição a outra. | ||
| + | |||
| + | 29. A investigação da symplokē conduz diretamente às questões do ser do não-ser (Sein des Nichtseienden) e da existência do engano e do erro (die Existenz des Truges und des Irrtums), ambas personificadas pelo sofista e indispensáveis para que sua atividade possa ser ontologicamente compreendida. | ||
| + | |||
| + | **III. Conclusão** | ||
| + | |||
| + | 30. A concepção revolucionária de ser apresentada pelo Estrangeiro pode marcar uma transformação do pensamento platônico que desloca a filosofia da predominância da refutação socrática para uma metafísica na qual os entes são determinados por combinações específicas de Formas. | ||
| + | * A combinação do lógos com o héteron na constituição do discurso falso permite compreender ontologicamente os fenômenos da produção de imagens, como [[f> | ||
| + | * Ao esclarecer como algo pode existir e simultaneamente não existir sob determinado aspecto, Platão avança também em direção a uma compreensão ontológica do sensível, [[f> | ||
| + | * O filósofo precisa abandonar a alternativa rígida segundo a qual somente o imutável ou somente o mutável poderia ser e admitir que aquilo que é compreende conjuntamente o que permanece e o que muda. | ||
| + | * A symplokē torna-se, assim, princípio explicativo da pluralidade dinâmica do ser. | ||
| + | |||
| + | 31. Após o Parmênides, | ||
| + | * Movimento e repouso expressam, no Sofista, a capacidade de possuir determinações. | ||
| + | * O Estrangeiro pode ser compreendido como representante de uma etapa posterior do desenvolvimento filosófico platônico, na qual são solucionados problemas que Sócrates deixara em aberto. | ||
| + | * A teoria do Outro fornece uma explicação de como a opinião falsa é possível. | ||
| + | * Ela permite igualmente superar a dificuldade, | ||
| + | * O avanço do Sofista consiste em inserir verdade, falsidade, identidade e referência numa estrutura de relações e diferenças. | ||
| + | |||
| + | 32. A posição dramática do Estrangeiro de Eleia impede, contudo, sua identificação imediata com a voz do próprio Platão, pois ele pertence à tradição de Parmênides e Zenão ao mesmo tempo que formula teses profundamente antieleáticas, | ||
| + | * O Estrangeiro pode ser compreendido como figura do héteron ti, algo outro, inserida entre tradições filosóficas diferentes. | ||
| + | * Sua posição entre pensamento parmenidiano e pensamento platônico reproduz estruturalmente a função do metaxý. | ||
| + | * Assim como Eros no Banquete medeia entre domínios opostos sem coincidir plenamente com nenhum deles, o Estrangeiro medeia entre eleatismo e platonismo. | ||
| + | * A própria composição dramática do Sofista realizaria, nesse sentido, a estrutura de interconexão e intermediabilidade que o conceito de symplokē procura pensar. | ||
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