husserliana:zahavi:hl:neutralidade
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| husserliana:zahavi:hl:neutralidade [14/08/2026 09:25] – created - external edit 127.0.0.1 | husserliana:zahavi:hl:neutralidade [11/09/2026 04:01] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== Neutralidade metafísica ====== | ||
| + | //ZAHAVI, Dan. Husserl’s legacy: phenomenology, | ||
| + | |||
| + | 1. A afirmação husserliana de que questões metafísicas não pertencem ao âmbito imediato das Investigações lógicas introduz um problema interpretativo decisivo acerca da relação entre fenomenologia e metafísica, | ||
| + | |||
| + | 2. A dificuldade de responder de maneira unívoca decorre sobretudo da polissemia do próprio conceito de metafísica, | ||
| + | * Nos escritos de Heidegger posteriores a Ser e tempo (Sein und Zeit), a metafísica inicialmente ocupa lugar positivo em obras como Que é metafísica? | ||
| + | * Na fase posterior, Heidegger passa a considerar a metafísica uma forma de pensamento que encobre a diferença ontológica ([[lx> | ||
| + | * Essa crítica conduz Heidegger à tentativa de substituir o aparato conceitual metafísico por uma forma mais originária de pensamento. | ||
| + | * Levinas, ao contrário, contrapõe metafísica e ontologia: a ontologia heideggeriana seria totalizante porque reduz o outro ao mesmo, enquanto metafísica designaria abertura à alteridade e relação de transcendência com o absolutamente outro, razão pela qual a ontologia pressuporia a metafísica. | ||
| + | * Sartre define a metafísica como investigação dos processos individuais que deram origem ao mundo enquanto totalidade concreta, distinguindo-a da ontologia, que descreve estruturas do ser, enquanto a metafísica procura explicar acontecimentos como o surgimento do para-si. | ||
| + | * Derrida sustenta que a fenomenologia permanece, apesar de suas pretensões de ruptura, presa à metafísica da presença, porque continua privilegiando identidade sobre diferença, proximidade sobre distância e presença sobre ausência, e considera impossível abandonar completamente a tradição metafísica porque toda crítica ainda depende dos conceitos que procura desconstruir. | ||
| + | |||
| + | 3. A análise deve concentrar-se na posição do próprio Husserl e distinguir a fenomenologia descritiva pré-transcendental das Investigações lógicas de sua posterior fenomenologia transcendental, | ||
| + | |||
| + | **2.1 Metafísica nas Investigações lógicas** | ||
| + | |||
| + | 4. Nas Investigações lógicas, o projeto husserliano consiste em fornecer novos fundamentos à lógica pura e à epistemologia mediante uma teoria do conhecimento capaz de explicitar as condições de possibilidade do conhecimento objetivo, sem transformar em problema epistemológico a questão metafísica de saber se existe uma realidade independente da consciência. | ||
| + | * A questão de como uma consciência poderia alcançar uma realidade independente da mente é rejeitada nesse estágio por já pressupor uma determinada formulação metafísica. | ||
| + | * A própria existência de uma realidade exterior é excluída da teoria do conhecimento e transferida para o domínio da metafísica. | ||
| + | * Metafísica designa então a disciplina destinada a investigar as pressuposições das ciências que tratam da realidade e, em particular, a natureza e a existência do mundo externo. | ||
| + | * A teoria da ciência ([[lx> | ||
| + | * Por essa razão, a teoria da ciência possui prioridade fundacional sobre a metafísica. | ||
| + | |||
| + | 5. Diversas passagens das Investigações lógicas reiteram essa separação ao caracterizar a fenomenologia como investigação neutra, colocar as questões epistemológicas antes de qualquer metafísica e atribuir às seis investigações uma ausência de pressuposições metafísicas. | ||
| + | |||
| + | 6. Husserl rejeita na Segunda Investigação definições metafísicas do ser-em-si ([[lx> | ||
| + | |||
| + | 7. A orientação descritiva da fenomenologia pode, assim, ser diretamente associada à sua neutralidade metafísica, | ||
| + | |||
| + | **2.2 Realismo — idealismo** | ||
| + | |||
