4. Transversão
A junção da junta fugidia da junta no início
A “essência” da história do seer
A junção mesmo em sua captura total é transfiguração no enroscar do acontecimento apropriativo
(O enroscar da coroa não do parafuso. Enroscar: em meio ao giro que transforma em anel, enroscado no anelar.)
179. Aufriß
Delineia-se um roteiro que articula a diferença (Unterschied) ao eco da reviravolta (Anklang der Kehre) e ao ser em sua verdade, a reviravolta (Kehre) à transversão (Verwindung), o caráter histórico (Geschichtige) dessa transversão e seu traço histórico próprio, a transversão e o desatrelamento primeiro-inicial (erstanfängliche Entwindung), a transversão e a Überwindung da metafísica — remetendo ao capítulo sobre o Eco (Anklang) —, e por fim a transversão e o entrelaçamento (Gewind) do Ereignis, designado também como grinalda (Kranz).
180. Die Geschichte des Seyns
A história do Seyn essencia-se pela primeira vez como tal em sua clareira (Lichtung) para a experiência do transcurso (Vorbeigang), ainda que essa história não se origine apenas a partir de então, pertencendo a ela a metafísica, que agora, como algo já sido, revela sua essência fundada no histórico (Geschicht) da verdade do ente, isto é, na história da entidade (Seiendheit); a metafísica constitui o prosseguimento a partir do primeiro desatrelamento (Entwindung), o qual só é rememorável na experiência do outro início, na dor da diferença e da transversão (Verwindung), sendo esse desatrelamento a essência histórico-do-ser e ereignishafte do advento (Aufgang) e da desvelação (Unverborgenheit) enquanto desencobrimento (Entbergung):
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a história do Seyn, como essenciação de sua verdade — o entrelaçamento (Gewind) do início —, ilumina-se no iniciar-se (Anfängnis), a qual chegou, no transcurso, ao eco (Anklang), devendo a experiência do início trazer-se à palavra no dizer do Ereignis;
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a experiência do início é, antes de mais nada, na sequência do experimentar, a experiência do outro início, e apenas nele e nesse iniciar-se o primeiro início se torna inicial, sendo nessa experiência que a humanidade histórica chega ao seu fundamento;
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desatrelamento e transversão, prosseguimento e transição, transcurso e eco devem ser pensados, em toda parte, como ereignishaft.
181. Die Geschichte des Seyns
A história do Seyn desenvolve-se como a consonância ressoante (anklingende Einklang) da conjuntura (Fügung) do Seyn, cujo centro reversivo reside no Ereignis, de modo que tudo o que se dá no eco, na Überwindung, na transição e na transversão já se encontra ereignet, desdobrando-se em momentos articulados:
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o transcurso (Vorbeigang) consiste no cruzamento, sem mútuo conhecimento, entre a extinção da devastação em desmando (Unfug) e o declínio em despedida rumo ao ajuste (Fug) do início, cruzamento que ocorre dentro do entremeio em que o próprio transcurso se ereignet, correspondendo a essa passagem a divergência essencial entre o abandono do ser pelo ente (Seinsverlassenheit) e a distinção (Unterscheidung);
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o abandono do ser pelo ente expande-se como indiferença ao ente da verdade, indiferença justificada pela vontade de vontade (Wille zum Willen) como essência mais íntima da maquinação (Machenschaft) — perante a qual a vontade de poder é mera consequência e a consideração dela apenas obra preliminar —, sendo essa vontade de vontade o fundamento oculto da divinização da “vida em si” e da “dinâmica”, de modo que, com a devastação da essência da verdade, assegura-se o esquecimento do ser (Seinsvergessenheit), e é justamente ao lado desse abandono, isto é, dentro dele, que se ereignet a distinção;
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a distinção do ser confere à verdade do ser sua própria dignidade e deixa toda a metafísica para trás, ereignet-se agora como ela mesma, não sendo seu despontar propriamente seu surgimento, pois ela é apenas o eco da despedida; com ela inicia-se a Überwindung da verdade do ente sob a forma da entidade, aparecendo a metafísica no fundo de sua verdade abandonada mas ainda não experimentada — não sendo a metafísica a história de um erro, mas a história do desser (Unwesen) do ser, que, infundado em sua própria verdade, salva-se na relação, de resto essencial, com o homem, buscando, a partir da transformação da verdade em certeza, dominar o próprio ser como objetividade incondicionada e como vida, o que explica desde Platão a “alma” e o Bem até Nietzsche os valores, a psicologia e o antropologismo;
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a Überwindung ereignet-se como a transição (Übergang) para a reviravolta (Kehre), sendo esta a essenciação da verdade do Seyn, que é ele mesmo essencialmente o Seyn da verdade; a Kehre brota da grinalda (Kranz) e do entrelaçamento (Gewinde) nos quais o Seyn, essenciando em seu ajuste (Fug), retorna, pertencendo a Kehre à essência do Seyn e devendo-se a ela, como fundamento mais próximo, aquilo que o pensar encontra como o “círculo” originário, sem poder sondar imediatamente sua essência, sendo o histórico (Geschicht) da Kehre ereignet a partir do retorno (Rückkehr);
