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GA70: ANFANG
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A palavra “Anfang” (começo) não pode ser extraída de um significado lexical corriqueiro, pois ela é a saga da verdade do ser, e o pensar do ser precisa dizer, justificar e até exigir essa palavra a partir do próprio ser, que retrocede a essa essência chamada começo e com ela determina seu acontecer e sua essencialidade.
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O pensar do ser como começo pensa para adiante na essência do ser como Ereignis (acontecimento apropriador), e ambas as essenciações, Ereignis e começo, pertencem juntas, de modo que o ser como palavra essencial não é apagado, mas perde seu predomínio exclusivo que antes impedia toda pergunta essencial sobre o próprio ser.
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Se o começo diz a verdade do ser, conhecemos o ser antes de tudo pela recordação de que o compreendemos sem tomar conhecimento especial dessa compreensão, pois o compreender o ser está essencialmente distante de um saber do ser, e o pensar do ser em sua essência permanece para o homem o mais difícil.
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A palavra começo, segundo seu sentido mais imediato, significa início, designando um lugar e uma fase destacados na sequência de um transcurso.
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Se começo deve nomear a essência do ser e a essencialidade da essência, e se o ser não se deixa deduzir do ente nem é o absoluto e incondicionado, então começo deve nomear aquilo que essencia em si mesmo e que, por isso, impede que se tome o que essencia como uma coisa livre de condições em si mesma.
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Pensar para além desse exterior é o pensar propriamente dito e o único salto verdadeiro, pois o começo não é começo de um outro, mas é o acolher e o apanhar daquilo que se apropria no alcançar que acolhe a si mesmo, a saber, a clareira da abertura, o desvelamento.
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O começo é a unificação desse uno, e o iniciar é o apanhar-se e o acolher-se a si mesmo no próprio acontecimento como o qual a clareira essencia, velada pelo véu do nada; o começo é o apanhar-se a si mesmo na saída rumo ao ab-grund (abismo sem fundo).
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A essência do desvelamento, em que o velamento existe como abrigo e encobrimento, possui sua distinção em que deixa o ente erguer-se a partir de si mesmo e assim o acolhe como tal; e como esse acolhedor, é fundamento no sentido em que se fala, em perspectiva espacial, de primeiro plano, plano médio e plano de fundo.
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O começo é o tomar-a-si da despedida no abismo, e esse tomar-a-si é a apropriação originária e por isso a eventuação da inicialidade; o começo é, de modo originário, e isso significa abismal, o Ereignis.
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No Ereignis originário, o começo se apanha a si mesmo sobre seu abismo e deixa este afundar em sua profundidade e ascender à sua altura; o Ereignis originário tem sua essência plena em que, carregando a eventuação, ilumina a clareira originária e assim apropria a abertura como Dazwischenkunft (intervenção intermediária) da clareira como espaço-tempo.
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O iniciar inicia o começo de modo sempre mais originário, e esse aprofundamento não é por graus, degraus e sequências à maneira do ente, mas é originário e por isso sempre único e descontínuo; no Ereignis essencia o apanhar-se a si mesmo na clivagem do abismo.
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O ser como começo e Ereignis tem unicamente aquela essência que permite dizer que o ser é; todo ente apenas se ergue para dentro do ser, o ente nunca é, mas sempre só é o ente, e o ente permanece tão decisivamente distinguido do ser que ao ente nem mesmo o nada pertence como próprio, pois só o ser tem a essenciação do nada.
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O ente é o sem-nada, e no ente nunca se pode encontrar o começo; o começo não determina sua essência a partir do progresso, mas o progresso é uma possibilidade do começo, e o começo essencia também no progresso, que é apenas originário, e nisso repousa somente sua história.
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O começo é sempre como começo; a unicidade se cinde em começos e assim atinge somente o simples da inicialidade; pensar de modo originário significa pensar no sentido da inicialidade, quando pensar aqui quer dizer a insistência do projeto do ser, que é um projeto lançado a partir do lançamento que oscila em todo acontecimento de apropriação.
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Pressentimos o começo na recordação para com a verdade do ser e chamamos esse começo recordado de primeiro começo; pressentimos a inicialidade e pensamos para adiante na originariedade do começo e assim pressentimos o outro começo, chamado de outro para não entrar na contagem e também não numerar o primeiro com o número 1.
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O alcançar rumo à despedida leva até ela e suporta esse tomar-a-si-essencial da despedida; o começo carrega-se para fora em sua inicialidade e traz assim tudo o que é decidível para a simplicidade de uma única decisão, a saber, ou o ser ou o ente, e o começo é esse carregamento.
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O aguardar e a vigilância não são um não-ter e um querer-ter-pela-primeira-vez, tampouco um mero ter, mas são a disposição para a voz do que dispõe, a pertença ao iniciar, a dignificação da dignidade que a tudo como começo se apropria, e o não-precisar do poder, e com isso a despedida de toda entidade do ente.
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(§2 - Die Anfängnis des Anfangs) No primeiro começo, o ab-grund é o infundado da verdade do ser; no outro começo, o ab-grund é o apropriado do declínio; o apanhar-se a si mesmo sobre o ab-grund é, por isso, cada vez um ab-fundamentar diferente, e este é um velar como abrigo e encobrimento da abertura.