| + | 8. A neutralidade metafísica das Investigações lógicas implica que a oposição entre realismo metafísico e idealismo metafísico deve permanecer metodologicamente suspensa, já que ambos procuram responder à questão, considerada extrafenomenológica nesse estágio, acerca da existência e independência da realidade externa. | ||
| + | |||
| + | 9. A interpretação realista da primeira fenomenologia husserliana possui longa tradição, tendo sido sustentada por discípulos de Göttingen e posteriormente por autores como Levinas e D. W. Smith, que viram na teoria inicial da intencionalidade uma forma de realismo segundo a qual o mundo existe independentemente da consciência e suas essências podem ser conhecidas pela percepção e pelo juízo. | ||
| + | |||
| + | 10. A teoria husserliana da intencionalidade não oferece, contudo, fundamento suficiente para uma conclusão metafisicamente realista, pois a relação entre ato e objeto é intencional, | ||
| + | * Um ato continua dirigido a seu objeto quer este seja real, ideal, possível, impossível ou inexistente. | ||
| + | * A referência objetiva pertence à estrutura descritiva do próprio ato e não depende de uma relação causal efetiva com uma entidade exterior. | ||
| + | * O objeto pode ser fictício ou absurdo sem que isso elimine a estrutura intencional da experiência. | ||
| + | * Por conseguinte, | ||
| + | |||
| + | 11. A crítica husserliana ao representacionalismo também foi interpretada como indício de realismo, sobretudo porque a consciência estaria, de início e na maior parte das vezes ([[lx> | ||
| + | * Realismo direto e realismo metafísico pertencem a níveis conceituais diferentes e não precisam ocorrer conjuntamente. | ||
| + | * Existem formas de idealismo compatíveis com uma concepção não representacionalista da percepção. | ||
| + | * A posterior adesão husserliana ao idealismo transcendental foi parcialmente motivada, justamente, pela intenção de preservar uma relação perceptiva direta com os objetos. | ||
| + | * Quando Husserl identifica objeto intencional e objeto real, seu alvo principal é a teoria triádica de Twardowski, segundo a qual um objeto intencional intramental mediaria a referência ao objeto efetivamente pretendido. | ||
| + | * Para Husserl, não existem dois objetos — um mental e outro exterior —, mas somente o objeto que é intencionado. | ||
| + | |||
| + | 12. A afirmação de que objeto intencional e objeto efetivo coincidem não significa que todo objeto intencional exista realmente, mas apenas que, quando o objeto pretendido existe, é justamente esse objeto existente, e não uma representação intermediária, | ||
| + | * A distinção correta deve ser feita entre objeto meramente intencional e objeto intencional efetivamente existente. | ||
| + | * Dizer que algo é “meramente intencional” significa que existe a intenção dirigida a esse objeto, sem que o próprio objeto precise existir. | ||
| + | * Quando o objeto existe, ele é simultaneamente intencionado e, em princípio, capaz de ser dado. | ||
| + | |||
| + | 13. A diferença entre objetos meramente intencionados e objetos existentes permanece descritiva e não metafísica, | ||
| + | * A coisa em si ([[lx> | ||
| + | * Fenomenologicamente, | ||
| + | * Por isso Husserl pode falar da percepção como automanifestação do próprio objeto. | ||
| + | * A noção de “efetivo” ([[lx> | ||
| + | |||
| + | 14. Uma interpretação idealista das Investigações lógicas também encontra dificuldades, | ||
| + | |||
| + | 15. Herman Philipse procura contornar essa rejeição explícita interpretando Husserl como fenomenalista e idealista redutivo, apoiando-se na passagem da primeira edição segundo a qual as coisas do mundo fenomenal seriam constituídas da mesma “matéria” que as sensações. | ||
| + | * Nessa interpretação, | ||
| + | * A percepção seria então explicada por uma teoria projetiva: conteúdos sensíveis imanentes receberiam uma forma intencional objetivante e seriam projetados para fora como realidade transcendente. | ||
| + | * A transcendência do objeto percebido seria, metafisicamente, | ||
| + | * Constituição significaria, | ||
| + | |||
| + | 16. Philipse reconhece a suspensão husserliana das questões metafísicas, | ||
