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obra:ga59:1

GA59: §1

INTRODUÇÃO — A Problemática da Filosofia

§ 1. A Função de uma “Teoria da Formação Filosófica de Conceitos” na Fenomenologia

  • O tema aparenta ser um problema especializado, podendo ser confundido com questões de estética ou de arte expressionista, e uma simples explicação prévia dos termos “fenomenologia”, “intuição” e “expressão” não garantiria compreensão autêntica, mas apenas uma ilusão de entendimento presa às palavras.
  • Há caminhos para conduzir ao ponto central da questão sem recorrer a definições fixas, e o objetivo provisório e exclusivo das reflexões que se seguem é percorrê-los de modo concreto, atento às questões de princípio da filosofia.
  • O subtítulo “Teoria da Formação Filosófica de Conceitos” indica que a tarefa aponta para o nível dos princípios, embora persista a suspeita de que se trata ainda de uma tarefa periférica, sujeita hoje a uma oposição particularmente intensa.
  • A intenção é partir passo a passo da situação filosófica global presente e, ao fio de suas configurações problemáticas típicas, introduzir o problema em seu contexto, o que exige primeiro indicar as resistências que se opõem à aproximação inicial e bruta ao problema buscado.
  • Uma teoria da formação filosófica de conceitos poderia ser considerada prematura, pois toda teoria dessa natureza pressupõe que a filosofia tenha atingido um grau suficiente de elaboração conceitual e de completude sistemática para que a estrutura de seus conceitos e o método de sua formação possam ser nela identificados.
  • Se, porém, se está convicto de estar genuinamente filosofando, isto é, de trabalhar sempre numa renovação da filosofia, é preciso reconhecer ao mesmo tempo que a conexão estrutural concreta da filosofia não foi de modo algum alcançada em sua totalidade suficiente, e que a teoria da formação de conceitos a ela necessariamente referida ainda não pode sequer ser iniciada.
  • O fato unívoco da filosofia em sua configuração concreta é condição para a pesquisa de sua estrutura, e essa dependência necessária em relação ao estado factual da ciência pode ser ilustrada pelas lacunas da filosofia kantiana: falta nela tanto uma fundamentação transcendental das ciências do espírito — inexistentes enquanto disciplinas desenvolvidas no tempo de Kant — quanto uma investigação original do a priori próprio da religião, que Kant absorveu na moral em vez de tratar como fenômeno originário.
  • Uma saída possível seria recorrer à história da filosofia, cujo riquíssimo acervo de realizações concretas poderia fornecer material suficiente para uma teoria da formação de conceitos, mesmo sem se restringir a um único sistema, ainda que a fecundidade de tal tentativa seja apenas condicionada.
  • Mesmo admitida a viabilidade de uma teoria apoiada na história da filosofia interpretada de modo unitário, a ideia de tal teoria é, em si mesma, algo secundário e meramente posterior — um filosofar sobre a filosofia —, e esse caráter de hiperreflexão a torna suspeita de ser mecanizada e incriadora, objeção que atinge o empreendimento de modo ainda mais decisivo quando este se insere na tendência a uma renovação da filosofia.
  • A questionabilidade de tal teoria é total enquanto o problema for colocado no interior de uma filosofia da reflexão de tipo transcendental-crítico ou transcendental-dialético, pois é precisamente nesse ponto de vista da reflexão, e somente nele, que surge o risco de uma nova elevação à hiperreflexão e aos seus resultados secundários e infrutíferos.
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