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A inicialidade dos começos é o modo de seu iniciar, que tem seu próprio alcance e disposição, porque o começo é em si a essência da história; pois como começo essencia a verdade e o carregamento de sua essência respectiva; a inicialidade é cada vez única em cada começo, e não há regra nem lei do começo no sentido em que esta vigorasse sobre o começo.
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O que é mais originário do primeiro começo não é o anterior, mas um posterior, e as relações no que é originário não se podem recalcular com as medidas do ente.
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(§3 - Die Abgeschiedenheit des Anfangs) Pode-se dizer que os corpos celestes percorrem suas órbitas e são mesmo quando ninguém em lugar algum os representa; mas quando se diz isso, deve-se também considerar que então, quando não há representação, também não há então nem quando.
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Concluir que todo ser é posto pelo homem seria precipitado, pois o ente não existe sem o ser, o ser não essencia sem o acontecimento do pre-ser, e o pre-ser não existe sem a insistência do homem; porém, que para a fundação da verdade do ser o homem pertença não diz que o ser dependa do homem como se fosse posto por ele.
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O homem pertence ao ser como o insistente na clareira, que apanha o acidente do ser em sua verdade e preserva na possibilidade de que um mundo se articule; no âmbito da questão anterior, o ser é tomado imediatamente como o permanente, e não se pode pensar o ser em sua originariedade.
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Mantém-se totalmente fora da possibilidade, na verdade estranhante, de que o ser, não só o ente, às vezes não é, e esse não-ser é de essência tão decidida que impede também a essenciação do nada; então o ser estaria totalmente retirado para dentro de sua essência, pois destruição e eliminação do ser não pode ter lugar, porque ele também nunca é produzido e preparado.
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A retidão que pertence ao começo não é o perdurar, mas a apartação como declínio no velamento; por isso o começo, a partir da apartação, é sempre um abismo da doação, porque ele ainda doa a garantia da essência de uma doação que sem o nada nunca poderia sobretransferir.
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O ser é e somente o ser é; mas o ser é em certas épocas, na medida em que ele mesmo, como acontecimento do intervalo, deixa surgir a clareira como espaço-tempo; não há tempo que precedesse e se seguisse ao ser; o sem-tempo não é o eterno, mas a apartação do começo no velamento.
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A súbita veemência do começo e do Ereignis corresponde à clivagem da despedida na unicidade do velamento; o calcular técnico e, de igual essência, o calcular histórico nos roubou toda capacidade de pensar o tempo como espaço-temporal a partir da verdade do ser.
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Porque o ser é e porque somente o ser é, mas o ser é da essência do começo que acontece, por isso o ser também deve não-ser; enquanto não é, não há nem tempo nem o nada, pois o nada essencia no ser e o tempo é a essenciação de sua verdade.
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O ser é o começo; a inicialidade é o tomar-a-si e o reter-a-si da entrada no abismo e o apanhar-se a si mesmo na suspensão do intervalo; o iniciar é o velamento na despedida; esse velamento é a essenciação originária da verdade; a verdade é o acontecimento de apropriação do pre-ser; e o Ereignis é a inicialidade do começo.
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(§4 - Anfang und Ereignis) O Ereignis não é a forma vazia do geral para múltiplos acontecidos que o ente deveria ser; o Ereignis não significa aqui uma ocorrência que imediatamente desaparece no ocorrido e surge e desaparece como uma fase de um transcurso, onde o transcurso seria o primeiro.
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O Ereignis é em si de plenitude essencial própria; ele apropria, traz a clareira do intervalo para a propriedade do começo; o Ereignis é a distinção do acontecimento de apropriação em relação ao que no acontecido pode erguer-se em sua manifestidade, em relação ao ente; e essa distinção se apropria como o começo.
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O começo não é começo de algo outro do que ele mesmo é; o começo também não é o começo de si mesmo como se se pensasse aí em um produzir e causar; o começo é, igualmente essencial como o Ereignis, de plenitude essencial de seu simples; a verdade é do ser, e Begin e Ereignis estão na simplicidade essencial com o desvelamento e o velamento, e isso quer dizer com a verdade.
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(§5 - Seyn?) A primeira clareza no longo caminho da questão do ser foi alcançada: o saber consiste em que o ser tem aí sua problematicidade, em não ser mais o propriamente interrogado em sua essência mais própria de modo originário; o ser permanece o que é dito vez após vez, mas a essência do ser não é o ser, mas o começo que começa.
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O pensar do outro começo é a Verwindung (superação-apropriada) do ser; a Verwindung é a admissão do ser, a qual admissão não apenas se abre para o ser e em direção ao ser, mas, para poder permanecer admissão, é declínio na despedida; a Verwindung indica como o começo como Ereignis está decidido para a pobreza da despedida, a qual pobreza certamente não é uma falta, mas a unicidade do único.
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A Verwindung do ser, ela mesma um acontecimento da história do ser, dificilmente será confundida com a aparente eliminação do ser pelo proclamar do devir; a substituição do ser pelo devir não é de modo algum uma superação do ser e tampouco uma Verwindung do ser; essa substituição é somente o enredamento no ente, enredamento que se desconhece a si mesmo.
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(§6 - Seyn? Das Ereignis des Anfangs als des Untergangs in den Abschied) Somente na superação do próprio ser é que a superação da metafísica se apropria; pois somente na superação do ser é abandonado o fundamento da possibilidade do início da metafísica; Parmênides é a transição do ser, que primeiro apenas como aletheia surgiu, para a metafísica.
