husserliana:fink:proximidade:reducao
Differences
This shows you the differences between two versions of the page.
| husserliana:fink:proximidade:reducao [03/07/2026 10:07] – created - external edit 127.0.0.1 | husserliana:fink:proximidade:reducao [11/09/2026 03:54] (current) – external edit 127.0.0.1 | ||
|---|---|---|---|
| Line 1: | Line 1: | ||
| + | ====== REDUÇÃO FENOMENOLÓGICA DE HUSSERL ====== | ||
| + | (EF1994: | ||
| + | |||
| + | |||
| + | |||
| + | |||
| + | ==== Proximité et distance ==== | ||
| + | * A honra e o privilégio de discorrer sobre o pensamento de Edmund Husserl no local onde sua obra é preservada e estudada com honestidade, | ||
| + | * A reflexão sobre a filosofia como uma realização do espírito humano particularmente ameaçada pelo perigo de se petrificar em sua forma de expressão, perecendo ao se tornar documento, contraposta à afirmação hegeliana de que "a força do espírito é apenas tão grande quanto sua exteriorização, | ||
| + | * A constatação de que, quanto mais abrupto é o impacto que conduz o pensamento a se opor ao conhecimento familiar do mundo, mais tensa se torna a relação entre pensamento e expressão. | ||
| + | * A caracterização da filosofia como um processo revolucionário que, ao tratar do conhecido de uma maneira não pré-concebida, | ||
| + | * A impossibilidade de a filosofia, num único salto, posicionar-se para além de tudo que é constatável e dado, edificando seu próprio reino à parte ou além da realidade efetiva comum. | ||
| + | * A necessidade de a filosofia elaborar-se a partir do conhecimento do mundo e da compreensão da vida pré-filosófica, | ||
| + | * A descrição de nossa condição inicial de habitação em um mundo que abarcamos em seus domínios e estruturas, no qual temos nós mesmos um lugar e uma duração, inscritos em um espaço total aberto ao infinito e temporalizados em uma duração temporal limitada no meio do tempo total ilimitado. | ||
| + | * O reconhecimento de que conhecemos apenas uma estreita " | ||
| + | * A constatação de que o mundo em sua totalidade está além de todos os nossos domínios de experiência, | ||
| + | * O conhecimento dos domínios da matéria, do vegetal, da vida animal e, dentro desta, do reino humano, este último não apenas como uma província da natureza, mas também como o campo de origem do mundo " | ||
| + | * A descrição do gênero humano edificando o domínio da cultura sobre o fundamento subjacente de uma natureza presente, cobrindo o planeta com testemunhos de sua força produtiva e fabricando, em uma liberdade laboriosa, um complexo instrumental gigantesco de máquinas, armas, brinquedos, objetos de culto e lugares de habitação. | ||
| + | * A constituição, | ||
| + | * A perspectiva da filosofia como um " | ||
| + | * 2. A filosofia de Husserl como fixada, mas não enclausurada em um texto, tornada " | ||
| + | * A definição da redução fenomenológica como um processo no qual o homem pensante perde a confiança no mundo que tinha até então e ganha uma nova dimensão, a dimensão da origem, representando a ambição inaudita de Husserl. | ||
| + | * A intenção de realizar uma reflexão sobre a redução fenomenológica que não seja nem apologética nem crítica, partindo do princípio de que o alcance de uma filosofia se anuncia não apenas nas soluções que oferece, mas também nos problemas que deixa em aberto. | ||
| + | * A opção por não apresentar a redução fenomenológica, | ||
| + | * A questão central de como uma modificação da consciência, | ||
| + | * A ponderação sobre se a redução seria um método adivinhatório, | ||
| + | * A observação de que Husserl não conduz a redução com essa ambição pretensiosa, | ||
| + | * A constatação de que, na persecução do método redutivo, pensamentos cada vez mais complexos entram em cena, desconstroem a situação de partida, modificam a interpretação do sentido do procedimento e elevam uma modificação da consciência a um frutífero reviravolta de todas as representações do ser. | ||
| + | * A caracterização da redução como uma empresa cuja abrangência não é previsível, | ||
| + | * A definição da redução como uma experiência não antecipável que a consciência faz consigo mesma, iniciando na relativa inaparência de uma mudança de atitude do homem que, de outra forma, experimenta com certeza inabalável as coisas e processos de seu mundo ambiente. | ||
| + | * 3. A exposição husserliana da redução com os conceitos de " | ||
| + | * A problematização da descrição da " | ||
| + | * A definição rigorosa da atitude natural como um conceito transcendental que indica o esquecimento de si, o estar-fora-de-si mundanizado da subjetividade, | ||
| + | * A descrição do processo no qual, no cumprimento da redução, o pensamento filosofante se contrai sobre o único si do meditante, opondo este Eu que pensa ao conjunto do conteúdo mundano de suas experiências e visadas. | ||
