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| + | ====== Investigações lógicas II ====== | ||
| + | **A estrutura das seis Investigações (Dermot Moran)** | ||
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| + | * enquanto os Prolegômenos foram escritos com propósito único e permanecem, para os padrões de Husserl, texto relativamente direto, as seis Investigações do segundo volume parecem à primeira vista muito menos unificadas e coerentes, testemunhando a maioria dos comentadores seu caráter desigual, fragmentário e disperso | ||
| + | * Husserl advertiu que a obra não podia ser considerada exposição acabada de resultados científicos nem um livro ou obra no sentido literário, devendo antes ser vista como uma cadeia sistematicamente vinculada de investigações, | ||
| + | * "one book or work in the literary sense" | ||
| + | * "eine Reihe analyticher Untersuchungen" | ||
| + | * " | ||
| + | * a obra devia ser vista como desenvolvimento vivo de ideias filosóficas, | ||
| + | * um comentador recente, Kit Fine, observou, referindo-se especificamente à Terceira Investigação mas com justiça aplicável ao todo, que a amplitude da obra faz com que se descubram, com crescente entusiasmo, as riquezas ocultas sob sua superfície rude e aparentemente impenetrável | ||
| + | * "Such is the range of the work that it is with a growing sense of excitement that one discovers the riches that lie beneath its rough and seemingly impenetrable exterior" | ||
| + | * David Bell identificou uma estrutura tripartite na obra, estabelecendo os Prolegômenos a necessidade de unidades ideais na lógica e no conhecimento em geral, esclarecendo as quatro primeiras Investigações questões de linguística, | ||
| + | * as Investigações são, portanto, mais unificadas do que sua aparência exterior sugere, ricas em insights filosóficos sofisticados, | ||
| + | * em parte, a estrutura progressiva da obra é obscurecida pela tendência de Husserl a empreender críticas exaustivas de outras posições para chegar à própria visão de modo indireto, expondo-a depois de forma circunspecta e tentativa, advertindo sempre quanto à necessidade de análises e distinções ulteriores | ||
| + | * tem-se sempre a sensação de uma filosofia em curso, e não de um sistema acabado, de escutar uma grande mente a comungar consigo mesma, procedendo as Investigações, | ||
| + | * "im Zickzack" | ||
| + | * " | ||
| + | * toda a abordagem de Husserl tem o caráter de um tal questionamento retrospectivo, | ||
| + | * as seis longas Investigações do segundo volume ocupam-se de analisar elementos da forma do conhecimento, | ||
| + | * Husserl começa pela estrutura geral dos signos e das expressões significativas, | ||
| + | * ao longo do percurso, oferecem-se críticas contundentes a visões prevalentes, | ||
| + | * um pressuposto básico da compreensão husserliana do conhecimento é que o conhecimento é essencialmente entendido e comunicado sob a forma de enunciados expressivos, | ||
| + | * Husserl emprega tanto Sinn quanto Bedeutung para significado, | ||
| + | * tanto Frege quanto Husserl concordam que o sentido de um enunciado é unidade ideal não afetada pelo ato psíquico que o apreende, nem pelo material psíquico, imagens mentais, sentimentos, | ||
| + | * a lógica, a matemática e as demais ciências formais ocupam-se de processar as leis que regem essas unidades ideais abstratas, caracterizadas por Husserl como tendo um ser em si, unidades em multiplicidades, | ||
| + | * " | ||
| + | * " | ||
| + | * como afirma Husserl nos Prolegômenos, | ||
| + | * apesar de os objetos da lógica serem ideais e atemporais, devem também ser acessíveis e apreensíveis pela mente humana, sendo impensável que tais objetos ideais não pudessem ser apreendidos em atos e vivências psíquicas subjetivas apropriadas | ||
| + | * "it is unthinkable that such ideal objects could not be apprehended in appropriate subjective psychic acts and experiences" | ||
| + | * é simples fato que esses significados ideais se apresentam a nós como algo subjetivamente apreendido, confrontando-nos os objetos ideais como formações subjetivamente produzidas na vivência e no fazer formador, sendo este seu ser-para, sempre verdades para alguma mente possível, constituindo os atos subjetivos atos constituintes dessas objetividades ideais | ||
| + | * "ideal objects confront us as subjectively produced formations in the lived experiencing and doing of the forming" | ||
| + | * a questão que se coloca é como essas vivências psíquicas ocultas se correlacionam com as idealidades, | ||
| + | * para Husserl, o interesse primário daquilo que denomina fenomenologia no segundo volume das Investigações não está em identificar a natureza ideal das idealidades, | ||
| + | * inicialmente, | ||
| + | * após 1901, Husserl percebeu ter sido equívoco caracterizar em termos psicológicos as essências dos atos cognitivos e seus objetos correlativos, | ||
| + | * foi somente cerca de quatro anos depois das Investigações, | ||
| + | * Husserl pensa que os próprios atos intencionais podem ser isolados como válidos para todas as consciências possíveis, não discutindo a fenomenologia estados de animais, mas antes percepções enquanto tais, volições enquanto tais, assim como a aritmética pura trata do número puro e a geometria de formas puras, e não das formas efetivamente encontradas na natureza | ||
| + | * cabia à fenomenologia, | ||
| + | * Husserl está ciente de que não se pode simplesmente supor apreendidos os conceitos apenas por se compreenderem os significados das palavras que os exprimem, havendo ambiguidades ocultas nas expressões linguísticas, | ||
| + | * deseja-se tornar evidente, em intuições plenamente desenvolvidas, | ||
| + | * "We desire to render self-evident in fully-fledged intuitions that what is here given in actually performed abstractions is what the word-meanings in our expression of the law really and truly stand for" | ||
| + | * o objetivo é alcançar clareza e distinção nos conceitos mediante as desambiguações apropriadas que possam ser levadas à clareza intuitiva | ||
| + | * para Husserl, as questões relativas à relação entre o objetivo e os atos subjetivos da mente, questões sobre o sentido da chamada adequatio rei ad intellectus, | ||
| + | * como pode a idealidade do universal enquanto conceito ou lei entrar no fluxo dos estados mentais reais e tornar-se posse epistêmica da pessoa pensante | ||
| + | * "How can the ideality of the universal qua concept or law enter the flux of real mental states and become an epistemic possession of the thinking person?" | ||
| + | * é preciso passar de um desempenho ingênuo de atos a uma atitude de reflexão, a Einstellung der Reflexion, buscando Husserl descobrir as relações a priori entre o significado e sua expressão, estabelecendo a base disso na Primeira Investigação | ||