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No saber do ser como Ereignis, o ser já está superado-apropriado, mas não eliminado; e não deve também ser eliminado; e no entanto a distinção acolhe o ser na inicialidade do declínio e da despedida; e ainda deve uma vez ser ousado o passo para a Verwindung também do próprio ser.
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A Verwindung do ser contém a garantia da questionabilidade própria, isto é, originária, do ser; a Verwindung não é uma desonra do ser, mas a última dignificação; na Verwindung do ser para a inicialidade da despedida, o ser é dito e interrogado para que o silenciamento de sua superação-apropriada no começo possa realizar-se.
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A questão do ser interroga inicialmente o ser do ente, sem ainda ao mesmo tempo solidificar-se na questão do que é o ente; inicialmente o ser é interrogado e somente este, mas ao mesmo tempo o ente é nomeado e considerado; e a questão do ser interroga desde Platão decisivamente o que é o ente.
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Quando se interroga pela essência do ser, logo se revela como o ser se retira para dentro de sua própria verdade e essa verdade mesma se determina como ser; a essência do ser do ser é então somente o nome para a originariedade do começo, a partir da qual a Verwindung do ser na despedida se torna necessidade.
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O ser pode somente ser nomeado por si mesmo, ele mesmo é a saga; e o difícil para o homem muito falante é encontrar suficiência em uma palavra essenciante para a insistência no originário; o ser não é nem o que tudo possibilita, nem o incondicionado, mas também não o condicionado, nem o mais alto, nem o mais baixo; o ser é somente o ser, e isso diz: o começo.
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O mais difícil ainda do que a servidão ao próprio ser e a renúncia às correspondências a partir do ente é agora a Verwindung do ser mesmo para a inicialidade do começo; o que essa Verwindung exige é um ânimo que no simples permanece decidido pelo único do começo.
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O aguardar e a vigilância não são um não-ter e um querer-ter-pela-primeira-vez, tampouco um mero ter, mas são a disposição para a voz do que dispõe, a pertença ao iniciar, a dignificação da dignidade que a tudo como começo se apropria, e o não-precisar do poder.
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(§7 - Der Abschied) A essência do ser é o começo; a inicialidade do começo é a despedida; a inicialidade é o Ereignis do declínio; o declínio é a intimidade da inicialidade; a despedida é a chegada que permanece distante do velar da guarda do progresso no começo.
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A despedida é chegada, não na presença de algo à mão, mas chegada originária, que retrocede em si mesma e mantém sua mais longínqua distância; o Ereignis do começo é o declínio; o declínio é a despedida; a despedida é a intimidade do acontecimento de apropriação originário, que na despedida é puro poetar.
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A despedida é o velamento do começo na intimidade de sua inicialidade que acontece; a superação da metafísica é o prelúdio histórico-do-ser da própria Verwindung do ser; a linguagem provém da despedida; a linguagem responde ao começo.
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A despedida é o declínio do desvelamento sob o abrigo da dignidade, que como intimidade da chegada que guarda permanece na distância originária e preserva o começo em sua unicidade; no momento da despedida, a inicialidade originária do começo começa.
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O que é mais originário do primeiro começo não é o anterior, mas um posterior; o permanecer que pertence ao começo não é o perdurar, mas a apartação como declínio no velamento; por isso o começo, a partir da apartação, é sempre um abismo da doação.
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(§8 - Anfang und Schleier und Ereignis) O véu no começo consiste em que ele, como iniciar, toma a si a despedida e antecipadamente a retém, porém de modo que isso surge como ascensão e o velamento é encoberto pelo predomínio admitido do desvelamento; o sobreencobrimento do começo pertence à inicialidade.
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Ao velado véu essencial do ser pertence também o nada; o nada como o intervalo atribuído na distinção pertence ao começo, pois este é Ereignis e este é a intervenção intermediária do intervalo.
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(§9 - Anfang und Aufstand) O Ereignis como intervenção intermediária do intervalo é a evocação do sem-nada no ser, para ser como o ente; o ente assim se levanta para si mesmo; ao ser transferido ao ser, se apropria deste de tal modo que o ente passa a se dar como o que o ser carrega e apresenta em si, o que por isso também deve tornar-se medida e solo da determinação do ser, que assim já se acomodou à entidade.
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(§10 - Das Seyn als Bleiben) Desde que o ser se desvelou como presença, sua essência se desloca para a permanência; e desde que o não-ente apareceu como o que muda, o ser teve de ser compreendido como permanecer; a interpretação teológico-causal do ente fez o restante e estabeleceu como o próprio do ente o eterno.
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A essência do permanecer é ambígua; na presença já reside o que é duplo, se ela é tomada como ascensão de modo transitório rumo à saída ou solidificada como chegada na permanência do que está diante; a essência originária do permanecer consiste no retorno ao começo, na despedida, que é o mais íntimo não-partir do começo.
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Com a Verwindung do ser, o permanecer como traço essencial do ser perde peso; porém seria equivocado querer disso extrair que agora somente o sem-permanência permanece, pois também este pertence como contraessência ao que permanece e se mantém fora do originário.
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(§11 - Die Unerklärbarkeit des Seyns) Admiti-la significa saber do começo e da despedida; a inicialidade é o fundamento para o caráter poético do ser; a despedida é o fundamento para a dispensabilidade de efeito do ser em relação ao ente; essa essência originária-despedida do ser permanece inacessível a todo pensar metafísico.