| + | |||
| + | 17. Essa interpretação depende, porém, de uma leitura equivocada da noção husserliana de perfil ou adumbramento ([[lx> | ||
| + | * Os adumbramentos podem designar, em um sentido, momentos experienciais mediante os quais propriedades são apresentadas e, em outro, aspectos do próprio objeto que aparecem perspectivamente. | ||
| + | * As sensações pelas quais uma cor, uma superfície ou uma forma são apresentadas não são idênticas à cor, à superfície ou à forma objetiva da coisa. | ||
| + | * O aspecto experiencial não espacial da aparição não pode ser confundido com o aspecto espacial do objeto que aparece. | ||
| + | * Philipse utiliza os dois sentidos de Abschattung como se fossem equivalentes e, assim, converte indevidamente aspectos objetivos perspectivos em conteúdos imanentes da consciência. | ||
| + | |||
| + | 18. A distinção entre propriedades objetivas e sensações já é explicitada nas Investigações lógicas, onde Husserl adverte contra o uso ambíguo de termos como “cor”, “lisura” e “forma” tanto para propriedades das coisas quanto para sensações pelas quais essas propriedades são apresentadas. | ||
| + | * Sensações interpretadas podem apresentar propriedades objetivas, mas não são essas próprias propriedades. | ||
| + | * Animais, árvores e demais objetos intuídos não podem ser reduzidos a complexos de ideias ou conteúdos fenomenológicos localizados dentro da consciência. | ||
| + | * O objeto que aparece transcende a aparição pela qual é dado. | ||
| + | |||
| + | 19. Na Quinta Investigação, | ||
| + | * Ao perceber um tomate vermelho, dirige-se a consciência ao tomate e à sua cor, não ao ato visual ou às sensações que integram a experiência. | ||
| + | * Sensações e atos de apreensão são vividos, mas não aparecem como objetos. | ||
| + | * Objetos aparecem e são percebidos, mas não são vividos como componentes imanentes da corrente de consciência. | ||
| + | |||
| + | 20. A interpretação redutivamente idealista segundo a qual o objeto nada seria além de um complexo de sensações revestido de exterioridade por uma interpretação objetivante contradiz explicitamente a fenomenologia husserliana, | ||
| + | * O aparecer da coisa não é a coisa que aparece. | ||
| + | * Predicados aplicáveis à aparição não são automaticamente predicados do objeto. | ||
| + | * Ainda que a teoria inicial de Husserl sobre sensações e o esquema matéria-forma apresente dificuldades reais, essas dificuldades não autorizam concluir que os objetos percebidos sejam projeções de conteúdos mentais. | ||
| + | * Quando Husserl afirma que as coisas são “constituídas a partir” da mesma matéria das sensações, | ||
| + | |||
| + | 21. A referência husserliana à coisa em si (Ding an sich) tampouco rompe a neutralidade metafísica, | ||
| + | |||
| + | **2.3 Libertação ou restrição** | ||
| + | |||
| + | 22. A neutralidade metafísica pode ser interpretada como força filosófica, | ||
| + | * Ao assumir uma atitude puramente descritiva, a fenomenologia suspenderia o próprio quadro conceitual que produz o problema metafísico tradicional do conhecimento. | ||
| + | * Aquilo que aparece, precisamente enquanto aparece, não precisaria ser imediatamente classificado como interno ou externo, subjetivo ou objetivo, mas poderia ser considerado simplesmente como fenômeno ou dado. | ||
| + | |||
| + | 23. A fenomenologia, | ||
| + | |||
| + | 24. A neutralidade metafísica não deve, portanto, ser confundida com impotência filosófica, | ||
| + | |||
| + | 25. Heidegger já observava em 1919 que a autointerpretação metodológica de Husserl nas Investigações lógicas não correspondia inteiramente às análises efetivamente realizadas, sendo necessário distinguir as declarações programáticas husserlianas do movimento filosófico concreto da obra. | ||
| + | * A caracterização inicial da fenomenologia como psicologia descritiva foi posteriormente reconhecida pelo próprio Husserl como inadequada. | ||
| + | * Se a fenomenologia da aparição fosse realmente reduzida a análise psicológica, | ||
| + | * A divergência entre programa metodológico e prática analítica impede, portanto, uma leitura completamente homogênea da primeira edição. | ||
