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| + | ====== Meditações Cartesianas ====== | ||
| + | **Introdução (resumo)** | ||
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| + | **§ 1. As Meditações de Descartes como modelo da autorreflexão filosófica** | ||
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| + | * Poder falar da fenomenologia transcendental nesta digníssima morada da ciência francesa enche de alegria por um motivo particular, pois foi o maior pensador francês, René Descartes, quem, com suas Meditações, | ||
| + | * Partindo dos motivos das Meditationes de Prima Philosophia que possuem valor eterno, pretende-se caracterizar, | ||
| + | * Todo iniciante em filosofia conhece o maravilhoso processo de pensamento contido nas Meditações, | ||
| + | * Essa exigência de reconstrução age em Descartes no sentido de uma filosofia subjetivamente orientada, cumprida em dois graus significativos: | ||
| + | * Ao decidir viver na consecução desse fim — decisão que sozinha pode conduzir ao devir filosófico —, escolhe-se iniciar pela absoluta pobreza de conhecimentos, | ||
| + | * Voltando-se ao conteúdo das Meditações, | ||
| + | * Visando com radical consequência o fim de um conhecimento absoluto, o meditante se interdita de considerar como existente aquilo que não permaneça garantido contra toda possibilidade admissível de dúvida, cumprindo assim uma crítica metódica da certeza vivida na experiência e no pensamento naturais, tendo em vista a possibilidade de colocá-la em dúvida, e buscando obter, ao excluir tudo que deixe aberta uma possibilidade de dúvida, um eventual conteúdo de evidências absolutas. | ||
| + | * Procedendo com esse método, a certeza da experiência, | ||
| + | * O ego assim reduzido cumpre então uma espécie de processo filosófico solipsista, buscando apoditicamente uma via segura pela qual, em sua pura interioridade, | ||
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| + | **§ 2. Necessidade de um novo começo radical da filosofia** | ||
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| + | * Cabe perguntar se realmente vale a pena buscar atribuir a esses pensamentos um valor de eternidade, e se ainda são capazes de infundir força vital ao presente. | ||
| + | * É digno de meditação o fato de que as ciências positivas, que deveriam ter obtido nessas Meditações uma fundação racional absoluta, pouco se preocuparam com elas; é certo que essas ciências, após um desenvolvimento brilhante de três séculos, se sentem impedidas pela falta de clareza em seus princípios, | ||
| + | * Pesa muito o fato de que as Meditações tiveram um sucesso verdadeiramente único para uma obra filosófica, | ||
| + | * A dispersão da filosofia contemporânea em sua atividade desordenada dá o que pensar: desde meados do século passado houve um decaimento inegável em comparação ao século anterior, se se considera a filosofia ocidental do ponto de vista da unidade da ciência, unidade perdida tanto na determinação do fim quanto na problemática e no método, pois desde o início da idade moderna a fé religiosa se exteriorizou cada vez mais num convencionalismo sem vida, e a humanidade intelectual se ergueu à nova grande fé, a fé na autonomia da filosofia e da ciência, devendo toda a cultura humana reformar-se numa nova cultura autônoma. | ||
| + | * Essa nova fé também perdeu seu caráter genuíno e se enfraqueceu, | ||
| + | * Dado que são tantos os filósofos e ainda mais as filosofias, tal estudo e colaboração seriam de fato possíveis? Há, na verdade, congressos filosóficos, | ||
| + | * Nessa época infeliz, talvez a situação presente se assemelhe àquela em que se encontrou Descartes em sua juventude: não seria já tempo de fazer reviver seu radicalismo filosófico originário? | ||
| + | * A nostalgia de uma filosofia vital levou, na idade moderna, a diversos renascimentos; | ||
| + | * Fica assim assinalado o caminho que conduziu à fenomenologia transcendental. | ||
| + | * Propõe-se percorrer juntos esse caminho, cartesianamente, | ||