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(§12 - Das Ereignis des Anfangs und die Ortschaft des Menschenwesens) A morada da essência humana é o onde que é atribuído a essa essência quando ela é sobretransferida a si mesma, na medida em que essa essência foi determinada pela relação ao ser; a sobretransferência é a atribuição ao começo como começo; a morada, o onde, é o pre-ser.
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O pre-ser é como ser mesmo apropriado e não um ente em que o ser apenas cai; o pre-ser pertence ao ser; mas nunca o ser é por graça do pre-ser; igualmente pouco é o pre-ser por graça e ao modo de qualquer humanidade.
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(§13 - Das Sein und der geschichtliche Mensch) O homem histórico é aquele que está em uma verdade do ente e com isso, embora sem saber, reivindica a verdade do ser; o ser distingue o homem como histórico; no ser essencia a reivindicação do homem como guarda da verdade do ente.
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Através dessa relação essencial do ser com o homem histórico, o ser nunca se torna antropomorfo, porque a relação não consiste em que o homem, tomado de alguma forma por si mesmo, fabrica o ser; a essência do homem é determinada pelo ser como pertencente a ele, onde se poderia ver uma dependência do ser do homem, na medida em que o ser precisa do homem como historicamente ente.
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No Ereignis do começo, a essência humana como animal rationale declina; originariamente é somente o pre-ser; e também o pre-ser permanece somente o pós-jogo histórico-do-ser para a inicialidade do começo como declínio; humanismos ou antropologismos são as últimas formas de aparecimento do planetarismo.
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(§14 - Die Sage des Unterschieds) A saga é um nomear do começo, uma procedência da intimidade originária do começo, um poetar mais originário que toda palavra poética e metafísica, ela mesma apropriada, inexprimível e cada vez originária; o nomear silencia, o denominar como dotar de nomes torna público.
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A palavra da saga não é nunca enunciado no sentido em que a saga pudesse fazer e esgotar o que deve ser nomeado; na saga, que é declinante, é sempre concedida uma possibilidade de guarda, sempre é guardado o velamento; o discurso do dizer do começo é sempre superficialmente o da aparência do antropologismo, que deve ser aceito.
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(§15 - Wie das Sagen zur Würdigung des Ereignisses des Anfangs wird) Somente assim: que o ser e isso quer dizer a entidade do ente, e isso quer dizer o abandono do ser na desolação do ser, e isso quer dizer o ser como Ereignis, e isso quer dizer o começo, e isso quer dizer o declínio, é interrogado e atravessado pela interrogação; um percurso desse dizer é a saga da distinção.
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(§16 - Der neuzeitliche Wesensaufenthalt des Menschen) O homem se detém na desolação do ser, e o modo do deter-se é o esquecimento do ser; o planetarismo não significa somente a ampla extensão de um estado histórico sobre todo o planeta, mas o fundamento essencial do que se estende como igualdade das humanidades; ao planetarismo corresponde o idiotismo.
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(§17 - Die Leitworte vom Seyn) As palavras-guia da saga dizem: o ser é a distinção; distinção, cisão, Ereignis, começo, declínio, despedida; e as palavras-guia como escolta na morada inexperimentada para a localidade da essência humana, para o pre-ser, falam ainda em um sentido embora essencialmente necessário, mas facilmente enredador, dirigido ao homem.
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(§18 - Das Wesen des Seyns) A essência do ser não pode mais ser somente ser; a relação essencial do ser com o homem deve conhecer o homem somente ainda como história, e isso quer dizer como essenciação da verdade; tudo deve ser deixado na intimidade da despedida.
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(§19 - Die Anfängnis des Anfangs) A inicialidade é a essência, isso diz aqui o iniciar do começo; uma vez que o começo inicia e o iniciar é sempre mais originário e isso não pode significar um progresso da mera intensificação, mas somente a singularização respectiva na unicidade de um começo, a inicialidade não pode ser nomeada em uma palavra.
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A palavra o começo permanece ambígua e deve reter essa ambiguidade, porque assim ela mantém a inicialidade do começo no originário e nunca deixa o começo tornar-se um explicado e um fim; o começo pode dizer: cada iniciar respectivo e a multiplicidade clivada dos começos; pode dizer: o começo sempre único em sua unicidade; pode dizer: a inicialidade do começo.
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(§20 - Das Bleiben) O modo mais puro, porque originário, porque declinante, do permanecer é o ausbleiben (ausência que permanece); nele se abre uma única chegada; tal chegada se mantém à distância e mantém a própria distância rumo à despedida; o ausbleiben é a desdação do permanecer a partir da despedida; esse ausbleiben não é um cessar, mas é a essência íntima do começo declinante.
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(§21 - Der Anfang ist die Würde des Seyns) A dignidade não pertence ao ser em virtude de uma dignificação que lhe foi trazida; a dignidade é a inicialidade do começo, portanto também não um caráter do ser, mas ele mesmo, porém em sua essenciação declinante; a dignidade é a serenidade do declínio na despedida do velamento.
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(§22 - Der letzte Schritt des Denkens) O último passo do pensar conduz ao saber do ser, em que se torna manifesto que, porque o pensar como apropriado pertence ao Ereignis, precisamente por isso a publicação da saga do ser não pode ser essencial para este; o último passo do pensar é o saber da pura pertença desse pensar em sua unicidade à única inicialidade do ser.