| + | |||
| + | 26. Algumas declarações programáticas das Investigações lógicas restringem expressamente a fenomenologia aos conteúdos imanentes ([[lx> | ||
| + | * Na Terceira e na Quinta Investigações, | ||
| + | * A transcendência do objeto parece exigir sua exclusão do campo fenomenológico. | ||
| + | * Levadas literalmente, | ||
| + | |||
| + | 27. As próprias Investigações lógicas contêm, contudo, uma orientação oposta, pois Husserl reconhece que o ato possui conteúdo imanente e conteúdo intencional ideal, afirma que a referência objetiva é uma característica descritiva do próprio ato e efetivamente analisa continuamente a correlação entre experiência e objeto intencional. | ||
| + | * A prática fenomenológica ultrapassa, assim, algumas das limitações impostas por suas formulações metodológicas iniciais. | ||
| + | * Na segunda edição, Husserl reconhece explicitamente que a objetividade intencional constitui uma dimensão descritiva própria e legitimamente fenomenológica. | ||
| + | * A posterior distinção entre [[lx> | ||
| + | |||
| + | 28. A inclusão da objetividade intencional no campo fenomenológico não contradiz necessariamente a insistência posterior de Husserl na imanência, porque A ideia da fenomenologia distingue dois sentidos fundamentalmente diferentes de imanência e transcendência. | ||
| + | * Num primeiro sentido, imanente é aquilo que constitui parte real (reell) do ato consciente, enquanto transcendente é aquilo que não está contido como componente na experiência. | ||
| + | * Num segundo sentido, imanência designa aquilo que é dado com evidência e intuitivamente apreendido, enquanto transcendência significa aquilo que é apenas presumido ou posto sem autodoação. | ||
| + | * A primeira distinção é psicológica ou mereológica, | ||
| + | * Os dois sentidos não coincidem: um objeto transcendente ao ato no primeiro sentido pode ser imanente no segundo quando se oferece intuitivamente em pessoa. | ||
| + | * Identificar evidência com inclusão real dentro da consciência constitui, para Husserl, um erro fatal. | ||
| + | * A exigência posterior de permanecer na imanência significa, portanto, restringir-se ao que pode ser evidencialmente acessado em primeira pessoa, não abandonar os objetos transcendentemente apresentados. | ||
| + | |||
| + | 29. A avaliação das Investigações lógicas depende inevitavelmente de sua relação com a posterior fenomenologia transcendental, | ||
| + | * Uma interpretação mais plausível considera a virada transcendental resposta a insuficiências internas da fenomenologia descritiva. | ||
| + | * O próprio Husserl reconheceu que sua apresentação metodológica inicial não expressava adequadamente o verdadeiro sentido das investigações realizadas. | ||
| + | * Nas aulas de 1906–1907, | ||
| + | * Husserl chegou posteriormente a reconhecer elementos prototranscendentais nas próprias Investigações lógicas. | ||
| + | * O jovem Heidegger também identificou nelas um “motivo transcendental propriamente estimulante”, | ||
| + | |||
| + | 30. A leitura de Benoist pode parecer transcendental quando compreende a nova noção de doação como horizonte mais fundamental no interior do qual podem ser colocadas questões acerca de realidade, idealidade, subjetividade e objetividade e quando afirma que a análise da intencionalidade deve abranger simultaneamente ato e objeto. | ||
| + | * Essa interpretação contrasta com a de De Boer, para quem Husserl continuaria acreditando numa realidade objetiva independente situada além dos fenômenos e simplesmente excluiria essa crença metafísica de sua investigação psicológica da intencionalidade. | ||
| + | * Na leitura de De Boer, a neutralidade significa limitação temática: questões metafísicas existem, mas ficam fora da competência da fenomenologia. | ||
| + | * Em Benoist, ao contrário, a própria descrição fenomenológica da doação parece redefinir o espaço em que as questões metafísicas podem adquirir sentido, aproximando-se de uma função transcendental. | ||
| + | |||