| + | * A importância crucial da maneira como a caracterização da atitude natural vem sob o olhar, partindo de como vivemos no mundo, voltados para as coisas, com o homem-sujeito do conhecimento relacioando-se intencionalmente com o ente que o cerca e consigo mesmo. | ||
| + | * A descrição da experiência do Eu, que experimenta coisas concretas, estados de coisas, eventos, circunstâncias, | ||
| + | * A separação do formigar de objetos segundo gênero e espécie, com coisas intramundanas aparecendo ao sujeito cognoscente humano de diferentes maneiras de ser, e o Eu percebente, experimentante, | ||
| + | * A constatação de que os objetos de conhecimento nos são dados segundo diferentes graus de proximidade, | ||
| + | * O princípio de que o singular pode iludir, mas a conexão de conjunto do todo não pode, levantando a questão de se o todo da experiência poderia alguma vez se revelar como uma ilusão. | ||
| + | * A observação de que ações singulares de modalização se inserem sempre em um curso de certeza não modalizada que as mantém unidas, sendo a confiança na subsistência dos objetos que nos cercam o solo para perturbações ocasionais no curso da experiência. | ||
| + | * A crítica à tentativa de Husserl de aplicar modalização ao estilo de conjunto da experiência de maneira análoga ao modo de doação das coisas singulares, questionando se com isso um modelo não é superexplorado além de todo crédito. | ||
| + | * A caracterização da atitude natural como uma atitude de crença, multiplamente atravessada por pressentimentos e dúvidas, mas globalmente preenchida por uma certeza sumária da subsistência dos objetos experimentados, | ||
| + | * A interrogação sobre como o " | ||
| + | * A crítica à operação de Husserl com o conceito de ser sem tematizá-lo, | ||
| + | * A análise de que a descrição da atitude natural já recai na vala de uma pressuposição não expressa, na qual as coisas que preenchem o mundo são abordadas como fenômenos que se mostram ao sujeito cognoscente, | ||
| + | * A definição do fenômeno, nesta perspectiva, | ||
| + | * A distinção de um segundo uso do termo " | ||
| + | * A constatação de que Husserl opera com ambas as significações do termo " | ||
| + | * A observação de que o pensamento da filosofia e a pesquisa das ciências são suscitados pelo caráter inacabado dos fenômenos imediatos, com o pensamento da " | ||
| + | * A identificação de pensamentos do ser não expressos que dominam e guiam a fórmula do " | ||
| + | * A citação da inversão hegeliana "a essência deve aparecer" | ||
| + | * A crítica a uma fenomenologia que se limitasse a descrever tudo que lhe vem aos olhos, a qual teria significado como inventário, | ||
| + | * O reconhecimento de que Husserl não permanece nesse nível prévio, conduzindo a um traço fundamental recoberto que rege os fenômenos em seu conjunto. | ||
| + | * A problematização do termo " | ||
| + | * A rejeição da questão sobre a necessidade de Husserl concretizar seu conceito de " | ||
| + | * A definição da atitude natural não como um fundo imediatamente descritivo, mas como a posição fundamental da compreensão humana do ser, de modo flou e aproximativo, | ||
| + | * 4. A operação decisiva da redução fenomenológica: | ||
| + | * A descrição da tentativa aparentemente absurda do sujeito pensante de buscar uma posição intermediária entre afirmar e negar, abstendo-se do concurso à crença no ser, praticando a " | ||
| + | * A problematização da possibilidade de o Eu cessar de crer que as coisas são, podendo duvidar de coisas singulares, mas não do conjunto de tudo que é, sem suprimir o ser da dúvida e do próprio duvidante. | ||
| + | * A estratégia husserliana de evitar esta aporia " | ||
| + | * A dificuldade extrema desta divisão, questionando se não significaria uma atitude " | ||
| + | * A exposição do método husserliano de proclamar a epoché como intenção e examinar subsequentemente os conteúdos de crença, radicalizando sua intenção por etapas, partindo do caso singular de uma coisa duvidosa. | ||
| + | * A descrição do processo no qual, ao reter a visada de ser sobre uma coisa singular, ela se torna um " | ||
| + | * A observação de que a epoché é mais facilmente visível (einsichtig) na relação dos vividos interiores com objetos exteriores, onde o objeto transcendente perde o caráter de coisa independente e efetiva, tornando-se um conteúdo de representação. | ||
| + | * A intenção de Husserl de estender o que é assim visível no caso particular a toda a esfera de objeto, enfrentando as dificuldades já indicadas sobre a analogia entre a esfera de todos os objetos e um objeto singular. | ||
| + | * A questão em aberto sobre se as circunstâncias intramundanas devem ser pensadas como constelações de coisas ou como dimensões dentro das quais a relação sujeito-objeto ocorre, o que as impediria de serem postas do lado do objeto. | ||