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O último passo do pensar é um saber da inicialidade do ser como Ereignis, mas esse saber mesmo não progride para um conhecimento e um conhecido e não se difunde como algo conhecido; esse saber permanece desconhecido; e seu permanecer fora do conhecido é do modo do ausbleiben.
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(§23 - Der Anfang und die Verbergung) Porque a inicialidade do começo é o declínio no velamento, por isso, quando o ser se supera-apropriadamente no começo que começa, o ser deve permanecer velado; a essência originária do ser pode ter se transformado há muito sem que no âmbito das ações e das necessidades o mínimo se modifique.
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(§24 - Verbergung) O velamento provém da essência da aletheia; mais tarde, sob a assunção da repraesentatio, transformado modernamente no fechamento da natureza; contração como força-raiz da existência como tornar-se-manifesto-a-si-mesmo; tudo posto sobre a subjetidade e a certeza; em contrapartida, o velamento provém do abandono do ser.
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(§25 - Anfang und Wahrheit) O começo é a essenciação do ser; a essenciação do ser no primeiro começo é o desvelamento, a não-ocultação, que é a verdade; a verdade pertence à essência do ser e deve ser pensada somente a partir daí; entretanto, o início da metafísica trouxe a transformação da verdade.
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O pensar metafísico sobre a verdade está assim acorrentado sob múltiplos aspectos à questão das verdades eternas, e o problema do relativismo representa somente o reverso dessa afirmação das verdades eternas; a verdade essencia como o ser que sem efeitos deixa o ente ser e assim eleva o ente para a essenciação do ser.
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O que quer dizer o enunciado do pensar histórico-do-ser de que a verdade tem uma história? A verdade não tem uma história no sentido em que ela estaria primeiro em si mesma e seria então exposta a mudanças contínuas; o enunciado quer dizer antes: a essenciação da verdade, o modo como cada vez unicamente a verdade essencia, é o traço fundamental de toda história.
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(§26 - Seyn und Einzigkeit und Wahrheit) A unidade e a copertenença da história se determina a partir da unicidade do ser; na unicidade, cada coisa é cada vez única e assim somente pertencente ao uno; não o geral de um múltiplo, mas a unicidade do simples funda as relações essenciais com a história.
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O ser mesmo é o velamento; somente porque o ser essencia assim, há no ente a não-ocultação; primeiro e originariamente a não-ocultação pode aparecer como ser, e o aparecer mesmo pode desvelar a essência do ser.
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(§27 - Der erste Anfang) O totalmente estranho e no entanto o mais próprio, que nós não possuímos e podemos possuir, mas que nos contém em si; nesse estranhamento, experimentamos o velamento como essência do ser; no originário desse primeiro começo, a história do ser se abre e se torna o simples de tudo o que é historicamente experimentável de modo múltiplo.
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(§28 - Der Anfang) Que o ser como desveladidade é ascensão sem essenciar no velamento anuncia como ainda mal começou o começo; ainda está o começo por vir e por isso o declínio é mais único do que antes; por causa dele, o ente em toda sua maquinação não pode ser o permanente e desalojar o ser de sua essência.
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(§29 - Ereignis) O Ereignis é aqui como nome do ser a palavra de múltiplos sentidos e múltiplos suportes: apropriar como revelar o próprio indicando-se nele; apropriar como essenciar a intimidade; apropriar como abrigo do mais próprio na propriedade; apropriar como atribuir ao próprio do acontecimento de apropriação o pre-ser; apropriar como sobretransferir no próprio o ente ao ser; apropriar como história; apropriar como essenciar totalmente a partir do mais próprio.
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(§30 - Der Anfang und die Innigkeit) O originário como desvelamento da abertura é a ascensão que, no entanto, não se perde, mas como ascensão permanece precisamente velamento e guarda; pertence ao começo que ele não apenas permanece em sua essência, mas retorna a sua essência e é cada vez recolhimento no mais originário; a intimidade é o velamento do mais amplo desvelamento, é o retentor em repouso do presentear.
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(§31 - Das Seyn) O ser é o começo; o começo é a fundação do abissal; o ser como o começo mais-inicial é o velamento que guarda; o ser como o fim mais-inicial é a maquinação que abandona; o fim é a não-originariedade de um começo; o ser como o outro começo é o Ereignis, a intervenção intermediária que cai, que primeiro traz o intervalo.
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(§32 - Der Anfang und das Nichts) O nada é ambíguo e vacilante como o ser em sua história; o nada pode significar o nada comum, ausência total do ente; pode significar o sem-essência como falta-de-essência do ser; o nada no sentido originário é o intervalo, cuja clareira na distinção é atribuída como lugar essenciante da chegada.
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O nada do começo é o nada originário, mas por isso também de modo algum nulo, embora ele justamente essencia a aparente vacuidade do intervalo do ab-grund; para encontrar o nada no próprio ser, deve ser experimentado o nilar, que não é uma negação que, como modo do re-presentar, se coloca pela primeira vez em face do ser.
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(§33 - Das Ereignis und das Nichts) A mera negatividade, mas também a privativa e sua degeneração, a negatividade dialética, fracassa na essência apropriadado ser; bem se pode a qualquer momento trazer todo dizer para a formulação da mera negação; mas assim nunca há a garantia de se ter pensado o ser ou de se ter calculado no ente.