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o retorno da Kehre, em sua essência plena, retorna a partir da saída rumo à distinção, que se desviou, no ser enquanto entidade, para o desser, não sendo o retorno consequência da Kehre, mas seu fundamento, já ereignet na Ereignung do Da-seyn, tornando impossível a individualização isolada tanto da verdade e de sua essência quanto “do ser”, sem que, nesse retorno, ser e verdade sejam apenas então acoplados como se cada um tivesse tido, em algum momento, uma essência isolada, vindo antes sua unidade essencial a ingressar, ela mesma, pela primeira vez, na clareira que dela desponta a partir do retorno — unidade originariamente essenciante que constitui:
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o Da-seyn, no qual todo Seyn é Da-seyn, não sendo porém o Dasein o ente chamado homem, mas o fundamento histórico-do-ser da essência do homem, na medida em que essa essência ingressou na conjuntura do ser e se determina expressamente a partir da relação com o ser — segundo Sein und Zeit, a partir do “entendimento do ser” — e somente a partir dela; o ad-vir do Da, o Er-eignis da clareira, é o Da-sein, e este é a essenciação da verdade do Seyn, isto é, o próprio Seyn; “Da-sein”, experimentado histórico-do-ser, é o primeiro nome para o Seyn pensado a partir da essenciação de sua verdade, ainda que só na clareza do saber do Ereignis e de sua conjuntura possa determinar-se a essência do Da-seyn — em Sein und Zeit o Da-sein foi pressentido e assim decididamente sabido, mas não ainda adequadamente pensável —, pois mesmo a essenciação do Da-sein como sítio (Ortschaft) do retorno da Kehre não capta o Da-seyn, visto que este é;
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a transversão (Verwindung) do Seyn no Ereignis, que dispunha inicialmente apenas do esquema metafísico do transcendental, compreendido de imediato, segundo a posição fundamental de Sein und Zeit, em sua própria verdade (“Temporalidade”) — entrega que resultou fatalmente na sujeição do passo à metafísica, dando a impressão de tratar-se apenas de uma variação da fundamentação kantiana da metafísica, como no livro sobre Kant, onde já se apreendera, mas não se conceituara, a Kehre presente na expressão “metafísica do Dasein”, segundo a qual a própria metafísica depende do Dasein, e não este é “objeto” daquela; a transversão constitui, por um lado, a inserção no entrelaçamento (Gewinde, a grinalda) do Ereignis, de modo que o Seyn e sua Kehre essenciem puramente no Ereignis, sendo então a transversão o deixar-circular no Ereignis, no qual vige uma permanência (Beständigung) determinada a partir do próprio Ereignis, resguardando-se e também velando-se, assim, o Seyn no Ereignis — transverso, mas não “suprimido” (aufgehoben) —, não podendo aqui infiltrar-se de modo algum a “dialética”, pois em nenhum ponto há certeza incondicionada pressuposta nem concordância resolvida, já que a consonância (Ein-klang) é o ressoar da palavra no abismo do início, estando, no pensar do Seyn e de sua transversão, abandonados todos os refúgios de uma supressão acomodadora e já niveladora; a transversão não é supressão no Absoluto, mas essencia na conjuntura rumo à condição abissal do início.
182. Die Fuge des Seyns
A junção (Fuge) do Seyn deve ser pensada na conjuntura (Fügung), que pensa unitariamente um triplo:
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o articular-se (Erfügen) do entrelaçado (Gefüge) do entremeio;
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o ajustar-se (Sichfügen) no ajuste (Fug) do início;
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o ajuntar (Fügen), enquanto dispor (Ver-fügen) que perpassa toda conjuntura em todo modo, do início.
A junção do Seyn tem seu mais próximo aberto na história inicial do ser, história que devemos experimentar, enquanto primeiramente inseridos nela como sabedores, no eco do perpassar (Durchfang) do início, sendo esse eco, porém, consonância (Einklang) — um ressoar adentro do iniciar-se (Anfängnis) enquanto declínio —, constituindo-se assim a consonância ressoante da conjuntura do Seyn.
183. Die Fuge des Seyns
O ajuste (Fug) só se experimenta a partir da conjuntura (Fügung), sendo necessário er-fahren o entremeio que se ajusta (sichfügende Zwischen) da clareira ereignet no Ereignis — proveniência da origem da unidade do espaço-tempo que ali primeiro se cinde —, o que revela a necessária ambiguidade do ajustar-se:
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enquanto desdobramento do entrelaçado (Gefüge);
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e enquanto ajustar-se, assim, no ajuste (Fug).
Esse entremeio articula-se num esquema em que o Seyn se relaciona, de um lado, com a Überwindung e a distinção (Unterscheidung) — entre ente e entidade (Seiendheit) —, e, de outro, com a transversão (Verwindung) e o Da-seyn — em direção ao homem —, tendo ambos os ramos sua raiz comum no início (Anfang); o Ereignis só é experimentável no Da-seyn, sendo a junção do Seyn o próprio ajuste do início, e o Seyn deve transverter-se (sich verwinden) no Ereignis. A junção é incomparável com o sistema, mesmo quando este é pensado como o sistema do espírito, ajustando-se a junção no ajuste do início, ao qual seguir essa conjuntura significa experimentar o envio (Schickung) da ausência de necessidade (Notlosigkeit); o Ereignis só é experimentável “no” Da-seyn, que é, ele mesmo, a essenciação do Ereignis, constituindo a experiência a instância (Inständigkeit) da dor que se sustém no entremeio entre Seyn e início, entre entidade e Seyn, entre ser e ente, entre ente e o homem histórico. A junção desse entremeio é a clareira que o Ereignis er-eignet, Ereignung na qual o Da-sein se funda, sem fundamento, no declínio rumo ao início — declínio que oculta o iniciar-se (Anfängnis) —, não podendo a experiência jamais alcançar o início de modo imediato, nem tampouco calculá-lo por qualquer dialética, sendo também a dialética, por referir-se a λέγειν, ἰδέα e consciência, uma forma de cálculo.