| + | * A constatação de que, com a epoché, Husserl quer mais do que o adiamento momentâneo de objetos, visando suprimir a "tese geral" da " | ||
| + | * A interrogação fundamental sobre o que é o mundo: um campo gigantesco de objetos, que se põe face ao Eu ou que inclui o próprio Eu, podendo ser apreendido apenas como conceito englobante do "ente transcendente" | ||
| + | * A crítica à exemplificação da epoché a partir da modalização em relação a um objeto " | ||
| + | * A questão sobre como o homem está no mundo, se apenas como corpo, como animal entre animais, ou de outra maneira, e se a suspensão das autoapercepções naturalizantes esgota a mundanidade da existência humana. | ||
| + | * A interrogação sobre se o Eu-epoché se torna "sem mundo" ou se apenas repele uma vista exterior naturalizante de si, apontando para tarefas urgentes de interpretação de Husserl. | ||
| + | * A distinção de três conceitos de " | ||
| + | * A constatação de que é a terceira significação que determina a operação de epoché de Husserl, embora as outras duas ressoem sempre. | ||
| + | * A definição da epoché como apenas a fase inicial da redução fenomenológica, | ||
| + | * A descrição do trabalho de pensamento decisivo que tem seu ponto de partida quando o momento de ser inerente a todas as coisas se torna um tema privilegiado, | ||
| + | * A abertura de um " | ||
| + | * O estabelecimento de um desenrolar paralelo entre o fluxo dos vividos no Eu pertencente ao mundo e no Eu desmundanizado (entweltlicht), | ||
| + | * O aparecimento do momento dramático no cumprimento da redução quando o ser das coisas, inicialmente " | ||
| + | * A descrição da opinião irrefletida da atitude natural sobre o " | ||
| + | * O ataque da redução fenomenológica a esta representação usual do ser, abalando e questionando a tese geral, trazendo a perspectiva sobre os fenômenos para a " | ||
| + | * A explicitação, | ||
| + | * A compreensibilidade, | ||
| + | * A concepção da consciência natural como se considerando " | ||
| + | * A força revolucionária da redução fenomenológica, | ||
| + | * A autoincompreensão do conhecimento na atitude natural, que se rebaixa a uma figura de escravo, tomando-se como submisso à preponderância do ente estranho ao Eu, sofrendo do sentimento de sua finitude. | ||
| + | * A questão sobre se a apreensão do ser da atitude natural pode ser radicalmente mudada por uma simples operação de pensamento, e se o artifício de uma " | ||
| + | * A definição da epoché como apenas o primeiro passo, o choque que introduz o terremoto, sendo, na exposição das " | ||
| + | * A compreensão mais essencial da redução como recondução, | ||
| + | * A problematização do termo " | ||
| + | * A constatação de que não apenas nossos vividos intencionais, | ||
| + | * A crítica de que Husserl, embora veja estas consequências, | ||
| + | * O reconhecimento do gigantesco esforço de pensamento de Husserl em dissecar a relação intencional, | ||
| + | * A tese de que estas análises são conduzidas por pressuposições não expressas e pensamentos especulativos, | ||
| + | * A identificação do salto especulativo na modificação da interpretação da relação de correspondência visada ingenuamente em uma relação de equivalência, | ||
| + | * A descrição da série crescente de radicalização na doutrina husserliana da redução, onde a coisa concreta mesma "em carne e osso" é reapropriada no sujeito constituinte, | ||
| + | * A crítica de que, ao " | ||
| + | * A interrogação sobre se o ver do Eu-reflexivo redutivo não se encontra diante de uma "coisa concreta" | ||
| + | * A condição para a abertura da dimensão da origem pela " | ||
| + | * A questão sobre se não está na base do ponto de partida husserliano um modelo que vale, no mínimo, uma interrogação, | ||
| + | * A interrogação sobre a suficiência deste modelo para compreender também o ser de todas as coisas, transcendentes e imanentes, e finalmente o mundo mesmo como " | ||
| + | * A identificação de vários " | ||
| + | * A questão crucial sobre se escapamos à " | ||
| + | * 5. A conclusão sobre as questões abertas e o respeito pelo mestre Husserl, cujos pensamentos fundamentais, | ||
| + | * A afirmação de que o fato de seus pensamentos fundamentais permanecerem cheios de interrogações não diminui o respeito pelo grande mestre. | ||
| + | * A máxima de que quem põe tantas coisas a descoberto deixa também ver abismos. | ||
| + | * O reconhecimento de que Husserl, em sua paixão inaudita de saber e na honestidade incorruptível de seu pensamento, prestou um testemunho comovente da " | ||
| + | * A definição final desta condição como permanecer desnorteado pelo enigma do ser, entregue ao labirinto do mundo e submetido ao jugo de nossa finitude. | ||
| + | |||
| + | ---- | ||
| + | |||
| + | //[FINK, E. Proximité et distance: essais et conférences phénoménologiques. Tr. Jean Kessler. Grenoble: Jérôme Millon, 1994]// | ||
| + | |||
| + | {{tag> | ||