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(§34 - Der Anfang - das Seyn - das Seiende) O começo é no primeiro e no outro iniciar ocidental; e porque a intimidade, a originariedade que fundamenta abismalmente pertence ao iniciar, o começo é cada vez decidido no que é ocidental; ao começo pertence, decidido nele e em sua unicidade, um último declínio.
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Se o começo é o ser e o ser somente originariamente essencia, então o ser mesmo como Ereignis deve uma vez trazer o tempo em que e com que ele mesmo essencia seu declínio; então toda possibilidade do então desapareceu, e então também não há mais ente algum.
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(§35 - Das Seyn ist Sage) Sendo existe apenas na saga, isto é, na palavra como âmbito do silenciamento; essa saga, porém, não enuncia nada sobre o ente, mas diz o ser, é sagenhaft (lendária), isso quer dizer poetar no sentido originário, que somente a partir do próprio ser como Ereignis se pode determinar.
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(§36 - Der andere Anfang) A intervenção intermediária como o acidente do velamento mesmo no ente; como o acidente se apropria o pre-ser e é Ereignis; como o pre-ser destituiu o homem de sua competência pelo ente e o determina para a insistência, porque ele mesmo está disposto para o ser; a subjetidade e a competência pelo ente: toda transformação do ente no espírito é somente esquecimento do ser.
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(§37 - Anfang und Aletheia) Como essencia o velamento para que o desvelamento possa se apropriar e a desveladidade pode essenciar como ser e às vezes o ente pode entrar na não-ocultação? O velamento é originário e portanto nunca simplesmente apenas um encobrimento e uma conservação, mas iniciante, acolhedor na intimidade da recolhida daquilo que não toma apoio no ente.
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(§38 - Die Anfänge) Primeiro começo: o ser é (porque sua essência é desvelamento); início da metafísica: a ideia é o mais-ente; a metafísica: o ente é o ser; fim da metafísica: o ente somente é e o ser permanece uma fumaça vazia e um erro; o declínio: a desolação do ser essencia como ser velado; o outro começo: o ser é a verdade e a verdade é o Ereignis.
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(§39 - Der Anfang) O começo como começo do pensar significa um genitivo histórico-do-ser; o começo como começo essencia a clareira, à qual pertence a insistência nela como no aberto; o começo prepara em si a estada e fala ao homem dirigindo-se à sua essência; o começo é cada vez interveniente-intermediário.
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(§40 - Vom Anfang) O começo é a essenciação da verdade do ser; começo essencia mais do que o ser em todo aspecto; no dizer do começo, que somente no outro começo se apropria, deve ser ousado o passo de também deixar para trás o próprio ser, não somente a entidade do ente e este; também a questão do ser ainda avança para o primeiro plano da história.
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(§41 - Vom Anfang) No dizer do começo, soa muitas vezes como se o pensar sobre o começo fosse o intencionado, como se o pensar fosse o que inicia; essa aparência é às vezes inevitável; mas deve permanecer claro que começo e originário é somente o ser; o começo, falando com rigor, nomeia sempre o próprio ser, cuja essenciação é o que chamamos de verdade.
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(§42 - Anfang) Começo é a palavra do ser que pode nomear o primeiro e o outro começo; começo é agora pensado de modo mais essencial; não começo de e começo para o ser, mas a essenciação do próprio ser; a palavra pode nomear tudo o que volta a nomear-se, o que está dito nas palavras-guia sobre o ser.
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(§43 - Das anfängliche Wesen des Seyns) O originário quer dizer que cada vez somente essencia como o começo e este é cada vez começo como o mais originário; aqui não vale uma continuidade de qualquer intensificação, mas o abissal do único do começo que é cada vez respectivo; a essência originária do ser se revela após o primeiro começo e na confrontação com ele como o outro começo.
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(§44 - Den Anfang) Pensamos o começo na maior parte a partir da consequência ou em direção à consequência, cada vez a partir do que não é mais originário; o começo mesmo, porém, não essencia como começo por isso que deixa uma consequência suceder e permanece aquém desta, mas por isso que retorna a si mesmo no emergir de uma ascensão e no retorno torna-se próprio e vem para a propriedade.
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(§45 - Anfang und Fortgang) A peculiaridade do começo, de retornar ao seu próprio, a ascensão, e para ela, deixa o que foi iniciado dentro da captura alcançada agora seguir em frente; esse que segue em frente se afasta, não o começo dele; o começo não se afasta, ao contrário, se volta ainda para o que foi iniciado; mas seu se-voltar é o abandono do iniciado a ele mesmo.
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(§46 - Anfang und Wahrheit) Em que medida o começo em si é cada vez uma essenciação da verdade; por que no primeiro começo essa essência é essencial ao se velar; por que esse velamento mesmo permanece velado e por isso irreconhecível; por que em consequência a determinação da essência da verdade logo toma outro percurso de modo que a aletheia se torna homoiosis.
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(§47 - Anfang und Wahrheit) A verdade não é um acréscimo ao ser, na medida em que este entra no representar humano e é julgado sobre o ser; ao contrário, a essência do ser é a verdade; verdade, porém, significa aqui desvelamento como abertura da presença; desvelamento é abrigo e abrigo é guarda que vela da possibilidade do desvelar; ser é verdade no sentido esclarecido.