| + | 31. Benoist, porém, rejeita explicitamente essa interpretação transcendental e sustenta que a correlação entre manifestação e aquilo que se manifesta já pertence à descrição pura, sem exigir uma fundamentação ou dedução subjetiva transcendental. | ||
| + | |||
| + | 32. A resistência de Benoist parece depender de uma concepção demasiado estreita e especificamente kantiana de transcendentalidade, | ||
| + | |||
| + | 33. A questão decisiva consiste em saber se a neutralidade metafísica das Investigações lógicas liberta a fenomenologia de pseudoproblemas ou a impede de enfrentar questões filosoficamente importantes, | ||
| + | * Uma primeira posição considera libertadora a rejeição da metafísica porque os problemas tradicionais desse domínio teriam durante demasiado tempo enredado a filosofia em questões mal formuladas. | ||
| + | * Uma segunda posição aceita que a fenomenologia seja empreendimento descritivo limitado e sustenta que ela pode preparar uma metafísica sem possuir recursos próprios para responder diretamente às questões metafísicas. | ||
| + | * Uma terceira posição considera a neutralidade uma autolimitação desnecessária, | ||
| + | |||
| + | 34. Essas três reações não são necessariamente incompatíveis, | ||
| + | |||
| + | 35. A neutralidade metafísica inicial produz, entretanto, uma dificuldade epistemológica concreta ao afirmar que a existência independente do objeto intencional é fenomenologicamente irrelevante e que a estrutura intrínseca do ato permanece a mesma existindo ou não seu objeto. | ||
| + | * Essa posição impede, nas Investigações lógicas, distinguir fenomenologicamente uma percepção verídica de uma alucinação correspondente. | ||
| + | * Uma percepção de um livro azul e uma alucinação de um livro azul podem compartilhar uma apresentação intuitiva semelhante, enquanto a questão de saber se o objeto realmente existe fica metodologicamente suspensa. | ||
| + | * Essa consequência torna-se problemática precisamente porque Husserl pretendia que a fenomenologia contribuísse decisivamente para uma teoria do conhecimento. | ||
| + | * Uma epistemologia incapaz de esclarecer a diferença entre percepção verídica e não verídica permanece incompleta, independentemente de se aceitar ou rejeitar a metafísica tradicional. | ||
| + | |||
| + | **2.4 Metafísica e teoria da ciência** | ||
| + | |||
| + | 36. As aulas Introdução à lógica e à teoria do conhecimento, | ||
| + | |||
| + | 37. Husserl mantém inicialmente a diferença entre metafísica, | ||
| + | * Dentro da própria metafísica passa a distinguir uma metafísica material, empírica e a posteriori de uma metafísica formal e a priori. | ||
| + | * A primeira, denominada também ciência radical ou ciência última do ser, constitui a metafísica no sentido mais próprio. | ||
| + | * A segunda corresponde mais adequadamente a uma ontologia a priori. | ||
| + | * A metafísica material pressupõe não apenas os resultados das ciências empíricas, mas também uma epistemologia previamente esclarecida pela fenomenologia. | ||
| + | * A teoria do conhecimento pode, nesse sentido, funcionar como ciência formal do ser e fornecer as condições para uma metafísica científica do real. | ||
| + | |||
| + | 38. Os problemas mais profundos do conhecimento passam a ser explicitamente vinculados aos problemas transcendentais, | ||
| + | * A metafísica deixa, assim, de constituir uma disciplina inteiramente independente e exterior à fenomenologia. | ||
| + | * A fenomenologia transcendental torna-se investigação prévia indispensável para esclarecer as condições de sentido, validade e conhecimento sobre as quais uma ciência da realidade pode ser edificada. | ||
| + | * Em terminologia posterior, a fenomenologia transcendental assume o estatuto de filosofia primeira, enquanto a metafísica passa a constituir filosofia segunda. | ||
| + | * A metafísica permanece voltada à efetividade e ao ser real, enquanto a fenomenologia transcendental, | ||
| + | * Ainda assim, afirmar que a fenomenologia prepara e fundamenta uma metafísica não equivale a identificar diretamente todas as análises fenomenológicas com investigações metafísicas. | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