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Ser e verdade são ambos nomes originários e nomeiam aqui o próprio começo; o que quer dizer agora transformação da essência da aletheia: que ela, o que determina tudo o que se segue para a metafísica, entra no serviço do ser como ideia; que a verdade como certeza é a subjetidade; que a reflexão sobre a essência da verdade em Ser e Tempo visa unicamente a essência do pre-ser e a fundação da verdade do ser.
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(§48 - Die Anfänge) Nomear os começos sempre em sua unicidade clivada; o dizer de ambos desperta a cobiça de calcular sobre as conexões e dependências; mas isso não é precisamente o que o interrogar deve trazer à reflexão; para isso, porém, deve ser nomeado em cada único o mesmo, mas originariamente, mas sem relação.
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(§49 - Wahrheit und Irre) A verdade é velamento desvelador; assim ela é em si ao mesmo tempo como clareira o erro e o descaminho; o desvelamento pode de si mesmo e para si oferecer-se e deixar de lado o velamento como o outro e o superado; o desvelamento é assim em si um caminho que conduz para longe do velamento; e o erro não é uma falta de verdade, mas uma distinção essencial do originário.
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(§50 - Die Entbergung / Aletheia) O desvelamento como ser é a essenciação da presença do aberto, em cuja abertura a presentidade mesma é presente; o desvelamento é mais originário, mas também mais velador e por isso mais velado do que a presença; a presentidade é mais originária do que a permanência; a permanência é mais originária do que a objetidade.
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(§51 - Die Anfänge) Primeiro começo: o ser do ente é (a saga); a metafísica: o ente é e sua entidade consiste em; a transição: o ser é? (a interrogação); o outro começo: o Ereignis é (a palavra, a transformação do poder na dignidade, a grandeza d'alma da longanimidade para a dignidade da pobreza da eventuação).
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(§52 - Die Anfänge) Porque o começo somente é no iniciar, e o iniciar somente essencia em uma originariedade única e sua, o começo é a riqueza de si mesmo; a riqueza do começo significa, visto de fora, a pluralidade de começos; a clivagem de começo a começo se determina cada vez a partir de cada um; cada começo é em sua unicidade a história.
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(§53 - Die Anfänge) A transição é o percurso através da clivagem do primeiro e do outro começo; na transição vigora o fim da metafísica e com este o advento do ateísmo definitivo; a deidade de deus é nomeada como o declínio da deus-idade como a transição para o outro; não mais o mais-ente, pois sem intensificação simples em si, originariamente essencia o ser como começo.
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(§54 - Die Anfänge) A recordação no primeiro começo para a aproximação do que-ainda-não-começa do outro começo; a aproximação do outro começo para a recordação no primeiro começo; esse relacionamento mútuo significa o uno da confrontação dos começos na transição que se relaciona originariamente cada vez e sempre.
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(§55 - Die Anfänge) Recordar no primeiro começo é pensar para adiante no impensável do outro começo; pois o recordar pensa na intimidade do primeiro começo e o pensa assim mais originariamente; esse mais-originário, porém, é o que ainda-não veio a ser carregado; somente a partir do que está por vir se pode experimentar o que está presente como o ente que ele é.
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(§56 - Seyn als der andere Anfang) O ser como o outro começo é a intervenção intermediária que cai do acontecimento de apropriação do pre-ser, em que a sobretransferência do ente no ser se torna histórica; o pre-ser é então o intervalo entre ser e humanidade; a intervenção intermediária que cai é às vezes nomeada com a palavra muito usada de decisão, que aqui não deve dizer algo existencial, mas o carregamento que o próprio ser é.
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(§57 - Die Unterscheidung) O que aqui se entende é a distinção de ser e ente; fala-se de a distinção porque ela em todo diferenciado não somente, mas em todo diferenciar é a primeira em hierarquia em todo aspecto essencial; ela não pode ser superada em sua essencialidade, porque ela não somente concerne a toda essência, mas é o essencial na própria essência.
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A outra perspectiva, que ainda pode parecer estranha, refere-se ao próprio ser e pensa a partir dele e como ele mesmo a distinção; em verdade, porém, ambas as perspectivas e o que elas veem são veladas, porque a distinção por sua geralidade ilimitada em toda metafísica não foi jamais meditada.
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Se o ser nunca é um ente e se no entanto e unicamente somente o ser propriamente é, então a distinção como essenciação do ser tem sua própria necessidade em si, totalmente independente de se o pensar humano encontra expressamente uma ocasião de meditar que precisa e usa essa distinção; e no entanto o pensar da distinção se confunde facilmente.
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Quando, porém, o ser nunca é um ente e quando no entanto e unicamente somente o ser propriamente é, então a distinção como essenciação do ser tem sua própria necessidade em si; e o mais longe olhar para a essência da diferença na distinção se abre: ser é começo e como começo a chegada; ao começo pertence o carregamento do declínio como da despedida; ser é despedida.
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A essência da diferença não é a distinção, mas a essência da distinção é a diferença como despedida; o discurso da distinção é somente então de acordo com a essência quando o nome não nomeia a atividade do pensar, mas a essenciação do ser, e quando essa essenciação mesma se apropria no Ereignis da diferença como a decididade originária do começo na unicidade de sua despedida.
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(§58 - Die Unterscheidung) O pensar essencial é originário; o pensar originário pensa a distinção do ser em relação ao ente, a qual distinção mesma pertence como essência de toda diferenciabilidade à inicialidade do começo; essa distinção não se pode fixar como um estoque; ela é o Ereignis; ela vela em face do pensar a decisão de toda decisão.
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(§59 - Unterscheidung und Anfang) Distinguir o ser a partir do ente significa tomar do ente e de sua explicação o fio condutor para a determinação do ser; o ser é o diferenciado através da distinção e assim apenas em face do ente primeiro se resultando, onde permanece pouco claro quem como realiza a distinção; ser é como o assim diferenciado um resultado que logo deve ser novamente alojado no ente.
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(§60 - Die Unterscheidung) Inicialmente poder-se-ia tentar determinar imediatamente a relação entre o ser e o ente; em verdade, todos os modos de interpretação da relação entre ser e ente são determinados pelo olhar para um agir; o ser não age sobre o ente, nem é o produzido pelo representar humano e divino; ser é eventuação, mas o Ereignis não age nada, é sobretransferência no próprio e atribuição de sua intimidade.
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(§61 - Das in der Unterscheidung ungenannte Offene) Na distinção está posto um entre; e esse entre permanece, na verdade, em toda metafísica desatendido, impensado e inexperimentado; mas esse entre é o aberto, no qual o ente emerge cada vez em seu próprio e se ergue e assim está à disposição para uma objetivação na disposição; a abertura desse aberto é a história velada e essenciando como Ereignis.
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(§62 - Die Überwindung der Metaphysik ist das Verlassen der Unterscheidung) O abandonar da distinção não significa o mero abandono desta; o abandonar e somente ele torna pela primeira vez manifesta a distinção que em toda metafísica essencia, mas foi impensada e incompreendida; o abandonar da distinção significa o não-mais-envolver-se no predomínio do ente; a metafísica perde sua essência.
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Somente o envolver-se na distinção, ohnedies infundamentada, é necessário porque somente assim a essência da metafísica se revela e é assim expressamente reconduzida à história do ser; somente nessa história se realiza a superação da metafísica; assim pode crescer a visão essencial de que para a distinção o determinante somente pode ser o que essencialmente dispõe, isso quer dizer o que dispõe e portanto a disposição como a essenciação do próprio ser.
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(§63 - Die Unterscheidung und das als) O como é a tração em que todo diferenciar e todo determinar se move; o como é aparentemente posto e trazido pelo pensar; em verdade, porém, é o nomear da distinção, na medida em que ela como essenciação do ser é a abertura para todo comportamento e dizer; diante da má interpretação do como, protege somente a reflexão de que o pensar formal não é começo e fundamento e medida, mas fim e consequência.
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(§64 - Untergang) O declínio é a unicidade do Ereignis; o Ereignis é, mas ele mesmo não mais no modo de um ser que de alguma outra forma ainda essencia; o velamento no mais próprio é o cumprimento do ser com o nilar originário; o velamento é o abrigo mais alto, entrar e declinar na propriedade da unicidade.
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(§65 - Untergang und Verschenkung) A mais alta doação sobretransfere a recusa da propriedade no pre-ser; essa doação é o puro velamento na intimidade do declínio; declínio aqui não diz para baixo, mas antes para cima no abrigo; à doação nenhum tomar e nenhuma cobiça podem dar correspondência, somente a grandeza d'alma da pobreza no ente atravessa-dispõe o pre-ser.
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(§66 - Anfang und Untergang) O declínio é o último e mais alto do começo entrado em sua originariedade mais extrema; quando o declínio pertence à essência do ser, então no declínio o começo mergulha em seu velamento; não se pode dizer que o ser se torna o nada; o declínio é a enstase do tempo, o último, a despedida do começo; mas despedida nunca é nada.
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(§67 - Warum und wie gehört der Untergang zum Anfang?) O declínio não consiste somente em que o que surgiu do começo e seguiu em frente deste uma vez cessa seu progresso; o declínio corresponde não como o outro ao começo, mas é o próprio começo, na medida em que ele entrou no iniciar e não apenas primeiro surgiu.
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(§68 - Der Untergang und das Seiende) O declínio deixa o ente entregue à seridão; essa entrega declinante é o último que ainda pode ser dito a partir do começo; no sem-ser essencia a aparência de que o ente agora deveria continuar a persistir a partir de permanência própria; o ser, porém, essencia na originariedade e unicidade, não na permanência sobre o mero e-assim-por-diante de um presente que de resto está vazio.
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(§69 - Der erste Anfang und der Untergang) O primeiro começo essencia de modo tão único na desveladidade mesma que nem dignifica o velamento como velamento e segue a essência do ser naquilo, nem deixa surgir o mínimo da essência declinante do começo; a desveladidade é o que nunca declina da ascendência que essencia na ascensão, no desvelamento.
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(§70 - Der Untergang und der andere Anfang) A superação da metafísica é a devastação histórico-do-ser do ente a partir da desolação do ser; essa devastação é o início do declínio; o declínio deixa, porém, justamente o ente ainda continuar existindo, e no ente cai o ser como a intervenção intermediária; o declínio experienciam somente os únicos originários.
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(§71 - Untergang) Somente o originário pode declinar, pois o declínio é o retrocesso ao começo, porém de tal modo que esse começo deixa iniciar um outro começo; se a metafísica não é, do ponto de vista histórico-do-ser, nada originário, então ela também não pode declinar, mas somente encontrar o fim; na plenitude da metafísica, porém, o declínio do primeiro começo deve velar-se.
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